Em Defesa de um Certo Medo

Quando publiquei aqui no Boca no Trombone
Liberdade é uma Coisa; Barbárie é outra, http://bocanotrombone77.blig.ig.com.br/2008_06.html#post_19062956 a respeito do comportamento absurdo das pessoas no cinema, meu amigo Armando de Oliveira Neto, Médico Psiquiatra, Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama, entre outras atividades,enviou comentário explicando que a causa daquilo era a falta (ausência) do medo. Escreveu ele:

(…) Desenvolvo uma hipótese que a falência das estruturas sociais, aqui e lá fora também, é creditada ao desaparecimento do MEDO: não se tem mais medo de nada, as crianças do bicho papão, do homem do saco; o religioso não é mais um temente a Deus; as leis não punem e por aí caminham minhas reflexões. Se for de seu interesse poderei detalhá-las oportunamente”

Imediatamente, respondi que era sim de meu interesse e que tinha certeza de que os leitores do Boca no Troambone ficariam contentes em poder ler abalizados comentários de competente profissional da área. Generoso, ele acaba de enviar seu artigo, cuja íntegra segue abaixo.

É longo. É ótimo!!!

Em Defesa De Um Certo Medo
por Armando de Oliveira Neto.

Esta reflexão teve origem durante atividade de orientação de acompanhantes (pais, avós, tios, etc.) de crianças internadas em hospital pediátrico de grande porte, na capital de São Paulo.
Uma das mais recorrentes queixas devia-se ao comportamento de crianças e adolescentes que eram apresentadas como malcriados, agressivos, desrespeitadores e/ou outras queixas similares.
Durante o levantamento de dados clínicos, salientava-se uma postura parental comum a todos eles: a falta do exercício de um certo pátrio poder. (grifo do Boca no Trombone)
Como conseqüência, as crianças não incorporavam noções como limites, disciplina, ordem ou respeito, tendo, como ponto comum, a não articulação interna do significado da palavra NÃO.
Os conflitos de relacionamento surgiam como resultado direto desta bipolaridade: de um lado as crianças que querem e de outro os pais que não deixam e, pelos relatos apresentados, havia vitória, com indiscutível vantagem, para as primeiras.
Ao se perguntar “o que há de errado nesta situação?”, originaram reflexões que são apresentadas a seguir e que caminha sobre a questão do MEDO.

Durante o processo de adaptação das espécies animais, um elemento organizador dos comportamentos é o medo.
Assim temos que todo comportamento de proteção evitatório da caça em relação ao predador, o chamado instinto de preservação, é originário do medo.
Até aqui, nenhuma novidade, mas o que nos interessa é a compreensão do medo enquanto organizador das vivências sociais. Desta forma, todo animal que vive em grupos, como os lobos, os leões, as hienas, os cachorros, os elefantes, as gralhas, as galinhas, etc,, desenvolve uma estratégia adaptativa que é a organização interna em termos de uma rígida hierarquia, denominando-se alfa, o indivíduo, ou casal, que domina o grupo.
Esta dominância tem vários objetivos, como por exemplo: entre os dingos e os lobos, somente o casal alfa se reproduz e desta forma garante-se que todos os esforços da matilha são dirigidos ao sucesso da sobrevivência dos filhotes. Já entre os elefantes, a matriarca organiza as marchas em busca de alimento e água, pelas savanas e florestas, apoiada pela excelente memória dos nichos e poços. As galinhas de maior posição hierárquica, as “bicadoras”, mais fortes e lutadoras, tem o direito de dormir nos galhos superiores das árvores, o que lhes facilita a sobrevivência em caso de ataque de raposas, cobras ou outros predadores.
Compete ao alfa a escolha da presa a ser perseguida, como acontece com os lobos, e toda a alcatéia o segue sem titubeios: seria uma grande confusão se cada um atacasse várias presas em potencial, provavelmente resultando em fracasso com risco para a própria sobrevivência.
O elemento que sustenta esta estrutura social é o medo: todos os integrantes do bando têm medo, imposto pela força e luta – às vezes a custa da própria vida – do indivíduo alfa e se algum integrante tentar arrebatar esta posição, terá que ser pela luta, pois afinal aquele não estará disposto a perder a liderança e a melhor oportunidade de reproduzir seu material genético de graça.
Pensando nossos antepassados, desde os tempos de Lucy, também nos organizamos com a mesma finalidade: sobrevivência da espécie. (Grifo do Boca)
Embora a disponibilidade sexual das fêmeas naqueles grupos primeiros – fato só observado também nos bonomos – pudesse afastar a tese da replicação genética individual, dando origem a cooperação, poder-se-ia atribuir ao homem alfa a organização em termos de defesa de território, conquista de outros, escolha da caça-alvo, etc.
E novamente aparece o medo-organizador!
Com o aparecimento da cultura, este medo foi moldurado pelo conceito de respeito . Assim passou-se a respeitar o alfa que, depois da noção de divindade, era personificado pelos sacerdotes, representantes diretos dos deuses na terra.
O passo seguinte foi a criação da figura dos reis, sempre apoiado, convenientemente, pelos sacerdotes, com os quais muitas vezes disputavam o poder terreno.
E assim caminhou a humanidade: o povo obedecia por respeito/medo aos Nabucodonosores, Darios, Alexandres e Césares, trabalhando na construção das pirâmides, seguindo seus líderes pelo deserto, combatendo nas Cruzadas, morrendo pelos reis, papas, barões e condes, Napoleões, Czares, Hitleres, Ozamas e aí por diante.
Na religião, dizia-se que o indivíduo era temente a Deus. Cultivava-se a obediência, geralmente quase cega, provada pelos rituais de iniciação, consolidadas pelas Ordens Religiosas de Cavalaria, aos livros sagrados, que eram considerados intocáveis e inquestionáveis.
O senhor feudal era servido com a própria vida, tanto pelo camponês como pelo samurai.
Repetia-se, de várias formas, o cerimonial ritualístico de confirmação do respeito/medo: as cerimônias religiosas, as pompas palacianas, os desfiles militares, etc..

“Freud, Woodstock, Quartier Latin e Yuri Gagarin”

Freud elaborou o conceito do medo da castração, no Complexo de Édipo, como forma de sustentação de uma certa dinâmica familiar e que teria um caráter universal.
Mas algo não deu certo: a partir de certo momento, como conseqüência direta das Grandes Guerras e a transformação da economia, de raiz agro-pecuária em industrial, com a ascensão do capitalismo e do “jeito americano de vida”, com a cultuação do prazer, na chamada cultura hedonista, sucumbe o respeito/medo, enterrado pelos dólares, hoje euros, drogas, sexo e rock’n roll.
Surge uma dicotomia cultural nítida: a americana e a européia, que pode muito bem ser vislumbrada nos movimentos dos anos 60′: o festival de Woodstock e a explosão do Quartier Latin.
Uma lembrança: Yuri Gagarin, o astronauta russo, quando chegou lá na órbita terrestre, disse em alto e bom tom, para que todos pudessem ouvir, que não via nenhum Deus por lá, embora a frase mais conhecida tivesse sido sobre a cor azul do planeta.
Pronto: naquele dia e hora morria Deus !!!
Uma nova ordem social surgia: a economia, o capital, certamente para a grande decepção daquele astronauta, se hoje fosse vivo.
O respeito cedeu lugar aos anseios de se adquirir o vil metal e ao prazer, inconteste então, que com ele se poderia comprar. O álcool, as drogas ilegais, e as legais também (os antidepressivos, mas este é um capítulo à parte) passaram a ser a ritualística da nova ordem.
Com isso, foi demolida a edificação dos valores da ordem social pautada pelo respeito/medo e em seu lugar surge uma cultura do prazer a qualquer custo.
Lembrando Althusser, os aparelhos ideológicos da manutenção destes novos elementos são:
1. A Família (a criadora): com a “perda” do exercício do pátrio poder, objeto inicial deste singelo escrito, redundando na não identidade do ser-pai e/ou ser-mãe, e o poder que desta situação emana.
2. A Escola (a formadora): com a ruína do sistema educacional público e, de certa maneira o privado também, tendo sido os mestres destituídos de qualquer expressão de poder e despojados do respeito/medo , podendo ser facilmente constatado no contato com professores quer de periferia (pelo medo das represálias à integridade física), quanto de nobres bairros (pela perda do emprego com os salários pagos pelos ricos papais).
3. A Igreja (a mantenedora): aqui podendo ser englobado o Estado, com a notória falência de seus ditames morais ou legais, junto ao cotidiano do cidadão, a tão evidente ausência do Estado em nosso país, desde Brasília até nossas fronteiras distantes.

Por não ser objeto original deste escrito, os dois últimos itens não serão aqui abordados, embora possam ser enfocados da mesma maneira, e assim passemos ao primeiro.

Voltando aos anos 50′: a Pediatria passa a “ressuscitar” as idéias de Freud e Benjamim Spock, acompanhado da versão tupiniquim, edita o livro Meu Filho, Meu Tesouro, com a versão própria do trauma primário. Lembro-me de um episódio pitoresco e exemplificador: com um grupo de colegas da Faculdade, nos anos 60′, fomos almoçar na casa de um professor, psicólogo e analista didata da Sociedade de Psicanálise, hoje estrela freqüente do Fantástico, e que foi indagado o que o teria motivado a nada fazer em relação ao seu filho que passou sorvete de sobremesa por toda sua cabeça, tendo o facultativo respondido que era para não o traumatizar!!! É a bobagem atingido o intestino da Igreja (denominação carinhosa daquela Sociedade).
Pediatras, psicólogos, psiquiatras, pedagogos, educadores, advogados, juízes, conselheiros tutelares passam a levantar esta bandeira, de forma a abolir o medo, e conseqüente respeito, dos processos educacionais. Questionam-se as cantigas e contos infantis, suspendem-se os castigos, substituindo-se pelo não-prêmio.
Logicamente aqui não se trata de maus tratos ou violência às crianças, lembrando os anúncios no Metro de Londres, nos anos 70′, pedindo aos pais que não quebrem, literalmente, seus filhos, com radiografias de fraturas de crianças (algumas chegaram a morrer). Assistimos horrorizados, na atualidade, os acontecimentos da menina Isabella, lembrando das muitas outras crianças que não são noticiadas pelos meios de comunicação. Espero que o leitor perceba que não é sobre isso que aqui trato.
Depois deste passeio pela História, voltemos ao ponto original: a perda do respeito/medo pelas novas gerações de crianças e todas as implicações que daí se originam: não se teme Deus (não há inferno com que se preocupar), Estado (de cada cem crimes cometidos em nosso país somente uma prisão se efetiva), políticos corruptos (nossos eleitores continuam votando neles), etc., lembrando cenas de um filme dos anos 60/70′ – Pequenos Assassinatos.
No âmbito de nossas crianças, não há mais medo do bicho papão, do homem do saco, da mula sem cabeça, e tantas outras figuras da nossa mitologia caipira. Mas também não se temem mais as notas de comportamento escolar, que reprovavam e hoje nem existe mais, nem das noções de pecado, falcatruas ou mesmo crime, tão enaltecidas, não pelas novelas, mas pelas notícias reais do nosso cotidiano.
Nos processos de psicoterapia destes casos tenho assinalado os exageros de uma maternagem, que se revela como nefasta aos filhos, bem expressa pelo dito popular “avós ricos, pais nobres, filhos pobres”.
O que tenho prescrito aos aflitos pais é a Defesa De Um Certo Medo, aqui entendida como base do respeito, envolvendo mudanças de paradigmas dos princípios que norteiam o pátrio poder.
Tecnicamente esta abordagem psicológica respalda-se nos ensinamentos de René Spitz, quanto à gênese do SIM/NÃO, sendo que os detalhes são específicos para cada caso.
Mas às vezes percebo-me como aquele velho rabino que há mais de 90 anos rezava em frente ao Muro, pedindo paz e, indagado pelo repórter como se sentia, respondeu que se sentia falando com um muro…
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Conclusão do Boca no Trombone

Com seu conhecimento científico sofisticado, Armando dá a mesma receita indicada por mim no referido artigo a respeito da barbárie nas salas de cinema. Transcrevo a minha “receita”:

Curioso que numa época em que seguranças imensos fardados de ternos pretos circulam por todo lugar o tempo todo, nas salas de cinema não exista um único funcionário para reprimir e até mesmo expulsar aqueles que incomodam. Se for complicado explicar para o segurança o que incomoda, basta fazer que ele assista àquele filminho de proibições que já existe e dar autoridade para ele expulsar da sala quem estiver desobedecendo o que diz o filminho.

Enquanto meu método não é implantado, ir ao cinema e querer ter ambiente minimamente propício para desfrutar do filme, passa a ser pretensão tão grande quanto querer que a vedete sai da tela e venha se sentar na poltrona ao lado, com direito a um champagne no seu apartamento em seguida!!!

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Armando de Oliveira Neto
Médico Psiquiatra
Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama.

VIZINHOS BOTAM A BOCA NO TROMBONE CONTRA O SÃO PAULO

A propósito do post Richarlyson – Preconceito Absurdo, publicado aqui no Boca no Trombone há mais de um mês http://bocanotrombone77.blig.ig.com.br/2008_10.html#post_19083709
o movimento Morumbi Cidadania Site: http://morumbi.wordpress.com
aproveita a deixa e PÕE A BOCA NO TROMBONE denunciando irregularidades que estariam sendo cometidas pelo São Paulo Futebol Clube e que causam inúmeros aborrecimentos para os moradores vizinhos ao Estádio. Abaixo a carta do Movimento e a seguir, a Resposta do sr. J.A.M. Simões, Ouvidor do São Paulo Futebol Clube que se limita a informar que o Presidente do S. Paulo foi intimado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias do Inquérito. No final, rápido comentário meu sobre o assunto.

Enviado ao Boca no Trombone pelo Morumbi Cidadania

Nos do Morumbi Cidadania, grupo de moradores organizados para fazer valer nossa cidadania na região do bairro Morumbi, gostaríamos de contar com seu apóio e colaboração para divulgar os seguintes fatos, dada a sua credibilidade e transparência como jornalísta :

– durante muitos anos somos diariamente desrespeitados pelo São Paulo Futebol Clube, a entidade ignora totalmente o entorno e diminui a qualidade de vida dos moradores nos dias de jogos e também diuturnamente com as atividades sócio-esportivas.

– nos organizamos e conseguimos junto ao Ministério Publico do Meio Ambiente a instauração de inquérito para averiguar uma série de denuncias documentalmente comprovadas, como exemplo temos a comprovação da SABESP que o referido clube não tem esgoto conectado na rede, o que é crime ambiental.

– no próximo último 27 / 03 o presidente do São Paulo foi intimado para prestar esclarecimentos sobre as denuncias do inquerito em audiencia no Ministerio Publico na 4ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente da Capital, conforme determinação do Promotor de Justiça Dr. José Eduardo Ismael Lutti.

– estamos a disposição para quaisquer esclarecimentos que o Sr. julque necessário para verificar a veracidade das informações aqui mencionadas.

– nossa objetivo é combater a impunidade, no futebol e em todos os seus aspectos para fazer valer o respeito pela cidadania em toda a cidade de São Paulo!

Atenciosamente

Morumbi Cidadania

L. D’Alkmin
S. O. Santoro

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O Boca no Trombone entrou em contato com a entidade na ocasião que mandou novo texto.

Prezado Sr. Paulo

Primeiramente minhas congratulações pela atenção ao caso, o sr. foi o único jornalista que entendeu a relevância da luta que empreendemos contra entidades e orgãos hostis à população e que necessariamente devem se adequar ao respeito a cidadania.
Segundo gostaria de completar algumas informações como segue:

O grupo Morumbi Cidadania solicitou, após a instauração do inquerito por parte do Ministério Público do Meio Ambiente, uma reunião com a Ouvidoria do São Paulo Futebol Clube.

Fomos recebidos pela Ouvidora Dra. Andrea, quando foi entregue uma listagem dos problemas amplamente conhecidos que ocorrem na região.

Não houve qualquer tipo promessa ou ação com relação à situação, simplesmente obtivemos a informação que deveria ser elaborado um “projeto” para ser apresentado aos responsáveis pelos diferentes setores de atividade do clube, e o mesmo poderia levar meses para ser desenvolvido.

A partir de 10/03 será publicado no blog do Morumbi Cidadania toda a documentação referente ao inquerito da 4ª Promotoria do Meio Ambiente para que seja possível o acompanhamento da imprensa e outros.

Agradecemos sua consideração esperando que a publicação desses fatos que certamente contribuem para a cidadania na cidade de São Paulo.

Atenciosamente

Morumbi Cidadania

L. D’Alkmin

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A Resposta da Ouvidoria do São Paulo Futebol Clube:

Prezado senhor Paulo,
Conforme as suas próprias declarações o assunto está na Justiça não sendo mais relativo á Ouvidoria.
“o presidente do São Paulo foi intimado para prestar esclarecimentos sobre as denuncias do inquerito em audiencia no Ministerio Publico na 4ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente da Capital, conforme determinação do Promotor de Justiça Dr. José Eduardo Ismael Lutti.)Fique com Deus,
Ouvidor( J.A. M.Simões)”
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Comentário do Boca no Trombone

O carinhoso Ouvidor do S. Paulo que termina sua manifestação desejando que eu fique com Deus (retribuo a ele o mesmo desejo)
perdeu a oportunidade de dar explicações mais abrangentes, aliás, direito dele e do clube de permanecerem calados. É uma pena.

Ocorre-me outro problema na mesma região do Morumbi, onde há o Estádio de Futebol e, praticamente colado, o Hospital Albert Einstein. É mais do que óbvio que hospitais e Estádios de Futebol são estabelecimentos incompatíveis e não poderiam jamais ser vizinhos. Não sei quem chegou primeiro. Errado está o órgão que permitiu e concedeu licença de construção para o que chegou depois.

Mais uma vez repito meu bordão, desta vez adaptado, O Homem é capaz de chegar à Lua e aqui não se enxerga coisa tão clara como essa!!!

Para a burrice, não há limites!!!

Recordes sucessivos de congestionamentos de trânsito em S. Paulo fazem que autoridades anunciem medidas de urgência.

Mas não precisa ser nenhum especialista para perceber que é ABSOLUTAMENTE INCONCEBÍVEL que em ruas de comércio e trânsito pesado seja permitido o estacionamento. Com ou sem talão de zona azul, trata-se de verdadeiro absurdo.

Conheço a Teodoro Sampaio bem, mas sei que o fato se repete nas ruas principais de todos os bairros e até mesmo no Centro.

Talvez para não se indispor com o comércio e comerciantes, permite-se o estacionamento nessas vias. Para favorecer uma categoria, pune-se a cidade inteira, tanto os que andam de carro quanto os que usam ônibus (ricos, classe médias e pobres). O be-a-bá da física ensina que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço físico ao mesmo tempo. Uma faixa para estacionamento (tenho até vergonha de escrever algo tão óbvio) significa uma faixa a menos para escoar o trânsito.

Curioso é o paradoxo da coisa, ou a falta de bom senso. Enquanto (falo sempre da Teodoro) carros estacionados ocupam uma pista, entupindo tudo, nas ruas transversais abundam vagas.

Alguém já disse que a natureza limitou a inteligência, mas não limitou a burrice. É um caso típico.

Voltando ao meu setor, duas frases minhas sobre o assunto:

No instante final, um anjo deveria vir nos avisar de que seríamos ressarcidos de todo o tempo perdido no trânsito.

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Súplica do paulistano ao raiar de todos
os dias: “que o trânsito hoje me seja leve!”

Poético, né??? Mas na segunda, na terça, na quarta ….. feira…, ninguém vai ver poesia alguma das 6 da manhã às 22,30 hs na cidade!!!

RICHARLYSON – PRECONCEITO ABSURDO

A torcida do São Paulo, antes do começo do jogo de ontem contra o Audax, saudou os jogadores do time gritando o nome de cada um deles – do goleiro ao ponta esquerda. Segundo ouvi na Rádio hoje de manhã, Richarlyson não teve seu nome mencionado porque seria homossexual. No post COMO NASCEU O PORCO, em que falo do apelido do Palmeiras, concluo:

Em tempo, sou corinthiano, mas não tenho nada contra o Palmeiras. Já São Paulo, Santos…são paulinos, santistas….

Fazia certa restrição aos sãopaulinos pó de arroz que conheço. Desse jeito vou ser obrigado a dar mais abrangência ao meu sentimento restritivo…

Como Nasceu o Porco

Domingo tem Corinthians e Palmeiras. Uma historinha, cultura de almanaque, para você contar para os amigos na hora do jogo.

Meados da década de 70. Domingão ensolarado no Morumbi lotado, minutos antes de começar o jogo, jornalista corinthiano solta no campo um Porco vestindo a camisa do Palmeiras.

A partir de então, todo mundo quando queria se referir ao Palmeiras, ao invés do nome do clube, dizia Porco. Os palmeirenses, que no início se revoltavam, decidiram a assumir a brincadeira e a se auto-denominarem Porco.

Em tempo, sou corinthiano, mas não tenho nada contra o Palmeiras. Já São Paulo, Santos…são paulinos, santistas….

Lap Top, Sonho; mimeógrafo, realidade

O sonho nos gabinetes de Brasília, incluindo no do presidente da República, é com crianças de escolas públicas de todo o país usando seus lap tops individuais. Dezenas e dezenas de milhões de computadores. Mas a realidade do ensino brasileiro está a anos luz disso. Anos Luz mesmo!!!

Dedicadíssima professora de Escola Estadual de São Paulo, na tentativa de incrementar suas aulas e despertar o interesse dos alunos, tem por hábito preparar folhas com exercícios e distribuir em classe.

Faça agora um brutal esforço de imaginação para adivinhar como essas folhas são produzidas. Esforce-se um pouco mais. Tenho certeza de que você não chegou nem perto.

Terminou o tempo!!!

Muitos fins de semana, em casa, ela coloca folhas de estêncil em sua máquina de escrever e datilografa os exercícios. Você não sabe o que é estêncil e suponho não ter capacidade de explicar. Assim, colo o verbete do meu Aurélio Eletrônico.

“Folha de papel recoberta por substância gelatinosa e gravada ou perfurada por estilete ou por máquina dactilográfica, de jeito que, ao passar entre um rolo de tinta e uma folha de papel em branco, nesta reproduz fielmente as letras ou desenhos traçados; matriz.”

Tradução livre: trabalho desumano, extemporâneo, absurdo, estressante, já que não se pode cometer qualquer erro. Isso sem contar que a pessoa, ao fim de poucos minutos, fica azul, literalmente azul da tal da tinta. Mas a missão da nossa heroína ainda não terminou. Em seguida, ela coloca o tal do estêncil no mimeógrafo e imprime a astronômica quantia de… 32 cópias (uma para cada aluno).

Famoso dramaturgo brasileiro, para mostrar o ritmo alucinante de seu trabalho de colocar um capítulo por dia de novela no ar, disse, em palestra em meados dos anos 70 (quase quarenta anos atrás), que já escrevia direto no tal do famigerado estêncil.

Dramaturgo sempre ganhou muito bem e sujou seus dedinhos a preço de ouro há infinitos anos. Agora, permitir que dedicadas professoras trabalhem, fora do expediente, em condições da pré-história, em pleno século 21, é absolutamente inconcebível, verdadeira barbárie.

Governadores, prefeitos, secretários e Ministro da Educação estabeleçam e destinem verbas por decreto para que, enquanto não chegam os tais computadores de 100 dólares, todas as escolas sejam obrigadas a ter ao menos um computador, com programa de texto, naturalmente, e uma impressora.

Em tempo, a dedicada professora não dá aula em escola da margem esquerda do afluente do Rio Amazonas. Ela trabalha bem próximo ao Shopping Morumbi.

Trote, Telefonia e Capacete

Três assuntos: trote, mudança de empresa de telefonia sem perder o número e piadinha sobre capacete de motociclista.

Trote:

Nas ruas próximas às faculdades, sempre nos começos de semestres letivos, cena absurda se repete. Motoristas são abordados por meninas e meninos bonitos com rostos pichados que pedem um dinheirinho.

Não dá para acreditar que Universitários do século 21 ainda acham engraçado/divertido colocar colegas calouros para ficar perambulando entre carros, ambulantes e mendigos em nome de uma brincadeira absolutamente extemporânea, inoportuna e de mau gosto.

Amigos me dizem que personalizo muito meus textos, mas não posso deixar de usar frase minha sobre o assunto:

O que se pode esperar de um país cujos jovens universitários obrigam seus colegas calouros a disputar esmolas com mendigos nos semáforos?
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O número do telefone, finalmente, será do Assinante

Assisto ao Jornal Nacional, com freqüência em companhia de competentíssimo administrador de Fundo de Ações. Milionário, por talento/esforço próprio, trata-se de uma das pessoas mais low profile (discreta) que existe. Há uns quatro anos, quando começaram a ser oferecidas diversas opções de empresas telefônicas, ele saudou a novidade durante o noticiário. Comentei com ele que de quase nada adiantaria para mim e para todos os cidadãos. Avisar amigos e clientes da mudança do número é trabalho hercúleo, praticamente impossível. Ele explicou:

– Isso só acontece no Brasil. Nos outros países, o assinante/ o cidadão é o dono do número. Ele leva esse número para a empresa que ele quiser. Nos Estados Unidos há pessoas que a cada dois meses mudam de companhia telefônica.

Já se passaram alguns anos dessa minha conversa e, ao que parece, essa medida que foi anunciada ontem no Jornal Nacional só vai valer para todos os brasileiros a partir de março de 2009. Isso, como dizia uma francesa, minha professora na Aliança, se essa lei pegar, porque, segundo ela, aqui no Brasil algumas leis pegam e outra não.

Resta-nos rezar!!!
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Capacete sem Selo do Inmetro –

A obrigatoriedade do selo do Inmetro nos capacetes de motociclista no país, em vigor há quase um mês, foi suspensa. Minha professora explicaria: essa lei não pegou.

Para divertir e mostrar que não sou mal humorado, afinal o que dá pra rir dá pra chorar, como já disse Billy Blanco, uma piadinha a respeito:

A mulher ficou entalada na privada. Gritou um pouco e quando percebeu que o zelador ouvira e já estava abrindo a porta de entrada, para atenuar o constrangimento, pegou o capacete do marido que estava no banheiro e se cobriu.

Solícito, o zelador tranqüiliza a mulher e, ao mesmo tempo, informa:

– A senhora pode ficar sossegada. Vou pegar as ferramentas, chamar um colega e vamos tirar a senhora daí.
Agora, o motoqueiro, o motoqueiro já era!!!

Liberdade é uma Coisa; Barbárie é outra.

As salas de cinema e de teatro cumprem a lei e antes do início de cada sessão informam a respeito de hidrantes, saídas de emergência e da proibição de fumar. Solicitam ainda que a platéia permaneça em silêncio, desligue os celulares, e não faça barulho.

Acontece que a falta de educação e a falta de respeito pelo próximo imperam e essas solicitações de nada adiantam. A platéia imagina que quando os atores estão em silêncio é a deixa para bater papo com o amigo, namorada e começa a conversar com se estivesse em uma sala de visitas, no mesmo volume de voz, inclusive. Muitos esquecem de desligar o celular e, acreditem, atendem o celular sem a menor cerimônia. Nessa selva, certamente o búfalo (elemento grosseiro, verdadeiro bárbaro, no mau sentido) que se limita a mandar jatos de luz no olho do vizinho a cada dois minutos para verificar quem ligou, considera-se verdadeiro príncipe, de tão educado.

Um conhecido meu que freqüenta círculos endinheirados atribui a falta de educação ao fato de as crianças não serem mais educadas pelas mães e sim pelas babás. Sendo ou não as babás responsáveis, o certo é que abusos continuados não podem ser admitidos. Vítimas de uma barbárie rapidinha (rapidinha pra barbárie é curioso, né???; rapidinha combina muito mais com substantivo imensamente mais saboroso) todos nós somos o dia inteiro e a maioria nem se dá conta. Agora, agüentar o búfalo ao seu lado durante duas horas, conversando, fazendo barulho com papel de bala e de pipoca, mandando jatos de luz no seu olho a cada cinco minutos, apesar de acontecer em todas as sessões de cinema e de teatro, é demais e deveria ser mesmo proibido.

Curioso que numa época em que seguranças imensos fardados de ternos pretos circulam por todo lugar o tempo todo, nas salas de cinema não exista um único funcionário para reprimir e até mesmo expulsar aqueles que incomodam. Se for complicado explicar para o segurança o que incomoda, basta fazer que ele assista àquele filminho de proibições que já existe e dar autoridade para ele expulsar da sala quem estiver desobedecendo o que diz o filminho.

Saída mais divertida também existe, mas julgo que não fará o menor efeito. Alguma cadeia de cinema poderia lançar um concurso para escolher o roteiro de um filme/animação de um ou dois minutos que ridicularizasse ao máximo esses bárbaros que tanto incomodam nos cinemas e nos teatros. O autor do roteiro premiado teria a produção do filme e honorários bancados pelo promotor do concurso. A cada tantos meses, poderia ser produzido um novo filme com o mesmo intuito. Para baratear a coisa, uma ou mais cadeia de salas de cinema/teatro poderiam patrocinar essa iniciativa.

Esse filme seria exibido sempre antes do início de cada sessão. Segurança de terno preto do tamanho de um armário estaria de prontidão em todas as sessões apenas para lembrar que o filminho é para valer. Aliás, deve fazer parte do roteiro do filme que o anúncio é sério e um segurança está ali para provar isso.

Não me venha ninguém dizer/escrever que minha idéia é de ditador, de nego autoritário, de cara mal humorado. Quem me conhece sabe que não sou nada disso. O que sugiro é o mínimo dos mínimos. E digo mais, sem querer ser megalomaníaco: algum órgão do governo, ligado à educação, deveria até me mandar um email agradecendo pelo texto.

Mino Carta responde sobre sua Olivetti

Mino Carta publicou no Blog dele, também aqui no Ig, simpática resposta ao meu texto Carta para Mino Carta e sua Olivetti. Colo abaixo a resposta do famoso jornalista. Quem quiser, pode ler direto. Para quem preferir ler primeiro o que eu escrevi e depois a resposta dele deixo o link do meu post

http://z001.ig.com.br/ig/40/19/1010195/blig/bocanotrombone77/2008_01.html#post_19037299

Abaixo, o texto do Mino.

08/01/2008 18:59

Não vou abandonar a Olivetti

O simpaticíssimo Paulo Mayr envia uma carta “para Mino Carta e sua Olivetti”. Resumo a deliciosa missiva. Sugere que eu aposente de vez a minha máquina de escrever para render-me aos encantos de um computador Pentium 4. Garante que não sentirei falta da minha fiel companheira, enquanto ganharia muito, em tempo e qualidade, caso usasse “esta maravilha acessível a praticamente todas as pessoas do século 21”. Não é que Paulo desgoste da Olivetti, pelo contrário, até hoje ama a sua velha Remington, presente do seu pai quando tinha apenas três anos. Mas se recusa a entender que um cidadão contemporâneo dispense os favores oferecidos pela tecnologia mais atual e vencedora. Ocorre, meu caro Paulo, que não sou do século 21. Se tanto, sou do 20, com leves, porém freqüentes, recaídas no 19. Não há como alterar o destino, a determinação inenarrável dos fados gregos. Luz elétrica, rádio, televisão, telefone e válvula hydra são o meu limite. Ignorei a secretária eletrônica e o fax, nos tempos idos. Temo o computador, e sua bocarra pronta a me engolir. Na minha visão, centenas de milhões de seres humanos já foram mastigados e deglutidos. Estou errado? É possível, é provável. Fui, no entanto, em eras priscas, operado das amídalas e em tempos mais recentes, disseram-me que deveria tê-las conservado, sentinelas da garganta. De todo modo, um abraço mediterrâneo.
enviada por mino
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