A BOLSA E AS LARANJAS

Há pouco mais de um ano, em situação semelhante, publiquei texto abaixo. Na verdade, piadinha com gancho para os leitores do Boca no Trombone contarem pros amigos durante o fim de semana. Afinal, como dizia música de Billy Blanco, o que dá pra rir, dá pra chorar. Mesmo já tendo chorado/sofrido muito, ria um pouco. Mal não vai fazer.
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Como dizem os americanos, Obrigado Deus, Hoje é Sexta-feira!!! (Thanks God, Today is Friday). Tendo ou não perdido dinheiro na bolsa, aproveite o fim de semana. Se você ficar muito encucado, nada mesmo vai funcionar. A esse respeito, lá vai piadinha didática.

O sujeito especulava com mercadorias. Nas projeções dele, a laranja iria subir muito. Ambicioso, comprou logo cinco mil caixas. Mas o preço começou a cair. O amigão do peito disse que ainda que ele perdesse todo o dinheiro das laranjas, sua vida não iria mudar . E aconselhou que relaxasse com a melhor garota de programa da cidade.

Aceitou o conselho, mas as laranjas encalhadas não lhe saiam da cabeça.

Naturalmente, não se entusiasmou, se é que assim se pode dizer. A moça era uma profissional, o que não a impedia de ser carinhosa e se mostrou prestativa para livrá-lo daquele embaraço.

– Não se preocupe. Eu faço o que você quiser. Você quer que eu chupe, eu chupo.

E ele respondeu:

– Mas são cinco mil caixas!!!

Não fique como ele: bola pra frente, cabeça pra cima e tudo pra cima!!!

Mesários Orgulhem-se!!! Eleitores de Maluf pensem!!!

Li em algum lugar que a eleição é o único dia a cada dois anos em que, de fato, todos os brasileiros são absolutamente iguais na sua principal atividade. O voto de um milionário, de um cara com pós doutorado têm exatamente o mesmo valor que o de um miserável, um semi-alfabetizado. Não é o máximo isso??? Por incrível que pareça, há gente que seja contra essa paridade.

E você, jovem escalado para mesário, tem um papel fundamental nessas datas históricas.

Esqueça um pouco o domingo que será gasto atrás de uma mesa e pense se haveria outras alternativas. Que outras maneiras teriam os Tribunais eleitorais para escolher os mesários??? Contratar centenas de milhares de funcionários apenas para o dia da eleição seria impossível e fatalmente suscitaria infinitas dúvidas a respeito da conduta, da imparcialidade deles.

Portanto, caro jovem, não fique se lembrando do que poderia estar fazendo no domingo e exerça com orgulho o papel que lhe cabe. Além disso, o empregador tem a obrigação de dar um ou até dois (não me lembro ao certo) dias de folga para todos os que foram convocados nas eleições. A esse respeito, um mês e meio atrás, ouvi na CBN, no fabuloso programa FIM DE EXPEDIENTE, um perspicaz e gozador comentarista afirmando que o jovem que cogitasse de usufruir desse dia de folga por conta do serviço prestado nas eleições seria imediatamente demitido. Aí é aquela velha história, velha teoria do saudoso Severo Gomes, já citada aqui no Boca do Trombone mais de uma vez – dizia ele: “não é o povo brasileiro que não presta. O povo brasileiro é bom. Quem não presta é a elite. Nós é que não prestamos!!!”

Mesário, orgulhe-se de contribuir para a cidadania no domingo e usufrua com tudo o feriado a que terá direito
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Não gosto de discutir política, mas julgo ter argumento definitivo para demover a imensa maioria dos eleitores de Paulo Maluf.

Entendo uma pessoa esclarecida que vote no Maluf por interesse, ainda que interesse lícito. Gosto sempre de dar o mesmo exemplo, bem ingênuo, por isso mesmo definitivo. Se alguém diz que vai votar no Maluf porque tem uma fábrica de carimbos e o Maluf garantiu que, se eleito, a fábrica dessa pessoa será incumbida de produzir carimbos para diversos órgãos. Aí eu entendo, desde que não haja super-faturamente e/ou outras maracutaias. Agora, o sujeito dizer que vota no Maluf porque acredita no Maluf, aí não dá mesmo. É o fim da picada. Aquela cara permanentemente risonha, sempre olhando para a câmera, raramente para o interlocutor, é tão verdadeira quanto uma nota de três reais. Não há marqueteiro, nem fotógrafo que dê um jeito nisso. Aliás, a propaganda eleitoral de Maluf misturando termos jovens (ele é o cara!!!) com apelos melodramáticos chega a ser hilariante pelo paradoxo da coisa, ou, se preferirem a falta absoluta de conexão do político (do cara) com a linguagem escolhida. Uma outra hipótese é que tanto Maluf quanto seus marqueteiros suponham que todos os paulistanos sejamos idiotas completos.

A Antidemocrática Cigarrilha do Presidente

Eu não sou burro de dizer que o Presidente Lula não é inteligente. Ele é muito inteligente, carismático e intuitivo. Mas a afoiteza que tem de querer se manifestar sobre todos os assuntos de maneira original é de doer. Ora, como é que o presidente de um país pobre como o nosso, em que falta dinheiro para tudo, principalmente educação/saúde, pode estufar o peito (como certamente fez na ocasião) e dizer: “Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado.”

É antidemocrático mesmo com os fumantes defender o fumo em todos os lugares indistintamente. Não é difícil supor que é martírio até para fumantes fazerem refeições e permanecerem em ambientes contaminados por fumaça de cigarros, cachimbos, charutos ou até as cigarrilhas presidenciais. Sem considerar que é extremamente ditatorial, autoritário obrigar e impor a todos resíduos do vício de uma minoria.

Como presidente de um país pobre então, ele deve estar cansado de saber que o dinheiro que o governo arrecada com Impostos sobre o fumo é muito menos do que gasta com doenças, internações, mortes causadas pelo vício de fumar.

Não faço qualquer indireta ao apreço que atribuem ao presidente por bebidas alcoólicas. Mas em relação à bebida, aí sim, ele não estaria sendo nem um pouco antidemocrático ou politicamente incorreto se defendesse o direito de todos beberem o quanto quiserem desde que não pusessem em risco a própria segurança, a segurança e o direito alheio.

Frase minha para terminar: “Tem gente que precisa contar até três antes de dizer qualquer coisa.” Até três milhões!!!

Celulares Anti-búfalos

A Tecnologia na fabricação de celulares não pára e, como todos sabem, esses famigerados aparelhinhos tornaram-se verdadeiros computadores, MP3 e até televisores.

Segundo ouvi no rádio, só a Nokia vende 15 celulares por segundo, todos os segundos.

Pois bem, lanço uma proposta/desafio que Nokia e todos os demais fabricantes deveriam considerar seriamente e se empenhar para por em prática.

Criar aparelhos que amplificassem a voz de maneira absolutamente fantástica. Mas tão fantástica que se o usuário que estiver falando, fosse além de um super-ultra suave sussurrar, aquele que está do outro lado, para não ter os tímpanos danificados, precisaria desligar imediatamente.

Não sou cruel.

Cruel é o búfalo que fica ao meu lado, onde quer que eu esteja, gritando e me obrigando a ouvir coisas que eu não quero e nem tenho a menor obrigação de escutar.

Para terminar, três frases minhas (tenho outras) sobre essa desgraça.

1) O celular é capaz, inclusive, de eliminar a acintosa sutileza de um japonês.

2)O celular implodiu os preceitos mais rudimentares de educação.

3) Todo búfalo tem celular. Na verdade, o celular tornou búfalos seus usuários. Mais ou menos búfalos, porém búfalos.

O ideal mesmo seria um mundo sem celular – óbvio!!! Não é frase – apenas conclusão lógica do texto.

Antes que me perguntem. Eu não tenho celular. Espero jamais ter.

É TUDO DESCARTÁVEL 2 – TRISTE MEDALHA!!!

Computador, automóvel e até mesmo amigos viraram produtos descartáveis, como já se viu, para meu desespero – sujeito romântico, ou clássico, conforme me rotulou um sobrinho quando tinha uns quatro, cinco anos e estava aprendendo adjetivos na escola.

O desperdício é tanto que um paradoxo, de proporções gigantescas, estatela-se diante de meus olhos e cérebro. Muito provavelmente eu esteja errado e a humanidade está certa, seria muita pretensão minha pensar o contrário.

Vivemos uma época da obsessão pelo politicamente correto, sobretudo pelo ecologicamente correto.

Meu querido e saudoso amigo Celso, velho fabuloso de 83 anos, que dominava computador igual um menino de 15, piloto de jato, recém-falecido, detestava as onças que atacavam rebanho de sua fazenda na região amazônica. Dizia ele, brincando naturalmente

– Se você matar uma onça e o fiscal do Ibama vir, mate-o também.

Falava isso porque, salvo engano meu ou falha de memória, crimes ecológicos são punidos com prisão em flagrante. Por assassinato, salvo engano, responde-se em liberdade.

Curioso paradoxo assola essa sociedade que venera ecologia a ponto de a vida de uma onça valer mais do que a de um ser humano.

Até alguns anos atrás, todo mundo tinha em casa garrafas de cerveja e refrigerantes vazias.

Hoje, joga-se tudo no lixo. Por mais que se diga que o vidro das garrafas será reciclado e voltará em forma de novas garrafas, logicamente há desperdício em se produzir o que já estava pronto e apto para uso depois de um simples processo esterilização. E o conteúdo se torna mais caro. E o consumidor paga a garrafa e joga no lixo. E o lixo só faz aumentar. E Isso só faz agravar a falta e a sobrecarga de aterros sanitários. E… . E… … E … Paradoxo, atrás de paradoxo…

Cerveja em lata, então, nem se fale. Para começar, como diria minha Tia Ciloca/Carioca, cerveja em lata devia ser proibida por lei, só por conta do quanto prejudica o sabor e, principalmente, a temperatura.

Faz algum sentido substituir a simpática e econômica garrafa grande das tradicionais confraternizações em bares, praias e restaurantes que servem três amigos ao mesmo tempo pelas individuais, dispendiosas e insossas latinhas???

Sem contar a…. adivinha??? Poluição!!!

Mas aí entra a fabulosa criatividade brasileira. Já que nem em futebol o Brasil consegue mais ser campeão, o país tornou-se imbatível na reciclagem de latinha de cerveja. Por isso, dia sim e outro também, a todo momento, crianças, jovens e velhos miseráveis de todas as idades estão a “explorar” (eufemismo para coisa tão degradante) latas de lixo.

Que triste medalha essa da reciclagem!!!

Marinha sofre com falta de Pessoal

Guilherme Lobo, engenheiro sempre presente no Boca no Trombone, e seu colega Prof. Dr Rui Botter têm dado inúmeras entrevistas para os principais jornais do País, sobre a carência de Oficiais de Marinha Mercante e conseqüente obstáculo para o aumento da exploração e produção de petróleo brasileiro. Globo, Estadão, Diário de Pernambuco, Gazeta Mercantil, “Portos e Navios, revista especializada, fundada há 51 anos, já fizeram reportagens de destaque com eles sobre o assunto.

Boca no Trombone não podia ficar atrás e também abre espaço para que apresentem suas considerações.

O assunto é um pouco técnico, mas a leitura vale a pena. Dois gráficos que havia no texto original não entraram aqui. De qualquer forma, dá para entender.
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Resumo do “Diagnóstico da Disponibilidade de Oficiais de Marinha Mercante de 2008 a 2013” realizado pelo Departamento de Engenharia Naval da Escola Politécnica

Realizado pelos Prof. Dr Rui Botter e Engº Guilherme Lobo

A carência de Oficiais de Marinha Mercante desponta como óbice relevante para o aumento da exploração e produção de petróleo brasileiro. Atualmente (agosto 2008) navegam na Bacia de Campos cerca de 180 embarcações de Apoio Marítimo, demandando aproximadamente 1.500 Oficiais Mercantes.

Oficiais Mercantes são profissionais graduados em cursos superiores em um dos dois seguintes Centros de Instrução [CI] administrados pelo DPC – Diretoria de Portos e Costas:
• CIAGA, [CI Almirante Graça Aranha] no Rio de Janeiro
• CIAGA [CI Almirante Braz de Aguiar

Ao final de 2007 o sistema operava com carência de 6% (demanda de 2.724 Oficiais e Oferta de 2.568) conforme dados apurados pelo “Diagnóstico da Disponibilidade de Oficiais de Marinha Mercante de 2008 a 2013” realizado pelo Departamento de Engenharia Naval da Escola Politécnica. As providências tomadas pelos armadores, ademais dos sacrifícios dos marítimos, Oficiais e Subalternos, impediram que esta carência desestabilizasse o sistema.

Porém a perspectiva é de agravamento. Caso não sejam tomadas medidas contundentes para reverter esta situação, o citado Diagnóstico prevê que esta carência atinja 869 Oficiais em 2.010 (24% da Demanda de 3.643) e 1.419 Oficiais em 2.013 (32% da Demanda prevista de 4.465). A boa vontade e profissionalismo dos marítimos, aliada à competência dos armadores, conseguirá procrastinar o colapso, porém mantida a cadência atual à certa altura o sistema colapsará. A seguir prancha que exibe as principais cifras do Diagnóstico.

Oferta de OMM’s (Oficiais de Marinha Mercante) significa alunos que concluíram o curso ministrado nas instalações do CIAGA ou CIABA e estão qualificados para iniciar o PREST, estágio a bordo de 6 meses para Oficiais de Máquinas e de 12 meses para Oficiais de Convés. Somente a conclusão deste estágio que os cadetes recebem o diploma e portanto o título de Oficial de Marinha Mercante.

A preocupação com as conseqüências desta carência tem mobilizado autoridades governamentais, sindicatos e armadores e pode ser avaliada pela copiosa cobertura dedicada ao tema pela imprensa especializada.

A magnitude dos danos potenciais desta carência tem ultrapassado os meios marítimos. Sem embargo, surpreendentemente, a Grande Impressa tem dedicado amplas matérias sobre o tema, inclusive com matérias de capa. A título de exemplo:

• “USP: apagão marítimo está próximo”: capa de O Globo de 4 agosto 2008 seguido de extensa matéria
• “Falta de oficiais pode causar “apagão” marítimo no País”: capa de Gazeta Mercantil de 24 julho 2008 seguido de extensa matéria

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Navegar constitui o objetivo maior de um Oficial de Marinha Mercante soa como tese indestrutível. Entretanto, considerados os 2.134 alunos que concluíram o curso (qualificados para o estágio a bordo), apenas 541 estão embarcados conforme o “Diagnóstico da Disponibilidade de Oficiais de Marinha Mercante de 2008 a 2013”, resultando uma taxa de opção por bordo de 25%, ou como usualmente denominado pelo mercado, uma taxa de evasão de 75%.

Neste contexto embarcado significa vinculado à operações marítimas de um dos seguintes quatro segmentos:
• Cabotagem ou Longo Curso de bandeira brasileira
• Navegação de Apoio Marítimo em águas brasileiras
• Transpetro. A rigor Transpetro navega Cabotagem ou Longo Curso; porém seu porte justifica seja classificada à parte
• Plataformas de Petróleo em águas brasileiras

Esta taxa de evasão de 72% não constitui um ponto fora da curva da série histórica. Sem embargo o cálculo da taxa de evasão de qualquer ano a partir de 1977 até 2007 revela cifras sempre superiores a 64%. A seguir a compilação dos dados apurados pelo Diagnóstico:

O fenômeno da evasão profissional ocorre em qualquer profissão. Toda faculdade precisa formar duas frações: uma militará; a outra evadirá. Sob a óptica econômica, este fato trivial se torna crítico quando a profissão em pauta apresenta uma previsão de Oferta menor que a Demanda.

Já sob a óptica emocional espera-se que algumas profissões apresentem taxas de evasão pequenas: médicos, militares. A julgar pela reação de espanto do mercado marítimo perante as taxas de evasão ao redor de 70%, é justo incluir Oficiais Mercantes na categoria de profissões associadas à uma imagem de reduzida taxa de evasão.

A importância da Marinha Mercante para o desenvolvimento nacional; as taxas assustadoras de evasão apuradas; a perspectiva de agravamento desta carência; os limitados orçamentos com fundos públicos do CIAGA e do CIABA requerem sejam apuradas as principais causas desta evasão.

É Tudo Descartável!!!

Descartável, como todos imaginam, quer dizer que se pode ou se deve descartar. Meu Aurélio Eletrônico até dá exemplo: Fraldas
Descartáveis.

O verbo Descartar, por sua vez, ainda de acordo com meu Aurélio, significa:

1) “rejeitar (a carta de baralho que não serve, devolvendo-a à mesa);
2) Pôr de parte, não levar em conta, afastar uma hipótese
3) Pôr de parte; deixar de usar ou jogar fora após o uso. Exemplo Dada a injeção, descartou a seringa; Descartou-se das lâminas usadas.
4) Livrar-se de pessoa ou coisa incômoda, enfadonha ou importuna: Exemplo. Tudo fez para descartar-se do repórter.”

Como se vê, Aurélio e sua equipe tiveram razoável bom senso ao dar exemplos: cartas inúteis no jogo de baralho, hipóteses que se demonstram infrutíferas, lâminas de barbear usadas, coisas e pessoas incômodas, enfadonhas e inoportunas, como nós jornalistas.

Acontece que a sociedade não tem esse bom senso e cautela, tornando tudo descartável, a começar pelas pessoas – enquanto fulano tá servindo, quer como amigo, companheiro de viagem, parceiro de negócios, empregada doméstica, beleza. Depois, descarta-se, lixo!!!

Quem não concordar com esse tipo de relacionamento pode e deve relutar, é muito saudável e edificante.

Mas quanto a coisas materiais, tudo aquilo que era considerado bens de consumo duráveis – automóveis, eletrodomésticos, computadores – até alguns anos atrás, virou descartável, tal qual fralda, fio dental e lâminas de barbear. Meu computador anda empacando. Meu técnico, sujeito oriental, econômico e de muito bom senso, foi taxativo:

– Seu computador tem 6 anos, tá velho, troque já.
Meu computador é ótimo, mas alguns programas recentes, necessários para ler documentos atachados em emails o sobrecarregam demais, tornando-o verdadeira tartaruga para todas as tarefas.

Lembro-me que quando tinha uns 17 anos, uma geladeira de casa foi trocada. Nos oito anos seguintes, acho que houve mais umas três trocas.

Quanto mais medíocre o povo e mais pobre, paradoxalmente, mais descartáveis e até perecíveis torna as coisas. Na Europa, freqüentemente se vêem carros com mais de vinte anos circulando pelas ruas. Por aqui, muitas pessoas despeitadas e invejosas cultuam o carro do ano como bem supremo. Famoso janotinha, após ter sido barrado em um grupo, foi para a Imprensa e botou a boca no Trombone:

– Enquanto eu ando de BMW (salvo engano meu) do ano, a maioria daquele pessoal tem carros com mais de 10 anos de uso.

Palito de fósforo, fio dental, amigos, computadores, carta de baralhos, carros que não sejam BMWs do Ano é tudo descartável!!!

Viva a mediocridade!!!

Acabou a luz, acabou tudo!!!

Virou rotina: dia sim, dia não, falta energia em bairros da Zona Oeste da cidade.

Antigamente, acabava a luz, bastava abrir um pouco a cortina ou persiana e tocava-se a vida pra frente: reuniões podiam ser mantidas; escrevia-se à máquina e o telefone funcionava. Vou falar o óbvio. Hoje é tudo eletrônico, nem mesmo telefones funcionam nos apagões. Sem contar o estresse de estar escrevendo, preenchendo uma planilha, acabar a luz e você não saber o que foi salvo e o que ficou no éter cibernético.

Em Belém do Pará, onde todos os dias chove rápida e torrencialmente em determinada hora da tarde, a população marca os compromissos para logo após a chuva. Desse jeito, os paulistanos serão obrigados a tomar a mesma atitude e marcar compromisso para antes ou depois do apagão – com desvantagem suplementar: a chuva é pontual e o apagão, temperamental!!!

Para terminar, frase minha mostrando que a coisa é bem mais feia ainda do que parece:

Um mero apagão deixa patente a vulnerabilidade de toda a civilização urbana contemporânea. E o pior: não se pode nem tomar um café expresso!!!

Escrachar os Fichas Sujas

Na hipótese de os candidatos “fichas sujas” não serem impedidos de se candidatar, fundamental providência deveria vigorar já para essas eleições.
Propaganda e maços de cigarros são obrigados a mencionar advertência dos malefícios do fumo e até mesmo ilustrar com fotos pavorosas.
No caso dos políticos fichas sujas, deveria haver uma lei que garantisse ao Tribunal competente poder inserir na propaganda impressa ou até na Internet aviso do tipo:
Atenção, O Tribunal adverte: esse candidato responde processo por tais e quais delitos. Não em letrinhas microscópicas, não!!! Mas sim em letras 15,20% menor da usada no nome.
Em relação à propaganda gratuita no rádio e tv, após a apresentação do material do candidato que responde processos, locutor do próprio Tribunal deveria relacionar esses processos . Naturalmente, que esse aviso será dado dentro do tempo a que o partido tem direito.
Como se dizia nos meus tempos do Jornal Notícias Populares, quando se estampava foto grande dos marginais – o Tribunal estaria obrigado a “escrachar” o ficha suja.
Dessa forma, os próprios partidos não terão interesse que esses candidatos usem o horário gratuito, uma vez que implicará em perda de tempo no Horário Gratuito para todo o partido.
Anunciar no horário gratuito os “fichas sujas” será péssimo negócio para o partido.

Pra terminar, o Bordão do Boca: O homem já chegou à Lua. Será que aqui não se consegue implantar algo tão simples???

Call centers – lei deveria garantir espera em silêncio

Decreto que endurece regras para call centers (ah, esses malditos terminhos em inglês) deveria também determinar que o consumidor terá sempre a possibilidade de ligar para números de telefones gratuitos para fazer quaisquer reclamações que sejam. Afinal, reclamação já pressupõe dor de cabeça.

Atualmente, o sujeito começa a levar baile dos 0800 – gratuitos – e desiste. Tenta daqui, tenta dali, descobre outro telefone da empresa que não o obriga a tanta perda de tempo. Mas ele paga por essa ligação.

Pagar para ter dor de cabeça é demais. Na verdade trata-se, como costumo dizer, de meta-dor de cabeça – o sujeito tem uma dor de cabeça/aborrecimento extra para resolver aborrecimento/dor de cabeça anterior/primária.

E não basta limitar o tempo de espera em até dois minutos no máximo. Ainda para poupar o cidadão de uma segunda meta-dor de cabeça, literalmente falando, é fundamental que a lei/decreto garanta ao consumidor o direito de esperar ser atendido em absoluto silêncio, sem ser bombardeado por musiquinhas e propagandas estúpidas e ensurdecedoras exatamente da empresa que o está submetendo a tal suplício.

E o bê-á-bá do óbvio!!!