POUPATEMPO RESPONDE AO BOCA E LEITORES

Solicitei à Assessoria de Imprensa do Poupatempo que lesse os dois posts sobre o assunto: Poupatempo – Poupa O que??? e Leitor dá o nome adequedo para o Serviço – Perde Tempo.( http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/03/23/leitor-da-o-nome-adequado-para-o-servico-perde-tempo/ e  http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/03/20/1568/

 publicados aqui no Boca e que se manifestasse, não só sobre o Post, como sobre os emails/comentários recebidos dos leitores.  Há pouco, chegou a resposta que publico abaixo.  Comentários sobre essa resposta, sobre o atendimento  são bem vindos aqui no Boca. Já Solicitações,  perguntas a respeito do próprio Poupatempo devem ser encaminhadas diretamente ao órgão.  Enquanto não é aprimorado o atendimento no 0800, fica o endereço de email através do qual recebi o texto abaixo. fpacheco@sp.gov.br

Espero que todas os tópicos apontados tenham sido corrigidos,  inclusive que mensagens automáticas, quer no site, quer no 0800,  passem a ser  ditas/escritas  em português inteligível.

A RESPOSTA DO POUPA TEMPO

Prezado Paulo Mayr,
Seguem esclarecimentos sobre questões discutidas em seu blog.
Sobre o Disque Poupatempo
Informamos que o sistema de teleatendimento ficou de fato sobrecarregado desde o período de alteração do sistema do Denatran, em Brasília, iniciado em 27 de fevereiro, o que elevou sensivelmente o número de usuários que buscaram o serviço – e ainda buscam – para obter informações sobre os serviços de Carteira de Habilitação. Este problema aconteceu em todo o país. No Estado de São Paulo, os cidadãos buscam o Disque Poupatempo para informações sobre este serviço, mesmo que o tenham realizado num órgão diferente como, por exemplo, na Sede do Detran, no caso da Capital, ou nas Ciretrans, no Interior.

Adiantamos que o Disque Poupatempo também está ampliando a sua capacidade de atendimento em face do aumento paulatino de demanda que vem sendo verificado com a entrada em operação dos novos postos de Osasco (julho/2008), Santos (outubro/2008) e São José do Rio Preto (fevereiro/2009). Assim, para manter o nível de qualidade no atendimento aos usuários que procuram o 0800, na semana passada foram contratados 55 novos atendentes, que suprirão a necessidade atual do Disque Poupatempo. Nesta semana este grupo está em treinamento, devendo iniciar atuação já a partir da próxima segunda-feira.

Desde sua implantação, em 1997, o Dique Poupatempo já realizou mais de 21 milhões de atendimentos. Este canal direto de atendimento da população também é apontado como um dos fatores que levaram a 98% dos usuários a aprovarem o Programa Poupatempo, de acordo com a mais recente pesquisa do Ibope, fechada em dezembro de 2008.
Sobre o site
Agradecemos suas observações, e informamos que foram feitas as devidas correções no texto. Os veículos de comunicação sabem que, quando se trabalha com um grande volume de informações e sua atualização diária, como no caso do Poupatempo, erros de redação acontecem.

Segundo a Ouvidoria da Prodesp/Poupatempo, na sexta-feira, data em que o senhor cita ter tentado enviar manifestação pela Internet, não havia problema algum com esta seção no site, que recebeu mensagens normalmente, como a sua, enviada às 17h56m03s, sob o protocolo 0101020090301108. (entretanto, até este exato instante, o Paoupatempo  não havia enviado qualquer resposta, menos ainda tentado alguma solução para o que apontava. Comentário do Boca)
Sobre os serviços de CNH
O atendimento para solicitação dos serviços de CNH está normalizado, tanto é que, apenas no mês de março, o sistema já emitiu cerca de 155 mil Carteiras. Entretanto, os prazos de entrega dos documentos nos Postos do Poupatempo ainda não retornaram ao praticado habitualmente – em até 4 horas – em função do volume de documentos que vem sendo emitido diariamente e de ajustes de implantação no sistema que interliga o Detran-SP e o Denatran.

A Prodesp, juntamente com o Serpro, está trabalhando intensamente para que esses ajustes sejam concluídos e o prazo de entrega da CNH nos Postos Poupatempo normalizado o mais breve possível.

No momento, o Poupatempo vem divulgando na Internet e nos Postos, diariamente, a lista com os nomes dos cidadãos cujos documentos já foram emitidos e estão prontos para retirada nos Postos, sendo que uma grande parte dessas CNHs já foi entregue. Por enquanto, o prazo máximo que está sendo informado aos cidadãos para retirada da CNH é de até 7 dias úteis.

Vale ressaltar que os ajustes de implantação no sistema de CNH, que estão sendo executados conjuntamente pela Prodesp e pelo Serpro, afetam algumas situações específicas, como a emissão de segunda via para quem ainda tem a Carteira de Habilitação antiga (sem foto) e para quem deseja fazer adição de categoria.

Atenciosamente,

 Assessoria de Comunicação do Poupatempo

Barbudos x barbeados; banheira x chuveiro

Vejo na Internet que na Alemanha um sujeito esculpiu uma pequena Motocicleta na sua vasta (suponho pq a foto não é muito clara) barba e me lembro de fato curioso.  Passei, há muitos anos, temporada na Inglaterra vivendo em  casa de Ingleses, pagando pela hospedagem, naturalmente. 

Sou absolutamente contra o desperdício, mas também não suporto a mesquinhez.  Pos bem, eram permitidos três banhos por semana.  E banho de banheira.  É raríssimo o dia em que não tomo dois banhos.  Imaginem meu desconforto!!!

Elisa, inteligente jovem brasileira que estava comigo, para justificar quão extemporâneo é o banho de banheira dizia:  “é lógico que o primeiro banho que o homem tomou não foi parecido com um banho de chuveiro e sim com uma banheira – banho de rio, lagoa ou mar”.  Os chatos de plantão podem argumentar que foi um banho de chuva.  Vá lá!!!  Ou seja, é muito mais moderno/civilizado (para usar uma palavra de que gosto) o banho de chuveiro.  Quanto a ser mais higienênico, nem se fala!!!

Uso mais ou menos o mesmo raciocínio para defender os barbeados. É lógico (e aí, não dá pra discutir) que os primeiro homens eram barbudos e não barbeados!!!

Se isso tem alguma importância,  não sei.  Em princípio, não.  Mas se limitassem meus banhos a três por semana e ainda confiscassem meu aparelho de barbear de  três lâminas acho que preferiria a morte.

Leitor dá o nome adequado para o serviço – PERDE TEMPO!!!

Com alguns dias de atraso (quase uma semana e depois de – paradoxalmente –  ter perdido muito tempo no 0800 do Poupa(???) Tempo )recebi pelo correio minha Carteira Nacional de Trâsito devidadmente renovada.  Mantenho tudo o que escrevi e, acho, inclusive, que  autoridade responsável pelo serviço deveria responder e dar uma satisfação aos leitores do Boca.  Essa autoridade deveria  verificar ou mandar verificar que  tudo que mencionei é verdadeiro e enumerar  as proviências que serão tomadas, principalmente em relação ao que apontei  quanto ao 0800.

Enquanto aguardamos improvável resposta, divirtam-se com o bem-humorado comentário do assíduo leitor do Boca e grande amigo – José Vaidergorn.

Lá vai:

Dom Paulo, bem vindo ao obscuro Perde-Tempo, malandragem inventada pelo Covas para maquiar um serviço que deveria ser bem feito nos seus lugares apropriados, além de ser obrigação do Estado que mantemos com os impostos abusivos, mas que se mostra inviável por conta da péssima gestão da grana que sobra para o serviço público – para onde vai o “dinheiro grosso” é um mistério…
Tenho más experiências com o Perde-Tempo. Só houve uma vez que compensou: no posto instalado no sub-solo de um shopping de Campinas, tem uma venda de livros da Imprensa Oficial do Estado, e enquanto esperava ser atendido num dos guichês, passei os olhos nos livros expostos e encontrei o Economia e Sociedade do Max Weber (2 volumes) com um preço que valeu comprar. Li nesse dia quase a metade do 1º volume até ser atendido (umas 200 páginas, letra miúda).
Bem que aquele sujeito de olheiras fundas que atende no Palácio dos Bandeirantes poderia ficar umas vezes na fila do Perde-Tempo para resolver alguma coisa. Quem sabe em 2012, ele entra na fila do seguro-desemprego.
Abração, tudo de bom!

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Observação do Boca:

Caro Zé, não se iluda e não esqueça nunca do que cantava, salvo engano, Eduardo Dusek.  Para o Serra  “se dança um Ministério, sempre pinta uma embaixada”.  E pra nós,  é só perda de tempo no Poupa Tempo e “meta perda de tempo”, pendurado no telefone do 0800 do PoupaTempo!!!

Poupatempo- Poupa o que???

Com quase dois meses de antecedência ao vencimento de minha Carteira Nacional de Trânsito, fui ao Poupatempo da Sé para tratar da renovação, levando todos os documentos necessários: foto, aprovação no exame médico e na tal provinha teórica, entre outros.

Fui bem atendido pelo funcionário.  Ele me disse que se eu pagasse pequena taxa adicional receberia o documento pelo correio, logo após o dia 16 de março, última segunda-feira.  Paguei a taxa.

Desde quarta-feira, 18/3, ligo para o  DISQUE POUPATEMPO 0800 772 3633.  Todas às vezes, a mensagem eletrônica deu as boas vindas e avisou: “a mensagem está sendo gravada para o aprimoramento de nossos serviços.  No momento, todas as nossas posições estão em atendimento.  Por favor, tente mais tarde.” E a linha cai.

Por partes:  Posições em atendimento???  Que língua é essa???

Não seria muito mais lógico e pouparia tempo, informar de cara, (na língua que fosse) “que as posições estão em atendimento” ao invés de dizer que a mensagem (suponho que seja a conversa que o cidadão terá com o funcionário do Poupatempo) será gravada, quando não haverá mensagem/conversa alguma???

Não terminaram nem o calvário e a falta de bom senso.

Aí entrei no site do Poupa Tempo.  Há um link para  CNH emitidas – Postos Poupatempo disponibilizam listas das CNHs emitidas  disponíveis para retirada.  Mais uma vez, por partes:

• Por que disponiblizam ao invés informam/fornecem/apresentam???
É mais chique???

Disponibilizam listas das cnhs emitidas disponínveis.
É de doer nos olhos!!!

Bom, esses detalhes podem ser considerados frescuras desse sujeito cheio de idiossincrasias que sou eu.  Mas, passando para o concreto.

Entro no link que “disponibilizam as listas disponíveis” e constato que, embora prometido, meu nome não está lá.  Suponho que, apesar da promessa de que receberia minha carteira logo após o dia 16 de março, ela sequer foi emitida/impressa.

Pacientemente, entro no campo que existe para reclamações, sugestões e críticas e redijo texto claro a respeito dos percalços que venho enfrentando.  Acabo de digitar e vejo que não há qualquer lugar, botão para que  usuário/ (cidadão??)clique e envie o  que escreveu.  Faço algumas tentativas (uso computador há mais de 30 anos, desde os tempos dos computadores de 8 bits).  Aparece uma mensagem de erro, escrita em inglês técnico,  informando, segundo deduzi, que minha mensagem não foi enviada.

Há três dias tento alguma informação e estou no Marco Zero.  Talvez seja por ter escolhido o Posto  da Praça da Sé.

Qual é mesmo o nome com que esse serviço foi Batizado???

Poupa Tempo???

É só pra saber!!!

Cinema virou sinônimo de chateação

Carnaval aí, São Paulo vazia, bons filmes que concorrem ao Oscar em cartaz e…  perspectiva de inúmeros aborrecimentos. 

Conforme tenho lido em cartas de leitores e, pior, sentido na própria carne, a probabilidade  de você ir a um filme e desfrutar do sossego que a situação requer é a mesma de você jogar para o alto uma moeda e ela cair em pé. 

Ainda hoje, guia da Folha publica na pág 92 cinco cartas de leitores que foram ao cinema e só encontraram aborrecimentos:

Em uma sala, os aborrecimentos , segundo esses leitores, foram:

• Vizinhos de cadeira comendo pipoca fazendo barulho
• Flashes  de celular a todo instante sendo jogados em seus olhos,
• Cadeiras que dão sensação de que se vai cair para trás

Em outra sala:
• Ar condicionado com defeito
• Cadeiras fedidas e furadas ( parece até café 5 fs de padaria vagabunda: fraco, frio, fudido e tem formiga no fundo)
• Péssimo atendimento, e pipoca velha (para incomodar os vizinhos)
Na terceira sala:
• Cheiro de urina misturada com bolor
• Forrações soltas
• Cadeiras ensebadas
• Cadeiras furadas com cigarros

Na quarta e  última (graças a Deus, por hoje, pelo menos) sala:

Impossibilidade de ler letreiro pq (é isso mesmo) corrimão da escada fica no meio da tela
Esse problema, segundo o leitor, obrigou a sogra dele a assistir ao filme inteiro inclinada (transformaram a senhora em  uma pequena Torre de Pizza Humana. Como diria Billy Blanco, o que dá pra rir, dá pra chorar).

Sádicos que ainda não estejam satisfeitos podem ler outros posts do BOCA  NO TROMBONE sobre o mesmo assunto:
http://bocanotrombone.ig.com.br/2008/02/07/liberdade-e-uma-coisa-barbarie-e-outra/

http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/01/13/sem-educacao-infernizando-no-cinema/

Como vai dar para a perceber,  um mesmo cinema, aliás bem  conceituado, foi alvo de carta de freqüentador insatisfeito na ocasião em que eu escrevi o post anterior e continua causando aborrecimento, segundo relata  uma das cartas citadas no começo deste texto.

Boca no Trombone deseja  Carnaval com o mínimo de aborrecimentos possível para todos nós;  muitos dos quais passamos  quase duas horas em filas de banco hoje, apesar de haver a lei de que a espera não pode ser superior a 30 (salvo engano) minutos.  Essa lei, como diria minha professora francesa, não pegou.

Turismo – A Galinha dos ovos de ouro sobrevive???

Dois albergues, com 49 turistas estrangeiros  ao todo, foram assaltados no Rio de Janeiro  nos últimos dois dias.  Em um dos assaltos, “os turistas  foram amarrados e amordaçados pelos ladrões e colocados em um quarto do albergue. Um dos turistas teria sido agredido com uma coronhada na cabeça.” Os assaltantes tinham armas de fogo, faca e até granada.  Em ambos assaltos,  foram  levados dinheiro, cartões de crédito, objetos pessoais e aparelhos eletroeletrônicos.

É mais do que óbvio que a exploração do potencial turístico  é das alternativas mais viáveis de que o Brasil dispõe para dar  grande salto para um patamar  muito mais favorável  do que esse em que se encontra.

O México fez isso de forma brilhante.  E hoje a indústria do turismo tem peso considerável  na economia do país.  A fórmula não é complicada. Foi escolhida uma área que, além de praias agradáveis e natureza exuberante, também tivesse sítios arqueológicos importantes.  Essa área – Cancun –  foi dotada de excelente infra-estrutura hoteleira e urbana e, quase pronto.  O quase é que é fundamental.
A segurança de que o turista dispõe em Cancun é total.  Ligando os hotéis ao centro, há uma grande avenida. Ônibus de boa qualidade e bom preço percorrem essa avenida.  O turista desce em frente ao hotel, a hora que for da noite, e caminha cerca de cem metros.  Não há hipótese de ser assaltado. E isso também é mais do que óbvio. Certamente o governo mexicano fez uma campanha mostrando para a população que se um turista estrangeiro fosse morto ou mesmo assaltado seria o mesmo que matar a galinha dos ovos de ouro.  Não precisa ser muito inteligente para entender isso. Os mexicanos entenderam e os, brasileiros, muito “espertos”, também hão de entender.

Mas  a coisa continua. 

Talvez ensinar o povão (e até marginais) nem seja ainda a tarefa mais complicada. Comerciantes e empresários do setor precisam mudar a atitude atual: explorar o turista de tudo quanto é jeito.  Os “profissionais” do setor devem pensar assim:  “Também vou mandar ver  porque esse aí eu sei que não volta mais”.

Estou inventando???  Ora, logo após os atentados do 11 de setembro, quando muitos brasileiros acharam mais inteligente ficar por aqui mesmo durante as férias, o que foi que aconteceu???  Hotéis e empresas aéreas aumentaram suas tarifas o  quanto puderam.

Ou seja,  ainda tem muita lição de casa  para o povo “esperto” e a elite -mais esperta ainda – fazerem!!!

Ambulantes e Pedintes

Em um dos principais cruzamentos de Pinheiros,  há uns sete anos,  sujeito magro e alto perambulava entre os carros esperando o sinal abrir com uma plaquinha  no peito:  desempregado há dois meses, peço sua ajuda.  Hoje, ele continua no bairro com a plaquinha: dempregado há sete anos,  peço sua ajuda.  Dizem que ele mora na região, é aposentado, e sua filha tem um Corsa.  Se é verdade, não sei.

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No semáforo da República do Líbano em frente ao portão do Parque do Ibirapuera, sou abordado por um homem aleijado que pede dinheiro.  Dou-lhe uma moeda de um Real.  O sujeito comenta:

– Você sabia que tem muita moeda de um Real falsa???  Essa mesmo que você me deu é falsa!!!

Respondo que não tem problema.  Bastava que ele me devolvesse a moeda.  Ele diz que não e se afasta.
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Em frente ao supermercado, sujeito aborda  mulher,  comunica (porque eles comunicam e ponto final)  que vai tomar conta do carro e já dá o valor do serviço:

– A senhora me traz um pacote de fraldas descartáveis GG (gg é o tamanho – extra-grande).

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Dr. Breno, fabuloso psicanalista, tinha um exemplo perfeito   para ilustrar que muita gente (aliás, muito mais do que se imagina) não consegue aceitar o bom dos outros, ser alvo da bondade alheia. 

Ele contava que uma senhora iria receber uma amiga para  o almoço. A empregada havia preparado  frango assado, com arroz, farofa, batatas douradas e  verdura refogada.  Acontece que era um frango ligeiramente mais escuro e a convidada só gostava de carne branca.  A anfitriã decide fazer um macarrrão na manteiga.  Nisso, um  mendigo toca a campainha e a dona da casa prepara um belo prato com o frango,  todos os acompanhamentos e entrega para o mendigo.

Indignado, o mendigo grita:

– Tá pensando que sou o que para comer urubu???

E, sem titubear, atira o prato no muro da casa.

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Domingo à tarde, no Jardim Europa,  uma negra forte, esparramada no chão, chorava copiosamente.  Parei para ver o que acontecia.  Ela me diz algo assim:

– Preciso de três vezes R$ 30,00 para pagar uma conta senão eu estou perdida, nem sei o que vai me acontecer!!!

Dou para ela R$ 15,00 e, paternalmente, aconselho que continue tentando até completar a quantia e, sentindo-me ligeiramente culpado por ter dado apenas parte do dinheiro, vou-me embora.

Dois domingos depois, a algumas quadras dali, encontro a mesma mulher, de novo esparramada pelo chão e, mais uma vez, chorando copiosamente.

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Em Pinheiros,  homem de meia idade  maltrapilho está sempre sentado pelas calçadas e esculpindo pequenos violões em madeira rústica. Dizem que  ele é advogado.  Seu filho foi assassinado em um assalto, salvo engano meu,  e ele desistiu de tudo.

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Na Alameda Barros, perto da Angélica, há muitos anos, mulato simpático, Edson,  com dificuldade para andar, está sempre por ali. Havia uma comida muito boa, coisa bem produzida,  na geladeira de casa.  Coloquei em um descartável, o mesmo em que levo alguma comidinha para meu pai e para  amigos(as) (afinal, sou gastrônomo – Glutão com dicionário, nas palavras do L.F. Veríssimo), e ofereci para ele.  Expliquei que havia feito para mim, mas iria jantar na casa de um amigo.  Perguntei se ele queria.  Ele respondeu que sim e que levaria a comida para almoçar em casa.

Comentei com meu pai que eu achava imensamente fabuloso o cara ter uma casa ali nas redondezas. 

Pois bem, noutro dia à noitinha, vejo o Edson no seu ponto habitual se ajeitando para passar a noite por ali. 

O presidente Lula se jacta de as coisas estarem bem melhores  para as classes C e D.  Gosto do presidente, até acredito nisso.  Esse episódio, entretanto, põe pulga atrás de minha orelha.

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Mas também há histórias bonitas e que não são tristes.

Carmosina, simpaticíssima crioula de 50 anos de idade, vende balas de goma no cruzamento da Argentina com a Brasil.  Vai passando pelos carros parados que esperam o sinal abrir e cumprimentando um por um, com sorrisos luminosos,  todos os motoristas, independente de terem ou não comprado  suas balas.  Já foi passadeira e até pedinte quando os filhos eram pequenos.  Ela explica a razão de seu sorriso: “A alegria é coisa que Deus nos deu.  Se tiver tristeza, a tristeza leva a gente para o buraco.  Já a alegria dá amigos para a gente”.  Deve ser verdade, já que de todos os motoristas que ela saúda, muitos retribuem carinhosamente sua simpatia cumprimentando-a e se despedindo dela quando o sinal abre.

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Fim de tarde gelado. No farol da Groelândia, a menina descalça vem vender biju. “Um é dois e dois é quatro”, diz na janela do carro. Com lógica, e chatice inerente, argumento que se um custa dois, logo, dois custam quatro. E com carinho, apesar da lógica, peço dois e lhe dou quatro cruzeiros (é cruzeiro mesmo, a história se passou há muitos anos). Ela me dá três saquinhos de biju. O sinal ainda vai demorar  para mudar. Quero devolver um saquinho. Insisto. Ela abre um sorriso lindíssimo, diz que quer me dar um biju. Desaparece. Nunca mais a vi. Mas aquele momento de fascínio não sairá da minha mente nem do meu coração.

Acabou em Ovos Mexidos

A decisão da promotoria britânica de não processar um único policial pela morte do Brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com terrorista,  ocorrida no metrô de Londres em 2005,  deixa claro um paradoxo. 

Até há alguns anos,  era motivo de orgulho e índice de alto grau de civilização/urbanidade o fato de os policiais ingleses não portarem armas de fogo.  Essa mesma polícia, em pleno século 21,  usa a velha técnica dos personagens de filmes do Velho Oeste americano – primeiro atira para perguntar depois – e tudo acaba em pizza – perdão, em scramble eggs – certamente escrevi errado – (ovos mexidos – aliás, até que bem razoáveis para os padrões gastrônomicos deles).

DINHEIRO E SEXO SÃO TUDO!!!

Filas são propícias para lamentos e lamúrias.   Como  costumo dizer, meta-chateação: enfrentar coisa chata, falando de coisa mais chata ainda.  Mas, às vezes,  dá para  se divertir. 

Professora  primária de 85 anos, com inúmeros  cursos de especialização, aposentada (aposentadoria de R$ 1.500,00 mensais),  enquanto esperava para ser atendida no Caixa de Terceira Idade do Banco hoje, no Itaim Bibi, sintetizou bem a coisa  nesse nosso mundo  de celebridades e big-brothers da vida: “ no meu tempo, o que valia eram o caráter e a cultura.  Agora, o que vale é  dinheiro e  sexo.”  A velhinha deve estar certa, tanto assim que existe até uma piada que deixa clara a coisa.

O sujeito queria escolher, entre três mulheres, qual seria a melhor companheira.  Deu para cada uma delas: R$ 10.000,00.

A primeira gastou todo o dinheiro comprando coisas para si própria.  A segunda gastou  metade do dinheiro em presentes para o namorado e metade em roupas da moda para ela e a última despendeu os R$ 10.000,00 em fabuloso presente para o namorado.

Pergunta:

– Com qual delas o namorado ficou???

Resposta:

– Com a que tinha a bunda mais bonita.

Adaptando Vinicius para a lógica descartável de hoje: as feias que me desculpem, mas as popuzudas são fundamentais.