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Zona Azul – Aborrecimentos à Vista!!!

A partir da próxima 3. Feira, dia 12,   o talãozinho de Zona  Azul que você  traz no porta-luvas de seu carro não vale mais. 
Curioso é que inúmeras bancas de jornais, botequins, armarinhos,  padarias  são postos, autorizados pela CET,  revendedores de talões.   Agora,  para fazer a troca, existem 10 (dez é isso mesmo!!!) postos  credenciados, espalhados por esse pequeno vilarejo, também conhecido pelo nome de Cidade de São Paulo.

O site da CET diz:

“Para sua conveniência, você poderá efetuar a troca em 10 postos na cidade de São Paulo até 12 de maio, sem custos adicionais.”

Já usei o adjetivo curioso, sou obrigado a mudar!!!  Engraçada é  a  expressão “para sua conveniência”.   Há atenuantes, entretanto:  “sem custos adicionais”.
Ah, bom!!!  Quer dizer que  se o cidadão que comprou o cartão que lhe dava direito a estacionar na via pública sair correndo até terça-feira,  ele não paga custos adicionais???  Mas é muita conveniência!!!
Certamente, o “cidadão relapso, atrevido, ousado” que não correr, vai pagar custos adicionais.  Desconfio  que isso signifique  multa/taxas extras/deságio na troca. 

Como dizia minha ex-namorada,  deixa eu entender: a CET muda a regra no meio do jogo e o contribuinte  que é penalizado???  

Resigne-se e veja as oportunidades que o CET lhe dá para tarefa tão agradável:
 
Zona Oeste
– Av. Marquês de São Vicente, 2154 (CETET) – Barra Funda
– Sumidouro, 546 (CTA-5) – Pinheiros
• de segunda a sexta-feira das 08h00 as 12h00 e das 13h00 as 16h00

Zona Norte
– Av. Santos Dumont, sobre Ponte das Bandeiras (PAT Bandeiras)
• de segunda a sexta-feira das 08h00 as 12h00 e das 13h00 as 16h00

Zona Leste
– R. Vilela, 572 (Espaço Vivencial de Trânsito Chico Landi) – Tatuapé
• de segunda a sexta-feira das 08h00 as 11h30 e das 13h30 as 16h00

Zona Sudeste
– R. Dona Brígida, 721 (GET-4) – Vila Mariana
• de segunda a sexta-feira das 08h00 as 12h00 e das 13h00 as 16h00

Zona Centro
– R. Senador Feijó, 143 (GES)
– R. Bela Cintra, 385 (GET-1)
• de segunda a sexta-feira das 08h00 as 12h00 e das 13h00 as 16h00

Zona Sul
– Av. Guido Caloi, 100 – Santo Amaro
– Parque do Ibirapuera – Quiosques Zona Azul próximos à OCA e ao MAM
• de segunda a sexta-feira das 08h00 as 12h00 e das 13h00 as 16h00

HORTÊNCIA + OSCAR = BABOSEIRAS

Ao que parece, entre ex- esportistas, falar besteira não é privilégio do Rei Pelé. 

Hortência conseguiu – ontem – ser mais real do que o Rei ao tentar fazer um gracejo na solenidade  de posse de Carlos Nunes na Presidência da Confederação de Brasileira de Basquete.  Ela desejou-lhe  sorte e disse que “sorte é trabalho mas que era necessário também ter estrela”.  E foi aí que brilhou a “inteligência da veterana”, numa agressão estúpida e gratuita.  Ela completou o raciocínio(???): “O Rubinho Barrichello, por exemplo, tem estrela, apesar de muitos dizerem que não.  O problema é que a estrela dele fica na bunda.  Quando ele senta no cockpit, ela apaga.”

MAIS PALPITE INFELIZ

O Jogador Oscar Schimidit, ao  disputar  a eleição para o Senado, tentou fazer uma gracinha. Ele contou que alguém lhe dissera que só melhoraria seu jogo se dormisse com a bola. E ele confessou que seguiu o conselho e passou dormir com a bola. Continuou sua gracinha e disse que seria capaz de dormir com a urna!!!

Em um Campeonato de Ginástica Olímpica aqui no Brasil, o silêncio da platéia era absoluto para assistir a apresentação do Ginasta americano Justin Spring, forte rival de Diego Hypólito,  o grande Oscar grande não se contém e grita:

– Vai escorregar, vai cair.

Desse jeito, os Ministérios dos Esportes e da Saúde  vão ser obrigados a colocar avisos nas quadras de Basquete:

–  Os Ministérios da Saúde e dos Esportes advertem: jogar basquete pode fazer mal para o seu cérebro.

Frasista, concluo com frase minha. 

Tem gente que precisa contar até três antes de falar qualquer coisa – ATÉ TRÊS MILHÕES!!!

Proibido Por Lei 1 – Bote a Boca no Trombone Também

No meu Post de ontem  ARGUMENTO POUCO SUTIL DOS NÃO FUMANTES

http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/04/14/fumante-inveterado-isso-existe-eis-a-solucao/#comment-4447,

praticamente me restringi a transcrever aviso direto que pode ser visto em redutos de não fumantes.  Pois bem,  coisa tão simples assim suscitou montes de comentários, considerações sobre leis e atitudes ou fatos que incomodam, até mesmo agridem.

Sujeito com algumas idiossincrasias que sou,   já havia escrito um longo texto aqui no Boca intitulado  PROIBIDO POR LEI. Como textos longos não funcionam bem em blogs,  e como vi que  os leitores BOTARAM A BOCA NO TROMBONE sobre o tema, vou dividir o texto em partes e publicá-lo nos dias seguintes. Leitores também podem passar suas listas do que deveria ser Proibido Por Lei.  Lá vai a minha parte.

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Minha tia Ciloca – carioca -, jogadora inveterada, era categórica:
– Baralho de plástico deveria ser proibido por lei!!!
Se é idiossincrasia dela, não sei. Afinal, faço poucas coisas na vida pior do que jogar cartas. Agora, que inúmeros comportamentos e atitudes deveriam ser proibidas por lei, ah deveriam ser mesmo.!!! É lembrar daquela velha máxima “a liberdade de cada um vai até onde começa o direito do próximo” e perceber que o mundo atual (Brasil, nem se fale!!!) virou barbárie.

 A coisa tá de tal modo dissipada que nem lei, propriamente dita, dá jeito. Afinal, como bem disse minha professora francesa, “no Brasil, algumas leis pegam e outras não”. Uma francesa que se mudou para o Brasil, provavelmente por não conseguir sobreviver na sua terra, dizer isso me revoltava, mas sou obrigado a concordar com ela.
(perdão por começar bem por esse tópico já batido e debatido anteriormente). Parece que existe mesmo há muitos e muitos anos uma lei que proíbe fumar em restaurantes. Proíbe e ponto. Eu exigir que os fregueses dos restaurantes que freqüento usem camisas vermelhas seria idiossincrasia minha. Querer comer sem inalar fumaça de cigarro não ser direito de cidadão algum é verdadeira afronta.

E afrontas são o que não faltam.

O celular, então, é o instrumento inseparável  dos búfalos (termo de um amigo para definir aqueles que incomodam por onde passam ou, pior, permanecem ). Estava em um restaurante japonês despretensioso na hora do almoço e uma médica começa a gritar no celular:

– Então quer dizer que a Maria tá mesmo com câncer!!!

Ora, esse problema e esse estresse são dela e da Maria (eram, porque talvez, a essa altura do campeonato, a Maria nem exista mais). Ninguém têm o direito de ficar gritando que alguém está com câncer no meio do almoço de dezenas de pessoas. No mundo do celular, gritar coisas íntimas e impróprias virou a norma.  Aliás, gritar tudo!!!
Segundo me contou o diretor de um clube da elite paulistana, um associado desse clube estava em um clube também sofisticado na Argentina e pôs-se a bradar no celular. Imediatamente, um funcionário veio comunicar que ali havia cabines para usuários de celulares.
Aliás, alguma medida semelhante precisa ser adotada para que usuários de celulares não afrontem  quem está ao lado.  A idéia de cabines me parece boa.  Em tempo, não tenho celular.  Graças a Deus!!!
Aí  pode ser idiossincrasia mesmo, mas não é só minha.
Para se despedir de alguém e/ou apenas pedir que ela telefone,  basta falar, ou até mesmo falar mais alto:
– Telefona pra mim.
Pode até repetir, mais alto ainda.
-Telefona pra mim!!!
Agora, colocar o dedinho na boca e o dedão no ouvido para significar exatamente Telefone para mim, ah isso devia ser mesmo proibido por Lei.  Como disse, não é  frescura exclusiva deste escriba. Estava assistindo televisão com uma conhecida minha;  no intervalo, durante a propaganda, o ator fez o tal gesto. Minha conhecida:

-Deviam cortar a mão de quem faz isso!!!!!

Amanhã tem Mais. Agora, bote você a Boca no Trombone e sugira o que, na sua opinião,  deveria ser proibido por lei.  Só não vale dizer algo do gênero:  criar um blog para nego cheio de  frescura -como eu – se expressar.  Pensando um pouco mais, pode sugerir isso também, mas eu vou continuar…

Burocratas não Inventem!!! Vocês não são Guimarães Rosa!!!

Pelo que pude perceber nos últimos 10 dias, começa a surgir um termo pseudo-chic que amanhã vai “poder estar ameaçando” a praga do gerúndio. Não comemore. É tão idiota quanto.  Trata-se do POSIÇÕES – que, tal qual o gerúndio, serve para tudo e não serve para nada.
A mensagem eletrônica do telefone  do Poupatempo, sempre desperdiçando tempo do contribuinte,  depois de dar boas vindas avisa ou avisava (o Poupatempo ficou de corrigir a coisa), “a mensagem está sendo gravada para o aprimoramento de nossos serviços.  No momento, todas as nossa posições estão em atendimento. Por favor, tente mais tarde” E a Linha caia.   Desperdiça tempo porque deveria informar de cara, (na língua que fosse) “que as posições estão em atendimento” ao invés de dizer que a mensagem (suponho que seja a conversa que o cidadão terá com o funcionário do Poupatempo) será gravada, quando não haverá mensagem/conversa alguma!!!
Imagina-se que Posições signifiquem  telefonistas, atendentes.  Criativo, não é mesmo???
Já o caixa de auto-atendimento da  Nossa Caixa Nosso Banco pede que o cliente digite o ano de Nascimento com duas posições.  Posições aqui significariam números, dígitos, algarismos.
De duas uma, ou essa palavra é a mais polivalente que existe ou a criatividade/imaginação- para não dizer o termo certo  que tb termina com dade – dos nossos burocratas não tem limite.  Observe-se que ambas instituições são governamentais, públicas – A Caixa, parece, foi ou está sendo comprada pelo Banco do Brasil. Ou seja, o português usado deveria ser correto e sóbrio, a léguas de modismos e/ou imbecilidades/invencionices!!!!
Mário, grande amigo meu, sujeito muito inteligente, disse uma vez que cada um deveria poder escrever como quisesse.  Argumentei que eu poderia escrever  casa com z; outro poderia escrever Kasa,  outro ksa, sem o primeiro a,  só com K;  não precisei nem continuar e ele imediatamente percebeu que era impossível o que propunha.

Guimarães Rosa podia inventar palavras; burocratas de plantão, não.

Meu amigo Zé Vaidergorn (o do post do Poupa tempo) foi definitivo:

– Posições em atendimento??? Deve ser puta trabalhando!!!

Não Banho e Mesquinhez Inglesa

Meu post de anteontem sobre barbas, barbudos, banhos de banheiras e não banhos de ingleses recebeu  vários – para os padrões do Boca,  naturalmente – comentários.

Costumo responder cada comentário individualmente.  Para facilitar a coisa e também por  ter percebido que o assunto ingleses ainda não se esgotou,  retomo o tema; conto mais detalhes da minha experiência vivendo  na casa de  uma família classe média típica. Foi bem legal.  Mas notei que diversas coisas curiosas na rotina dos ingleses que também foram lembradas por alguns leitores. http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/03/24/barbudos-x-barbeados-banheira-x-chuveiro/ 

Durante os dois meses que passei lá em Bournemouth, cidade ao sul da Inglaterra, próxima a Londres, viajei todos os fins de semana. (saia  sexta à tarde e voltava domingo para dormir). Assim, a questão dos três banhos semanais a que tinha direito foi ligeiramente amenizada.

Ainda no setor higiene,  jamais vi algum dos donos da casa (um casal, mais a filha) com cara de quem tivesse tomado banho.  O único contato que presenciei deles com a água não foi dos mais agradáveis. 

Uma  Uma noite, entro na cozinha e o que vejo???  O dono da casa lavando a cabeça na pia da cozinha.  Na volta ao Brasil, contei isso para meu pai, que comentou com um amigo nosso inglês.  Ele  garantiu que era normal, na Inglaterra, as pessoas lavarem a cabeça na pia da cozinha. O porquê disso não fica claro.  Como disse Caetano, “eu não consigo entender sua lógica.”  Entender ou não entender não tem importância.  Grave é usar a louça e comer comida lavada na pia que também serve para lavar cabeça,  e sabe-se lá se não deixei de ver coisas piores…

Um leitor do Boca fala, até de maneira rude, do mal cheiro das inglesas (leia no comentário do post de ontem)  Ele  está muito bem acompanhado. Famoso e prestigiadíssimo  personagem da política,  tido como mulherengo,  diplomata em Londres, ao responder a uma amiga se havia gostado das Inglesas, foi taxativo:

– São bonitinhas, mas muito mal lavadinhas…
 
Voltando à minha experiência com a família inglesa,  passo aos pequenos  truques, golpinhos que me aplicaram. 

Paguei aqui no Brasil uma determinada quantia para a Escola que freqüentei e outra quantia que foi diretamente para a família que me hospedou.

Está mais do que implícito que um quarto alugado durante o inverno em uma casa na Inglaterra tenha calefação.  Pois não é que a dona de casa me disse que a calefação não estava incluída e que eu deveria pagar.   Não quis brigar e concordei. Ela me deu o valor semanal da calefação. Argumentei que pretendia viajar todos os finais de semana e que preferiria pagar por noite a calefação, quando eu, de fato, estivesse usando.  Ela não concordou.  Cobrava sempre por sete noites, embora só ligasse cinco vezes por semana.

Eu e o Javier, mexicano que também estava ali hospedado,  éramos apenas meios de a dona de casa, landlady, reforçar o orçamento.  Nada além disso.

Perguntou-me ainda se eu queria que ela lavasse minha roupa e já foi logo dando o preço.  Falei que era coisa relativa: como ela já podia dar o preço sem saber quanta roupa seria?  Ela foi clara: esse preço é para a quantidade de roupa  que pessoa normal usa por semana : duas camisas, duas meias e duas cuecas. Agradeci e disse que eu mesmo levaria para a lavanderia.

Curioso é que mesmo quando queria ser simpática e mostrar eficiência, ela era seca e até meio rude.  Elogiei bastante os ovos mexidos do café da manhã. (scramble eggs, certamente escrevi errado) de lá. Imediatamente, me responde:

– Às terças e quintas  (lembro-me que eram exatamente esses os dias) tem.

Sou cara extremamente justo, o que é certo é certo e, como já disse e repeti, detesto desperdício.  A dona da casa pediu que avisasse sempre com antecedência quando fosse viajar no fim de semana, para que ela não comprasse comida para mim.  Perfeito.  Nada de desperdício.

Meu pacote de hospedagem compreendia: quarto de domingo a domingo,  café da manhã e jantar de segunda a sexta e as três refeições do sábado e do domingo. 

Como já  disse,  todos os fins de semana, viajei.  Ou seja, deixei de consumir sete refeições a cada fim-de-semana.  Passei lá seis semanas, logo foram  exatamente 42 refeições que, embora tenham sido pagas, não foram consumidas.
 
Uma noite, durante o jantar, ela me pergunta em que dia eu iria embora.  Falei que seria dali a dois sábados.  Ela diz:

– Pois bem,  o café da manhã do sábado em que você vai embora, você vai ter que me pagar porque a escola só me paga até sexta-feira.

Eu falava legal  inglês e entendi perfeitamente.  Mas, por segurança, confirmei em Portunhol com o mexicano Javier.  Pedi que não comentasse nada, mas lhe disse que iria denunciá-la para a escola. E a escola, muito provavelmente  iria descredenciá-la na mesma hora.  Se eu tivesse consumido todas as refeições previstas, perfeito que ela cobrasse essa extra. 

Detalhe: alguns brasileiros levam lembrancinhas típicas daqui, um anelzinho de água marinha e outras besteiras baratinhas para a dona da casa..  Eu havia levado  três quilos de café da melhor qualidade,  panela própria para esquentar a água, bule, coador e xícaras de porcelana pintadas a mão.  Isso não vem ao caso.  O que conta é que eu deixei de consumir 42 refeições e ela quis me cobrar um ovo, uma torrada e uma xícara de café (aliás, que eu havia lhe dado).

A história acaba assim: fui-me embora na 6. Feira.  Deixei barato, não denunciei na escola e  não teve o quebra-pau anunciado. Nesse momento em que escrevo, acho que agi mal: devia ter denunciado.

Ingleses não são efusivos, abraços e beijos não jorram por lá com parte de cumprimentos.  Mas é lógico que depois de conviver um mês e meio, por mais frio que sejam todos os envolvidos,  na despedida, apertam-se as mãos e até um beijinho e abraço  fazem parte da coisa. 

Eduardo e Marina, brasileiros que iam comigo ao Aeroporto e passaram em casa para me apanhar de táxi, ficaram impressionados porque, já dentro do táxi, limitei-me a um aceno com a cabeça de despedida.

Quatro anos após, morei cerca de quinze dias em casa de família americana.  180º  opostos.  Conto logo mais. 

Para terminar legal, a receita do fabuloso scramble eggs.

Ovos mexidos da Markham Road 103 – endereço da casa  da família em Bournemouth

Fazer uma torrada de pão de forma com manteiga.  Mantê-la quente.
Reservar.

Em uma panelinha pequena, derreter manteiga, quebrar um ovo e, quando começar a fritar, colocar uma colher de leite, diminuir o fogo, por sal e pimenta do reino.  Mexer e quando estiver no ponto (eu gosto mole) colocar sobre a torrada quente.   Comer acompanhado de  café forte servido na xícara grande.  É muito bom!!! Gotinhas de Tabasco, um pouco redundante, já que vai pimenta do reino,  também são bem-vindas (acho que agora bemvindo é tudo junto)!!!

Poupatempo- Poupa o que???

Com quase dois meses de antecedência ao vencimento de minha Carteira Nacional de Trânsito, fui ao Poupatempo da Sé para tratar da renovação, levando todos os documentos necessários: foto, aprovação no exame médico e na tal provinha teórica, entre outros.

Fui bem atendido pelo funcionário.  Ele me disse que se eu pagasse pequena taxa adicional receberia o documento pelo correio, logo após o dia 16 de março, última segunda-feira.  Paguei a taxa.

Desde quarta-feira, 18/3, ligo para o  DISQUE POUPATEMPO 0800 772 3633.  Todas às vezes, a mensagem eletrônica deu as boas vindas e avisou: “a mensagem está sendo gravada para o aprimoramento de nossos serviços.  No momento, todas as nossas posições estão em atendimento.  Por favor, tente mais tarde.” E a linha cai.

Por partes:  Posições em atendimento???  Que língua é essa???

Não seria muito mais lógico e pouparia tempo, informar de cara, (na língua que fosse) “que as posições estão em atendimento” ao invés de dizer que a mensagem (suponho que seja a conversa que o cidadão terá com o funcionário do Poupatempo) será gravada, quando não haverá mensagem/conversa alguma???

Não terminaram nem o calvário e a falta de bom senso.

Aí entrei no site do Poupa Tempo.  Há um link para  CNH emitidas – Postos Poupatempo disponibilizam listas das CNHs emitidas  disponíveis para retirada.  Mais uma vez, por partes:

• Por que disponiblizam ao invés informam/fornecem/apresentam???
É mais chique???

Disponibilizam listas das cnhs emitidas disponínveis.
É de doer nos olhos!!!

Bom, esses detalhes podem ser considerados frescuras desse sujeito cheio de idiossincrasias que sou eu.  Mas, passando para o concreto.

Entro no link que “disponibilizam as listas disponíveis” e constato que, embora prometido, meu nome não está lá.  Suponho que, apesar da promessa de que receberia minha carteira logo após o dia 16 de março, ela sequer foi emitida/impressa.

Pacientemente, entro no campo que existe para reclamações, sugestões e críticas e redijo texto claro a respeito dos percalços que venho enfrentando.  Acabo de digitar e vejo que não há qualquer lugar, botão para que  usuário/ (cidadão??)clique e envie o  que escreveu.  Faço algumas tentativas (uso computador há mais de 30 anos, desde os tempos dos computadores de 8 bits).  Aparece uma mensagem de erro, escrita em inglês técnico,  informando, segundo deduzi, que minha mensagem não foi enviada.

Há três dias tento alguma informação e estou no Marco Zero.  Talvez seja por ter escolhido o Posto  da Praça da Sé.

Qual é mesmo o nome com que esse serviço foi Batizado???

Poupa Tempo???

É só pra saber!!!

Acabou em Ovos Mexidos

A decisão da promotoria britânica de não processar um único policial pela morte do Brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com terrorista,  ocorrida no metrô de Londres em 2005,  deixa claro um paradoxo. 

Até há alguns anos,  era motivo de orgulho e índice de alto grau de civilização/urbanidade o fato de os policiais ingleses não portarem armas de fogo.  Essa mesma polícia, em pleno século 21,  usa a velha técnica dos personagens de filmes do Velho Oeste americano – primeiro atira para perguntar depois – e tudo acaba em pizza – perdão, em scramble eggs – certamente escrevi errado – (ovos mexidos – aliás, até que bem razoáveis para os padrões gastrônomicos deles).

O Cliente Nunca Tem Razão

É curiosa a tranqüilidade  com que responsáveis por restaurantes, bares e casas de diversão  respondem em jornais e revistas cartas de  clientes insatisfeitos.  O cidadão enfrenta transtorno quando procura (e paga caro) lazer.  Depois de tudo isso, ainda tem paciência para escrever e encaminhar carta  para imprensa especializada.  E o que ele e os demais leitores recebem???  As respostas mais automáticas, inóspitas e insípidas   possíveis, sempre isentando o estabelecimento de qualquer culpa. 

A Guia da Folha de hoje traz caso típico na pág. 92. Consumidor relata que foi a determinado restaurante com a família comemorar seu aniversário.  Diz ele que a comida chegou à mesa “totalmente gelada. Meu prato, que deveria conter lascas de bacalhau e brócolis, não possuía quase nenhum bacalhau.  Havia somente a verdura fria e batata doce.”  Ele conta ainda que gastou R$ 368,72 (não fala quantas pessoas eram), saiu com fome e o garçon sequer pediu desculpas.  Na resposta publicada, o gerente geral da casa diz que lamenta ocorrido e que o fato não faz parte do padrão da casa e termina: “sabemos que os momentos são insubstituíveis e nos desculpamos.”

Pensar em convidar o cliente para novo jantar  de cortesia nem deve passar pela cabeça do responsável.  Certamente é por isso que ele já explica que o momento era insubstituível.

Há algum tempo, leitor da editoria de restaurantes de uma publicação comentava exatamente a mesma coisa que eu relato e se admirava que continuasse havendo público para restaurantes que davam respostas tão inadequadas  para  clientes insatisfeitos.  Afirmava que ele nunca mais voltava ou ia a esses lugares que davam respostas evasivas, sempre se esquivando de qualquer responsabilidade.  Muito antes de ler tal carta, também sempre tomei a mesma atitude.

Famoso e sofisticado jornalista da imprensa paulistana deu conselho sábio que igualmente sempre adotei, mesmo antes de ter lido seu artigo.Escreveu  ele que se deve escolher cerca de cinco bons restaurantes (um para carne, outro para massas, outro para comida japonesa, um para pizzas e mais um ou dois outros) e freqüentar sempre esses mesmos lugares.

Quero distância dos restaurantes dos ditos Jardins, onde as mesas são minúsculas, as porções incapazes de matar a fome de uma criança ou de um bebê e os preços para milionários.  Isso sem contar que muitas vezes garçons e maitres são temperamentais como se fossem gênios  das artes.   Esses funcionários  temperamentais, entretanto, são só sorrisos e gentilezas para os freqüentadores assíduas do lugar ou então para o que hoje se convencionou chamar celebridade!!!

Por falta de inspiração, termino com gracinha da moda, um paradoxo para cara que como eu tanto detesta modismo:  “dentro desses lugares, por favor, me incluam fora”

Leis que não pegam e as que pegam mal

No Brasil, leis que parecem justas e favorecer a maioria, na verdade, são injustas e prejudicam a maioria. 

Tudo isso por que??? Todos os porquês  eu não sei.  Mas um deles é o tal   do jeitinho brasileiro!!!

O objetivo da lei certamente era eliminar o cigarro, charuto, cachimbo de lugares fechados, principalmente restaurantes,  o que seria extremamente justo e muito saudável, até, e principalmente, para os fumantes.  Mas aí, fumantes e donos de restaurantes vão ficar chateados.  Afinal, eles se julgam acima da lei, não podem ser contrariados.  A lei não é para ser justa e sim para fazer uma imensa média, dar o tal jeitinho brasileiro.  Assim,  criam-se áreas para fumantes e não fumantes separadas por uma plaquinha, como se  fumaça soubesse ler.

O resultado disso foi o pior possível para os não fumantes.  Todos, os bares e restaurantes (exceto o fabuloso Camelo da Pamplona – que eu conheça -)  deixaram confinados nos piores lugares os não fumantes. 

Fumantes nadam de braçada pelos salões principais, varandas e espaços arejados.   Não fumantes foram enxotados para cantinhos, sobrelojas e sótãos.

Antes da tal lei que veio para favorecer o não fumante, você se sentava à mesa que escolhia e provavelmente um vizinho de mesa seu fumava e outro não.  Atualmente, se você quer  sentar-se em um bom lugar,  fumantes o cercam por todos os lados.  Alguns, inclusive, fumando cachimbos e charutos.

Hoje almocei em um simpático e relativamente pequeno restaurante.  No salão principal, umas dez pessoas fumavam charutos.  Não fui ver como estava a sobreloja onde se confinam não fumantes naquele restaurante.   Mas conheço o lugar – abafado, fechado e sem o menor charme. 

É isso: no Brasil, umas leis não Pegam e as que Pegam, pegam  mal, muito mal.

Big Brother, Um verdadeiro Nada

Começou mais um Big Brother, um verdadeiro nada, sem querer ofender nenhuma das palavras – um, verdadeiro e nada – usadas aqui para definir imbecilidade tão grande.

Ingênuo, antes eu calculava que a Globo economizava uma fortuna. Ao invés de arcar com custos de produção de programas tradicionais, cachês de artistas e demais gastos,  pensava eu,  bastava dar uma gratificação infinitamente mais  minguadinha para os, na linguagem da Globo, “brothers” and “sisters” e beleza – o circo tava armado.  Isso foi o que pensei em um primeiro momento.

Tem mais.

Além de economizar a tal fortuna,  o faturamento da Globo  é fabuloso, uma vez que o telespectador desse tipo de espetáculo é muito participativo e se orgulha de  registrar seu voto durante a série.  Para isso,  cada telespectador paga uma pequena quantia cada vez que se manifesta por telefone.  Muito lógico: certamente o telespectador tem muito dinheiro  e a Globo, coitadinha, fatura essa graninha de cada um.
 
Leia o texto abaixo do site Big Brother
http://bbb.globo.com/BBB9/Noticias/0,,MUL955388-16397,00-NEWTON+E+RALF+QUEREM+PEGAR+SOL+MAS+NAO+AGUENTAM+O+CALOR.html

Ralf e Newton tomam sol depois do almoço – Título
“Será que o protetor solar que coloquei antes do almoço vai resistir?”, pergunta Ralf. Após almoçar, ele e Newton seguem para a piscina e tentam deitar na espreguiçadeira para tomar sol. Mas os brothers não aguentam o calor”.
*Obs do Boca – Tentam deitar.  Deitar deve exigir muito talento…
Perdão por interromper, continue.

“Newton fica andando no sol, enquanto Ralf coloca o roupão em cima da espreguiçadeira de tecido preto e deita. Mirla também chega na varanda, mas prefere ficar na sombra”

Ler os dois parágrafos acima já causa desconforto, imagine assistir às cenas, como se falava antigamente – ao vivo e em cores…

Repetindo, classificar isso de verdadeiro nada trata-se de ofensa a essas três palavras.

Quando eu era criança,  dizia-se que para cada sujeito esperto que nascia, nasciam dez trouxas.  Basta fazer as contas da audiência do Big Brother  e dividir por todos os envolvidos na produção e no faturamento do Big Brother para se constatar que os espertos estão nadando de braçada…

Como já deu para perceber através de alguns textos anteriores, sou apaixonado pelo Brasil e pelos brasileiros.  Entretanto,  assistir a uma instituição   como essa molilizando o que mobiliza  e se calar, não seria honesto da minha parte!!!