Será que Brasileiro se Orgulha do Complexo de Vira-lata? Parece que sim.

Não bastasse o Halloween, agora o Black Friday.  Mas como o brasileiro se orgulha de ser Portador do Complexo de Vira-lata.

Complexo de Vira-lata  é o sentimento de inferioridade do Brasileiro em relação a Estados Unidos e Europa, “tradução”/definição  livre minha  do termo de Nélson Rodrigues.

Quiser ler mais sobre Complexo de Vira-lata, clique

Marcelo Adnet, Gênio?

Sempre disse que conheci apenas um gênio na minha vida.  Talvez esteja conhecendo outro, pela televisão, mas  estou conhecendo.

Trata-se de Marcelo Adnet.  O homem é muito  engraçado e faz de tudo, é ator, comediante, roteirista e apresentador.  Hoje, na abertura do programa Adnight, cantou o Hino da Bulgária e, ao mesmo tempo, fez embaixadinhas.  Talvez tenha errado a letra, mas não deixou a bola cair durante uns dois minutos, que durou a música.

Parabéns para ele,  sua formidável mulher Dani Calabresa.  E para os pais da fera, naturalmente.

Se quiser saber sobre o outro gênio que conheci, clique

Há dinheiro que pague

A proposta era fazer texto, prosa ou poesia, usando anáfora – “repetição de uma ou mais palavras no princípio de duas ou mais frases, de membros da mesma frase, ou de dois ou mais versos” Lá vai meu conto, cheio das minhas idiossincrasias.

Sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

A Microsoft  contratou a agência onde  trabalho para a campanha do novo  smarthphone  para   adolescentes.

Adivinha um, a dupla escolhida  foi a minha.

Adivinha dois,  o briefing traz as palavras chaves  que, obrigatoriamente,  deverão ser usados: expressões batidas, nada além de expressões batidas.

Sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

Veja as palavras.  Vou me limitar a copiar e colar para não ter que escrever, pois, como você  sabe, sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

Aliás, vou pedir para minha secretária fazer isso, já que não consigo, sequer,  olhar para as malditas palavras e expressões.

Ela fez:

•    Poderosa

•    Diferenciados

•    Tal coisa  é a minha cara•

Tudo de Bom

  • •    Bombar

•    Eventos

•    Rolar, no sentido de acontecer

•    Galera

•    Caiu a fixa

  • Ninguém merece
  • Menos é mais                                                                                                                             E, obrigatoriamente, no anúncio para televisão,  um dos jovens que aparece, ao invés de falar “liga pra mim, mais tarde”, faz o gesto de  botar o dedão no ouvido e o minguinho na boca.  Deveriam cortar a mão de quem faz esse gesto, como disse conhecida minha.  Sempre odiei isso.  Quando a ouvi se expressar com tal  veemência,  fiquei em êxtase.

Mas achei solução, afinal trabalho com criação, essa rima ficou bonitinha, não ficou?

Combinei com o diretor de arte que ele faria o trabalho  com redator amigo nosso de outra  Agência de Publicidade.  Os dois aceitaram e me prometeram  sigilo absoluto.  Como teriam que trabalhar fora do expediente, prometi quinhentos mil reais para cada um.

E mais, programei viagem para nossa filial no Rio de Janeiro,  exatamente no dia da apresentação da campanha para o cliente.

Afinal, sou redator de publicidade, ganho dois milhões  por mês.  Tenho ojeriza a chavões e terminhos da moda. Só de pensar,  taquicardia.

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Na verdade, o texto acima é uma colagem de dois outros já postados aqui: Rico Vocabulário e Rico Vocabulário 2. Também há texto aqui sobre fabulosa peça de Lúcio Mauro Filho em que ele passa o espetáculo inteiro só falando Clichês.  Quiser ler e assistir a um trecho, clique

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Esses tópicos ficaram meio fora de ordem por culpa do blog e não por falta de tarimba minha para trabalhar com ele, afinal já são mais de 10 anos.

 

Dia da Consciência Negra – Frase e Piada

Existem aqui no Trombone alguns textos dos quais gosto muito e que postaria todos os anos, na época oportuna, mas não faço.

Não sei  porque  apenas abro exceção  para dois.  Um, às vésperas da Parada Gay e outro contendo frase a respeito do Dia Da Consciência Negra.

Acho legal a ideia de se ter um dia em homenagem aos negros. Sou a favor da emancipação das minorias e talvez o começo seja esse mesmo – um simples dia no calendário dedicado a esses grupos oprimidos. Mas a frase é bem legal, quem me passou foi o Saudoso Zé Rodrix.  Ele disse que a frase foi feita por um grupo de amigos, entre os quais um negro.  Lá vai:

“Inventaram UM dia da Consciência Negra só para deixar a negrada inconsciente o resto do ano”

Ocorreu-me também piada de domínio público a respeito do assunto.  Aliás, piada que brinca com a falta de consciência negra do mais importante ídolo do esporte. Lá vai.

Um negro  consegue driblar toda a burocracia; finalmente, é recebido por Pelé.   Com paciência e generosidade, Pelé escuta todos os preconceitos e discriminações de que o outro estava sendo vítima. Paternalmente,  Pelé tenta confortá-lo:

– Eu entendo bem o seu problema, meu filho.  Eu também já fui preto.

Sem querer lavar as mãos,  tanto a piada  quanto à frase não são minhas. Gostando ou não da frase, da piada,  do meu post, enfim,  mais uma vez,  este Trombone abre  canal para quem quiser se manifestar sobre o tema.

De qualquer forma, Feliz Dia da Consciência Negra para todos, sejam sua consciência e sua pele da cor que forem!

É de se lastimar apenas que esse ano tenha caído no domingo e, assim, perdemos um feriado.

Aquecimento Global, Cadê?

Que raio de Aquecimento Global é esse que me obriga a usar malha  à tarde em casa e dormir com acolchoado de ontem para hoje,  em tempos “de quase dezembro”.*

Três  pontos a destacar:

  • Trata-se de apenas um questionamento, uma vez que para mim, a temperatura é sempre a ideal: se está frio, ponho a malha e, perfeito; esquentou um pouco tiro a malha e, mais uma vez, perfeito.  Óbvio que se estiver pelas ruas, montanhas e bosques do Canadá em Janeiro, vou sentir frio; nas praias do Nordeste, no verão, sinto calor.
  • Lógico que não estou aqui tratando o tema  com a seriedade que ele merece.
  • “Quase dezembro” entre aspas porque é da música Alegria  Alegria de Caetano Veloso no Festival de Música Brasileira de 1967  Quiser ouvir, clique.  É o máximo.  Ele e Gil introduziram Guitarra Elétrica na MPB nesse Festival. Ouça  Gil, Domingo no Parque, com os Mutantes, de Rita Lee

Curioso, post começou com assunto árido e terminou com músicas maravilhosas.  Dá pra discordar?

Barbárie Instaurada! E que se Danem seus Direitos Fundamentais!

Lembra-se, você aprendeu que substantivo abstrato era algo que  não se  pode ver, nem tocar? Pois bem,  hoje cachorros do meu prédio latiram compulsivamente por  cerca de uma  hora seguida.  Então, dei-me conta de que FALTA DE  EDUCAÇÃO,  muitas e muitas vezes,  é” SUBSTANTIVO”  ABSTRATO AO QUADRADO.  Entretanto, há um grave paradoxo : a FALTA DE EDUCAÇÃO da maioria é algo MUITO  CONCRETO,  pesa toneladas e  esmaga os direitos mais fundamentais do cidadão, como o direito ao sossego.

Acho que defino bem a coisa.  Seus pais e os meus nos ensinaram   ” meu filho, sua liberdade vai até onde começa o direito do próximo”.  Pois atualmente isso foi subvertido  completamente – a liberdade dos búfalos (sujeitos grosseiros – sem qualquer ofensa aos búfalos de quatro patas) é ilimitada,  e o cidadão  vai cada vez mais  vendo seus direitos fundamentais estraçalhados.

Hoje,  foi uma hora de sinfonia de latidos.  Há cerca de seis meses,  elemento,  que tomava leite na padaria, não teve dúvida.  Despejou um pouco no pratinho onde havia comido pão e deu para o cachorro lamber.  No lugar do dono da padaria, que presenciou a cena, teria pegado o pratinho jogado no chão e cobraria R$ 50,00 do vândalo.   Se o cara protestasse,  chamaria o segurança e argumentaria:

– Sem problemas.  Eu fico com a chave do seu carro,  você vai comprar um pratinho idêntico e traz aqui.  Na volta, ainda vai pagar o estacionamento.

Os búfalos só entendem quando lhes afetam seu único órgão sensível: o Bolso.

Há texto meu legal sobre essa barbárie que vem se instaurando   de maneira espetacular.  Título já é sugestivo: Educação Formal/Educação Informal.  Quiser ler, clique

Hillary, Abra esses Olhões Azuis!

Eleições para Presidente dos Estados Unidos.  Hillary Clinton firme no páreo.  Bom momento para lembrar piadinha que correu os Estados Unidos, na época Monica  Lewinsky,   :

Instituto de pesquisa americano fez enquete para saber qual o percentual da população feminina  dos EUA transaria com Bill. 77% das entrevistadas disseram:

– Outra vez? Não…

Se Hillary ganhar e tiver que ficar horas e horas no  Gabinete dela  na Casa Branca, imagine o estrago que o maridão vai promover!

Ilhado no Inferno

Maioria das salas de cinema de São Paulo,  em Shoppings Centers.  Como um deles é bem próximo de casa, você vai a pé.   Não encontra ingresso, tampouco para o filme segunda opção.  Nesse meio tempo,  desaba temporal.  E você, literalmente, preso no inferno,  impedido de ter a alegria descrita em frase minha.

“Shoppings Centers me proporcionam imensa alegria: quando saio”.

Para escrever essa notinha, gasto cerca de sete minutos.  E agora, fazer o que?

Só me resta torcer e até suplicar  para que meus ouvidos, olhos e nervos  não explodam.

Fui Traído pela Minha Audição ou a Coisa Tá Feia Mesmo?

O economista Edmar Bacha foi eleito hoje para a Academia Brasileira de Letras.  Ao explicar no Jornal Nacional como é o procedimento para se escolher novo membro, o Presidente da Academia, Domício Proença Filho, salvo imenso golpe desses meu surrados ouvidos pela poluição sonora, disse:

– Incinera-se os votos…

O certo é incineram-se os votos.

Falei uma única vez ao vivo  em rádio e cometi  pequeno erro de concordância.  Tenho certeza de que cometi o erro por não ter prática de falar em microfone para grande público.    Mas o Presidente da Academia Brasileira de Letras…

Espero, de fato,  que meus torturados  ouvidos tenham me traído…

 

Sensível Texto sobre Finados e Boa Entrevista sobre Mortes e Mortos

Para homenagear os mortos, sensível texto do amigo Pawwlow e entrevista séria do Historiador Carlos Bacellar ao apresentador Ronnie Von.

Dia dos Mortos no Bonfim – Pawwlow

Embora não tenha parentes sepultados no Bonfim ( familiares  enterrados em cemitérios distantes de onde moro, sob placas indicativas, não ocupando túmulos inspiradores), lá homenageio os mortos em seu dia. Cemitério antigo, localizado em bairro berço de lendas urbanas de Belo Horizonte, ele próprio lenda, me parece o santuário indiscutível do feriado de Finados. O feriado me fornecendo pretexto para visitar, uma vez mais, o cemitério de predileção. Sinto-me como o Jânio Quadros prefeito de São Paulo nos anos ‘80 exigindo em bilhetes “um dia dos mortos impecável”, enquanto notava, por exemplo, o cemitério de Vila Alpina com  “rosas jogadas no chão, em desalinho deplorável”  (cito de memória, mas sob impressão favorável ao político atento ao abandono dos cemitérios que recebiam familiares de  mortos com indisfarçável desleixo, como se estes estivessem mortos também, ou cegos quanto ao tratamento dispensado aos seus).Uma vez mais, subi ao Bonfim, revi suas moradoras em shorts vigiando as ruas e quem, como eu,  parecia-lhes intruso, ou um boêmio retardatário, ou um comum curioso praticando turismo urbano no bairro que já teve cassinos e, dizem, visita de Orson Welles. Encruzilhadas com despachos saúdam visitantes. Nenhum  travesti nas ruas, nenhuma prostituta identificável, o bairro parecia me receber como a um conviva tardio, que perdera os seus dias de esbórnia e fúria, chegando anos depois do fechamento do último de seus prostíbulos, colhendo quando muito algum resquício de murmúrio narrativo do que não pude, ou não quis, assistir enquanto acontecia,  recorrendo aos exageros de quem pegou restos de décadas menos domesticadas no bairro mítico da zona boêmia. O Bonfim, bairro boêmio,  próximo ao centro da cidade, vizinho da  Av .Pedro II,  suporta estoico seu estigma de morada de prostitutas e travestis, sua qualificação de “decadente”, a vergonha da BH petista, que se refere ao bairro de oficinas de carros e fabriquetas, e demais ramos de comércio, como “deteriorado”. João Antônio escreveu seu “A Lapa acordada para morrer” sobre o desmantelamento do velho bairro carioca, pois o Bonfim é assassinado  dormindo mesmo, por autoridades que tramam sua “revitalização”, sua descaracterização higienizadora, sua eliminação como membro indesejável da família mineira. O Bonfim escandaliza os vendedores da “BH popular”, os marqueteiros da “capital de vanguarda”. O Bonfim queima o filme, sintetizando. Jazigos de políticos (Olegário Maciel, Raul Soares, Afonso Pena, Magalhães Pinto, entre outros), verdadeiros monumentos,  dividem as alamedas com jazigos de famílias,  alguns destes contendo fotos  de décadas idas, rostos  em nítida  contemplação de dias menos velozes e corruptos. Não são poucas as imagens ali que parecem retiradas das capas de livros de Dalton Trevisan, de algum filme mudo, ou revista dos tempos da Republica Velha. Os escritos em latim dos jazigos de vultos da vida pública parecem  títulos de capítulos onde os lembretes de familiares em jazigos de gente da vida particular formam o texto (” Sua morte nos mergulhou em nuvem negra de recordações e lamentos”, “Em vida a ternura em pessoa, em morte um anjo”, ”Sempre em nossa memória, para sempre  presente em nossos dias”) de um mesmo livro. Alguns retratados bem jovens, indicando  breve seu calvário aqui entre os vivos. O sorriso de alguns vultos explica o pesar de quem teve de continuar o resto da navegação sem a companhia de remador que com seu entusiasmo transformava mar furioso em percurso de provas de vela. Clichê lembrar que as lágrimas cabem aos sobreviventes? Familiares tocando o peito com a mão ao se recusar à aproximação de certos túmulos aparentam não tomar conhecimento dos ditames do bom gosto e da concisão, e qualquer tentativa de descrevê-los  seria temerária,  pois a sub-literatura seria infalível, exceto se feita por algum escritor que justificasse as árvores derrubadas (como nota Mario Sergio Conti, poucos o justificam). Todos,  principalmente velhos com dificuldade em localizar lápides e quadras, têm suas velas a zelar, seu ritual de remover capins e ofertar flores e lágrimas aos que as cobram em sonhos -“Como tem cuidado de meu túmulo lá no Bonfim?” O feriado de  Dia de Finados  elimina qualquer desculpa no descuido das obrigações,  os vivos e os mortos na observação estrita do comparecimento ao encontro que pesa como condenação aos vivos e é agradável visita aos mortos. Guardiões dos túmulos são os gatos alimentados com baldes de ração e bacias de água por funcionários que parecem afeiçoados ao local (um dos funcionários me  pareceu estar com lábios pintados com batom, fiel ao espírito do Bonfim) . Parecem, os gatos, ferozes e dispostos a hipnotizar os que,  como eu, visitam seus templos sem a devida justificativa.  Uma caixa com filhotes de gatos ocupava o antigo necrotério (palco de uma das lendas do bairro, do cemitério – moça que sofrera ataque de catalepsia, despertara  em pleno necrotério, morrendo de pavor agarrada às grades da janela), com água e ração postas para a ninhada.Um grupo de adolescentes “góticos “ e eu os observávamos, os ditos góticos jurando sentir que as mãos postas sob a porta pareciam atraídas por “alguma força”. Meus dedos experimentaram apenas  frio e sujeira e meninos (provavelmente oriundos da Pedreira Prado Lopes) zombavam dos ditos góticos : “ Ei , vocês  são espíritos”. Paulo Mayr, no seu blog “Boca no Trombone”, antecipou em dias sua celebração de Finados em edição especial com piadas de velórios e possíveis epitáfios,  lembrando que morte e cemitério são inevitáveis e o único recurso frente ao encontro que teremos um dia com o coveiro é rir, mas não consigo, apesar de racionalmente concordar com o Mayr. O Finados a muitos serve de data para reflexões de cunho metafísico, ou filosófico, sobre a inutilidade das lamentações sobre a morte. Para mim, é data para me vestir (reiterar esta minha preferência, na verdade) de camisa preta e cismar sobre como seriam as vidas dos personagens dos retratos nas lápides, e chorar como se os tivesse conhecido. Acompanhados por estes mortos pelo Bonfim até a Pedro II, sentindo o perfume de suas rosas,  prometo voltar no próximo Finados , sem ousar olhar para trás. Sobre estes anúncios. Quiser conhecer o Blog   Fernando Pawwlow – Cadernos clique aqui

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Ainda a seriedade que o assunto exige.  Assista à Entrevista de Carlos Bacellar,  Professor e historiador da Universidade de S. Paulo,  no Programa de Ronnie Von. Logo no início, Bacellar observa que antigamente a morte era muito comentada e o sexo, grande tabu.  Bem, isso é apenas um dos diversos aspectos interessante que Bacellar aponta.  Vale muito a pena assistir.  Clique aqui