Minha Crônica “Pragas Contemporâneas” Recebe Menção Honrosa em Concurso de Literarutra

Crônica minha a respeito  de  pragas  que infestam lugares públicos nos dias de hoje  recebeu menção honrosa no Prêmio Sindi Clube de Conto, Poesia e Crônicas deste ano de 2013.

Leia e aponte se eu falo algo minimamente questionável.

Em tempo, trocaria, sem pensar uma vez e meia,  a “Honraria da Menção Honrosa” por viver entre  pessoas  que realmente soubessem se comportar em público,  sem agredir a retina e o sossego  alheios.  É  até mais  provável  eu ganhar o Nobel de Literatura do que ter esse meu segundo anseio realizado.  Infelizmente.

Lá vai a Crônica:

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Pragas Contemporâneas

Lucas Mendes, ao ser  entrevistado no programa  Fim de Expediente,  da Rádio CBN, em  março  deste ano,   contou vários episódios interessantes, inclusive sobre Paulo Francis. Francis, sujeito grandão,  com aquele mau humor charmoso e característico, quando via uns garotos mal-encarados por perto, fechava a mão, como se fosse dar um soco, e dizia:
– Sociologia tem hora, porra!!!

Mas esse fato ele não contou.  Entretanto, foi  bonito como   Mendes  descreveu o Rio de Janeiro do começo dos anos 60.
Disse que  será impossível reviver aquela época, quando as relações entre ele, que estava começando, e os grandes nomes do jornalismo eram absolutamente democráticas.  A vida era barata;  os restaurantes idem, além de glamourosos, com muitas mulheres interessantes – interessantes, não necessariamente bonitas –  e homens que brilhavam,   tanto em suas profissões, quanto  na boêmia (que todo mundo diz  boemia) de então.

Ele se esqueceu, ou falou em outro trecho do programa que eu não ouvi,  de alguns detalhes  primordiais  que impossibilitam  sobrevivência de  qualquer ínfimo resquício de  glamour  nos dias de hoje.

É impossível  haver atmosfera de   fascínio e ambiente civilizado  em bares e restaurantes com aparelhos de televisão.

Os percalços continuam.  As pessoas gritam ao celular.   Mesmo que não gritassem;  parodiando algo que já foi dito, o celular é o túmulo da urbanidade. É  desagradabilíssimo  estar ao lado de alguém, ainda que desconhecido, que ignora tudo ao seu redor e não se cansa  de falar em ritmo rápido   com um fantasma.

E continua. Há ainda as tais lâmpadas fluorescentes compactas, aquelas que nasceram com a crise de energia  – Apagão –  e prosperam até hoje. Elas emitem luminosidade horrorosa que fere  os olhos. Deveriam ser proibidas por lei, como diria a minha prima “Ciloca, carioca”. Aliás, proibido por lei deveria ser tudo que molesta a integridade do cidadão, por mais tênue que seja.

Bota Mick Jagger, Heleno de Freitas, James Dean,  Leila Diniz, Greta Garbo, John Mcenroe, Jim Morrison  e mais todas as pessoas que você considera mágicas, lindas,  fascinantes   em atmosfera  submetida a  essas três pragas (ainda que haja iluminação decente e fiquem apenas celular e tv ligada) e todo o encantamento  se esvai.

Dá para imaginar   uma nova Semana de Arte Moderna, ou  movimento menos retumbante, sendo concebida (o) e desfrutada (o)  em bares  onde as pessoas, para serem ouvidas, precisam gritar a fim de   vencer  os diálogos da novela na TV  e gente tagarelando  ao celular???

Sinceramente, eu não consigo imaginar!!!

Triste, muito triste.  Ao mesmo tempo,  pobre, muito pobre…
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Quiser conhecer os vencedores:

PRÊMIO SINDI-CLUBE DE POESIA, CRÔNICA E CONTO / 2013
RELAÇÃO DOS AUTORES E OBRAS PREMIADAS
P O E S I A
Primeiro lugar | Vicente Rággio | Vinícius | Club Athletico Paulistano
Segundo lugar | Luiz Carlos de Moura Azevedo – Sociedade Harmonia de Tênis – Meu amigo, Merece Negrito

Terceiro lugar | Cláudia Schimmelpfeng da Costa Coelho | Eu | Esporte Clube Pinheiros
Menções honrosas:
1- Magnos A. B. Castanheira | Caçador | Clube Esperia
2- Armando Salles Galbi | Consumatus est | Círculo Militar de São Paulo
C R Ô N I C A
Primeiro lugar | Carlos Augusto de Assis | Ela vai se casar | Clube Esportivo Helvetia
Segundo lugar | Eurico Cabral de Oliveira | Rumo ao centro | Anhembi Tênis Clube
Terceiro lugar | Hans Fruedenthal | Antes, e agora | Club Athletico Paulistano
Menções honrosas:
1- Ricardo Lahud | Ninguém morre no Fecebook | Club Athletico Paulistano
2- Paulo Mayr Cerqueira | Pragas contemporâneas | Sociedade Harmonia de Tênis
C O N T O
Primeiro lugar | Mário Lúcio Marinho | O velório da Rosa Preta | Continental Parque Clube
Segundo lugar | Érica Bombardi | Antes do fim | Círculo Militar de Campinas
Terceiro lugar | Giselda Penteado Di Guglielmo | Banco de Jardim | Club Athletico Paulistano
Menções honrosas:
1- Sandra Silvério | O Segredo de Marta | Esporte Clube Pinheiros
2- Suzana da Cunha Lima | O sétimo distrito | Clube Alto dos Pinheiros
3- Helo Belo Barros | Prelúdio | Club Athletico Paulistano

 

Eterno

Portal da Internet reproduz o que disse Renato Aragão sobre seu personagem Didi: ” Didi não tem idade.  Ele é eterno.”  Bonito, muito bonito.

A propósito do grande Renato Aragão.  Em uma de renovação de contrato com a Globo,  timidamente, ele disse que gostaria de não mais gravar aos Domingos.  Na mesma hora, o manda-chuva da Emissora concordou.  É lógico, o cara não era louco.

Mais uma do homem.  Ele comprou pequeno palácio  de ex-milionário.  Manteve toda a estrutura de serviço do antigo proprietário.  De bobo, não tem nem a cara, como se dizia antigamente.

Sucesso eterno pro Didi e pro Renato Aragão…  Ele/Eles merece(m), nós merecemos.

Honrosas, porém Fugazes, Exceções

Perdizes/Pacaembu, rua Traipu quase esquina com a Turiassu, prédio novo com nome civilizado, longe do Complexo de Vira-lata: Vista Pacaembu.  Por incrível que pareça, o vizinho também foi batizado em Português: Edifício Costa Rica.

Já o outro  vizinho da Rua Traipu, além de  ninguém conseguir descobrir onde está o nome, é de tal forma ridículo que , outro dia, nem  o segurança conseguia   responder.  O Segurança do turno da manhã  de hoje era mais empenhado e balbuciou  que o edifício se chamava Bela Vu Pacaembu- Percebem que até rima, né???   Eu respondi que não havia entendido  e ele me mostrou o nome impresso em um papel burocrático: Belle Vue

Agora sim,  São Paulo, Brasil, Complexo de Vira-lata a mil!!!!  Quiser ler mais sobre Complexo de Vira-lata, Clique

Presidente e Autoridades Na Rua Deveria ser Regra, Jamais Exceção

Anônima,  a Presidente Dilma realizou  sonho de passear por Brasília  na garupa da Harley-Davidson de Carlos Gabas, secretário-executivo do Ministério da Previdência, no último dia 4.  A Segurança da Presidente acompanhou à distância.

Simpático, rendeu notícia no jornal, mas não passou de uma aventurinha.

Autoridades de todos os níveis deveriam com frequência circular pelo meio de pessoas comuns para tomar contato com a vida real do povo.  Não estou dizendo  passear pela favela ou debaixo de viadutos na madrugada, tampouco enfrentar metrô e trem de subúrbio nos horários de pico.  Mas deveriam andar  infinitamente menos de helicópteros e usar muito mais os carros, sem batedores, naturalmente.  Caminhar  anônimos por “seus domínios” também não poderia ser em hipótese alguma prejudicial. Sem contar, a possibilidade de verem  o mundo verdadeiro  e não a vida cor de rosa  que lhes trazem os ASPONES (todo mundo conhece a sigla, né??? Aspone significa  – Assessores de Porra Nenhuma).

Políticos da velha guarda faziam isso.  Roberto Sodré, quando governador,  andava pelo seu bairro com amigos, acompanhado à distância  por discreto segurança.

Uma vez eu estava pela Cardeal Arcoverde em Pinheiros.  Vi um belo automóvel preto, nada de muito luxuoso, mas um carro nacional bom.   Na placa a Inscrição – Prefeito Municipal.   Pensei comigo:  prefeito de uma cidadezinha qualquer com um carro desses.  Aproximei-me.  Quem estava no banco da Frente, ao lado do motorista,  sem qualquer segurança no carro, nem mesmo por perto???

O prefeito Jânio Quadros.

O trânsito estava lento.  Olhei fixo  e ele me cumprimentou.  Retribui com aceno de mão.

Jogo de Cartas

Não sou, tampouco, estou moralista.  Trata-se de coincidência.

Post anterior, piadinha sobre bebida;  hoje,  frase a respeito de jogo de cartas.

Minha frase repete um pouco, de forma mais objetiva o que Ruy Barbosa teria dito.  Segundo a lenda, dizia o famoso brasileiro: no  no jogo o que menos se perde é o dinheiro; perde-se a honra, o tempo, a dignidade.  Essa eloquencia  toda  é lenda mesmo: acabei de ver no google que ele disse apenas:  “No jogo, o que menos se perde é o dinheiro.”

Vejo cerca de cem pessoas, sempre as mesmas,  jogando baralho.  Não consigo entender.  Tanto livro bom, tanto cinema, tanta possibilidade de conversar, tanto  filho,  sobrinho, neto, amigos para visitar, tanto namoro a namorar, tanto passeio a pé a percorrer…

Bem, lá vai:

No jogo de cartas, o que mais se joga é tempo fora.

Bebida…

Bem, para se divertir no Fim de Semana e para pensar um pouco que, além do bafômetro, tem mais essa, lá vai piada excelente que me mandou o assíduo Júnior Bataglini:

Dois amigos estão no bar, quando um deles fala:

– Está vendo aqueles dois velhos bebendo na outra mesa.

– Estou, por quê ?

– Em uns vinte anos estaremos assim.

O outro olhou e disse:

– Cara, é melhor você parar de beber. Aquilo é um espelho, cara.
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Divirtam-se todos – COM moderação, né???!!!

Nunca Entendi Esse Costume

E aí, meus leitores,  que talvez lotem um Fusca, estavam sentindo falta dos meus  textos, que o pessoal da Internet chama de Posts???  Minha vida continua aquele estresse sem fim, o que me obriga a lembrar sempre de Friedrich Nietzsche:  “O que não me mata imediatamente me fortalece”.  Tenho uma comparação e um episódio  legais  para essa fabulosa frase, mas fica para a próxima, senão não começo.

O de sempre, mas com pequena variável.

Para não perder o começo de A Grande Família, sou obrigado a encarar o fim da novela,  Pois bem, dessa vez não foi erro de português que eu ouvi, mas sim o reforço de um costume que não faz qualquer sentido.  A personagem diz para um sujeito:

– Não se esqueça do documento do carro.

Ora,  jamais consegui entender essa história de carregar documento do carro pra lá e pra cá.

Basta tirar um xerox – autenticar no Departamento de Trânsito – o que não é barato – e largar o dito cujo no porta-luvas.

Faço assim desde que tenho Carteira de Habilitação e nunca me causou qualquer problema.

Em tempo, reitero, se a Globo quiser me consultar para evitar erros de português, tô dentro.   Agora,  assuntos burocráticos…  Pra terminar, mil anos atrás, meu chefe  queria que eu olhasse alguma coisa no Diário Oficial e me perguntou se eu já havia lido.  Minha resposta:

– Graças a Deus, não!!!

“Pode Faltar Tudo Na Vida: Arroz, Feijão e Pão; Só Não Quero é Que Me Falte…”

Na rua, há pouco, camiseta do rapaz trazia inscrição com  o mesmo tipo de letras da empresa de telefonia:

VIVO

Sem Dinheiro

Se o cara era duro de fato, não deu para  saber, já que estava mais ou menos arrumado.  Entretanto, tenho certeza de  que, mesmo     paupérrimo,  o celular seria a última, mas literalmente a última,   coisa da qual ele iria abdicar.

Conforme já contei, vi moradora de rua batendo longos papos ao celular.

Ainda pretendo escrever com calma a respeito  dessa  obsessão.

Se quiser ouvir Marchinha de Carnaval citada no título, clique

Concurso de Poemas Curtos

A cidade de Brusque, em Santa Catarina,  tem tradição na área de tecelagem,  mas também apoia a  poesia através de iniciativas interessantes.  O Centro Universitário de Brusque promove a Terceira Edição do Concurso Cultural Poesia Urbana. As inscrições encerram-se no próximo dia 16 e devem ser feitas pela Internet.

Curioso é o destino dado aos poemas selecionados.  Neste ano, eles serão impressos em cartões postais,  distribuídos pela cidade.  Rafael Zen, presidente da comissão do Concurso, faz um rápido histórico e já explica  o porquê da escolha dos cartões postais.

““Discutimos a possibilidade da intervenção poética não ser, desta vez, efêmera. Com a primeira edição, colocamos poesia nos ônibus por três meses e depois eles “acabaram”. Com os poemas impressos em sacos de pão a mesma coisa: as pessoas levavam para suas casas, liam e, na maioria das vezes, jogavam o material fora. Foi dessa base que surgiu a ideia dos cartões postais, como um presente da universidade para a comunidade”

Agora, os poemas poderão ser guardados.  Lembrando que são poemas curtos, de até 30 palavras.

Trezentos poetas de 22 estados do Brasil  participaram em 2012.

As inscrições, gratuitas, para este ano ainda  podem ser feitas até o próximo dia 16  através deste endereço 

Veja alguns dos vencedores abaixo, inspirem-se e participem:

Evil Pillow*
por KLEBER BORDINHÃO

vivo em guerra
com meu travesseiro
que além de baixo
é fofoqueiro

me conta
ao pé do ouvido
todas as noites
meu dia inteiro

*observação minha: apesar do título em inglês, muito bom.  Travesseiro Arteiro,  Travesseiro Falante, entre infinitas outras possibilidades, não seriam mais adequados???
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Paix(p)ão
por JORGE LANDER KENWORTHY

Ignoras, em tua cidade,
Que chegado final de tarde
Um homem sonha baixinho
Pela moça que devagarzinho
Conquistou seu coração.

Alheio a essa paixão
segues comprando teu pão.

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Labirinto
por JACQUELINE LOPES SALGADO SOARES

Poesia transpassa por mim
Tece nas veias um labirinto.
Não temos princípio nem fim,
Finjo que sou ela
Ela finge o que eu sinto.

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antropofagia
por LUDMILA RODRIGUES

me olha e já me come
tira lasca
lambe os beiços
te olho e já floresço
pingo orvalho
chupo os beiços