O Cliente Nunca Tem Razão

É curiosa a tranqüilidade  com que responsáveis por restaurantes, bares e casas de diversão  respondem em jornais e revistas cartas de  clientes insatisfeitos.  O cidadão enfrenta transtorno quando procura (e paga caro) lazer.  Depois de tudo isso, ainda tem paciência para escrever e encaminhar carta  para imprensa especializada.  E o que ele e os demais leitores recebem???  As respostas mais automáticas, inóspitas e insípidas   possíveis, sempre isentando o estabelecimento de qualquer culpa. 

A Guia da Folha de hoje traz caso típico na pág. 92. Consumidor relata que foi a determinado restaurante com a família comemorar seu aniversário.  Diz ele que a comida chegou à mesa “totalmente gelada. Meu prato, que deveria conter lascas de bacalhau e brócolis, não possuía quase nenhum bacalhau.  Havia somente a verdura fria e batata doce.”  Ele conta ainda que gastou R$ 368,72 (não fala quantas pessoas eram), saiu com fome e o garçon sequer pediu desculpas.  Na resposta publicada, o gerente geral da casa diz que lamenta ocorrido e que o fato não faz parte do padrão da casa e termina: “sabemos que os momentos são insubstituíveis e nos desculpamos.”

Pensar em convidar o cliente para novo jantar  de cortesia nem deve passar pela cabeça do responsável.  Certamente é por isso que ele já explica que o momento era insubstituível.

Há algum tempo, leitor da editoria de restaurantes de uma publicação comentava exatamente a mesma coisa que eu relato e se admirava que continuasse havendo público para restaurantes que davam respostas tão inadequadas  para  clientes insatisfeitos.  Afirmava que ele nunca mais voltava ou ia a esses lugares que davam respostas evasivas, sempre se esquivando de qualquer responsabilidade.  Muito antes de ler tal carta, também sempre tomei a mesma atitude.

Famoso e sofisticado jornalista da imprensa paulistana deu conselho sábio que igualmente sempre adotei, mesmo antes de ter lido seu artigo.Escreveu  ele que se deve escolher cerca de cinco bons restaurantes (um para carne, outro para massas, outro para comida japonesa, um para pizzas e mais um ou dois outros) e freqüentar sempre esses mesmos lugares.

Quero distância dos restaurantes dos ditos Jardins, onde as mesas são minúsculas, as porções incapazes de matar a fome de uma criança ou de um bebê e os preços para milionários.  Isso sem contar que muitas vezes garçons e maitres são temperamentais como se fossem gênios  das artes.   Esses funcionários  temperamentais, entretanto, são só sorrisos e gentilezas para os freqüentadores assíduas do lugar ou então para o que hoje se convencionou chamar celebridade!!!

Por falta de inspiração, termino com gracinha da moda, um paradoxo para cara que como eu tanto detesta modismo:  “dentro desses lugares, por favor, me incluam fora”

Tutores para Gênios Rebeldes do Futebol

O fabuloso Robinho é multado em R$ 1 milhão – corresponde a “longuíssimos”  15 dias do seu salariozinho – pelo Manchester City porque, segundo notícias, viajou  escondido ao Brasil.  O jogador diz ter se despedido de todos e que viera ao Brasil resolver problemas familiares. Despedir-se não implica necessariamente que ele tenha obtido autorização para viajar.

É impressionante como esses geniais e geniosos jogadores conseguem se envolver em confusões e mal-entendidos.

Eu acho, inclusive, que os clubes de futebol deveriam contar com uma espécie de tutores para tomar conta deles – pelo menos dos mais rebeldes.  Suponho que Kaká (e muitos outros, é lógico) dificilmente tomará  (ão)atitudes infantis e impróprias.

Lembro-me muito bem das circunstâncias em que o brilhante atacante Dener morreu. 

Dener jogava no Rio, mas não gostava da “balada” (detesto essa palavra) carioca.  Ele passou o fim de semana inteiro em S. Paulo.  Por volta da meia noite do domingo, pegou o carro com um amigo que dirigia e morreu a caminho do Rio de Janeiro, onde deveria se apresentar para o treino marcado para bem cedo da manhã de segunda-feira. Um jogador tem condições de realizar  treino minimamente adequado depois de ter dormido a noite inteira em um banco de carro???  E mais, segundo notícias da época, o tal amigo que dirigia o carro era sujeito envolvido em tráfico de armas!!!  

“Tutores profissionais” demandarão  despesas extras para o clube.  Problema mais grave é que essa medida  causará revolta por parte dos jogadores “tutorados”.   Mas será que existe outra solução???  Não seria o caso de os clubes considerarem seriamente essa idéia enquanto as infantilidades estão implicando apenas em multas???  É mais inteligente  enfrentar revolta de geniozinhos mimados do que – Deus os proteja –  cuidar de cerimônias fúnebres precoces!!!

Em tempo, sou grande fã desses rebeldes (principalmente Robinho) sem a mais mínima causa. É por isso que escrevi este texto!!!

Leis que não pegam e as que pegam mal

No Brasil, leis que parecem justas e favorecer a maioria, na verdade, são injustas e prejudicam a maioria. 

Tudo isso por que??? Todos os porquês  eu não sei.  Mas um deles é o tal   do jeitinho brasileiro!!!

O objetivo da lei certamente era eliminar o cigarro, charuto, cachimbo de lugares fechados, principalmente restaurantes,  o que seria extremamente justo e muito saudável, até, e principalmente, para os fumantes.  Mas aí, fumantes e donos de restaurantes vão ficar chateados.  Afinal, eles se julgam acima da lei, não podem ser contrariados.  A lei não é para ser justa e sim para fazer uma imensa média, dar o tal jeitinho brasileiro.  Assim,  criam-se áreas para fumantes e não fumantes separadas por uma plaquinha, como se  fumaça soubesse ler.

O resultado disso foi o pior possível para os não fumantes.  Todos, os bares e restaurantes (exceto o fabuloso Camelo da Pamplona – que eu conheça -)  deixaram confinados nos piores lugares os não fumantes. 

Fumantes nadam de braçada pelos salões principais, varandas e espaços arejados.   Não fumantes foram enxotados para cantinhos, sobrelojas e sótãos.

Antes da tal lei que veio para favorecer o não fumante, você se sentava à mesa que escolhia e provavelmente um vizinho de mesa seu fumava e outro não.  Atualmente, se você quer  sentar-se em um bom lugar,  fumantes o cercam por todos os lados.  Alguns, inclusive, fumando cachimbos e charutos.

Hoje almocei em um simpático e relativamente pequeno restaurante.  No salão principal, umas dez pessoas fumavam charutos.  Não fui ver como estava a sobreloja onde se confinam não fumantes naquele restaurante.   Mas conheço o lugar – abafado, fechado e sem o menor charme. 

É isso: no Brasil, umas leis não Pegam e as que Pegam, pegam  mal, muito mal.

SAPO COM SABOR DE LAGOSTA

Não entendo quase nada de política, graças a Deus.  Mas sei que Serra e Alckmin são do mesmo partido – tucanos – do PSDB. Daqui para frente, vão dados que talvez comprovem que não conheço mesmo política e posso citar coisas imprecisas.  Embora do mesmo partido, nas últimas eleições, Serra demonstrou muito mais simpatia e até empenho pela candidatura de Gilberto Kassab a prefeito do que pela de  Alckmin.  A Folha de hoje traz um quadrinho com título:  Divisão Interna – Serra e Alckmin estiveram em lados opostos desde 2002.  No quadro, estão enumerados os fatos.  Leitura pouco emocionante,  por isso, passo a diante.

Ontem Serra anuncia que Alckmin será seu Secretário de Desenvolvimento.

Não entendo de política, mas de frases entendo um pouco, sem falsa modéstia.  Lá vai uma minha a respeito de política, feita a partir de outra frase de domínio público, que, aliás, já mostra que política é mesmo coisa bem  esquisita.  Só o complemento após as aspas é meu:  “Política é a arte de engolir sapos”, com cara de quem está saboreando lagosta.

Em tempo, na foto da página A4 de Hoje da Folha , os sorrisos de Serra e Alckmin são enigmáticos.  Fica a pergunta:  Ambos estão a engolir  lagostas ou sapos???

Roberto Carlos, Ricardo Kotscho

Amigo meu passava semana do Natal em praia deserta, longe da cidade com a turma dele.   Na turma, uma cantora que já havia tido os tais quinze minutos de glória dos quais falou Andy Warhol.  Pois bem, desde o dia em que chegou, a cantora não parava de falar que tinha que assistir de qualquer jeito ao show do Roberto Carlos na televisão, que naquele ano seria transmitido direto de um grande estádio de Futebol.  Para sossegar a moça, meu amigo prometeu (e cumpriu) que a levaria até a cidade e assistiria ao show inteiro com ela em qualquer televisão que houvesse.  

Ao me contar o caso, ele ressaltou e ficou admirado  que a moça não prestava atenção a qualquer música do Roberto ou mesmo a qualquer acorde.   O que a embevecia de fato era o imenso público que amava Roberto.  Era para isso que ela o havia feito sair de casa, pegar o carro, andar muito e ficar em um boteco de esquina diante de uma televisão mequetrefe.  A todo momento, segundo meu amigo, a cantora comentava algo do gênero:

– Olha que beleza, mais de 100 mil pessoas na platéia!!!
– Cantar para um público desses deve ser a maior glória do mundo!!!

Sempre que posso, leio os textos do meu colega de Ig  Ricardo Kotscho, com quem tive algum contato durante o tempo em que trabalhei na assessoria de imprensa do candidato/governador Franco Montoro.

Textos do Kotscho são sempre precisos e preciosos sob todos os aspectos.  Mas,  tal qual a cantora, o que me causa admiração mesmo e uma inveja saudável é o “imensíssimo” número (nunca menos de 100) de comentários que recebe qualquer coisa que ele escreva no seu site aqui no Ig.

Para concluir, caso protagonizado por Ricardo  e Roberto.  Há mais de duas décadas,  o Kotscho passava um dia junto com uma personalidade e fazia uma reportagem para a Folha de S. Paulo.  Salvo engano meu,  o jornalista e a Folha tinham pensado em inaugurar a série com o Roberto Carlos.  A agenda do cantor estava muito pesada e a coisa não aconteceu.  José Sarney, havia tomado posse pouco tempo antes e acabou inaugurando a série.  Kotscho conta na abertura da reportagem com o presidente das inúmeras tentativas, em vão,  que fizera  junto a  assessoria do cantor.  Com charme e precisão, Kotscho sintetiza:  Coisas da Realeza!!!

Na verdade, Kotscho e Roberto – os dois são da Realeza.

Big Brother, Um verdadeiro Nada

Começou mais um Big Brother, um verdadeiro nada, sem querer ofender nenhuma das palavras – um, verdadeiro e nada – usadas aqui para definir imbecilidade tão grande.

Ingênuo, antes eu calculava que a Globo economizava uma fortuna. Ao invés de arcar com custos de produção de programas tradicionais, cachês de artistas e demais gastos,  pensava eu,  bastava dar uma gratificação infinitamente mais  minguadinha para os, na linguagem da Globo, “brothers” and “sisters” e beleza – o circo tava armado.  Isso foi o que pensei em um primeiro momento.

Tem mais.

Além de economizar a tal fortuna,  o faturamento da Globo  é fabuloso, uma vez que o telespectador desse tipo de espetáculo é muito participativo e se orgulha de  registrar seu voto durante a série.  Para isso,  cada telespectador paga uma pequena quantia cada vez que se manifesta por telefone.  Muito lógico: certamente o telespectador tem muito dinheiro  e a Globo, coitadinha, fatura essa graninha de cada um.
 
Leia o texto abaixo do site Big Brother
http://bbb.globo.com/BBB9/Noticias/0,,MUL955388-16397,00-NEWTON+E+RALF+QUEREM+PEGAR+SOL+MAS+NAO+AGUENTAM+O+CALOR.html

Ralf e Newton tomam sol depois do almoço – Título
“Será que o protetor solar que coloquei antes do almoço vai resistir?”, pergunta Ralf. Após almoçar, ele e Newton seguem para a piscina e tentam deitar na espreguiçadeira para tomar sol. Mas os brothers não aguentam o calor”.
*Obs do Boca – Tentam deitar.  Deitar deve exigir muito talento…
Perdão por interromper, continue.

“Newton fica andando no sol, enquanto Ralf coloca o roupão em cima da espreguiçadeira de tecido preto e deita. Mirla também chega na varanda, mas prefere ficar na sombra”

Ler os dois parágrafos acima já causa desconforto, imagine assistir às cenas, como se falava antigamente – ao vivo e em cores…

Repetindo, classificar isso de verdadeiro nada trata-se de ofensa a essas três palavras.

Quando eu era criança,  dizia-se que para cada sujeito esperto que nascia, nasciam dez trouxas.  Basta fazer as contas da audiência do Big Brother  e dividir por todos os envolvidos na produção e no faturamento do Big Brother para se constatar que os espertos estão nadando de braçada…

Como já deu para perceber através de alguns textos anteriores, sou apaixonado pelo Brasil e pelos brasileiros.  Entretanto,  assistir a uma instituição   como essa molilizando o que mobiliza  e se calar, não seria honesto da minha parte!!!

Sem-Educação Infernizando no Cinema

O radialista João Carlos Rodrigues escreve carta para o Guia da Folha (9 a 15 de Janeiro de 2009) afirmando que “assistir aos filmes no HSBC Belas Artes está se transformando em programa ingrato para quem quer ver  obras-primas em silêncio”.  Ele relata que na sessão Cineclube de 1/12 duas mulheres conversavam e não atendiam  aos seus pedidos de silêncio.  Ele estranha ainda os outros espectadores não terem pedido para  que elas se calassem.  João Carlos propõe que se faça uma campanha “pedindo bom senso e mais educação”.  André Sturn, diretor de programação do cinema, afirma o incontestável:   esse problema está se tornando freqüente em todas as salas.  Ele explica (é fato) que algumas empresas exibidoras estão apresentando vinhetas antes de o filme começar pedindo silêncio.  Finalmente, André Sturn, mesmo sabendo que de nada vai adiantar, suponho eu,  diz que  exibirá a carta do leitor no painel de recortes e críticas de filmes que existe no saguão do Cinema.

Ingenuidade total, uma vez que seria como acreditar em cegonhas sonhar que búfalos que conversam em cinemas  vão ler cartas de leitor a respeito do assunto.  Acreditar que essa carta será respeitada chega a ser uma piada.  Há quase um ano, publiquei texto abaixo sobre o mesmo assunto.  Sem falsa modéstia, suponho que minha sugestão seria bem mais eficaz do que propõe o atencioso e sonhador gerente do Belas Artes.  Leia e opine.

Quem quiser o link, lá vai: http://bocanotrombone.ig.com.br/2008/02/07/liberdade-e-uma-coisa-barbarie-e-outra/
Quem quiser ler direto, lá vai:

Liberdade é uma coisa, barbárie é outra
Publicado aqui no Boca em 7/2/08

As salas de cinema e de teatro cumprem a lei e antes do início de cada sessão informam a respeito de hidrantes, saídas de emergência e da proibição de fumar. Solicitam ainda que a platéia permaneça em silêncio, desligue os celulares e não faça barulho.

Acontece que a falta de educação e a falta de respeito pelo próximo imperam e essas solicitações de nada adiantam. A platéia imagina que quando os atores estão em silêncio é a deixa para bater papo com o amigo, namorada e começa a conversar como se estivesse em uma sala de visitas, no mesmo volume de voz, inclusive. Muitos esquecem de desligar o celular e, acreditem, atendem o celular sem a menor cerimônia. Nessa selva, certamente o búfalo (elemento grosseiro, verdadeiro bárbaro, no mau sentido) que se limita a mandar jatos de luz no olho do vizinho a cada dois minutos para verificar quem ligou, considera-se verdadeiro príncipe, de tão educado.

Um conhecido meu que freqüenta círculos endinheirados atribui a falta de educação ao fato de as crianças não serem mais educadas pelas mães e pais e sim pelas babás. Sendo ou não as babás responsáveis, o certo é que abusos continuados não podem ser admitidos. Vítimas de uma barbárie rapidinha (rapidinha pra barbárie é curioso, né???; rapidinha combina muito mais com substantivo imensamente mais saboroso) todos nós somos o dia inteiro e a maioria nem se dá conta. Agora, agüentar o búfalo ao seu lado durante duas horas, conversando, fazendo barulho com papel de bala e de pipoca, mandando jatos de luz no seu olho a cada cinco minutos, apesar de acontecer em todas as sessões de cinema e de teatro, é demais e deveria ser mesmo proibido.
Curioso que numa época em que seguranças imensos fardados de ternos pretos circulam por todo lugar o tempo todo, nas salas de cinema não exista um único funcionário para reprimir e até mesmo expulsar aqueles que incomodam. Se for complicado explicar para o segurança o que incomoda, basta fazer que ele assista àquele filminho de proibições que já existe e dar autoridade para ele expulsar da sala quem estiver desobedecendo o que diz o filminho.

Saída mais divertida também existe, mas julgo que não fará o menor efeito. Alguma cadeia de cinema poderia lançar um concurso para escolher o roteiro de um filme/animação de um ou dois minutos que ridicularizasse ao máximo esses bárbaros que tanto incomodam nos cinemas e nos teatros. O autor do roteiro premiado teria a produção do filme e honorários bancados pelo promotor do concurso. A cada tantos meses, poderia ser produzido um novo filme com o mesmo intuito. Para baratear a coisa, uma ou mais cadeia de salas de cinema/teatro poderia (m) patrocinar essa iniciativa.
Esse filme seria exibido sempre antes do início de cada sessão. Segurança de terno preto do tamanho de um armário estaria de prontidão em todas as sessões apenas para lembrar que o filminho é para valer. Aliás, deve fazer parte do roteiro do filme que o anúncio é sério e um segurança está ali para provar isso.
Não me venha ninguém dizer/escrever que minha idéia é de ditador, de nego autoritário, de cara mal humorado. Quem me conhece sabe que não sou nada disso. O que sugiro é o mínimo dos mínimos. E digo mais, sem querer ser megalomaníaco: algum órgão do governo, ligado à educação, deveria até me mandar um email agradecendo pelo texto.

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Bote a Boca no Trombone

Sem querer polemizar com o Belas Artes, cinema que admiro bastante,  convido os  leitores, principalmente aqueles que gostam de cinema, a se manifestar se acreditam mais nos  anúncios expostos no mural de recortes do cinema  ou na minha idéia do filminho.  Filminho reforçado por Seguranças-Armários, naturalmente, já que búfalos só entendem a força bruta e concreta!!!!

O Melhor e o Pior Negócio do Mundo

Uma definição engraçada do que seria o melhor negócio do mundo diz que é comprar algumas pessoas pelo preço que elas valem e vender pelo preço que  essas mesmas pessoas julgam valer. 

Há diversos outros ótimos negócios.  Os Estados Unidos, por exemplo,  teriam comprado o território do Alasca – muito rico em petróleo –  por uma bagatela.

Já o pior negócio do mundo, sem a menor sombra de dúvida,  foi imposto pela TV Bandeirantes aos seus telespectadores (espero que seja temporária a mudança).  A emissora substituiu o fabuloso e divertidíssimo programa CQC,  comandado pelos talentosos  Marcelo Tas, Rafinha Bastos e Marcos Luque, com a participação de outros igualmente excelentes profissionais,  que ia ao ar às segundas-feiras, por volta das 22,30 hs – por OTÁVIO MESQUITA.  Não vou colocar qualquer adjetivo para não complicar.

Talvez exista o contrário da definição Negócio da China.  Se existir, cairia como uma luva para o caso.

Flanelinhas Exercendo Atividade Útil

Há uma coisa em S. Paulo que todo motorista necessita – e nunca tem – e há uma instituição que todo motorista odeia. 

Motoristas precisam de Talão – ou folhas avulsas – de Zona Azul.  Todo mundo odeia o flanelinha do semáforo que, antes mesmo de o automóvel parar, principalmente os conduzidos por mulheres,  despeja sabão no pára-brisa  e começa a esfregar. 

E que tal se os  órgãos  públicos competentes arregaçassem as mangas e começassem a  transformar flanelinhas em vendedores de zona azul???  Eles poderiam vender folhas avulsas ou o talão, sempre pelo mesmo preço  que é vendido nos representantes oficiais.  Essa nova atividade deve render  mais do que se pode arrecadar com  “gorjetas”;  vantagem adicional  considerável,  o cidadão, principalmente mulher, estaria livre do estresse que se repete a cada semáforo vermelho.

Em uma etapa seguinte, talvez se pudesse  pensar em solução semelhante para os tomadores de conta de carro.

Certamente, essa(s) medida(s) seria(m) aprovada(s) por todos, até mesmo pelos flanelinhas que teriam a possibilidade de aumentar seus rendimentos desempenhando atividade útil para a sociedade.

Como já foi dito aqui no Boca no Trombone, bons administradores, sobretudo em momentos de crise (leia-se sempre/permanentemente), precisam  tomar medidas que demandem poucos gastos e que sejam simpáticas/úteis à população. 

Também é lógico que vai dar  trabalho para os órgãos públicos competentes.  Será necessário cadastrar todos esses novos vendedores,  coibir falsificações,  fornecer troco constantemente e tomar outras providências para que a coisa funcione e, principalmente, se mantenha.  Repetindo:  dá trabalho.  Mas compensa!!!

Encerrando com o bordão do Boca:  o Homem  chegou à Lua,  há quase quarenta anos.  Será que por aqui não se consegue resolver  coisa tão mais simples???

Briga de família termina em morte – Lembra-se do “Referendo das Armas de Fogo”???

Queria terminar o ano aqui falando de coisas boas, providências místicas para que 2009 chegasse com alegria e Felicidades. Ontem dei receitas de pratos para trazer sorte.

Entretanto, ontem mesmo, um aposentado de 52 anos  “matou a cunhada e feriu dois irmãos durante uma reunião na casa dele, na Vila Mazzei (zona Norte da Capital)”. Segundo os jornais de hoje,  o criminoso era doente, tomava remédios contra e esquizofrenia. O estopim da coisa teria sido a discussão com os irmãos a respeito da herança a que tinham direito.

Pois bem, em maio de 2005, tão logo soube do Referendo sobre o Fim da Comercialização de Armas no Pais, que ocorreu em outubro do mesmo ano, escrevi texto defendendo que comércio de Armas de Fogo fosse proibido.  Houve o Referendo e  fui voto vencido.

O momento é oportuno para pensar se esse crime teria ocorrido se o resultado do referendo tivesse sido outro.  Quem quiser, pode ler o texto que escrevi na ocasião e que transcrevo abaixo.  Quem quiser ainda, conforme digo no final, pode me escrever que ensino o pulo do gato.

A RESPEITO DO  REFERENDO SOBRE O FIM DA COMERCIALIZAÇÃO DE ARMAS DE FOGO NO PAÍS
Escrito em maio de 2005 – Em outubro houve o Referendo

O referendo sobre o fim da comercialização de armas de fogo no país  deverá ser realizado no próximo dia 2 de outubro.  Não sei se já está aberto o período de “propaganda”; de qualquer forma, quero dar um pontapé inicial.

Sou visceralmente a favor do fim da comercialização de armas de fogo (e também de munição) no país.  E olha que não me lembro nos últimos tempos de ter tido  oportunidade/vontade de empregar o advérbio visceralmente em relação a qualquer crença ou opinião minha.  Sou  “muito” (não  fanático) corintiano , mas aí é outra conversa que pode até render um artiguinho divertido.

Retomando o assunto e já explicando o porquê do meu voto. Sempre fui contra armas de fogo.  Para arraigar mais ainda minha opinião,  relato   dois casos.  O primeiro, aliás emblemático,  com direito à  opinião de grande especialista no  assunto: um assaltante.  O segundo se passou comigo há muitos anos.

Um conhecido  me contou que seu irmão, médico dedicado/obstinado, recebeu um assaltante em estado deplorável alvejado com diversos tiros, praticamente morto.  A determinação, talento, boa vontade do irmão de meu conhecido salvaram o paciente.  Imensamente agradecido, ele disse:

– Doutor, o senhor salvou minha vida.  Eternamente serei grato ao senhor. Não tenho como pagar o que o senhor fez por mim, mas vou lhe ensinar uma coisa que  um dia  talvez também salve sua vida.

O assaltante continuou:

– Doutor, jamais tenha uma arma de fogo em  casa.  Se eu e o senhor nos encontrarmos cem vezes, os dois com uma arma, eu mato o senhor cem  vezes antes mesmo de o senhor pensar em encostar o dedo no gatilho!!!!!! –   disse sorrindo.

O assaltante ainda explicou que muitas vezes o assalto é feito exclusivamente para roubar a arma  que alguma empregada viu e comentou  na vizinhança.

Há mais de quinze anos, entro no consultório que meu dermatologista dividia com outros dois profissionais de saúde,  um deles dentista de crianças excepcionais.  Sou recebido por um assaltante com um revólver na cabeça.  Havia um outro assaltante e uns quinze assaltados, entre médicos, pacientes (incluindo  uma criança excepcional) e enfermeiras.  Nunca tive muita  paciência/vontade de liderar grupos, quaisquer que fossem.  Mas ali era diferente:  tava todo mundo apavorado, os ladrões eram inexperientes e um deles, além de tudo, um maluco que estava louco para dar tiro em alguém.  Eu, o único que ainda mantinha a calma e o bom senso e, contra a minha vontade, por uma questão de sobrevivência coletiva, tive que assumir a condução da coisa. Depois de várias intervenções minhas,  o assaltante sádico que tomava conta da gente (o outro havia saído para descontar o cheque que meu médico lhe entregou) fica brincando de tirar e colocar as balas no tambor de um dos revólveres. Ele coloca as balas, abandona a sala e deixa esse revólver ao alcance de qualquer um.  Obviamente, fiquei morrendo de vontade de pegar a arma, me esconder e, quando ele voltasse, eu apareceria pelas suas costas e o renderia. Obviamente, me contive.  Passam-se uns dois minutos,  ele volta e vê o revólver no mesmo lugar.  Ele pergunta olhando para mim:

– Ninguém pegou o revólver????

Eu disse que o revólver era dele e que, naturalmente, ninguém o pegaria.

Sempre olhando para mim, ele diz:

– Que sorte.  Estava sem bala.!!!!!!

E puxa seis vezes o gatilho.

Imagine se eu tivesse bancado o herói.  Provavelmente  ele iria me deixar “atirar” e, em seguida, com a consciência tranqüila, em “legítima defesa”,  me mataria e daria  início ao showzinho maluco/sádico dele.

O outro assaltante voltou com o dinheiro e tudo acabou bem, sem um único arranhão  sequer.
Finalmente, mas ainda em tempo,  o assaltante salvo pelo médico irmão do meu conhecido deu a saída para se proteger em caso de assalto.  Trata-se de  verdadeiro ovo de Colombo, chegando a ser até mesmo divertido.  Não vou ensinar aqui para que a saída continue desobstruída.  De qualquer maneira, quem tiver interesse basta me enviar um  email  que terei imenso prazer em explicar.

E o melhor de tudo: essa saída também não vai contra a campanha do desarmamento.
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Reitero: Escrevam para mim que passo para cada um por email o que o assaltante ensinou para o médico!!!