Palavrões nas Quadras de Condomínios São Apenas a Pontinha do Iceberg

Condôminos  que  gritarem  palavrões nas quadras, ou das janelas, de alguns condomínios em dias de jogos de futebol estão sendo multados, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo de hoje, com direito à chamada na Primeira Página do Jornal.  Quem quiser ler, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3105201101.htm. Há moradores que concordam com as multas e outros que dizem que o Palavrão faz parte do futebol. 

Sobre esse caso específico, não tenho uma opinião definida.  Talvez se não houver crianças por perto, se  forem uma exceção e não uma constância, se não forem bradados a todo fôlego… Talvez esses palavrões não incomodem  tanto.

Morar em condomínio, pelo menos condomínio comum de classe média (já que assaltar prédio de tubarão virou bom filão)  tem a vantagem IMENSA da segurança. Vai viajar, basta instruir o zelador que não é para receber coisa alguma excepcional, além de correspondências.  Se houver necessidade de entrar no apartamento, caso de um pouco provável vazamento, basta dizer que determinado morador do prédio, seu amigo,  tem cópia da chave. 

É legal que o prédio disponha de  uma área para crianças brincarem. Isso e só, nada além disso.  Piscina, academia de ginástica, as tais quadras servem para aumentar a possiblidade de desentendimentos/discussões e, principalmente, engordar  a taxa de  condomínio.  Associar-se a um clube é bem mais interessante.

Que há desavenças, lógico que há,  e muitas.  Em primeiro lugar porque aquilo que o pessoal da nossa faixa de idade, mais de cinqüenta, aprendeu está fora de moda, aliás, existe mas em sentido inverso.  A gente ouvia os pais dizerem: a liberdade de cada um vai até onde começa o direito do próximo.  Hoje é exatamente o contrário: a liberdade dos búfalos e ilimitada e o cidadão que vá se acuando e perdendo seus direitos fundamentais. 

A falta desse aprendizado básico está dentro de outro quadro.  Teoricamente quem mora em um determinado condomínio está dentro de um mesmo nível de grana.   Acontece que na mesma faixa de renda,  o desnível/a diferença de educação é  coisa absurda de grande.

Um casinho para concluir.  Antes da democratização das TVs a cabo, o sistema para pegar uma gama maior de canais, salvo engano, era através de Antenas Parabólicas.   Uma meia dúzia,  de dois ou três  moradores, que não conhece (m)outra forma de lazer que não a televisão (que pode deixá-los/ou deixou-os “burros/muito burros demais”) queria porque queria que,  às expensas do condomínio,  fosse instalada a parabólica e ainda se cobrasse de cada condômino individualmente  uma taxa de mensalidade.  Uma das primeiras  moradoras do prédio , senhora que hoje tem noventa anos de idade, elegantíssima, disse que não podia e que não ia arcar com essa despesa extraordinária e  desenecessária.   Um comerciante, que havia se mudado recentemente para o prédio, foi taxativo:

– Se a senhora não tem nível para morar aqui, mude-se para a periferia.

A senhora levantou-se indignada e ia saindo do salão.  Eu falei para ela que o elemento havia sido infeliz na maneira como se expressou e coloquei panos quentes.

Quando todo mundo foi embora,  ela me disse:

– A sorte daquele sujeito foi você ter entrado na história.  Porque eu ia ligar para o meu sobrinho e ele viria aqui e ia quebra a cara dele.

O sobrinho dela, meu conhecido, além de ter dois metros de altura,  era sujeito super influente no governo do Estado, tendo sido (e talvez até na época do episódio) Secretária da Segurança Pública do Estado.

Milionários e suas Mulheraças

Olacyr de Moraes, aos 80 anos, volta ao noticiário com novo negócio milionário e, como sempre, na companhia de uma jovem. 

As mulheres  de Olacyr  fazem lembrar de outro empresário, também famoso  por andar sempre acompanhado por jovens muito bonitas e muito jovens.  Esse outro empresário tinha defeitos físicos e usava muletas.

Ele estava em uma ilha com diversos amigos, com uma mulher deslumbrante.  Recebeu um telefonema e teve que vir a São Paulo.  A jovem ficou na ilha. 

Dois dias depois, resolvida a situação em São Paulo, retoma suas férias.  Ao chegar, seus amigos dizem estar muito contentes por ele estar de volta.

Rindo e bem humorado, responde:

– Contentes  nada!! Vocês queriam era ver as minhas muletinhas boiando!!!

Barcelona Encanta Olhos e Corações

Pés habilidosos e corações generosos.  Talvez seja a fórmula que leva o Barcelona a ser o que é, proporcionando ao mundo futebol espetacular e lances  de emoção pura. 

Há alguns poucos anos,  conquistou, salvo engano, a mesma Copa dos Campeões contra a Inter de Milão onde estava jogando Ronaldinho Gaúcho que também havia passado pelo Barça e sempre foi ídolo da torcida.  O Barcelona venceu. O capitão Carles Puyol recebe o Troféu.  Ele chama Ronaldinho e entrega-lhe a Taça.

Ontem, o zagueiro Puyol estava no Banco.  No finalzinho do Jogo, o técnico do Barcelona o manda para o jogo e determina que o Capitão do time lhe entregue a braçadeiro para que ele receba o troféu. Mais uma vez Puyol surpreende de forma encantadora.  Dá a braçadeira para Eric Abidal. Dois meses e pouco atrás, Abidal foi operado para retirar tumor no fígado.

Muita beleza e emoção que esse time oferece!!!  Parabéns!!!

Keith Richards, Stone de 70 anos, desperta paixão de jovem e ciúmes do marido!!!

Antônio Prata, colunista da Folha de S. Paulo, conta que sua mulher começou lendo o livro, Vida,  de Keith Richards, fascinante guitarrista dos Rollings Stones, ícone absoluto do Rock and Rool, um pouco horrorizada e foi aos poucos mudando de atitude em relação ao músico.  Legal ler a bem humorada crônica do Prata http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2505201107.htm

 Richards  é o máximo e o livro é ótimo.  Já escrevi aqui sobre o livro e também sobre um conto que escrevi, mil anos antes de eles pensarem em fazer  show  aqui no Brasil.

Quem Quiser ler,  colo abaixo. Publiquei aqui em janeiro desse ano:

 
Estou lendo o Livro Vida do super/hiper lendário e fascinante  Keith Richards, dos Rolling Stones.  Não cheguei ainda à página 200.  Até agora, está legal, entretanto, aproveita mais, naturalmente, quem entende de música.

Se você gosta do assunto, não há como não gostar do meu conto.

 O conto é longo e demora um pouco para aparecer a Fera ,  mas ela aparece.  Vale a pena chegar até lá. Daí,  pretensioso, suponho que seja difícil parar de ler.

Uma amiga estava produzindo uma espécie de sarau e pediu que as pessoas lhe enviassem seus escritos. Enviei-lhe esse conto. Como era trabalho para ser lido em público e que talvez pudesse ser publicado, escrevi uma nota introdutória explicando e deixando bem claro que era mera ficção (aproveito e já reitero) e que usei os nomes verdadeiros dos principais personagens porque, por mais que minha imaginação fosse fértil, eu nunca conseguiria criar perfis tão bem acabados para o meu objetivo. Minha amiga leu o conto e a explicação e, inconformada, me ligou:
– Ah, que pena – eu achei que era tudo verdade!!!

Leia o conto e veja se vc também queria que fosse verdade. De minha parte afirmo: não só queria que fosse verdade, como, principalmente, queria ter participado dessa noitada.

Em tempo, quando escrevi esse conto, eles sequer imaginavam fazer um show aqui no Brasil.

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MUITO ALÉM DO JANTAR – TÍTULO DO CONTO

Luis ligou para meu escritório dizendo finalmente ter marcado o jantar na casa dele com Roberto para sábado.

Fiquei uma fera. Era o dia do Show. Embora a imprensa tivesse anunciado que a apresentação no Pacaembu seria única, não era verdade. As grandes estrelas, quando passam por aqui, na mesma noite do show no estádio, costumam se apresentar em uma boate para aproximadamente 500 pessoas. Após esse espetáculo, sempre ficam para o coquetel e jantar. Algumas delas são verdadeiras vedetes. O Pavarotti, na primeira vez em que veio a São Paulo, era um sujeito amável e simples. Pediu para ir jantar com todo mundo em um restaurante típico brasileiro. Tomou uma jarra de batida de limão (de pinga) e comeu vatapá. Agora, depois de ter se tornado um mega star, já se comporta como uma prima-dona. Mas, em geral, são simpáticos. Sobretudo comigo, mulher morena, bonita, sensual com tempero brasileiro e classe européia.

Lógico que esses shows para audiências restritas são sempre muito caros. Nunca menos de 2.000 dólares por pessoa. Eu já havia comprado e pago nossos ingressos. Era uma surpresa para Luís. Só lhe contaria no dia. Afinal, a surpresa acabou sendo minha. Imaginei que durante o jantar, a cada cinco minutos, teria vontade de ir ao banheiro, abrir a bolsa, olhar as entradas e chorar um pouquinho. Poderia até fazer isso. Mas não contaria jamais para ele que tinha comprado os ingressos. Pois sabia que estava almejando a vice-presidência da empresa; o jantar bem produzido com o presidente-executivo, sua mulher, por coincidência filha do acionista majoritário, seria decisivo.

E produção era o que não faltava. Luís pediu que eu cuidasse de tudo. Decidimos o cardápio e não tive dúvidas, liguei para o bufê dos grandes jantares de São Paulo e fiz a encomenda. No sábado, por volta das três, chegam com toda parafernália necessária:

– A senhora escolhe sua toalha de mesa preferida e pode ir para o cabeleireiro que a gente se encarrega de tudo, disse o eficiente e ligeiramente pedante chefe da equipe.

Lembrei-lhe novamente o combinado com o gerente: eles deveriam deixar a coisa encaminhada, eu cuidaria do resto. Às seis, não queria mais ninguém em casa – enfatizei.

Eram verdadeiros artistas. A mesa estava linda, os arranjos de flores deslumbrantes, a comida com aroma indescritível e o bar arrumado de tal forma que eu seria capaz de fazer montes de dry martini de olhos fechados.

O interfone toca, oito horas, pontualmente.

Fomos esperá-los na porta do elevador. Surpresa. Gabriela estava sozinha.

– Papai ligou há cerca de três horas convocando Roberto para uma viagem a Buenos Aires. Agora, devem estar quase pousando. Tá vendo o que te esperava na vice-presidência, Luís? Já que o chefe está longe, acabemos com as formalidades. Sorri, enquanto tira o blazer.

Sob o blazer de Gabriela, uma camiseta de seda preta com alças e decote nas costas até a cintura, velando quase nada do corpo escultural. Luís e eu ficamos embevecidos. Tudo era perfeito: costas, ombros, bocas e seios se destacavam.

– Estou fissurada para experimentar seu famoso dry martini, Elza. Posso ajudar você a preparando os copos.

Pega a faca mais afiada e, em menos de três minutos, põe em cada copo verdadeiras mini esculturas de casca de limão e azeitonas. Ao se inclinar sobre o balcão, os duros bicos dos seios se mostram. Seu sorriso maroto olha para mim e Luís.

– À uma noite de prazeres! – Gabriela brinda.

Quando ponho o último disco de Marina, faz um gesto com o indicador pedindo para nos aproximarmos e, fingindo vergonha, sussurra aos nossos ouvidos:

– Parece coisa de fanzoca boba, vocês vão até rir de mim. Essa camiseta aqui, foi a Marina que me deu. Sou muito amiga dela.

Diz isso, levantando o ombro direito, ao mesmo tempo inclina o rosto até o ombro, com os dedos longos, traz a alça aos lábios, fecha os olhos e beija a blusa.

– Fanzoca boba, nada. Olha o que eu tenho aqui na gaveta, falo enquanto apanho os ingressos.

Luís pergunta por que não falei nada. Em poucas palavras, disse saber que ele queria muito oferecer o jantar ao Roberto. Orgulhoso da minha deferência, sorri.

– Não é possível, diz Gabriela. Se você soubesse o que já deu de briga entre mim e o Roberto por causa deste jantar marcado no mesmo dia dos Rolling Stones. Agora, ele lá com meu pai, certamente se preparando para ouvir tango, e nós três aqui. Aqui e com a cabeça no Mick Jagger!

– A gente pode jantar tranqüilamente e ir para lá, expliquei.

– Mas como, o show deve começar em menos de meia hora?, diz Gabriela.

Ela não sabia da história da segunda apresentação e ficou absolutamente enlouquecida com a possibilidade de ver os Stones cara a cara.

– Luís, tira da cabeça a preocupação com a vice-presidência. Você é o preferido do papai e do Roberto. Também é o meu preferido. Eu tenho 50% das ações da empresa. Vice-presidência é assunto encerrado. Vamos ao prazer, comme il faut: com o dever cumprido e a consciência tranqüila!

Diz isso e acende um baseado que tirou da bolsa, magistralmente enrolado em papel de seda lilás.

– Para todos os prazeres! exclama , como se fizesse novo brinde. Fecha suavemente os olhos e se deleita com uma longa tragada.

– Soube que você se dedica ao estudo do Epicurismo de corpo e alma 24 horas por dia, eu disse.

– Ao estudo diria que dedico só minh’alma e manhãs. A tarde, jogo tênis. À noite, delíros. Pensando bem, acho que meus dias são compostos de 24 horas “epicuristas”: teóricas e práticas – explica, passando o baseado, com a marca e o provocante gosto de seu baton, para mim.

Toma um gole de dry martini e prossegue:
– Escrevo textos para revistas daqui e da França. Não me queixo da vida. Posso fazer o que gosto. Esta noite é o que eu chamo de “meta-delírio-triplo”. A gente está aqui no delírio do dry martini, do baseado, que antecede o delírio do jantar, que antecede o delírio dos Stones, que, sabe lá Deus, pode anteceder outros delírios, diz sorrindo e passando os dedos, úmidos e frios, do contato com o copo, na minha nuca e na de Luís.

– Que tal começar o jantar, ou melhor, o segundo ato do delírio?, sugere, sem jeito, Luís.

– Mais dry martini !

Eu e Gabriela falamos exatamente ao mesmo tempo. Rimos os três. Entrelaçamos os dedos minguinhos, como brincam as crianças, cada uma fez seu pedido, contamos até três, dissemos paf as duas ao desentrelaçarmos os dedos.

– Que ótimo, as duas falaram paf, os desejos de vocês vão se realizar. O que vocês pediram? – pergunta Luís.

– Fiz um pedido para nós três. Quando se realizar, agente vai saber que foi graças a ele. Sempre faço esse jogo e na única vez em que coincidiu de os dois dizerem a mesma coisa, eu tinha feito um super pedido que se realizou na mesma semana! – diz Gabriela.

Ela quer aprender a fazer Dry Martini e diz que me ensina a montar esculturas de casca de limão e azeitona.

Com cinco golpes, suaves porém decididos, prepara as azeitonas e as casca do limão; a mesma eficiência na montagem das mini esculturas. Tão rápido, que não aprendi nada.

Os Dry Martinis seguintes fiz lenta e didaticamente a pedido de Gabriela.

– É inacreditável que uma estudiosa de Epicuro, na teoria e prática , desconhecesse essa fórmula de fumo e Dry Martini como aperitivo. Agora sim, acho que já estamos todos com espírito e paladar preparados para o jantar.

A cada movimento na cozinha e na sala., percebia o profissionalismo do pessoal do Bufê . Grudado na porta da geladeira com um imã, um minucioso passo a passo, datilografado naturalmente, explicava como finalizar cada prato. A musse de salsão deveria ser tirado da geladeira 15 minutos antes de ser servida; o linguado na manteiga com camarão, alcaparra, batata cozida , cogumelo selvagem e arroz com ervas, já nos pratos individuais, esquentar 10 minutos no forno baixo.

Ponho a musse na mesa, abro a garrafa de vinho branco e seco, sirvo água mineral nos copos, vou à sala de visitas chamar Luís e Gabriela.

– Que mesa maravilhosa! Você dever ter tido um trabalhão para fazer tudo isso! – elogia Gabriela.

– Você nem imagina! Você nem imagina! Digo e viro o rosto na direção de Luís para me deleitar com seu sorriso cúmplice. Retribuo com uma rápida piscada e um beijinho no ar.

Luz na intensidade certa, música de câmara ao fundo, vinho datado na temperatura ideal, o sabor exótico da musse: perfeição a serviço do prazer. Gabriela admirava cada detalhe.

– Se vocês tivessem um livro para os convidados assinarem, descaradamente roubaria a frase que uma moça escreveu no livro do saudoso restaurante Pirandello: eu quero morar aqui!

Agradecemos o elogio e ela continuou:

– Sabem quem adoraria esse jantar? Epicuro! Imaginem, o homem iria enlouquecer nessa orgia de prazeres dos sentidos. Ainda com direito a Rolling Stones. Jamais ele voltaria pra Grécia depois de nos conhecer. Certamente acrescentaria no livro dos convidados, na frente do que eu escreveria: EU TAMBÉM!!! E assinaria.

Quando estou na cozinha esquentando o linguado, Luís vem pegar mais uma garrafa de vinho. Enquanto saca a rolha, vira o rosto para mim, me agradece pelo sucesso do jantar e me dá um beijinho na boca. Largo o que tinha nas mãos sobre a mesa, viro-me de frente para ele, abraço-o e damos um longo beijo. Excita-me o roçar dos meus seios em seu macio suéter de cashemere vermelho. Gabriela, da porta, nos observa:

– Eu também quero participar desse amorzinho!

Olhamos sorrindo para ela. Aproxima-se passa a mão em torno de nossas cabeças, dá um suave beijo em Luís e um beijo um pouco mais longo em mim, sua língua pressiona suavemente meus lábios e dentes. Entreabro a boca e nossas línguas se tocam por alguns segundos, ela passa a mão pelos meus cabelos e pescoço. Lentamente se afasta. Sorri. Desta vez, para minha agradável surpresa, Luís não fica sem jeito. Com naturalidade, sorrio. Aquela não era a primeira vez que uma mulher me beijava e, com toda certeza, não seria a última.

Volto para sala de jantar com o linguado. Rolling Stones eram o assunto. Conto que os Stones se apresentaram em várias cidades por onde passei, sempre poucos dias antes de eu chegar, ou uma semana depois de eu partir. Isso aconteceu mais ou menos umas dez vezes.

– Quando Luís me deu a notícia de que o jantar seria hoje, já estava imaginando que o destino queria que eu passasse minha vida toda sem usufruir o prazer dos Stones. Mas, graças a você, Gabriela, parece que vamos conseguir contornar os caprichos do destino. Obrigada. Viro-me para ela, fecho os olhos e mando-lhe um terno beijo de longe.

O linguado e a sobremesa, salada de frutas secas, com conhaque e sorvete de creme – especialidade minha – estavam perfeitos.

– Uma revista de faits divers – frescuras como eu chamo – me entrevistou perguntando qual cardápio escolheria para meu último jantar. Sushi, sashimi e doses reforçadas de saquê, respondi. Se me fizessem a mesma pergunta manhã, tenham certeza de que enumeraria todos os pratos e bebidas deste jantar deslumbrante. – diz Gabriela.

Assim que tomamos o último gole de vinho do Porto, levantei-me e disse:

– Let’ s go! Mick jagger waits for us!

Fomos no carro de Gabriela, um jaguar 2005 branco. Luís entrega os dois ingressos e quatrocentos dólares ao porteiro que, satisfeito, chama o maitre, passa-lhe 150 dólares, e manda que ele nos arranje uma boa mesa.

Melhor impossível: a mesa central da primeira fila. Ficaríamos a pouquíssimos metros dos Stones. Fomos ao banheiro retocar a maquiagem. Cheiramos quatro fileiras de coca sobre uma longa e fina lâmina de ágata preta com um mini cilindro de prata do arsenal que Gabriela trazia na bolsa. Traçamos a estratégia (infantil, mas poderia funcionar como ovo de Colombo).

– Ao delírio, ela diz, antes de abrir a porta do banheiro. Sorrio olhando fundo em seus olhos. Ela se aproxima. Como o show já estava começando, tínhamos certeza de que dessa vez nada iria interromper nosso beijo.

Voltamos ao salão. Tocavam uma balada lenta. Time is on my Side. Jagger, no primeiro momento, fuzila-nos com seu olhar e, em seguida, entre dois versos, diz, irônico, porem carinhoso: Wellcome. Com um pouco de vergonha, mas envaidecidas com o cumprimento, julgamos que essa passagem facilitaria o plano.

Pode parecer pretensão minha, mas, pelo menos em relação aos homens, sentia que Gabriela e eu roubávamos um pouco a atenção da platéia. Seu eu disser que até entre os Stones percebia-se uma certa fissura por nós duas, serei taxada de megalomaníaca? Mas era o que estava acontecendo. Keith Richards chega perto de Jagger, sussura-lhe algo nos ouvidos, e também nos cumprimenta. Sorrimos todos.

Por em prática a etapa seguinte, agora que o objetivo estava atingido, seria até covardia, mas éramos maquiavélicas.

Gabriela e eu nos entreolhamos. Com um sinal afirmativo, decidimos que o momento estava próximo. No intervalo entre as músicas seguintes, levantamos-nos e, lenta e sincronizadamente , tiramos nossos blasers. Platéia e Stones não desgrudam os olhos de nós duas por uns cinco minutos.

Durante o coquetel, eles cumprimentam, um a um, todos os presentes. Deixam nossa mesa por último. Jagger e Richards perguntam a Luís se podiam juntar-se a nós. Pedimos duas cadeiras ao garçon.

– And a bottle of Borbon, for us.

Não precisamos nem traduzir. Antes do show, os garçons haviam levado garrafas e garrafas de borbon para eles e toda a troupe.

Não se passaram nem quinze minutos, quando a conversa estava fluindo legal, Jagger é chamado pelo empresário para uma festa na casa da filha do patrocinador da turnê. Não esconde sua decepção:

– Todos na banda trabalhamos duro, mas os melhores frutos quem colhe são sempre eles quatro. Isto há quase trinta anos.

Colher frutos? – pensei. Tá certo que era o que eu e Elza desejávamos : transformar aquela noite num imenso pomar. Mas vai ser direito assim lá no primeiro mundo!

Jagger despede-se com um abraço em Luís, um beijo no rosto de Richards e de nós duas com fugazes, porém deliciosos, beijos na boca.

– Finalmente um carro de verdade – diz Richards ao ver o Jaguar de Gabriela. Pensei que aqui no Brasil só houvesse as carroças do Collor pro povão e esses carrinhos japoneses dos yuppies.

– Que tal mais rodada de salada de frutas e bebidas na casa de vocês? – sugere Gabriela.

Gabriela faz uma descrição tão entusiasmada de todo o jantar, sobretudo da salada de frutas, que Richards brinca.

– Vocês não sabiam que os carros ingleses voam nas horas de emergência. Isto é uma emergência, ele diz pro carro e ordena: Voe.

Gabriela acelera para voarmos “dentro da madrugada veloz” sobre a pista da Cidade Jardim.

Luís e eu voltamos para sala com a salada de frutas, Gabriela e Richards beijavam-se. Convidam-nos para sentarmos. Ela sugere um reforço de fumo para aguçar os sentidos.

– Eu sou um cara de sorte. Estou aqui com o que o Brasil tem de mundialmente famoso: suas mulheres e sua maconha.

Dá uma tragada, um beijo em Gabriela, nova tragada, e me beija com fissura. Ao mesmo tempo, Gabriela dá um longo beijo em Luís, que lhe acaricia os seios por dentro da roupa. Fingindo um pouco de indecisão , Gabriela tira a blusa. Antes de recomeçar a beijar meu namorado, aproxima-se de mim pelas costas e, dizendo querer solidariedade, também tira minha blusa e me dá um longo beijo na nuca acaricia-me os peitos e sussura-me aos ouvidos:

– Eu não disse que meus pedidos na brincadeira do pif-paf sempre se realizam.

Richards pega seu copo e brinda:

– Aos prazeres que Mick deve estar desfrutando na casa da filha do empresário!

Morremos de rir do seu sadismo.

Acordamos, os quatro na cama de Luís, às onze horas da noite do domingo.

Gabriela não parava de rir:

– Pretensiosa como ninguém, na minha cabeça, o Caetano tinha feito a música Totalmente Demais para mim. A partir de agora, vou passar a considerar mais essa hipótese.

Às gargalhadas, resumimos a música e traduzimos a teoria de Gabriela para ele, que emendou com uma dúvida :

– Me digam uma coisa, todas as noites de vocês são assim???

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Gostou???  Outro dia, em um bar despretencioso para almoçar, vi uma jovem com o livro. 

Peguntei se ela estava gostando – ela me disse que sim.  Sugeri que ela lesse esse meu conto.  Veja o comentário que ela deixou no post:

“Seria uma noite que valeria por mil e uma!”

Fica difícil discordar!!! // // //

Intimidades no Café da Manhã – Na Padaria, Acredite!!!

Uma jovem com bebê conversava com duas quarentonas.  A  jovem começa  dizendo que a mãe ajuda muito a cuidar da neta.  Só não dá de mamar.  Acho que foi uma piada.   Até aí, tudo bem.

Aí começam a aprofundar o assunto.  Uma das mais velhas diz que enquanto amamenta não engravida.  Por via das dúvidas, fala  para a mais jovem “mandar”  o marido conversar com o Rabino. Certamente o Rabino domina tudo que diz respeito a esse setor da ciência, como todos os setores do saber humano.  A que amamenta diz que a criança aperta o bico do peito.  E por aí vai a conversa e por aí vão as três, em alto e bom som, no meio do padaria tratando de intimidades desse naipe.

Se sou obrigado a ouvir, também deveria ter o direito de,  igualmente em alto bom som, contar para o meu vizinho de balcão   que essa história me fez lembrar uma piada.

Sujeito   fica, pasmado,  olhando a mulher que amamentava no meio da rua. Conversa vai, conversa vem,  ela pergunta se ele não queria experimentar.  O sujeito aceita.  Fica ali se fartando e a mulher reclama:

– Não quer mais nada??

O cara:

Se a senhora tiver uma bolachinhas doces  para acompanhar…

Ingrato esse mundo que me expõe à falta de bom gosto que grassa por aí e me priva de compartilhar  piadinhas, infames ou não; entretanto,  nunca mais infames que a situação…

Sacolinha que vai e volta? Legal. Mas e a água que vai e não volta???

A partir de quinta-feira, é sempre a mesma coisa.  Síndicos  (as) de prédios  e donas (os) de casa “zelosos”  mandam seus empregados varrerem as calçadas.  Entenda-se: varrer a calçada com água/ esguichos, atualmente esguichos elétricos. 

Da minha casa à padaria hoje, passei por cerca de 10 prédios: faxineiros de seis deles “varriam” a calçada com esse esguichos elétricos; além de tudo, um inferno de   barulhentos.

É uma afronta  tal o desperdício. 

Varrer e Lavar é/ são ( esquisito, né??) varrer e  lavar como antigamente.  Vassoura para juntar lixo, pazinha para recolher o lixo e lixo no lixo.  Lavar é jogar água e esfregar com  sabão, esfregão e jogar água novamente.

Não adianta ter alergia à simples idéia de sacolinha plástica e desperdiçar água dessa maneira.  De maneira alguma, aliás.  Com menos de um litro de água dá para fazer a barba e menos de um copo  para escovar os dentes. É legal fazer e escovar dente com água quente, não é mesmo???  É legal lavar o rosto de manhã com água fria.  Pois bem,  ligue o registro da água quente.  No começo sai água fria. Lave o rosto.  Quando começar a sair água quente.  Use para escovar os dentes e fazer barba.

Escovar os dentes e barbear-se com o registro de água fechado, naturalmente!!!

Legal ter sacolinha ecológica que vai e volta.  Mais legal ainda é economizar água tratada que vai pro ralo e não volta…

Submissão Absoluta ao Celular

Publicidade   da Sky TV Por Assinatura. 

O cara volta para casa, volta para a mulher.  Detalhe: a mulher é Gisele Bündchen.

Os dois estão abraçados, música e clima pra lá de românticos,  o cara dá um jeito de pegar o controle remoto e liga a Televisão. 

Eu não duvido nem um pouco que grande parte de homens e mulheres  também interromperiam carinhos e beijos com Gisele (ou Brad Pitt) para atender o celular.  Não sei o que se passa na cabeça e na alma de todo mundo  para ter tal subserviência  a essa praga.  É impossível (pelo menos para mim)  formular uma única hipótese  do porquê desse fascínio por tamanha imbecilidade.

Dia Nacional Sem Imposto e Notas Fiscais/Recibos Contendo o Valor do Imposto

Amanhã é o Dia Nacional Sem Imposto.

Durante 24 horas, alguns estabelecimentos de certos setores do comércio,  para mostrar o quanto o imposto onera os preços, vão vender seus produto pelo valor  que eles custariam caso não houvesse taxação tributária.  Postos de gasolina e restaurantes, entre outros, vão promover essa redução.

É uma maneira de conscientizar a população sobre o assunto.  Mas é um dia só!!!

Nos Estados Unidos, pelo menos quando eu fui para lá, mil anos atrás, em  todos os recibos, notas de caixa registradora, vinha discriminado o valor do produto em si,   o valor do imposto e o valor total.

Isso dá o tempo todo  ao contribuinte a consciência de que ele paga imposto e o torna mais exigente em relação ao retorno desse dinheiro em forma de investimentos para a sociedade.

O comércio daqui, bem como prestadores de serviço,  poderia (m) adotar o mesmo procedimento.  Eu tenho certeza de que a grande parte da população que não declara Imposto de Renda não tem claro que também paga imposto a cada compra que efetua.

Comerciantes, adotem essa medida; entretanto, não abandonem essa “generosidade” de um dia por ano arcarem sozinhos com o peso do tributo.  Tenho certeza de que falo em nome de muiiiiitos…

Twitter – Twist

Millôr no seu POEMINHA AOS MAIS VELHOS DE QUARENTA escreve:

Resista!

Não Twista!      (1961)

Meio século depois, ainda é atual, basta mudar  uma letra:

Resista!

Não Twitta!

Para quem tem menos de quarenta,   Twist foi o ritmo/dança que se originou nos EUA e se espalhou pelo mundo na década de 60.

Ouça um clássico do Twist

http://www.youtube.com/watch?v=LVQ0MXp-8ds

Nos Estados Unidos, a Lei é Uma Só Mesmo, Sem Choro nem Vela

Drauzio Varella, em sua coluna de hoje na Folha de São Paulo,  conta que os homens americanos tomam a precaução de saírem do quarto quando a camareira está fazendo seu serviço. Diz ele ainda que foi uma pena que  Dominique Strauss-Kahn, Diretor Gerente do Fundo Monetário Internacional,   cogitado para concorrer à presidência da França, não soubesse disso e se metesse na confusão em que se meteu.  Varella cogita ainda da hipótese de que Kahn, por viajar demais, possa ter confundido o país em que se encontrava, julgando estar “no Brasil ou em um outro país  permissivo como o nosso, no qual um homem endinheirado  pode atacar mulheres mais humildes com total liberdade.”

Presenciei bem de perto  um episódio nos Estados Unidos, mil anos atrás, que mostra como a lei é rigorosa e não faz qualquer espécie de concessão.  Luís,  garoto brasileiro rico,  filho de banqueiro, cara inteligente,  que  mais tarde viria a estudar engenharia na  Politécnica,  quis fazer gracinha típica de brasileiro e quebrou a cara.

Julgando-se muito esperto, deu as costas para a câmera de segurança da Loja de Departamento  e colocou um pequeno lenço dentro da calça.  O que ele não sabia é que havia  outra câmera que filmou toda a cena.

Os seguranças dão linha.  Quando ele  pagou outras compras que fizera, saiu da loja e se encontrou comigo e outras brasileiros, um sujeito  gigantesco chega ao seu lado, diz que ele havia furtado um lenço e, sem encostar a mão nele, nem ao mesmo aumentar o tom de voz, determina que  Luís o acompanhasse.

Aluno de bons colégios,  além de ter tido  aulas particulares, falava bem inglês.   Mas nessa hora, esqueceu tudo.

Como eu era o mais velho do grupo, o responsável pela segurança do supermercado me chamou  para servir de intérprete.

Ao saber da história, vou logo dizendo para o segurança que não havia qualquer problema,  já  que Luís iria pagar a peça que furtara e tudo se resolveria.

Certamente divertindo-se com minha ingenuidade, o chefe da segurança diz:

– Meu amigo, as coisas aqui não funcionam assim.  Eu já chamei a Polícia.

Ainda me achando o rei da conciliação,  insisti que ele pagaria e iríamos embora.

A polícia chega, pega o passaporte dele, preenche uma ficha e de maneira a não deixar qualquer dúvida diz para mim:

– Explica para seu amigo que o nome dele foi para o computador central do órgão que trata de assuntos de turistas aqui.  O nome dele não saia mais de lá. Quer dizer que se ele cometer a mais mínima infração nos Estados Unidos, seja no ano que for, ele será imediatamente deportado.

Como se vê, a Lei lá vale para todo mundo, tanto para o meu amigo, na época um garotão com jeito  de surfista, quanto para o Ban ban ban da Economia Mundial.

Em tempo, nem o segurança da Loja, menos ainda o policial,  fizeram qualquer pergunta sobre mim, nem mesmo se eu também era brasileiro.