Dia da Consciência Negra – Frase e Piada

Há alguns anos, nessa mesma data, venho publicando aqui frase sobre o dia da Consciência Negra.  Para não perder a oportunidade, publico novamente.  Digo sempre que sou contra qualquer desperdício.  Agora me dou conta de que sou contra, inclusive, o desperdício de frases e piadas oportunas.

Essa frase foi criada por grupo de discussão na Internet, do qual fazia parte uma negra.

Acho legal a idéia de se ter um dia em homenagem aos negros. Sou a favor da emancipação das minorias e talvez o começo seja esse mesmo – um simples dia no calendário dedicado a esses grupos oprimidos. Mas a frase é bem legal:

“Inventaram UM dia da Consciência Negra só para deixar a negrada inconsciente o resto do ano”

Ocorreu-me também piada de domínio público a respeito do assunto.  Lá vai.

Um negro  consegue driblar toda a burocracia; finalmente, é recebido por Pelé.   Com paciência, ele escuta todos os preconceitos e discriminações de que o outro estava sendo vítima. Paternalmente,  Pelé tenta conformá-lo:

– Eu entendo bem o seu problema, meu filho.  Eu também já fui preto.

Sem querer lavar as mãos,  tanto a piada  quanto à frase não são minhas.  De qualquer forma, gostando ou não da frase, da piada,  do meu post, enfim,  mais uma vez, Boca no Trombone abre  canal para quem quiser se manifestar sobre o tema.

O importante é aproveitar bem mais esse feriado, sejam  sua consciência e sua pele da cor que forem !!!

O nada das Novelas e as Delícias da Ficição em A Grande Família

Inverteram-se os papéis na televisão.   O telejornalismo virou cinema de aventura e a telenovela tenta espelhar o dia a dia, disse uma vez palestrante, aliás, excelente escritor de diversos gêneros, inclusive de novelas para a TV.  Dava exmplos: é comum você ver um repórter da televisão se enfiar dentro de um carro de polícia e participar de perseguição a bandidos – muitas vezes, sob tiros.  Já redatores de  novela, ao invés de desenvolver enredos de aventuras e romances,  talvez acham chique e/ou politicamente correto, também tratam do dia a dia.

Aguardando o início da Grande Família, sou obrigado a enfrentar o final da novela.  Pois bem,  são sócios de fábricas  tramando derrubar ou conquistar através de “leilões on line de ações” o domínio da empresa,  uma tal de Jéssica, que devia ser a personagem nova-rica, ensinando para a empregada o que era o mercado de ações, uma  velha perdendo o tal controle acionário, uma perua estressando o marido.  Resumindo, uma besteirada sem-fim.   Ou melhor, graças a Deus, com um fim: o começo da Grande Família.  Aí sim, a nossa excelente dramaturgia se ocupa de assunto ficcional pertinente e saborosíssimo.

Como pode a mesma emissora, os mesmos profissionais produzirem algo tão bom quanto a Grande Família e todos esses seriados e esse imenso nada, pseudo tudo, extremamente pretencioso, que é a novela???

Tradições do Centro que se mantêm e que definham

Alegrias e aborrecimentos com tradições do Centrão – centrão do centro de São Paulo, não da política, porque aí é só aborrecimento.  Não só com o centrão, mas com a política, diga-se a bem da verdade!!!

Começando pela tradição que  definhou.  Na Rua São Bento, havia um restaurante que servia sanduíches e salgadinhos fabulosos.  Na hora do almoço era gente em pé por todo o lado devorando as tais delícias.  Ontem, precisava comer algo rápido.  Entrei no tal restaurante, satisfeito com a oportunidade, já que raramente preciso andar por aqueles lados. Peço um sanduíche de queijo.  Embora houvesse quantidade astrônomica de queijo, como diria um ex-ministro, estava “incomível”: pão do mês passado e um queijo de quinta.  Não consegui comer  nem um terço.  Tentei uma empada.  De zero a dez, cinco, no máximo.

Resolvido o assunto nos arredores da Praça da Sé, decido voltar  para casa a pé (já que havia ido de metrô).  Quando estou na 7 de abril, me lembro da tradicionalíssima e minúscula loja de café na Dom José de Barros, 78 – Café Canarinho, há 38 anos no mesmo endereço.

Para compensar a decepção do sanduíche, por razoáveis R$ 2,30 bebo um café delicioso, perfeito, acompanhado por um copinho de água com gás.  Servem também café com sambuca, conhaque, amareto e rum. 

Vale muito a pena, principalmente se não comer o sanduíche!!!

Telefone nos Dias de Hoje, Sinônimo de Inferno!!!

Ligo para uma amiga.  Voz feminina comercial diz, como não podia ser de outro jeito,  de maneira comercial:

“Desculpe, no momento não foi possível completar sua chamada.  Tente chamar mais tarde”

Ao contrário de muitos, talvez da maioria, considero que cada dia tá mais complicado falar com as pessoas por  telefone.

Antes, você ligava.  Acontecia uma das três/quatro hipóteses que já eram explícitas quanto à informação.

Dava ocupado
Chamava e ninguém atendia
Alguém atendia
E mais recentemente, de uns 25 anos pra cá, através de uma secretária eletrônica, seu amigo, cuja voz você reconhecia, “pedia” para você deixar um recado.

Simples assim, como se diz hoje em dia, mas que só ocorria antigamente.

A maldita mensagem que acabei de escutar pode significar infinitas coisas:

A minha amiga está em outra ligação
A minha amiga não pagou a conta
O telefone dela está com defeito
Ela programou o telefone para que os amigos ouvissem essa voz comercial dando recado comercial
Etc,
Etc,
Etc.

A maioria, inadvertidamente,  usa a tecnologia para complicar a própria vida.  Problema e opção de cada um

Atendimento eletrônico de empresas usa a tecnologia para infernizar a sua vida. Problema para todos os cidadãos/consumidores!!!

Reportagem no CQC ontem mostrou bem o que todo mundo já sabe a respeito de atendimento eletrônico em empresas.

 Estou levando baile de uma das maiores empresas do mundo de Tênis. Essa empresa paga  milhões e milhões de dólares para vários esportistas de ponta e fica enrolando o consumidor para restituir dois pares de tênis.  Mais eu não desisto.  Provavelmente  essa empresa consiga fazer até que minha conta de telefone fique mais cara do que os próprios produtos que, talvez, restituam.  Aliás, deveria haver telefone gratuito efetivamente, o que não acontece.  Os 0800, sobretudo dessa empresa de tênis, são uma piada de muito mau gosto.

Não consegui achar o link da reportagem do CQC.  Talvez você ache no site do programa http://cqc.band.com.br/cqc3.asp   

Pago um sorvete para  quem tenha tentado ser atendido por empresas e não se identifique com o que acontece na reportagem.

Filme Cyrus: Mães – Solteiras/Viúvas/Separadas – Não Percam!!!

Mães solteiras e/ou viúvas e/ou desquitadas de garotos  pequenos e adolescentes não deveriam perder – em hipótese alguma – o Filme americano Cyrus com Marisa Tomei, lançado essa semana em S. Paulo.

Há vários aspectos interessantes a serem observados, entretanto,  o que se destaca mesmo  é a reprodução fiel do  que se vê por aí nesses casos. 

A relação mãe  e filho, com mãe dando as diretrizes e até mesmo as ordens, vai sumindo até que some de vez.  Os moleques do filme e da vida de verdade passam a se julgar e, pior, a se comportar não mais como filhos, e sim como maridos, dando ordens e até mesmo tomando satisfações.  Não estou falando de aspectos sexuais, edipianos e coisas mais profundas.  As situações que esses atrevidinhos (para não usar o termo certo) vão criando já são suficientemente desconfortáveis, Kafkanianas por si sós e dispensam qualquer análise mais profunda.

É assistir ao filme  e, se for o caso, se empenhar para reverter o quadro.  Por duas razões:

 a) porque isso pode acabar muito mal.

b) também porque bonzinho igual à personagem da namorado de Tomei só existe mesmo no cinema.  Na vida real, o nego é bonzinho, mas uma hora pega o boné, cai fora e a fila anda.  Anda pro cara, porque a mulher vai sempre  ter a vida atolada/empacada pelo filho babaca.  Afinal, desde a Bíblia já se sabe: quem pariu Mateus que o embale.

Não gosto muito de trailers de filmes, mas se alguém quiser dar uma olhada

http://cinema.uol.com.br/ultnot/multi/2010/01/27/04029B3472D8C91326.jhtm?trailer-do-filme-cyrus-04029B3472D8C91326

“Afinal, o que querem as mulheres?” Será que, pelo menos, elas sabem???

Lei de Murphy:  noites e noites sem bons agitos noturnos.  Quinta-feira é dia de Zap – Zona Autônoma da Palavra (leia texto aqui no Boca http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/04/08/zona-autonoma-da-palavra-programa-diferente-para-amanha/) e  estréia nova série na Globo – Afinal, O que Querem as Mulheres? 

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1371188-7822-NAO+PERCA+A+ESTREIA+DE+AFINAL+O+QUE+QUEREM+AS+MULHERES,00.html

Isso sem contar que também tem  A Grande Família e outro novo Programa – Clandestinos (excelente o primeiro,  exibido  semana passada).

Como não vou poder assistir a nada disso, já que minha opção é o Zap,  sobre Mulheres e o Que elas Querem, lá vão frases e observações:

Não sou tão pretensioso a ponto de querer entender as mulheres (frase minha).

Frase do amigo  Orley Antonaglia

Mulher é tão complicado que devia vir com  legenda.

Parece que há um livro, que outro amigo, Mário, ficou de me arrumar que fala exatamente isso: as mulheres querem que os homens adivinhem o que elas querem.

Continuando, sobre elas, as mulheres.  Eu tinha um tio que hoje estaria com quase 100 anos.  Naqueles tempos, um sujeito se separava e ficava sossegado.  Pois bem, acho que ele se casou umas  ou quatro vezes; casou mesmo, até em uma igreja católica diferente. Ao todo, só de amantes, com quem viveu sem se casar, acho que foram umas oito – por baixo!!! 

Pois bem, no fim da vida, disse:  não aguento mais as mulheres, acho que vou tentar os rapazes.  Não colocou o radicalismo na prática, mas que falou, falou!!!

Pelo jeito, material (leia  idiossincrasias femininas) para a série é o que não vai faltar.

Mesário, orgulhe-se você é a grande estrela desse único dia verdadeiramente democrático!!!

Nas últimas eleições,  escrevi o texto abaixo, cuja leitura suponho ser oportuna nesse fim de período eleitoral.  Assim sendo, publico novamente.

Li em algum lugar que a eleição é o único dia a cada dois anos em que, de fato, todos os brasileiros são absolutamente iguais na sua principal atividade. O voto de um milionário, de um cara com pós doutorado têm exatamente o mesmo valor que o de um miserável, um semi-alfabetizado. Não é o máximo isso??? Por incrível que pareça, há gente que seja contra essa paridade.

E você, jovem escalado para mesário, tem um papel fundamental nessas datas históricas.

Esqueça um pouco o domingo que será gasto atrás de uma mesa e pense se haveria outras alternativas. Que outras maneiras teriam os Tribunais eleitorais para escolher os mesários??? Contratar centenas de milhares de funcionários apenas para o dia da eleição seria impossível e fatalmente suscitaria infinitas dúvidas a respeito da conduta, da imparcialidade deles.

Portanto, caro jovem, não fique se lembrando do que poderia estar fazendo no domingo e exerça com orgulho o papel que lhe cabe. Além disso, o empregador tem a obrigação de dar um ou até dois (não me lembro ao certo) dias de folga para todos os que foram convocados nas eleições. A esse respeito, um mês e meio atrás, ouvi na CBN, no fabuloso programa FIM DE EXPEDIENTE, um perspicaz e gozador comentarista afirmando que o jovem que cogitasse de usufruir desse dia de folga por conta do serviço prestado nas eleições seria imediatamente demitido. Aí é aquela velha história, velha teoria do saudoso Severo Gomes, já citada aqui no Boca do Trombone mais de uma vez – dizia ele: “não é o povo brasileiro que não presta. O povo brasileiro é bom. Quem não presta é a elite. Nós é que não prestamos!!!”

Mesário, orgulhe-se de contribuir para a cidadania no domingo e usufrua com tudo o feriado a que terá direito

Abaixo a Imprensa livre – Por Armando de Oliveira

Meu amigo Armando não podia deixar passar esse momento político sem  comentários. Diferentemente de todos seus artigos anteriores com fundo científico, o de hoje é   ironia pura.  Leiam e discordem  dele se forem capazes.

Abaixo a Imprensa Livre é um pensamento que cultuo, em concordância com alguns setores do atual governo federal… mas por motivação bem diferente.

Explicando: na  minha juventude, colecionava revistas  como “O Cruzeiro” e “Manchete”;  mais tarde,  assinante da “Veja”, depois da “Isto É” e novamente “Veja”,  continuei – orgulhosamente –  separando   reportagens sobre escândalos de corrupção envolvendo personagens do governo e seus cúmplices do mundo empresarial.
Como eram relativamente raros e pouco freqüentes,  a melhor forma de acompanhar o “enredo”, com os caminhos escabrosos e seus personagens tenebrosos, foi a montagem de um arquivo onde colocava as folhas que continham as repostagens, com o cuidado de organizar as seqüências lógicas das “histórias”.

Porém  o mundo mudou e também o Brasil.   Mas não no que tange aos diversos orgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; eles  se mantêm incrivelmente “alheios” ao que se passa no mundo da corrupção.   A Imprensa Livre  se especializou, com uma rede de informantes fidedignos e repórteres dedicados, argutos, especializados e competentes e  produz  matérias detalhadas com todos elementos que configuram os mais diversos crimes.  Crimes, aliás,  cometidos por aqueles que deveriam administrar e proteger a “rés-publica”.

Então essa tal de Imprensa Livre destruiu meu arquivo sobre corrupção e isso é inaceitável… por isso estou lançando a campanha ABAIXO A IMPRENSA LIVRE!!!

Não concorda???

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Bordão do Boca, roubado do Billy Blanco,  o que dá pra rir, dá pra chorar.  É só o que dá pra comentar ( e rimar)!!!

Terrorismo Anti-Dilma e Reminiscências da Primeira Eleição Direta

Hoje é aniversário da Ana Aragão. 

Ela é uma visionária.

Na primeira eleição direta para governador de São Paulo, pós golpe militar, em 1982,  trabalhei na Assessoria de Imprensa do senador Franco Montoro  que concorria ao cargo,  e  acabou se elegendo.

A TV Globo  colocou nos comitês  de campanha  dos principais candidatos jornalistas de plantão.  Ana ficou no escritório do Montoro e tornou-se minha amiga.

Alguns anos mais tarde, foi a primeira pessoa a me apontar o nascimento de uma praga:  o gerundismo.  Ela me falou mais ou menos assim:

– Você já reparou que muita gente não diz mais eu vou telefonar para você amanhã, mas sim eu vou estar telefonando para você amanhã???

Não, não havia reparado.  Eu era feliz e não sabia.

Mais um aspecto visionário dela.  Outros anos mais tarde, no começo da massificação da Internet,  em tom sério e mostrando que a coisa era para valer, me diz (já contei isso aqui).

– Paulo, você é a quinta pessoa para quem vou dar meu email.  Se você quiser escrever para  dizer que me ama, vou adorar; se quiser escrever para me xingar por alguma razão, também pode.  Agora, se me repassar emails públicos com piadinhas, conselhos edificantes e outras besteiras, eu vou brigar com você.

Verdadeiramente uma visionária.

Como se não bastassem piadinhas, e emails edificantes, vésperas de eleições, a direita babona bombardeia sua caixa de entrada com todo tipo de lixo anti-Dilma/Anti-PT que consegue obter.  Recebi até email absurdo  falso, assinado com nome de um dos maiores e mais sérios jornalistas do país, ganhador de prêmios Esso, com o terrorismo mais baixo que se pode imaginar.

Colo trechos do infeliz e falso manifesto
Elite privilegiada (é o título)

Muitos se dizem aviltados com a corrupção e a baixeza de nossos políticos. Eu  não, eles são apenas o espelho do povo brasileiro: um povo preguiçoso, malandro, e que idolatra os safados. É o povo brasileiro que me avilta!

Com muitas exceções, os brasileiros se dividem em 2 grupos :

1) Os que roubam e se beneficiam do dinheiro público, e 2) Os que só estão esperando uma oportunidade de entrar para o grupo 1.

E por aí vai para terminar magistralmente no melhor estilo do movimento Cansei (lembram-se???)

 Sugiro que vocês comecem a defender sua ideologia e seu estilo de vida, senão, logo logo, teremos nosso patrimônio confiscado pela ‘Ditadura do Proletariado’

Estou de luto! O meu país morreu!

– EU DESISTI DO BRASIL!!!

(Quem quiser receber o documento com falsa assinatura  basta me mandar um email: paulomayr@uol.com.br – como já disse, sou um “ingrato”.  Tão bem recebido e bem tratado  aqui no IG e continuo usando email antigo)

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Para divertir um pouco e continuar com as ótimas  reminiscências da Campanha Montoro Governador. 

Naquela época havia uma série de  anúncios na televisão muito boa do cheque especial Banespa.  A idéia era mais ou menos a seguinte.  Aparecia uma pessoa muito grossa fazendo barbaridades.  Um outro personagem se aproximava e perguntava.

– Você não tem cheque especial Banespa, tem?

O Búfalo respondia:

– Não!!!

O primeiro, irônico, fulminava.

– Eu já sabia!!!

Pois bem, naquele grupo da campanha Montoro trabalhava uma mulher que era o supra sumo da grosseria, da barbárie.  Não preciso dizer que não nos dávamos nem um pouco bem.

Um dia meu chefe, jornalista famoso,  estava bravo comigo por conta de fofocas dessa mulher.  Expliquei para ele o desnecessário: ela era uma grossa e tinha sei lá que tipo de sentimento de inferioridade  em relação a mim.

Meu chefe continua.

– É  mas você bem que podia maneirar.  Só o apelido que você deu para ela!!!

Ao nosso lado, outro jornalista da Campanha, também bastante famoso, atualmente comentarista da TV Globo, pergunta.

– Qual o apelido que o Paulinho deu para ela.

Meu chefe:

– Sílvia Cheque Especial!!

O outro quase caiu da cadeira de tanto rir.

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Feliz Aniversário, Ana Aragão, Beijo para Você!!!

Pesquisas Eleitorais: Nortear ou Influenciar? Por José Giordano

Meu amigo e comentarista assíduo do Boca José Giordano mais uma vez comparece para seus perspicazes comentários.   Dessa vez, o alvo são os Institutos de Pesquisas. Esse artigo também está sendo publicado hoje no Jornal- O VALE – da Região do Vale do Paraíba Leia, é interessante. Entretanto, faço uma ressalva, conforme escrevi a ele: voto útil que me lembre e confirmei no Wikipedia é “eleitor votar num candidato de que não gosta com o objetivo de impedir a vitória daquele que detesta.” De qualquer forma, reiterando, o artigo é elucidativo. Lá vai:

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Nos últimos dois meses, os institutos de pesquisas divulgavam uma vitória de Dilma Rousseff ainda no primeiro turno.  Durante a campanha, os Institutos abusaram em analisar as tendências, num exercício de futurologia, que não se confirmaram.

A credibilidade está em baixa e eles precisam rever sua metodologia e seus conceitos éticos na direção de um resgate da confiança do eleitor.

A julgar pelo resultado, mais parece que a candidata governista conseguiu a vantagem de catorze pontos sobre o tucano em função das pesquisas que lhe eram favoráveis, senão tal diferença poderia ter sido menor.

 O Vox Populi, através de seu Diretor Marcos Coimbra, até escreveu no dia das eleições  artigo em jornal de grande circulação anunciando a liquidação da fatura no primeiro turno.

O Ibope na sua pesquisa de boca-de-urna declarava a petista vencedora e o Datafolha, na pesquisa de véspera, apresentou números que ficaram fora da margem de erro.

O que nos chamou mais atenção foi na eleição para o Senado em São Paulo onde Aloísio Nunes que estava em terceiro e se elegeu em primeiro lugar com larga vantagem de votos.

Nesse caso,  os institutos não foram capazes de detectar a tendência dos eleitores de  Alkimin a votarem em Aloísio, por ser do mesmo Partido e porque a “colinha” preconizada pelo TSE, incluía sempre seu nome para todos os candidatos a deputados pelo PSDB, diferente da pesquisa que foi preparada sem esse atrelamento.

As pesquisas eleitorais influenciam na arrecadação de fundos de campanhas dos candidatos, como também influenciam o eleitor a decidir seu voto. Na nossa cultura, onde muitos querem levar vantagem em tudo, uma significativa parte do eleitorado, que está indecisa e se resolve, ou muda seu voto em função das pesquisas, para votar em quem vai ganhar, para não perder o voto, como dizem. É o chamado “voto útil”.

Vários fatores que podem ter influenciado e terem induzido os Institutos ao erro.  Começando pela ultrapassada metodologia por Amostragem ao invés da metodologia Aleatória, passando pelo grande número de pesquisas, pelo vício ao permanecer com as mesmas cidades da pesquisa anterior ao invés de sortear ou até mesmo escolher cidades onde há um reduto eleitoral conhecido e desejado. Some-se o fato de que o número de cidades pesquisadas foi insuficiente, além da formulação de um quesito inicial sobre a satisfação com a situação atual, o que o induz o entrevistado a declarar a intenção de votar na candidata do governo.

Há de se estranhar, que em todas as pesquisas eleitorais, não importando o instituto, época da campanha, a cinco meses da eleição ou de boca-de-urna, a margem de erro divulgada foi sempre 2%. Com essa padronização parece que os institutos estavam afinados e passavam uma precisão que as pesquisas não tinham.

Os Institutos de pesquisas, a exceção do Datafolha, prestam também serviços aos partidos, configurando um conflito de interesses. O Vox Populi presta serviços de pesquisas diárias ao PT e coincidentemente todas as suas pesquisas apresentaram resultados mais favoráveis à candidata do PT que os demais institutos, aparentando o intuito de influenciar o eleitor para agradar o cliente.

A solução passa pela proibição da divulgação de pesquisas eleitorais antes das eleições, digamos três meses, e estas só seriam usadas para nortear os partidos na campanha ou pela criação de uma agência reguladora para disciplinar o setor, com a participação dos partidos e nos moldes da ANATEL ou ANVISA.

Por enquanto é matar a curiosidade com as pesquisas, comemorando somente após das urnas.