Terrorismo Anti-Dilma e Reminiscências da Primeira Eleição Direta

Hoje é aniversário da Ana Aragão. 

Ela é uma visionária.

Na primeira eleição direta para governador de São Paulo, pós golpe militar, em 1982,  trabalhei na Assessoria de Imprensa do senador Franco Montoro  que concorria ao cargo,  e  acabou se elegendo.

A TV Globo  colocou nos comitês  de campanha  dos principais candidatos jornalistas de plantão.  Ana ficou no escritório do Montoro e tornou-se minha amiga.

Alguns anos mais tarde, foi a primeira pessoa a me apontar o nascimento de uma praga:  o gerundismo.  Ela me falou mais ou menos assim:

– Você já reparou que muita gente não diz mais eu vou telefonar para você amanhã, mas sim eu vou estar telefonando para você amanhã???

Não, não havia reparado.  Eu era feliz e não sabia.

Mais um aspecto visionário dela.  Outros anos mais tarde, no começo da massificação da Internet,  em tom sério e mostrando que a coisa era para valer, me diz (já contei isso aqui).

– Paulo, você é a quinta pessoa para quem vou dar meu email.  Se você quiser escrever para  dizer que me ama, vou adorar; se quiser escrever para me xingar por alguma razão, também pode.  Agora, se me repassar emails públicos com piadinhas, conselhos edificantes e outras besteiras, eu vou brigar com você.

Verdadeiramente uma visionária.

Como se não bastassem piadinhas, e emails edificantes, vésperas de eleições, a direita babona bombardeia sua caixa de entrada com todo tipo de lixo anti-Dilma/Anti-PT que consegue obter.  Recebi até email absurdo  falso, assinado com nome de um dos maiores e mais sérios jornalistas do país, ganhador de prêmios Esso, com o terrorismo mais baixo que se pode imaginar.

Colo trechos do infeliz e falso manifesto
Elite privilegiada (é o título)

Muitos se dizem aviltados com a corrupção e a baixeza de nossos políticos. Eu  não, eles são apenas o espelho do povo brasileiro: um povo preguiçoso, malandro, e que idolatra os safados. É o povo brasileiro que me avilta!

Com muitas exceções, os brasileiros se dividem em 2 grupos :

1) Os que roubam e se beneficiam do dinheiro público, e 2) Os que só estão esperando uma oportunidade de entrar para o grupo 1.

E por aí vai para terminar magistralmente no melhor estilo do movimento Cansei (lembram-se???)

 Sugiro que vocês comecem a defender sua ideologia e seu estilo de vida, senão, logo logo, teremos nosso patrimônio confiscado pela ‘Ditadura do Proletariado’

Estou de luto! O meu país morreu!

– EU DESISTI DO BRASIL!!!

(Quem quiser receber o documento com falsa assinatura  basta me mandar um email: paulomayr@uol.com.br – como já disse, sou um “ingrato”.  Tão bem recebido e bem tratado  aqui no IG e continuo usando email antigo)

++++
Para divertir um pouco e continuar com as ótimas  reminiscências da Campanha Montoro Governador. 

Naquela época havia uma série de  anúncios na televisão muito boa do cheque especial Banespa.  A idéia era mais ou menos a seguinte.  Aparecia uma pessoa muito grossa fazendo barbaridades.  Um outro personagem se aproximava e perguntava.

– Você não tem cheque especial Banespa, tem?

O Búfalo respondia:

– Não!!!

O primeiro, irônico, fulminava.

– Eu já sabia!!!

Pois bem, naquele grupo da campanha Montoro trabalhava uma mulher que era o supra sumo da grosseria, da barbárie.  Não preciso dizer que não nos dávamos nem um pouco bem.

Um dia meu chefe, jornalista famoso,  estava bravo comigo por conta de fofocas dessa mulher.  Expliquei para ele o desnecessário: ela era uma grossa e tinha sei lá que tipo de sentimento de inferioridade  em relação a mim.

Meu chefe continua.

– É  mas você bem que podia maneirar.  Só o apelido que você deu para ela!!!

Ao nosso lado, outro jornalista da Campanha, também bastante famoso, atualmente comentarista da TV Globo, pergunta.

– Qual o apelido que o Paulinho deu para ela.

Meu chefe:

– Sílvia Cheque Especial!!

O outro quase caiu da cadeira de tanto rir.

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Feliz Aniversário, Ana Aragão, Beijo para Você!!!

4 pensou em “Terrorismo Anti-Dilma e Reminiscências da Primeira Eleição Direta

  1. Caro Paulo:
    Alguns comentários:
    – Sábia Ana Aragão quando vaticinou sobre o uso da comunicação digital, que prepara o cidadão a não ter nenhuma idéia sobre as diferenças entre o essencial e o supérfluo.
    – Temos que estar sempre alertas quanto a presença de Silvias (os) espalhadas pelo mundo.
    – Mas o que acho maravilhoso é, ao fim de anos de vida, termos histórias para contar, como as suas por exemplo.

    Obrigado, com um abraço e um queijo

    Armando de Oliveira Neto

  2. Paulo Mayr, estou em débito com voce. Por vários motivos, (viagem, inclusive, de quinze dias da qual voltei ontem a noite – e quando estou fora não entro na internet), não li teu blog. Andei perdendo o frescor das matérias, mas não a fina ironia.
    Pois bem, dito isto, acho que todos nós conhecemos as Silvias e Silvios Cinco Estrelas.
    Interessante o teu comentário do terrorismo anti-Dilma. Na verdade algumas pessoas acham que a internet possibilita um certo anonimato que a fazem revelar o lado pior, tipo, “o que vc faz quando está sozinho?”.
    Digo assim porque percebo nos emails que recebo (de muitos amigos que até gosto muito), que as pessoas repassam mensagens recebidas sem o minimo pudor ou mínima analise. Crédulos, acho, remetem e multiplicam um monte de bobagem. Recebi coisas malucas: uma fotografia de uma velha “sapatona”, apontada como amásia da Dilma/ Um certo médico – nome e situação falsas muito fácil de perceber – que teria feito “abortos” na Presidente/ que a mulher do Serra fez aborto/ que colegas da filha do Serra lembram que o papai Serra ordenou a filha a fazer aborto/ etc e tal. Nojeiras. Mas o interessante é que essas mesmas pessoas mandam aquelas boas mensagens de amor e ética – tipo – antes de repassar um fato que foi lhe contado “passe pelas cinco peneiras” – vc deve conhecer. Deleto tudo – a maioria nem leio.
    É verdade. A internet – que deu nova dimensão a “aldeia global” – (de MacLuhan – que morreu sem conhecer o computador), nivelou a comunicação de qualidade com a mediocridade. Tudo se nivela pelo mais baixo. Estamos fodidos. Um abraço

  3. Bravo Paulo Mayr!!!

    Nós, admiradores assíduos do Boca,muitas vezes lemos artigos de primeira qualidade e de tamanha originalidade jornalistica,como esta saudosa passagem política da era Montoro,destacada neste artigo como forma até de bom humor.Eu bem entendi o artigo e comprendo que não é fácil ser jornalista político em épocas de eleições.

  4. Aí, Paulinho! Estive aqui, chafurdando seu blog. Parei neste post que lembra a campanha mais obscurantista da história do país (nunca antes!) . Fiz trincheira aqui neste computador contra esses spans de uma direita caquética que se imaginava morta . Como eu pude , acrescentava informações , essas verdadeiras e autênticas , e devolvia.

    A propósito, seu blog também é uma trincheira – do bom e do melhor do humor.
    abraço
    Vasqs
    ++++++
    Vasqs:

    A direitona ficou apavorada e ficava nessa pseudo-guerrilha, chegando até a mandar textos falsos, e, pior” falsamente atribuido a personalidades respeitadas. Uma afronta, uma fata de vergonha.

    Grande abraço

    Paulo Mayr
    Grande abraço

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