“Alunos Expulsos de Passeio Por Fumar Maconha” Considerações de Médico-Psiquiatra

Mais uma vez, Armando de Oliveira Neto* ,  médico-psiquiatra, comenta notícia publicada na imprensa. Desta vez sobre protesto de pais contra escola que repreendeu os filhos por fumarem maconha durante um passeio a Pouso Alto.   Primeiro ele apresenta o fato; em seguida, faz uma bela ironia para então expor seu pensamento.

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“A FAMÍLIA EDUCA  A ESCOLA ENSINA E A IGREJA CONFIRMA E MANTÉM”

Armando de Oliveira Neto

No dia de Natal,  o Brasil foi presenteado com a notícia que pode caracterizar o pensamento de uma parcela significativa, e em crescimento, da população brasileira.
 

O jornal “O Estado de São Paulo, no Caderno Vida, Página  A 14, em reportagem com o título “Alunos são expulsos por fumar maconha”, em resumo, noticia que a Escola Britânica expulsou de um passeio à cidade de Pouso Alto, sul de Minas Gerais, três jovens de 16 anos, por fumarem maconha.  Os professores  mandaram de taxi os jovens de volta para o Rio.
 Na mesma reportagem, o jornalista Felipe Oda apresentou as considerações de:
1. um dos pais, que não se identificou: “meu filho foi tratado como um criminoso. Ele não é e não vou admitir que façam isso com ele”.
2. de um advogado criminalista, Sr. Nélio Machado: “A escola desrespeitou a dignidade dos alunos. Foi uma afronta aos direitos fundamentais dos menores. Os algozes (professores e diretor) foram insensíveis, desumanos, arbitrários e vão pagar por isso”.
3. uma educadora da Faculdade de Educação da USP, Sra. Silvia Colelo: “a postura da escola representa “o fracasso do diálogo”. A escola é um espaço de formação. Tem de se comprometer em educar os alunos também sobre valores, saúde e prevenção de drogas. É um espaço de preparação para a vida”.
4. outra educadora da PUC-SP, Sra. Madalena Peixoto: “repressão não serve de exemplo nem educa os alunos”.

 A seguir minhas reflexões sobre o tema: os quatro personagens, pai, advogado e educadoras,  deveriam ser condecorados, pela sociedade, enaltecidos e que deveriam servir de exemplo de como apoiar nossos pobres jovens oprimidos por professores carrascos.
 Assim essa situação poderia ser usada como modelo magnífico para ser seguidos por todos os pais de jovens nessa idade tão perigosa… e que assim seja!!!

 Mas preciso confessar minhas segundas intenções nas conclusões acima postuladas: é que sou psiquiatra e preciso ganhar a vida, dinheiro, dim-dim, para pagar minhas contas, principalmente os impostos que são tão bem aplicados em nosso país.
 

Esses pai, advogado e educadoras, com suas considerações tão bem fundamentadas, terão como  resultado lógico o apoio irrestrito e inconsequente ao uso de drogas, o que aumentará o potencial de uma população de jovens a usar e abusar, podendo-se tornar futuros drogaditos, portanto potenciais pacientes, de preferência em meu consultório, com resultado direto em minha conta bancária.
 O fomento às drogas poderá ser o resultado da maneira “moderna” de se encarar esse problema.
 A eles minha eterna gratidão financeira!!!

 Bem, sarcasmo a parte, aproveito para externar algumas opiniões a respeito de tão polêmico tema:

1. Quanto à paternagem: informo a estes pais que a função de educar é de original competência e responsabilidade da família, dos pais, e não de outras instituições. L. Althusser, em “Os aparelhos ideológicos de Estado”, escreveu que a Família educa, a Escola ensina e a Igreja confirma e mantém.  Pagar matrícula de R$ 20 mil e mensalidade de R$ 3,5 mil pode ser necessário mas absolutamente insuficiente para o exercício de uma paternagem que ensina RESPONSABILIDADE E CONSEQÜÊNCIA.
Na escalada – se é que esse termo seria apropriado – das espécies, quanto mais nos distanciamos da base, os comportamentos diminuem em suas raízes genéticas e adotam a modelagem comportamental, dado pelas relações sociais, fato ricamente documentado  pela Etologia (Lorenz, Bally e outros) e apresentada pelos estudos do Desenvolvimento dos Papéis (Moreno, Bermudez e outros).
O ensino do que é “certo/errado”, “justo/injusto”, “divino/profano”, enfim do “bem/mal” é dado pelo exemplo, o que nossa geração não está conseguindo fazer, como pode ser observado no dia a dia. Parafraseando o filósofo Mário Cortela (PUC-SP), não conheço nenhuma outra civilização tão desprovida de compromisso com a moral, aqui entendida dentro da concepção psiquiátrica de Sentimentos Morais, como a nossa – essa aí que está no poder, quer da política quer das universidades ou mesmo as famílias, tema deste escrito.

A ausência do pai-modelo está dando origem a uma geração de crianças, hoje jovens, amanhã adultos, na construção de enredos sem a noção de “mocinho/bandido”. Aproveitando, um recado aos ingênuos (respeitando-se a etimologia deste vocábulo): brincar com armas não vai produzir adultos violentos, mas sim os enredos das brincadeiras. Quando criança ao entrar nas tardes de domingo no clube, para assistir seriados, identificava o mocinho e o bandido pelos trajes (chapéu branco ou chapéu preto) mas principalmente pelo comportamento ilibado ou não.
É esse modelo pernicioso que pude constatar nesses pais menores e que me deixa preocupado e desesperançoso quanto ao nosso futuro.

2. Quanto ao advogado: entendo perfeitamente que essa maneira de se interpretar nossa legislação tenha como objetivo defender, com unhas e dentes, não só o seu cliente mas principalmente uma clientela futura e as consequentes incrementações em conta bancária e, com suas observações, certamente angariará simpatia, e adesão, de outros pais em circunstâncias semelhantes.
Dúvida: será que as mudanças em nossa legislação não estão, camufladas pelo ar de seriedade, exatamente a serviço do aumento da clientela dos advogados?  Lembrar que outras profissões, como a Psiquiatria por exemplo, também mudou conceitos a serviço desse mesmo oportunismo econômico.

O apoio à dignidade dos jovens que teriam usado maconha em excursão familiar parece-me muito próxima daquela dignidade de um assassino (de um chefe de família, ou de um funcionário de segurança de banco) ou de um traficante, o enaltecido direito civil do criminoso, ou de um jovem que, em racha, atropela e mata outro em túnel que deveria estar bloqueado.

Por falar em traficante,  a atual legislação traz à lembrança uma fala do Dr. Ângelo Gaiarça, conhecido e polêmico psiquiatra recém-falecido: a moral atual,e incluo a legislação, ocidental, burguesa, capitalista, de origem judaico-cristão, é basicamente hipócrita e mentirosa.
Entendo que o traficante existe pela simples existência do usuário.

Os acontecimentos policialescos da tomada de favelas nos morros do Rio de Janeiro, pela polícia e forças armadas, é consequência direta do consumo das drogas pelos “meninos do Rio” e “garotas de Ipanema” e seus pais coniventes e coniventes.
Mas o álcool, que traz malefícios físicos, psicológicos, sociais e familiares de peso incalculável, é legal em toda sua cadeia de produção e consumo, sendo que o motivo desta distinção, não se configurando objeto deste escrito, poderá ser desenvolvido em outra oportunidade.

Senhor advogado, é meu direito brandar que considero tanto o traficante como o usuário, no caso em tela, possivelmente os jovens em questão, criminosos, sim senhor!!!

A não ser que ocorra a liberação das drogas, o que não deverá acontecer pelos graves problemas econômicos decorrentes: como viveriam todos aqueles que tiram o seu ganha-pão da cadeia produção, distribuição e consumo??? – ou seja, o traficante, ou o “aviãozinho”, que leva dinheiro para casa (antes era o menino das laranjas, como dito na canção), ou o policial que “não vê o que acontece”, ou o advogado que os representa na luta da dignidade ameaçada, ou os médicos que tratam as consequências físicas e psiquiátricas, ou… –

Considero uma situação sem saída enquanto perdurar essa estrutura jurídica com seus paradigmas obscenamente contraditórios.

3. Quanto à  Educação: considero o termo Educação impróprio optando pelo Ensino pelo singelo motivo que educação é de responsabilidade da família.
Ao Ensino cabe ensinar… é minha opinião.

Em casa,  deve-se aprender o que é certo/ errado, e suas variáveis já citadas, o que é/era exemplificado no dito popular: “educação vem do berço”. Nesse sentido, cabe aos professores cobrarem dos alunos um mínimo de educação, condição básica para uma convivência social.

Sou de uma outra época: fui levado à diretoria de minha escola quando necessário (aprontava) literalmente pendurado pela orelha, ou tomava umas reguadas, de madeira e imensamente larga, em outras circunstâncias e, quando meus pais ficavam sabendo, quando chegava em casa, o que tinha feito “a porca torcia o rabo”…
Isso me fez mal, deixou-me traumatizado, sofrendo, marcado para o resto de minha vida, sendo motivo de análise por décadas…???  Não.  E ensinou-me os limites do outro, o respeito e a obediência às regras de convívio social.

Como estudioso da Etologia (Estudo Comparado do Comportamento Animal) sabe-se que qualquer desrespeito às regras hierárquicas, essencial à sobrevivência de uma determinada espécie, pode custar caro ao desobediente e mesmo ao grupo, podendo culminar com sua expulsão definitiva, o que poria em risco a vida do incauto. Isso acontece com elefantes, lobos, leões… e humanos.

Mas os professores perderam esses norteamentos.

Notei quando começaram a ser chamados de “tios ou tias”: era o início da horizontalização da relação professor-aluno. A perda da mais elementar regra social: o de classes diferenciadas, com seus respectivos direitos e deveres, citado na expressão “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.
E não estou me reportando aos tempos de “Oliver Twist”.

Infelizmente o resultado dessa transformação pode ser exemplificado em cena que já pertence ao anedotário acadêmico: o argumento de um jovem estudante numa certa escola particular de São Paulo contra a repreensão do professor é que “o pai é que pagava o salário dele” e, pasmem, a “tese” foi aceita pela diretoria, certamente pelo mesmo motivo… e aí foi tudo pro brejo!!!

Concluindo: que professor ensine e COBRE, sem medo de ser feliz.

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*Armando de Oliveira Neto
Médico Psiquiatra
Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama

Cordel Desanca Big Brother

 Antonio Barreto,  cordelista baiano,  mostra que de bobo não tem nada e também desce o pau no Big Brother, no Bial e “nos Global”.

Tentei achar  áudio ou vídeo do texto, mas não consegui. 

Suponho que tudo o que ele diga seja verdadeiro, porque, nem que eu me force, consigo assistir. O máximo que agüentei foi engolir cinco minutos finais de BBB para não perder o começo do último capítulo do Bem Amado, conforme já escrevi http://bocanotrombone.ig.com.br/2011/01/22/duvida-atroz/

 Lá vai o texto.

BIG BROTHER BRASIL, UM PROGRAMA IMBECIL

Autor: Antonio Barreto

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM

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Olha, o homem do Cordel  taxou os telespectadores de Big Brother de Animal.  Seu eu tivesse entre eles, pensaria muito antes de ligar a televisão para assistir ao  BBB – repetindo: Babaquice Bem Babaca

BBB – Manda Todo Mundo Embora Logo!!!

Na Home do Uol,  uma enquete:  BBB 11- Diogo x Maurício: quem deve ser eliminado???

Me faz lembrar piadinha.  

Antigo presidente do Brasil estava no seu avião acompanhado de dois ministros.  Conta para eles que havia encontrado uma nota de 100 reais e que iria jogar sobre a cidade quando o avião estivesse perto do aeroporto e assim faria a felicidade de um brasileiro.  Um dos ministros argumenta que ele deveria jogar duas notas de 50 para deixar dois brasileiros alegres.  O outro sugere que seria mais democrático jogar 10 notas de dez e dar alegria para 10 brasileiros.

O presidente se levanta e vai perguntar ao piloto.  O Piloto é taxativo:

– Se o senhor atirar os dois ministros pela  janela, vai fazer a alegria de 190 milhões de brasileiros!!!

Ao ler a notícia do BBB, por conta da piadinha, pensei: se mandasse todo mundo embora, acabasse o programa de uma vez e promovesse a volta dos seriados/teleteatros, a Globo faria a alegria  de milhões de brasileiros.  Acontece que, desgraçadamente, também há milhões de brasileiros que ficam felizes assistindo BBB – (babaquice bem babaca- minha leitura da abreviação).

Triste, muito triste, digno de pena!!!

Comportamento de Adulto – o Mínimo que se Espera do Novo Congresso

Novo congresso toma Posse no começo de fevereiro (embora 1/3 dos senadores continuem).

Bem que podia aparecer, se é que existe, algum depudado ou senador minimamente preocupado com a opinião pública e lutar por algo muito simpes: obrigação de todos nas duas casas terem  comportamento minimamente adequado desde o instante que pisam o prédio da Câmara/Senado, até colocarem os pés (se bem que todos andem de carro) na calçada no fim do expediente.  Pés na calçada mesmo, já que os carros não são de suas propriedades (embora, tampouco sejam de suas propriedades os apartamentos funcionais). Desde que voltem para casa, ainda que apartamentos funcionais.

Para se atingir esse tal decoro parlamentar ou – posto de outra forma – ter comportament minimamente compatível, algumas medidas precisam ser tomadas.

1) Sessões iniciam-se no horário marcado.  Todos os congressistas precisam estar presentes.

2) Presentes e sentadinhos em suas cadeiras; e,   e em silêncio, ouvindo o que o colega que está ao microfone diz.  Sentadinhos, como se fala pra criança, quer dizer sentadinho mesmo.  Nada daquela aglomerado de gente pelos corredores, nada  de duplinhas passeando aos papos.  Muitos deles, apesar de sentadinhos, falam ao celular.  Nada disso.    Tem que se sentar e prestar atenção ou fingir que presta atenção!!!

3) O cumprimento do ítem acima já pressupões plenário cheio; nada daquele mar sem fim de cadeiras vazias.  A desculpa de que estão em reuniões é furada.  Que reunião são essas que não terminam nunca???  Reuniões de comissões??? Que essas reuniões sejam feitas com os aspones, digo, assessores dos congressistas.  Já que deputado e senador têm que estar é nas sessões.  Reuniões  de comissões com congressistas que sejam feitas em outros horários, dos três dias de trabalho semanais; horários em que não haja sessões.

Cadeiras vazias, deputados/senadores pelo plenário, deputados sentado batendo papo ao ceuluar – tudo isso é um desrespeito ao seu voto.

Ao meu não porque só votei para presidente; o resto tudo, digitei todos os zeros que a urna eletrônica permitia e confirmei.  Não por julgar que ninguém seja digno do meu voto.  Longe de mim tamanha arrogância. Tampouco sou pela dissolução do Congresso/ditadura. “Mais tampouco” ainda posso endossar esse RECREIO SEM FIM, conforme já escrevi. Quem quiser ler, embora repita um pouco esse todo http://bocanotrombone.ig.com.br/2007/10/22/recreio-sem-fim/

Se eu perceber um mínimo de disciplina (ia escrever seriedade, mas o termo é disciplina mesmo),  posso mudar meu voto nas próximas eleições.  Posto de outra forma,  SE OS CONGRESSISTAS SE COMPORTAREM DIREITINHO…

Janeiro em São Paulo

Espero que você, que ficou em São Paulo,  já tenha se dado conta do privilegiado que é.

Excetuando-se  tempestadades que, de resto, estão por toda parete, a fuidez do trânsito torna a cidade habitável, pelo menos nesse  1/12 do ano que estamos atravessando.

Ao contrário dos outros meses, vive-se uma meta-tranquilidade: seu  carro desenvolve  velocidade compatível com esse meio de transporte e, você escuta no rádio que, até seu destino, o caminho está ótimo. De Fevereiro até às vésperas de Natal, é meta-inferno: você está preso em congestionamento; no rádio do carro, descobre que esse caos permanece até bem depois do seu destino.

Alguns dias atrás, às 21:30 horas, saí de Higienópolis. Parei em um super-mercado gigantesco, onde se perde muito tempo para comprar pouco.  Chego ao cinema e a sessão das 22,10 nem tinha começado.

Não troco São Paulo em janeiro por nada; digo, por outro lugar. Não troco por nada abrageria uma temporada com Gisele.

Maracanã Maior do que Nova York

Emissora de rádio informou ontem  que serão vendidos, como souvenirs,  cinco mil pequenas pedras  retiradas durante a demolição das arquibancadas do Maracanã.  Na Internet vejo que a iniciativa é da Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer do Rio de Janeiro e que o preço é simbólico.  Ainda considerando que se trata de órgão oficial e que há um número definido de pedras, fica difícil não se lembrar de frase/teoria de historiador famoso.  Dizia ele: se juntassem todos os pedacinhos de madeira que teriam sido  da Cruz de Cristo, daria para se construir uma frota inteira de navios.  Adaptando:  Se juntarem todas as pedrinhas de concretos que devem ser  vendidas como se tivessem feito parte do Maracanã, dará  para  construir uma cidade maior do que Nova York.

Keith Richards – Gostando (ou Gostou) do Livro??? Então, Leia Meu Conto

Estou lendo o Livro Vida do super/hiper lendário e fascinante  Keith Richards, dos Rolling Stones.  Não cheguei ainda à página 200.  Até agora, está legal, entretanto, aproveita mais, naturalmente, quem entende de música.

Se você gosta do assunto, não há como não gostar do meu conto.

 O conto é longo e demora um pouco para aparecer a Fera ,  mas ela aparece.  Vale a pena chegar até lá. Daí,  pretensioso, suponho que seja difícil parar de ler.

Uma amiga estava produzindo uma espécie de sarau e pediu que as pessoas lhe enviassem seus escritos. Enviei-lhe esse conto. Como era trabalho para ser lido em público e que talvez pudesse ser publicado, escrevi uma nota introdutória explicando e deixando bem claro que era mera ficção (aproveito e já reitero) e que usei os nomes verdadeiros dos principais personagens porque, por mais que minha imaginação fosse fértil, eu nunca conseguiria criar perfis tão bem acabados para o meu objetivo. Minha amiga leu o conto e a explicação e, inconformada, me ligou:
– Ah, que pena – eu achei que era tudo verdade!!!

Leia o conto e veja se vc também queria que fosse verdade. De minha parte afirmo: não só queria que fosse verdade, como, principalmente, queria ter participado dessa noitada.

Em tempo, quando escrevi esse conto, eles sequer imaginavam fazer um show aqui no Brasil.

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MUITO ALÉM DO JANTAR – TÍTULO DO CONTO

Luis ligou para meu escritório dizendo finalmente ter marcado o jantar na casa dele com Roberto para sábado.

Fiquei uma fera. Era o dia do Show. Embora a imprensa tivesse anunciado que a apresentação no Pacaembu seria única, não era verdade. As grandes estrelas, quando passam por aqui, na mesma noite do show no estádio, costumam se apresentar em uma boate para aproximadamente 500 pessoas. Após esse espetáculo, sempre ficam para o coquetel e jantar. Algumas delas são verdadeiras vedetes. O Pavarotti, na primeira vez em que veio a São Paulo, era um sujeito amável e simples. Pediu para ir jantar com todo mundo em um restaurante típico brasileiro. Tomou uma jarra de batida de limão (de pinga) e comeu vatapá. Agora, depois de ter se tornado um mega star, já se comporta como uma prima-dona. Mas, em geral, são simpáticos. Sobretudo comigo, mulher morena, bonita, sensual com tempero brasileiro e classe européia.

Lógico que esses shows para audiências restritas são sempre muito caros. Nunca menos de 2.000 dólares por pessoa. Eu já havia comprado e pago nossos ingressos. Era uma surpresa para Luís. Só lhe contaria no dia. Afinal, a surpresa acabou sendo minha. Imaginei que durante o jantar, a cada cinco minutos, teria vontade de ir ao banheiro, abrir a bolsa, olhar as entradas e chorar um pouquinho. Poderia até fazer isso. Mas não contaria jamais para ele que tinha comprado os ingressos. Pois sabia que estava almejando a vice-presidência da empresa; o jantar bem produzido com o presidente-executivo, sua mulher, por coincidência filha do acionista majoritário, seria decisivo.

E produção era o que não faltava. Luís pediu que eu cuidasse de tudo. Decidimos o cardápio e não tive dúvidas, liguei para o bufê dos grandes jantares de São Paulo e fiz a encomenda. No sábado, por volta das três, chegam com toda parafernália necessária:

– A senhora escolhe sua toalha de mesa preferida e pode ir para o cabeleireiro que a gente se encarrega de tudo, disse o eficiente e ligeiramente pedante chefe da equipe.

Lembrei-lhe novamente o combinado com o gerente: eles deveriam deixar a coisa encaminhada, eu cuidaria do resto. Às seis, não queria mais ninguém em casa – enfatizei.

Eram verdadeiros artistas. A mesa estava linda, os arranjos de flores deslumbrantes, a comida com aroma indescritível e o bar arrumado de tal forma que eu seria capaz de fazer montes de dry martini de olhos fechados.

O interfone toca, oito horas, pontualmente.

Fomos esperá-los na porta do elevador. Surpresa. Gabriela estava sozinha.

– Papai ligou há cerca de três horas convocando Roberto para uma viagem a Buenos Aires. Agora, devem estar quase pousando. Tá vendo o que te esperava na vice-presidência, Luís? Já que o chefe está longe, acabemos com as formalidades. Sorri, enquanto tira o blazer.

Sob o blazer de Gabriela, uma camiseta de seda preta com alças e decote nas costas até a cintura, velando quase nada do corpo escultural. Luís e eu ficamos embevecidos. Tudo era perfeito: costas, ombros, bocas e seios se destacavam.

– Estou fissurada para experimentar seu famoso dry martini, Elza. Posso ajudar você a preparando os copos.

Pega a faca mais afiada e, em menos de três minutos, põe em cada copo verdadeiras mini esculturas de casca de limão e azeitonas. Ao se inclinar sobre o balcão, os duros bicos dos seios se mostram. Seu sorriso maroto olha para mim e Luís.

– À uma noite de prazeres! – Gabriela brinda.

Quando ponho o último disco de Marina, faz um gesto com o indicador pedindo para nos aproximarmos e, fingindo vergonha, sussurra aos nossos ouvidos:

– Parece coisa de fanzoca boba, vocês vão até rir de mim. Essa camiseta aqui, foi a Marina que me deu. Sou muito amiga dela.

Diz isso, levantando o ombro direito, ao mesmo tempo inclina o rosto até o ombro, com os dedos longos, traz a alça aos lábios, fecha os olhos e beija a blusa.

– Fanzoca boba, nada. Olha o que eu tenho aqui na gaveta, falo enquanto apanho os ingressos.

Luís pergunta por que não falei nada. Em poucas palavras, disse saber que ele queria muito oferecer o jantar ao Roberto. Orgulhoso da minha deferência, sorri.

– Não é possível, diz Gabriela. Se você soubesse o que já deu de briga entre mim e o Roberto por causa deste jantar marcado no mesmo dia dos Rolling Stones. Agora, ele lá com meu pai, certamente se preparando para ouvir tango, e nós três aqui. Aqui e com a cabeça no Mick Jagger!

– A gente pode jantar tranqüilamente e ir para lá, expliquei.

– Mas como, o show deve começar em menos de meia hora?, diz Gabriela.

Ela não sabia da história da segunda apresentação e ficou absolutamente enlouquecida com a possibilidade de ver os Stones cara a cara.

– Luís, tira da cabeça a preocupação com a vice-presidência. Você é o preferido do papai e do Roberto. Também é o meu preferido. Eu tenho 50% das ações da empresa. Vice-presidência é assunto encerrado. Vamos ao prazer, comme il faut: com o dever cumprido e a consciência tranqüila!

Diz isso e acende um baseado que tirou da bolsa, magistralmente enrolado em papel de seda lilás.

– Para todos os prazeres! exclama , como se fizesse novo brinde. Fecha suavemente os olhos e se deleita com uma longa tragada.

– Soube que você se dedica ao estudo do Epicurismo de corpo e alma 24 horas por dia, eu disse.

– Ao estudo diria que dedico só minh’alma e manhãs. A tarde, jogo tênis. À noite, delíros. Pensando bem, acho que meus dias são compostos de 24 horas “epicuristas”: teóricas e práticas – explica, passando o baseado, com a marca e o provocante gosto de seu baton, para mim.

Toma um gole de dry martini e prossegue:
– Escrevo textos para revistas daqui e da França. Não me queixo da vida. Posso fazer o que gosto. Esta noite é o que eu chamo de “meta-delírio-triplo”. A gente está aqui no delírio do dry martini, do baseado, que antecede o delírio do jantar, que antecede o delírio dos Stones, que, sabe lá Deus, pode anteceder outros delírios, diz sorrindo e passando os dedos, úmidos e frios, do contato com o copo, na minha nuca e na de Luís.

– Que tal começar o jantar, ou melhor, o segundo ato do delírio?, sugere, sem jeito, Luís.

– Mais dry martini !

Eu e Gabriela falamos exatamente ao mesmo tempo. Rimos os três. Entrelaçamos os dedos minguinhos, como brincam as crianças, cada uma fez seu pedido, contamos até três, dissemos paf as duas ao desentrelaçarmos os dedos.

– Que ótimo, as duas falaram paf, os desejos de vocês vão se realizar. O que vocês pediram? – pergunta Luís.

– Fiz um pedido para nós três. Quando se realizar, agente vai saber que foi graças a ele. Sempre faço esse jogo e na única vez em que coincidiu de os dois dizerem a mesma coisa, eu tinha feito um super pedido que se realizou na mesma semana! – diz Gabriela.

Ela quer aprender a fazer Dry Martini e diz que me ensina a montar esculturas de casca de limão e azeitona.

Com cinco golpes, suaves porém decididos, prepara as azeitonas e as casca do limão; a mesma eficiência na montagem das mini esculturas. Tão rápido, que não aprendi nada.

Os Dry Martinis seguintes fiz lenta e didaticamente a pedido de Gabriela.

– É inacreditável que uma estudiosa de Epicuro, na teoria e prática , desconhecesse essa fórmula de fumo e Dry Martini como aperitivo. Agora sim, acho que já estamos todos com espírito e paladar preparados para o jantar.

A cada movimento na cozinha e na sala., percebia o profissionalismo do pessoal do Bufê . Grudado na porta da geladeira com um imã, um minucioso passo a passo, datilografado naturalmente, explicava como finalizar cada prato. A musse de salsão deveria ser tirado da geladeira 15 minutos antes de ser servida; o linguado na manteiga com camarão, alcaparra, batata cozida , cogumelo selvagem e arroz com ervas, já nos pratos individuais, esquentar 10 minutos no forno baixo.

Ponho a musse na mesa, abro a garrafa de vinho branco e seco, sirvo água mineral nos copos, vou à sala de visitas chamar Luís e Gabriela.

– Que mesa maravilhosa! Você dever ter tido um trabalhão para fazer tudo isso! – elogia Gabriela.

– Você nem imagina! Você nem imagina! Digo e viro o rosto na direção de Luís para me deleitar com seu sorriso cúmplice. Retribuo com uma rápida piscada e um beijinho no ar.

Luz na intensidade certa, música de câmara ao fundo, vinho datado na temperatura ideal, o sabor exótico da musse: perfeição a serviço do prazer. Gabriela admirava cada detalhe.

– Se vocês tivessem um livro para os convidados assinarem, descaradamente roubaria a frase que uma moça escreveu no livro do saudoso restaurante Pirandello: eu quero morar aqui!

Agradecemos o elogio e ela continuou:

– Sabem quem adoraria esse jantar? Epicuro! Imaginem, o homem iria enlouquecer nessa orgia de prazeres dos sentidos. Ainda com direito a Rolling Stones. Jamais ele voltaria pra Grécia depois de nos conhecer. Certamente acrescentaria no livro dos convidados, na frente do que eu escreveria: EU TAMBÉM!!! E assinaria.

Quando estou na cozinha esquentando o linguado, Luís vem pegar mais uma garrafa de vinho. Enquanto saca a rolha, vira o rosto para mim, me agradece pelo sucesso do jantar e me dá um beijinho na boca. Largo o que tinha nas mãos sobre a mesa, viro-me de frente para ele, abraço-o e damos um longo beijo. Excita-me o roçar dos meus seios em seu macio suéter de cashemere vermelho. Gabriela, da porta, nos observa:

– Eu também quero participar desse amorzinho!

Olhamos sorrindo para ela. Aproxima-se passa a mão em torno de nossas cabeças, dá um suave beijo em Luís e um beijo um pouco mais longo em mim, sua língua pressiona suavemente meus lábios e dentes. Entreabro a boca e nossas línguas se tocam por alguns segundos, ela passa a mão pelos meus cabelos e pescoço. Lentamente se afasta. Sorri. Desta vez, para minha agradável surpresa, Luís não fica sem jeito. Com naturalidade, sorrio. Aquela não era a primeira vez que uma mulher me beijava e, com toda certeza, não seria a última.

Volto para sala de jantar com o linguado. Rolling Stones eram o assunto. Conto que os Stones se apresentaram em várias cidades por onde passei, sempre poucos dias antes de eu chegar, ou uma semana depois de eu partir. Isso aconteceu mais ou menos umas dez vezes.

– Quando Luís me deu a notícia de que o jantar seria hoje, já estava imaginando que o destino queria que eu passasse minha vida toda sem usufruir o prazer dos Stones. Mas, graças a você, Gabriela, parece que vamos conseguir contornar os caprichos do destino. Obrigada. Viro-me para ela, fecho os olhos e mando-lhe um terno beijo de longe.

O linguado e a sobremesa, salada de frutas secas, com conhaque e sorvete de creme – especialidade minha – estavam perfeitos.

– Uma revista de faits divers – frescuras como eu chamo – me entrevistou perguntando qual cardápio escolheria para meu último jantar. Sushi, sashimi e doses reforçadas de saquê, respondi. Se me fizessem a mesma pergunta manhã, tenham certeza de que enumeraria todos os pratos e bebidas deste jantar deslumbrante. – diz Gabriela.

Assim que tomamos o último gole de vinho do Porto, levantei-me e disse:

– Let’ s go! Mick jagger waits for us!

Fomos no carro de Gabriela, um jaguar 2005 branco. Luís entrega os dois ingressos e quatrocentos dólares ao porteiro que, satisfeito, chama o maitre, passa-lhe 150 dólares, e manda que ele nos arranje uma boa mesa.

Melhor impossível: a mesa central da primeira fila. Ficaríamos a pouquíssimos metros dos Stones. Fomos ao banheiro retocar a maquiagem. Cheiramos quatro fileiras de coca sobre uma longa e fina lâmina de ágata preta com um mini cilindro de prata do arsenal que Gabriela trazia na bolsa. Traçamos a estratégia (infantil, mas poderia funcionar como ovo de Colombo).

– Ao delírio, ela diz, antes de abrir a porta do banheiro. Sorrio olhando fundo em seus olhos. Ela se aproxima. Como o show já estava começando, tínhamos certeza de que dessa vez nada iria interromper nosso beijo.

Voltamos ao salão. Tocavam uma balada lenta. Time is on my Side. Jagger, no primeiro momento, fuzila-nos com seu olhar e, em seguida, entre dois versos, diz, irônico, porem carinhoso: Wellcome. Com um pouco de vergonha, mas envaidecidas com o cumprimento, julgamos que essa passagem facilitaria o plano.

Pode parecer pretensão minha, mas, pelo menos em relação aos homens, sentia que Gabriela e eu roubávamos um pouco a atenção da platéia. Seu eu disser que até entre os Stones percebia-se uma certa fissura por nós duas, serei taxada de megalomaníaca? Mas era o que estava acontecendo. Keith Richards chega perto de Jagger, sussura-lhe algo nos ouvidos, e também nos cumprimenta. Sorrimos todos.

Por em prática a etapa seguinte, agora que o objetivo estava atingido, seria até covardia, mas éramos maquiavélicas.

Gabriela e eu nos entreolhamos. Com um sinal afirmativo, decidimos que o momento estava próximo. No intervalo entre as músicas seguintes, levantamos-nos e, lenta e sincronizadamente , tiramos nossos blasers. Platéia e Stones não desgrudam os olhos de nós duas por uns cinco minutos.

Durante o coquetel, eles cumprimentam, um a um, todos os presentes. Deixam nossa mesa por último. Jagger e Richards perguntam a Luís se podiam juntar-se a nós. Pedimos duas cadeiras ao garçon.

– And a bottle of Borbon, for us.

Não precisamos nem traduzir. Antes do show, os garçons haviam levado garrafas e garrafas de borbon para eles e toda a troupe.

Não se passaram nem quinze minutos, quando a conversa estava fluindo legal, Jagger é chamado pelo empresário para uma festa na casa da filha do patrocinador da turnê. Não esconde sua decepção:

– Todos na banda trabalhamos duro, mas os melhores frutos quem colhe são sempre eles quatro. Isto há quase trinta anos.

Colher frutos? – pensei. Tá certo que era o que eu e Elza desejávamos : transformar aquela noite num imenso pomar. Mas vai ser direito assim lá no primeiro mundo!

Jagger despede-se com um abraço em Luís, um beijo no rosto de Richards e de nós duas com fugazes, porém deliciosos, beijos na boca.

– Finalmente um carro de verdade – diz Richards ao ver o Jaguar de Gabriela. Pensei que aqui no Brasil só houvesse as carroças do Collor pro povão e esses carrinhos japoneses dos yuppies.

– Que tal mais rodada de salada de frutas e bebidas na casa de vocês? – sugere Gabriela.

Gabriela faz uma descrição tão entusiasmada de todo o jantar, sobretudo da salada de frutas, que Richards brinca.

– Vocês não sabiam que os carros ingleses voam nas horas de emergência. Isto é uma emergência, ele diz pro carro e ordena: Voe.

Gabriela acelera para voarmos “dentro da madrugada veloz” sobre a pista da Cidade Jardim.

Luís e eu voltamos para sala com a salada de frutas, Gabriela e Richards beijavam-se. Convidam-nos para sentarmos. Ela sugere um reforço de fumo para aguçar os sentidos.

– Eu sou um cara de sorte. Estou aqui com o que o Brasil tem de mundialmente famoso: suas mulheres e sua maconha.

Dá uma tragada, um beijo em Gabriela, nova tragada, e me beija com fissura. Ao mesmo tempo, Gabriela dá um longo beijo em Luís, que lhe acaricia os seios por dentro da roupa. Fingindo um pouco de indecisão , Gabriela tira a blusa. Antes de recomeçar a beijar meu namorado, aproxima-se de mim pelas costas e, dizendo querer solidariedade, também tira minha blusa e me dá um longo beijo na nuca acaricia-me os peitos e sussura-me aos ouvidos:

– Eu não disse que meus pedidos na brincadeira do pif-paf sempre se realizam.

Richards pega seu copo e brinda:

– Aos prazeres que Mick deve estar desfrutando na casa da filha do empresário!

Morremos de rir do seu sadismo.

Acordamos, os quatro na cama de Luís, às onze horas da noite do domingo.

Gabriela não parava de rir:

– Pretensiosa como ninguém, na minha cabeça, o Caetano tinha feito a música Totalmente Demais para mim. A partir de agora, vou passar a considerar mais essa hipótese.

Às gargalhadas, resumimos a música e traduzimos a teoria de Gabriela para ele, que emendou com uma dúvida :

– Me digam uma coisa, todas as noites de vocês são assim???

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Gostou???  Outro dia, em um bar despretencioso para almoçar, vi uma jovem com o livro. 

Peguntei se ela estava gostando – ela me disse que sim.  Sugeri que ela lesse esse meu conto.  Veja o comentário que ela deixou no post:

“Seria uma noite que valeria por mil e uma!”

Fica difícil discordar!!!

Mangueira d´água e Wap Não São Vassoura!!!

No hall do  Cine Sabesp – Fradique Coutinho, 361, em Pinheiros – há um aviso.

“Você sabia?  Usar a mangueira como “vassoura” durante 15 minutos pode desperdiçar 280 litros de água.”

E o que mais se vê, a partir de quartas, quintas e sextas- feiras???  Faxineiros de prédios e residências fazendo exatamente isso: varrendo áreas externas  e até calçadas com a tal da maquininha/lavadora Wap.  Os funcionários estão cumprindo ordens de donas de casas  e síndicos “zelosos”.  “Zeloosos” mas sem um mínimo de bom senso; consciência ecológica, então, certamente nem lhes passa pela cabeça.

Além do desperdício, poluição sonora estúpida e desnecessária: já que três ou quatro baldes de água e escovão fazem exatamente o mesmo serviço.