Keith Richards – Gostando (ou Gostou) do Livro??? Então, Leia Meu Conto

Estou lendo o Livro Vida do super/hiper lendário e fascinante  Keith Richards, dos Rolling Stones.  Não cheguei ainda à página 200.  Até agora, está legal, entretanto, aproveita mais, naturalmente, quem entende de música.

Se você gosta do assunto, não há como não gostar do meu conto.

 O conto é longo e demora um pouco para aparecer a Fera ,  mas ela aparece.  Vale a pena chegar até lá. Daí,  pretensioso, suponho que seja difícil parar de ler.

Uma amiga estava produzindo uma espécie de sarau e pediu que as pessoas lhe enviassem seus escritos. Enviei-lhe esse conto. Como era trabalho para ser lido em público e que talvez pudesse ser publicado, escrevi uma nota introdutória explicando e deixando bem claro que era mera ficção (aproveito e já reitero) e que usei os nomes verdadeiros dos principais personagens porque, por mais que minha imaginação fosse fértil, eu nunca conseguiria criar perfis tão bem acabados para o meu objetivo. Minha amiga leu o conto e a explicação e, inconformada, me ligou:
– Ah, que pena – eu achei que era tudo verdade!!!

Leia o conto e veja se vc também queria que fosse verdade. De minha parte afirmo: não só queria que fosse verdade, como, principalmente, queria ter participado dessa noitada.

Em tempo, quando escrevi esse conto, eles sequer imaginavam fazer um show aqui no Brasil.

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MUITO ALÉM DO JANTAR – TÍTULO DO CONTO

Luis ligou para meu escritório dizendo finalmente ter marcado o jantar na casa dele com Roberto para sábado.

Fiquei uma fera. Era o dia do Show. Embora a imprensa tivesse anunciado que a apresentação no Pacaembu seria única, não era verdade. As grandes estrelas, quando passam por aqui, na mesma noite do show no estádio, costumam se apresentar em uma boate para aproximadamente 500 pessoas. Após esse espetáculo, sempre ficam para o coquetel e jantar. Algumas delas são verdadeiras vedetes. O Pavarotti, na primeira vez em que veio a São Paulo, era um sujeito amável e simples. Pediu para ir jantar com todo mundo em um restaurante típico brasileiro. Tomou uma jarra de batida de limão (de pinga) e comeu vatapá. Agora, depois de ter se tornado um mega star, já se comporta como uma prima-dona. Mas, em geral, são simpáticos. Sobretudo comigo, mulher morena, bonita, sensual com tempero brasileiro e classe européia.

Lógico que esses shows para audiências restritas são sempre muito caros. Nunca menos de 2.000 dólares por pessoa. Eu já havia comprado e pago nossos ingressos. Era uma surpresa para Luís. Só lhe contaria no dia. Afinal, a surpresa acabou sendo minha. Imaginei que durante o jantar, a cada cinco minutos, teria vontade de ir ao banheiro, abrir a bolsa, olhar as entradas e chorar um pouquinho. Poderia até fazer isso. Mas não contaria jamais para ele que tinha comprado os ingressos. Pois sabia que estava almejando a vice-presidência da empresa; o jantar bem produzido com o presidente-executivo, sua mulher, por coincidência filha do acionista majoritário, seria decisivo.

E produção era o que não faltava. Luís pediu que eu cuidasse de tudo. Decidimos o cardápio e não tive dúvidas, liguei para o bufê dos grandes jantares de São Paulo e fiz a encomenda. No sábado, por volta das três, chegam com toda parafernália necessária:

– A senhora escolhe sua toalha de mesa preferida e pode ir para o cabeleireiro que a gente se encarrega de tudo, disse o eficiente e ligeiramente pedante chefe da equipe.

Lembrei-lhe novamente o combinado com o gerente: eles deveriam deixar a coisa encaminhada, eu cuidaria do resto. Às seis, não queria mais ninguém em casa – enfatizei.

Eram verdadeiros artistas. A mesa estava linda, os arranjos de flores deslumbrantes, a comida com aroma indescritível e o bar arrumado de tal forma que eu seria capaz de fazer montes de dry martini de olhos fechados.

O interfone toca, oito horas, pontualmente.

Fomos esperá-los na porta do elevador. Surpresa. Gabriela estava sozinha.

– Papai ligou há cerca de três horas convocando Roberto para uma viagem a Buenos Aires. Agora, devem estar quase pousando. Tá vendo o que te esperava na vice-presidência, Luís? Já que o chefe está longe, acabemos com as formalidades. Sorri, enquanto tira o blazer.

Sob o blazer de Gabriela, uma camiseta de seda preta com alças e decote nas costas até a cintura, velando quase nada do corpo escultural. Luís e eu ficamos embevecidos. Tudo era perfeito: costas, ombros, bocas e seios se destacavam.

– Estou fissurada para experimentar seu famoso dry martini, Elza. Posso ajudar você a preparando os copos.

Pega a faca mais afiada e, em menos de três minutos, põe em cada copo verdadeiras mini esculturas de casca de limão e azeitonas. Ao se inclinar sobre o balcão, os duros bicos dos seios se mostram. Seu sorriso maroto olha para mim e Luís.

– À uma noite de prazeres! – Gabriela brinda.

Quando ponho o último disco de Marina, faz um gesto com o indicador pedindo para nos aproximarmos e, fingindo vergonha, sussurra aos nossos ouvidos:

– Parece coisa de fanzoca boba, vocês vão até rir de mim. Essa camiseta aqui, foi a Marina que me deu. Sou muito amiga dela.

Diz isso, levantando o ombro direito, ao mesmo tempo inclina o rosto até o ombro, com os dedos longos, traz a alça aos lábios, fecha os olhos e beija a blusa.

– Fanzoca boba, nada. Olha o que eu tenho aqui na gaveta, falo enquanto apanho os ingressos.

Luís pergunta por que não falei nada. Em poucas palavras, disse saber que ele queria muito oferecer o jantar ao Roberto. Orgulhoso da minha deferência, sorri.

– Não é possível, diz Gabriela. Se você soubesse o que já deu de briga entre mim e o Roberto por causa deste jantar marcado no mesmo dia dos Rolling Stones. Agora, ele lá com meu pai, certamente se preparando para ouvir tango, e nós três aqui. Aqui e com a cabeça no Mick Jagger!

– A gente pode jantar tranqüilamente e ir para lá, expliquei.

– Mas como, o show deve começar em menos de meia hora?, diz Gabriela.

Ela não sabia da história da segunda apresentação e ficou absolutamente enlouquecida com a possibilidade de ver os Stones cara a cara.

– Luís, tira da cabeça a preocupação com a vice-presidência. Você é o preferido do papai e do Roberto. Também é o meu preferido. Eu tenho 50% das ações da empresa. Vice-presidência é assunto encerrado. Vamos ao prazer, comme il faut: com o dever cumprido e a consciência tranqüila!

Diz isso e acende um baseado que tirou da bolsa, magistralmente enrolado em papel de seda lilás.

– Para todos os prazeres! exclama , como se fizesse novo brinde. Fecha suavemente os olhos e se deleita com uma longa tragada.

– Soube que você se dedica ao estudo do Epicurismo de corpo e alma 24 horas por dia, eu disse.

– Ao estudo diria que dedico só minh’alma e manhãs. A tarde, jogo tênis. À noite, delíros. Pensando bem, acho que meus dias são compostos de 24 horas “epicuristas”: teóricas e práticas – explica, passando o baseado, com a marca e o provocante gosto de seu baton, para mim.

Toma um gole de dry martini e prossegue:
– Escrevo textos para revistas daqui e da França. Não me queixo da vida. Posso fazer o que gosto. Esta noite é o que eu chamo de “meta-delírio-triplo”. A gente está aqui no delírio do dry martini, do baseado, que antecede o delírio do jantar, que antecede o delírio dos Stones, que, sabe lá Deus, pode anteceder outros delírios, diz sorrindo e passando os dedos, úmidos e frios, do contato com o copo, na minha nuca e na de Luís.

– Que tal começar o jantar, ou melhor, o segundo ato do delírio?, sugere, sem jeito, Luís.

– Mais dry martini !

Eu e Gabriela falamos exatamente ao mesmo tempo. Rimos os três. Entrelaçamos os dedos minguinhos, como brincam as crianças, cada uma fez seu pedido, contamos até três, dissemos paf as duas ao desentrelaçarmos os dedos.

– Que ótimo, as duas falaram paf, os desejos de vocês vão se realizar. O que vocês pediram? – pergunta Luís.

– Fiz um pedido para nós três. Quando se realizar, agente vai saber que foi graças a ele. Sempre faço esse jogo e na única vez em que coincidiu de os dois dizerem a mesma coisa, eu tinha feito um super pedido que se realizou na mesma semana! – diz Gabriela.

Ela quer aprender a fazer Dry Martini e diz que me ensina a montar esculturas de casca de limão e azeitona.

Com cinco golpes, suaves porém decididos, prepara as azeitonas e as casca do limão; a mesma eficiência na montagem das mini esculturas. Tão rápido, que não aprendi nada.

Os Dry Martinis seguintes fiz lenta e didaticamente a pedido de Gabriela.

– É inacreditável que uma estudiosa de Epicuro, na teoria e prática , desconhecesse essa fórmula de fumo e Dry Martini como aperitivo. Agora sim, acho que já estamos todos com espírito e paladar preparados para o jantar.

A cada movimento na cozinha e na sala., percebia o profissionalismo do pessoal do Bufê . Grudado na porta da geladeira com um imã, um minucioso passo a passo, datilografado naturalmente, explicava como finalizar cada prato. A musse de salsão deveria ser tirado da geladeira 15 minutos antes de ser servida; o linguado na manteiga com camarão, alcaparra, batata cozida , cogumelo selvagem e arroz com ervas, já nos pratos individuais, esquentar 10 minutos no forno baixo.

Ponho a musse na mesa, abro a garrafa de vinho branco e seco, sirvo água mineral nos copos, vou à sala de visitas chamar Luís e Gabriela.

– Que mesa maravilhosa! Você dever ter tido um trabalhão para fazer tudo isso! – elogia Gabriela.

– Você nem imagina! Você nem imagina! Digo e viro o rosto na direção de Luís para me deleitar com seu sorriso cúmplice. Retribuo com uma rápida piscada e um beijinho no ar.

Luz na intensidade certa, música de câmara ao fundo, vinho datado na temperatura ideal, o sabor exótico da musse: perfeição a serviço do prazer. Gabriela admirava cada detalhe.

– Se vocês tivessem um livro para os convidados assinarem, descaradamente roubaria a frase que uma moça escreveu no livro do saudoso restaurante Pirandello: eu quero morar aqui!

Agradecemos o elogio e ela continuou:

– Sabem quem adoraria esse jantar? Epicuro! Imaginem, o homem iria enlouquecer nessa orgia de prazeres dos sentidos. Ainda com direito a Rolling Stones. Jamais ele voltaria pra Grécia depois de nos conhecer. Certamente acrescentaria no livro dos convidados, na frente do que eu escreveria: EU TAMBÉM!!! E assinaria.

Quando estou na cozinha esquentando o linguado, Luís vem pegar mais uma garrafa de vinho. Enquanto saca a rolha, vira o rosto para mim, me agradece pelo sucesso do jantar e me dá um beijinho na boca. Largo o que tinha nas mãos sobre a mesa, viro-me de frente para ele, abraço-o e damos um longo beijo. Excita-me o roçar dos meus seios em seu macio suéter de cashemere vermelho. Gabriela, da porta, nos observa:

– Eu também quero participar desse amorzinho!

Olhamos sorrindo para ela. Aproxima-se passa a mão em torno de nossas cabeças, dá um suave beijo em Luís e um beijo um pouco mais longo em mim, sua língua pressiona suavemente meus lábios e dentes. Entreabro a boca e nossas línguas se tocam por alguns segundos, ela passa a mão pelos meus cabelos e pescoço. Lentamente se afasta. Sorri. Desta vez, para minha agradável surpresa, Luís não fica sem jeito. Com naturalidade, sorrio. Aquela não era a primeira vez que uma mulher me beijava e, com toda certeza, não seria a última.

Volto para sala de jantar com o linguado. Rolling Stones eram o assunto. Conto que os Stones se apresentaram em várias cidades por onde passei, sempre poucos dias antes de eu chegar, ou uma semana depois de eu partir. Isso aconteceu mais ou menos umas dez vezes.

– Quando Luís me deu a notícia de que o jantar seria hoje, já estava imaginando que o destino queria que eu passasse minha vida toda sem usufruir o prazer dos Stones. Mas, graças a você, Gabriela, parece que vamos conseguir contornar os caprichos do destino. Obrigada. Viro-me para ela, fecho os olhos e mando-lhe um terno beijo de longe.

O linguado e a sobremesa, salada de frutas secas, com conhaque e sorvete de creme – especialidade minha – estavam perfeitos.

– Uma revista de faits divers – frescuras como eu chamo – me entrevistou perguntando qual cardápio escolheria para meu último jantar. Sushi, sashimi e doses reforçadas de saquê, respondi. Se me fizessem a mesma pergunta manhã, tenham certeza de que enumeraria todos os pratos e bebidas deste jantar deslumbrante. – diz Gabriela.

Assim que tomamos o último gole de vinho do Porto, levantei-me e disse:

– Let’ s go! Mick jagger waits for us!

Fomos no carro de Gabriela, um jaguar 2005 branco. Luís entrega os dois ingressos e quatrocentos dólares ao porteiro que, satisfeito, chama o maitre, passa-lhe 150 dólares, e manda que ele nos arranje uma boa mesa.

Melhor impossível: a mesa central da primeira fila. Ficaríamos a pouquíssimos metros dos Stones. Fomos ao banheiro retocar a maquiagem. Cheiramos quatro fileiras de coca sobre uma longa e fina lâmina de ágata preta com um mini cilindro de prata do arsenal que Gabriela trazia na bolsa. Traçamos a estratégia (infantil, mas poderia funcionar como ovo de Colombo).

– Ao delírio, ela diz, antes de abrir a porta do banheiro. Sorrio olhando fundo em seus olhos. Ela se aproxima. Como o show já estava começando, tínhamos certeza de que dessa vez nada iria interromper nosso beijo.

Voltamos ao salão. Tocavam uma balada lenta. Time is on my Side. Jagger, no primeiro momento, fuzila-nos com seu olhar e, em seguida, entre dois versos, diz, irônico, porem carinhoso: Wellcome. Com um pouco de vergonha, mas envaidecidas com o cumprimento, julgamos que essa passagem facilitaria o plano.

Pode parecer pretensão minha, mas, pelo menos em relação aos homens, sentia que Gabriela e eu roubávamos um pouco a atenção da platéia. Seu eu disser que até entre os Stones percebia-se uma certa fissura por nós duas, serei taxada de megalomaníaca? Mas era o que estava acontecendo. Keith Richards chega perto de Jagger, sussura-lhe algo nos ouvidos, e também nos cumprimenta. Sorrimos todos.

Por em prática a etapa seguinte, agora que o objetivo estava atingido, seria até covardia, mas éramos maquiavélicas.

Gabriela e eu nos entreolhamos. Com um sinal afirmativo, decidimos que o momento estava próximo. No intervalo entre as músicas seguintes, levantamos-nos e, lenta e sincronizadamente , tiramos nossos blasers. Platéia e Stones não desgrudam os olhos de nós duas por uns cinco minutos.

Durante o coquetel, eles cumprimentam, um a um, todos os presentes. Deixam nossa mesa por último. Jagger e Richards perguntam a Luís se podiam juntar-se a nós. Pedimos duas cadeiras ao garçon.

– And a bottle of Borbon, for us.

Não precisamos nem traduzir. Antes do show, os garçons haviam levado garrafas e garrafas de borbon para eles e toda a troupe.

Não se passaram nem quinze minutos, quando a conversa estava fluindo legal, Jagger é chamado pelo empresário para uma festa na casa da filha do patrocinador da turnê. Não esconde sua decepção:

– Todos na banda trabalhamos duro, mas os melhores frutos quem colhe são sempre eles quatro. Isto há quase trinta anos.

Colher frutos? – pensei. Tá certo que era o que eu e Elza desejávamos : transformar aquela noite num imenso pomar. Mas vai ser direito assim lá no primeiro mundo!

Jagger despede-se com um abraço em Luís, um beijo no rosto de Richards e de nós duas com fugazes, porém deliciosos, beijos na boca.

– Finalmente um carro de verdade – diz Richards ao ver o Jaguar de Gabriela. Pensei que aqui no Brasil só houvesse as carroças do Collor pro povão e esses carrinhos japoneses dos yuppies.

– Que tal mais rodada de salada de frutas e bebidas na casa de vocês? – sugere Gabriela.

Gabriela faz uma descrição tão entusiasmada de todo o jantar, sobretudo da salada de frutas, que Richards brinca.

– Vocês não sabiam que os carros ingleses voam nas horas de emergência. Isto é uma emergência, ele diz pro carro e ordena: Voe.

Gabriela acelera para voarmos “dentro da madrugada veloz” sobre a pista da Cidade Jardim.

Luís e eu voltamos para sala com a salada de frutas, Gabriela e Richards beijavam-se. Convidam-nos para sentarmos. Ela sugere um reforço de fumo para aguçar os sentidos.

– Eu sou um cara de sorte. Estou aqui com o que o Brasil tem de mundialmente famoso: suas mulheres e sua maconha.

Dá uma tragada, um beijo em Gabriela, nova tragada, e me beija com fissura. Ao mesmo tempo, Gabriela dá um longo beijo em Luís, que lhe acaricia os seios por dentro da roupa. Fingindo um pouco de indecisão , Gabriela tira a blusa. Antes de recomeçar a beijar meu namorado, aproxima-se de mim pelas costas e, dizendo querer solidariedade, também tira minha blusa e me dá um longo beijo na nuca acaricia-me os peitos e sussura-me aos ouvidos:

– Eu não disse que meus pedidos na brincadeira do pif-paf sempre se realizam.

Richards pega seu copo e brinda:

– Aos prazeres que Mick deve estar desfrutando na casa da filha do empresário!

Morremos de rir do seu sadismo.

Acordamos, os quatro na cama de Luís, às onze horas da noite do domingo.

Gabriela não parava de rir:

– Pretensiosa como ninguém, na minha cabeça, o Caetano tinha feito a música Totalmente Demais para mim. A partir de agora, vou passar a considerar mais essa hipótese.

Às gargalhadas, resumimos a música e traduzimos a teoria de Gabriela para ele, que emendou com uma dúvida :

– Me digam uma coisa, todas as noites de vocês são assim???

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Gostou???  Outro dia, em um bar despretencioso para almoçar, vi uma jovem com o livro. 

Peguntei se ela estava gostando – ela me disse que sim.  Sugeri que ela lesse esse meu conto.  Veja o comentário que ela deixou no post:

“Seria uma noite que valeria por mil e uma!”

Fica difícil discordar!!!

Mangueira d´água e Wap Não São Vassoura!!!

No hall do  Cine Sabesp – Fradique Coutinho, 361, em Pinheiros – há um aviso.

“Você sabia?  Usar a mangueira como “vassoura” durante 15 minutos pode desperdiçar 280 litros de água.”

E o que mais se vê, a partir de quartas, quintas e sextas- feiras???  Faxineiros de prédios e residências fazendo exatamente isso: varrendo áreas externas  e até calçadas com a tal da maquininha/lavadora Wap.  Os funcionários estão cumprindo ordens de donas de casas  e síndicos “zelosos”.  “Zeloosos” mas sem um mínimo de bom senso; consciência ecológica, então, certamente nem lhes passa pela cabeça.

Além do desperdício, poluição sonora estúpida e desnecessária: já que três ou quatro baldes de água e escovão fazem exatamente o mesmo serviço.

Nem Morto tem Sossego!!!

“Rio Desenterra Corpos para Sepultar Mortos da Tragédia” (Manchete do Jornal da Tarde de Hoje).

Ainda na primeira página, a explicação que Teresópolis teve  seis dos nove cemitérios destruídos, obrigando a Prefeitura a tomar tal medida.

É absolutamente espantoso  constatar que nem mesmo depois de morto, não se tem – ou os corpos não têm – direito a sossego.

Não dá para atribuir culpa a quem quer que seja no caso.   É apenas Aterrorizante

“Enquanto Isso”… Você Ri o Tempo Todo

Exercendo o “poder” da crítica não especializada,  segue sugestão de Teatro.

A Trilogia ENQUANTO ISSO (Na Sala de Jantar; Na Sala de Estar e No Jardim) de Alan Aycbourn,  no Teatro Folha é diversão e muita risada  garantidas. (Ver Ficha Técnica no Final).  “Trilogia de formato único no mundo, as  três peças independentes  levam ao   espectador  o que se passou em uma casa de campo durante um final de semana.”

Nilton, que se julga “um presente dos deuses” para o sexo feminino, tem planos de levar Aninha, irmã de sua mulher,  para romântico fim de semana.  Embora a proposta seja de romantismo, o local escolhido, ou o único que estava de acordo com o bolso do “esperto e econômico” amante,  é Mogi das Cruzes, cidade que não é famosa por seu charme ou clima favorável  a romances, propriamente ditos.  

Como Aninha é quem cuida da mãe, são chamados o seu irmão Celso e a cunhada Laura  para a tarefa.  Ainda entram na história o ingênuo Rui, veterinário ligeiramente tardo, apaixonado por Aninha e Júlia, hilária e bonita atriz  que, embora  míope, nunca está de óculos. Talvez Nilton se julgue esse fantástico  presente  para  sexo feminino por culpa das próprias mulheres. Todas desconfiam da lábia barata dele, mas… 

As três peças são independentes e podem ser assistidas em qualquer ordem e, cada uma delas, embora faça parte de um todo, tem  enredo/história completo (a).

Ficha Técnica e Serviço (enviados por  correio eletrônico  do  Teatro Folha ). Confira  os horários e já reserve  os ingressos.

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia: Alan Ayckbourn

Direção geral e tradução: Isser Korik

Elenco: Bruce Gomlevsky, Bruna Thedy, André Corrêa, Einat Falbel, Fábio Ock e Julia Carrera.

Concepção de Cenários: Gilberto Gawronski

Concepção de Figurinos: Osvaldo Gonçalves

Iluminação: Isser Korik e Paulo Henrique Jordão

Trilha Sonora: Fábio Ock

Equipe Técnica: Jardim Cabine / Coordenação Geral: Max Schiftan    

Coordenação de produção: Isabel Gomez

Assistente: Manuela Figueiredo

Assistente de Direção: Luzia Meneghini e Paulo Henrique Jordão

Realização: Conteúdo Teatral

 

Serviço:

Local: Teatro Folha

Temporada: até 27 de março

Dias e horários – Janeiro

Na Sala de Jantar – Quartas e quintas, 21h

Na Sala de Estar – Sextas, às 21h30 e domingos, às 20h

No Jardim – Sábados, 20h e 22h

 

Ingressos*: quarta a sexta –R$ 30 (Setor 2 ) e R$40 (setor 1)

Sábado – R$ 50 (Setor 2 ) e R$ 60 (Setor 1 )

Domingo – R$ 40 (setor 2) e R$ 50 (setor 1)

Combo para as três peças : R$ 90,00 (30,00 cada)*

Duração: 80 minutos (cada peça)

Classificação indicativa: 14 anos 

*Valores referentes a ingressos inteiros. Meia entrada disponível em todas as sessões e setores de acordo com a legislação.

Televendas de ingressos 38232737

Endereço do Teatro Folha Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 2. Piso – Telefone, o mesmo do Televendas.

Piada, oportuna ou não, boa piada

Piada para contar quando o assunto for chuvinha, não tragédia.  Aí é mau gosto!!! 

Pois bem, chuvinha intermitente.  Sujeito na igreja, durante o sermão, estala os dedos e se pergunta:

– Onde foi  que eu deixei meu guarda-chuva???

O sermão continua.  O padre diz:

– Não devemos cobiçar a mulher do próximo.

O sujeito, estala de novo os dedos e,  diz para si próprio:

– Lembrei…!!!

O “Poder” da Crítica não Especializada

Li certa vez que você e eu  exercemos muito mais poder de convencimento sobre nossos parentes, amigos e conhecidos do que um crítico especializado.  Quando o leitor se depara com uma crítica propriamente dita no jornal/revista/internet ou, seja lá o canal que for, ele pensa mais ou menos assim:

 Sei não, esse cara aí deve ser todo intelectualizado. E  certamente,  se ele está gostando desse filme/peça, é porque ele consegue perceber coisas que eu talvez não perceba e por isso  eu nem vá  gostar  por ser algo complicado demais. 

Desse modo, lançando mão dos meus exemplos radicais, conclui-se: para a milionária indústria cinematográfica americana, é muito mais importante e tem muito mais poder de convencimento se seu vizinho ouvir de sua boca que você gostou muito de determinado filme, com orçamento de dezenas de milhões de dólares,  do que se ele ler isso na imprensa. 

Exemplo rápido e definitivo.

Meu   ótimo amigo e ex-vizinho de parede  José Eduardo, quando colocou a filha Giovana na escola, já com cinco anos de idade, me disse que tomou aquela decisão a partir de conversa que tinha tido comigo quatro anos antes.  Na ocasião reproduzi o que ouvi de talentosíssima pedagoga em palestra.  Dizia ela – tudo isso há uns 25 anos -:

– A escola massifica.  Pois bem, alguém pode argumentar que todos nós aqui fizemos escola, mas  somos críticos e temos bom senso.  Acontece que nossa geração entrou na escola com cinco, seis anos.  As crianças hoje vão para berçários com meses e pra “pré-pré-pré -maternalzinhos” com menos de um ano de idade.

É óbvio que pouco entendo de educação, mas minha opinião assertiva e ponderada  foi  fundamental  na vida da filha de um amigo. 

Voltando às críticas não especializadas, agora já com um pouco mais de prestígio (para as críticas, não para mim).

Fiz alguns cursos de cinema, estudei pouca coisa sobre teatro na faculdade e entendo razoavelmnte de gastronomia.  E é exatamente esse conhecimento pouco superficial (sobre gastronomia entendo um pouco mais)  que tenho acerca desses assuntos que, paradoxamente, me credencia para fazer críticas e comentários de boa aceitação para o leitor comum que está a busca de opinões de comuns como ele sobre os mais diversos temas.

Por isso, nessa categoria CRÍTICA NÃO ESPECIALIZADA vou dar opinião de leigo sobre os mais diversos assuntos.  Aqueles que, além de gostarem da maneira como eu escrevo, me considerem sujeito de bom senso podem, de vez em quando, dar ouvidos/passar os  olhos às (por)  essas minhas críticas sem critérios rígidos. 

Desejem-me boa sorte!!!

Apresento Ricardo Soares. Satisfação Garantida Para Qualquer Leitor e Ouvinte!!!

Meu amigo e mestre Léo Nogueira no seu Blog O X do Poema tem uma simpática seção – Ninguém me Conhece – em que traça perfis de excelentes e não tão famosos artistas. Dessa vez, fala de outro amigo comum (meu e dele) Ricardo Soares, fabuloso compositor/cantor  que ganhou o Festival da Globo de 2.000.

http://www.oxdopoema.blogspot.com/ – adicione a seus favoritos – vale a pena.

Colo o texto abaixo com direito a links para músicas e páginas do Caiubi e do Ricardo.
 

A FORTALEZA DE RICARDO SOARES – Por Léo Nogueira


Eu estava no Credicard Hall naquela noite e, admito, fiz coro com a multidão que vaiava o moço que, tímido e aturdido, tentava entoar os belos versos de sua ieieiística Tudo Bem Meu Bem. No meu caso, as vaias eram por motivos tendenciosos, que nada tinham a ver com a questionada qualidade da campeã. Eu vaiava porque torcia pra Xi – De Pirituba a Santo André, dos amigos e parceiros Rafael Alterio e Kléber Albuquerque, que tinha ainda na banda de apoio, entre outros, meu brou Élio Camalle. Mas o moço não estava nem aí. Com garra (e certo ar blasé) defendia sua canção e seu direito aos muitos reais que o primeiro lugar lhe conferia. Ah, refiro-me ao pomposo Festival da Música Brasileira, realizado pela Rede Globo em 2000. O nome do moço: Ricardo Soares.

O tempo passou, e um dia fiquei sabendo que Ricardo Soares (RS, como seu Estado) entrara na RSMB (leia texto sobre Adolar Marin). Tempos depois o conheceria pessoalmente num show coletivo dessa rede e poderia rever meus (pre)conceitos a respeito do moço. Naquela ocasião ele apresentou, se não me engano, três canções. Confessara-me pouco antes que passara dias ensaiando pra não fazer feio ali no palco do falecido Crowne Plaza (repararam como todas as boas casas de Sampa estão fechando?). Afinal, eram rocks compostos pra apresentação com banda, e no Crowne ele tinha a companhia apenas de sua pobre (mas honesta) guitarra. As melodias me pareceram, à primeira audição, passáveis; o intérprete tinha um quê de canastrão; mas a qualidade das letras era inegável. Eu via ali em ação um compositor em formação (desculpem o eco).

No regulamento do festival da Globo constava que o compositor da canção vencedora, além do prêmio em dinheiro, teria direito à gravação de um disco a ser lançado pela Som Livre. O disco nunca saiu, os motivos nunca vieram a público. A Globo deu a impressão de ter dado um tiro no próprio pé ao não abrir espaço em sua programação aos artistas ali revelados (revelados?). Já nosso herói, impedido de ter suas outras canções descobertas pela massa, encontrou no palco (muito menor, mas muito mais caloroso) do Caiubi o que procurara no do Credicard Hall: público! E foi lá que nos reencontramos. Pois RS deixara a RSMB e eu acabara perdendo contato com ele. Quando o revi no Caiubi, o cara era outro. Seguro de si, com canções maduras, letras cada vez melhores e uma presença de palco de encher os olhos. O tempo transformara a pedra bruta em pérola. Eu mal podia crer que se tratava da mesma pessoa. Pensei com meus botões que, se por um lado a não-gravação de seu disco foi uma injustiça, por outro deu-lhe tempo pra, longe dos holofotes, crescer enquanto, digo, como artista. No mais, não sei realmente se o possível contato dele, ainda verde, com o enfurecido público do Credicard Hall, multiplicado por milhões Brasil afora, não lhe iria ser menos benéfico que maléfico. Viu morrer a chance de se tornar um pop star, em compensação teve tempo, paz e tranquilidade pra depurar sua arte.

De lá pra cá já assisti a alguns de seus shows e posso afirmar que RS é um daqueles (raros) artistas a quem pouco importa se tem pela frente dez pessoas na plateia ou dez mil. Cada apresentação sua é feita com o gás de quem disputa uma final de Copa do Mundo. Diria mesmo que, quando ele fecha os olhos e ouve o público cantar a plenos pulmões “todas as minhas lágrimas correm pro mar/ por isso que o mar é salgado, meu amor/ de tanto eu chorar”, seu espírito se eleva e ele se sente como se estivesse no Rock’n’Rio. Seu sorriso feliz e maroto deixa quase transparecer esse segredo, pois ali, o palquinho de 3×4 m toma outras dimensões.

RS vem da escola de outro RS – Raul Seixas. E de Leonard Cohen. E de Dylan. E, por que não?, de Adoniran. É um cantador de histórias. Vale-se da melodia como ferramenta de seus cantos/contos. Por isso, não acredita em muitos acordes. Repete os mesmos de sempre, com poucas variações, e alcança resultados inacreditáveis. Pensando a respeito do que acabo de afirmar, posso acrescentar ao time acima escalado o Rei, Roberto Carlos, a quem ele até já citara em sua consa(n)grada Tudo Bem Meu Bem: “Eu era um Rei sem Erasmos/ eu era o marasmo de um jogo sem gols/ você me trouxe o tango, o bebop, o mambo, o rock’n’roll”. Convenhamos: bom gosto não falta nesses versos.

Sou parceiro de RS em duas canções, o que pra mim já é uma vitória, pois o moço se garante com suas próprias letras. Zé Rodrix, seu grande admirador (e divulgador) teve que praticamente lhe assaltar uma letra pra virar seu parceiro. E (glória maior) chegou mesmo a cantar uma canção dele, RS, no show que fez que viraria DVD e não chegou a sair. E ter o Rodrix como admirador conta muitos pontos em favor de qualquer artista. O que lhe tira pontos, em minha opinião, claro, é essa cabeça dura canceriana que não o deixa fazer mais as vezes de letrista mesmo e explorar sua poesia em melodias alheias. Eu adoraria ouvir o resultado de tais experimentos. Um exemplo disso é o fato de que alguns de seus maiores sucessos são parcerias com outro hitmaker: Sonekka. Mas cada artista tem seus motivos e barreiras. Deixemos que o tempo, que o tem tratado bem, cuide do assunto. Por ora, basta a nós outros, poucos privilegiados, poder vê-lo de perto em seu Rock’n’Rio particular, o Caiubi (por ora residindo no Bagaça). Tomara que não lhe baste!

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Ouça algumas das fortalezas de RS aqui. 

http://clubecaiubi.ning.com/profile/OXdoPoema

Leia as letras aqui.

http://clubecaiubi.ning.com/profiles/blogs/ricardo-soares

RS também está no Caiubi

http://clubecaiubi.ning.com/profile/RicardoSoares

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Ouça as músicas e responda: 

E aí, tenho ou não razão quando uso o adjetivo formidável para Definir o Ricardo???  Certamente sim.  Se errei, errei junto com o Juri do Festival da Globo que deu o primeiro prêmio em 2.000 para ele.  

Antes, todas as segundas-feiras,  o Ricardo batia ponto nas Segundas Autorais do Caiubi, era fácil encontrá-lo.  Atualmente não sei se está se apresentado regularmente.  Quem quiser saber, pode me escrever que eu descubro.

Paradoxo e Afronta que Bancos/Banqueiros Impingem à População

É crônico. É paradoxal; aliás, duplamente paradoxal. E irrita/revolta.

Indústria e comércio, na medida em que vão aumentando venda/faturamento, aumentam também suas instalações. É óbvio.

Qual o setor que mais tem visto crescer seu faturamento/lucro nos últimos anos???

Bancos/banqueiros!!!

E ao que se assiste nos Bancos???? Agências em funcionamento há mais de uma década, quando população e demanda eram infinitamente menores, foram construídas com número determinado de caixas. Ao iinvés de se multiplicarem esses caixas, acontece justamente o contrário. Banqueiros e seus gerentes mantêm permanentemente guichês sem funcionários. Hoje, na hora do almoço, quando mortais engolem sanduíches afim de ganhar tempo para pagar contas, dos cinco caixas de Banco Oficial Federal em Pinheiros, apenas 2 estavam atendenddo. E todo mundo sabe que isso acontece em todo banco, oficial ou privado.

Alguém discorda de que seja MUIIIIITO PARADOXAL E REVOLTANTE????

Trata-se de afronta que precisa acabar agora. Afinal, isso não é nem um pouco compatível com o Slogan do Governo Passado: Brasil, um País de Todos. Só se for todos em filas inerminááááveissss!!!!

E a lei que limitava o tempo de espera nas filas de bancos??? Não pegou (como dizia minha professora de francês) ??? Ou foi revogada??? (que é a mesma coisa que não pegar, porém oficial e legalmente – com o perdão pelo “lei pegar legalmente”). Só rindo, embora seja caso pra chorar mesmo!!!

Política/Políticos, nhe nhem/nhe nhemzeiros

Política e noticiário político, quando o assunto é política propriamente dita, são coisas de difícil e desnecessária compreensão para o cidadão comum. Diariamente bato os olhos no Painel da Folha. Tento ler uma notinha: aquele nhe nhem de sempre; tento a segunda notinha, o mesmo. Quando há ilustração, fico atraído e leio. A ilustração é sempre boa; conteúdo, nhe nhem. Pois não é que hoje, por conta da ilustração (sempre e apenas a ilustração) no Painel, tomei conhecimento de medida interessante do governador e até rendeu comentário aqui pro Boca.

http://bocanotrombone.ig.com.br/2011/01/07/alckmin-determina-resposta-imediata-para-demandas-e-queixas-dos-cidadaos/ Se não entrar pelo link, basta ler o texto abaixo.

Quem quiser ler as outras notícias do Painel da Folha de hoje pode me dar ou negar razão. Digo: é tudo nhe nhem. Não por culpa da Editora da seção, mas por conta da natureza do Tema e dos que atuam no tema: os políticos, bando de nhe nhemzeiros!!!
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0701201101.htm

Talvez os links não entrem. Não é culpa minha. Copiei e colei direitinho. Quem sabe pelo endereço eletrônico da Folha: folha.com.br. Certamente, apenas assinantes tem acesso garantido.