Jantar Perfeito – Edição de Março

E a nova edição daquele Jantar Perfeito Sem Filas e com preço Justo, mencionado duas vezes aqui no Boca,  já tem data marcada.  Será sábado 23 de março. Se quiser ler, a respeito das duas vezes a que fui, lá vão os links.

No clique aqui 2, conforme vocês vão ver,  para poder desfrutar do vinho e não gastar mais em taxi do que no jantar, fui de metrô e até de trem.  Valeram a pena o sacrifício e a economia.  Gastei tostões para chegar, bebi a vontade e voltei de carona com duas convidadas que me deixaram na porta de casa.

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Dia 23, estou lá de qualquer  jeito. Para quem tiver interesse em ir, há mapa do caminho das Pedras  no primeiro texto.

Abaixo,  as fotos do Camarão Thai para dar água na boca e também da mesa posta, já que o visual bonito é imprescindível

Uma delícia
Bonito????

Tragédia na Boate Kiss, A Descontrução do Estado Continua – Armando de Oliveira Neto*

Assim que cheguei de volta a S. Paulo, no  fim de janeiro,  depois do incêndio na boate kiss, que já  causou a morte de 241,  pedi  para o psiquiatra amigo Armando texto a respeito de como as pessoas consomem com avidez notícias e detalhes de tragédias.  Pensava em uma explicação de o porquê isso acontece.  Armando, entretanto, me informou que abordaria outros aspectos do tema.  Fez o texto a seguir fora no interior, mas o pen drive em que salvara o arquivo apresentou defeito.  Só agora, conseguiu recuperar o arquivo   original.  Abaixo, as considerações dele, que jamais deixam de ser oportunas.

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Santa Maria e o Estado

A  tragédia ocorrida na boate Kiss, município de Santa Maria, certamente consternou toda a nação brasileira e o mundo.    No entanto gostaria de apresentar uma das possíveis leituras sobre o tema, tão documentado e falado pelos Brasis afora: a desconstrução do Estado brasileiro.

Em Medicina,  chamamos sintomas às manifestações dos mecanismos íntimos das doenças, a fisiopatologia: um germe, ao atingir determinado órgão, produzirá uma reação específica do organismo para combatê-lo (febre, dor, falta de ar, desmaio etc.) e a expressão física dessa luta entre microrganismo e o sistema de defesa são os sintomas.

O que ocorreu em Santa Maria é “uma crônica de uma tragédia anunciada”, ou seja, uma manifestação sintomática de uma fisiopatologia social em andamento, que se pode observar também espraiada por qualquer atividade em nosso mundo pequeno.  Exemplo: a rua  em que moro foi recentemente asfaltada. Pode-se notar que a cobertura é extremamente porosa e, próximos à esquina, dois buracos de cerca de trinta centímetros.

Onde está o sistema de controle de qualidade, de responsabilidade do Estado?

O gato comeu!!!

Mas o bichano é inocente: a controladoria está devida e “convenientemente” repousando, não em almofada de veludo escarlate, mas sim em algum saco de dinheiro, fruto de “acerto” entre empresariado e funcionários de tal repartição estatal, dentro da perversa lógica do “criar dificuldades (leis, regulamentos, normas, licitações, etc.) para se vender facilidades (o descarado suborno)”.
Essa praga mundial – amplamente divulgada por ONGs, como a Transparência Internacional – a corrupção está presente em todas as esferas de nossa sociedade, assim como sua irmã gêmea, a impunidade, mais notoriamente em países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos.

Santa Maria foi a mais gritante expressão dessa prática hedionda , nos tempos atuais:

1. O empresário ganancioso que construiu o seu “pulgueiro/armadilha” dentro das mais requintadas e eficientes normas para o barateio da obra, com economia a qualquer custo.

2. As estruturas fiscalizadoras do Estado, os fiscais e suas cadeias de comando que fazem votos de silêncio administrativo, sob a tutela anestésica do vil metal.

Dessa forma,  entendo que o ocorrido naquela triste noite de horror é um sintoma desse mecanismo decorrente da relação corruptor-corrupto, o agente patogênico, e o povo, o doente final.

Não é de hoje, pois,  a máxima citada acima data do Brasil colônia e tenho certeza que continuará por gerações de brasileiros, como previu Mino Carta, no programa Roda Viva da TV Cultura, há uns vinte anos: o país terá jeito em 250 anos.

A ausência do Estado fiscalizador (Executivo) e a consequente impunidade (Legislativo e Judiciário) são o resultado de um casamento entre o empresariado, ganancioso, e o sistema fiscalizador, que corre à rédea solta e é expressão sintomática da DESCONSTRUÇÃO DO ESTADO.
Como marco simbólico desse movimento aponto, à semelhança do primeiro tear mecânico como data do início da era industrial, a reforma dos Ministérios da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, convenientemente transformado em Ministério da Defesa, sob o comando de um civil, como forma de silenciar um setor do Estado que poderia representar uma possível ameaça ao sistema de não fiscalização do Estado.

Há algumas décadas o Sr. Agnelli, no pátio da FIAT, em Milão, discursou para os operários denunciando aquele casamento e divorciando o empresariado do Estado e propôs uma nova aliança entre o empresariado e os trabalhadores, culminando com o programa do judiciário italiano denominado “Mãos Limpas”. Mas durou pouco, após o assassinato do juiz que encabeçava esse movimento.

No Brasil,  houve a tímida investida do Sr. Antônio Ermírio de Moraes, que nem chegou a decolar, após sua derrota nas urnas, e o povo tem o que vota, ou o que merece.

Voltando à Medicina, a morte também traz um somatório de sintomas que a anunciam, possibilitando aos médicos preverem sua chegada.

E quanto ao falecimento do Estado?  Quantos outros sintomas serão precisos para que haja o diagnóstico de morte do Estado?

Mensalão, dinheiro na cueca, enriquecimento ilícito de funcionários públicos, escândalo em cima de escândalos a perder as contas; e quantas mais Santas Marias serão necessárias?

Que Deus nos proteja, pois se depender do Estado…

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Muito sério o que Armando expôs.  Já havia tratado do tema também, mostrando como a tal da impunidade vai gerando, ou impedindo, que novas tragédias se repitam; e não só no Brasil, mas no Mundo.  Se quiser ler, clique

* Armando de Oliveira Neto
Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodram

Não acredito nem atropelo duendes, mas….

Anos atrás, adesivo em muitos carros pela cidade, certamente de místicos,  trazia os dizeres:

– Eu acredito em Duendes.

Algum gaiato colocou no seu automóvel:

– Eu atropelo Duendes.

Não acredito, menos ainda atropelo duendes ou quem quer que seja.

Eu  sempre fui   cara gentil no trânsito (e também por essa vida afora), desde que tirei carta.  Mas, em hipótese alguma,  dou passagem para esses carros de vidros nigérrimos quando eles precisam entrar na minha frente.

Mera questão de lógica:  se eles não querem, ou não podem,  ser vistos, tenho imenso prazer em ignorá-los.

Imitando a  garotada de hoje, simples assim.

Aliás, como é que esses carros continuam circulando????

Perdão por escrever o óbvio, mas conduzir veículo, mesmo em picadas ou vielas  dentro de um sítio, pressupõe que o motorista enxergue – com perfeição – 360º (para isso que existem os espelhos externos).

Sinceramente, não consigo entender como esses carros continuam circulando pelo país – quiçá pelo mundo, mas isso eu não sei.  Será que só eu estou vendo isso???  Será que há insulfilme nos olhos e cérebros das autoridades para continuar permitindo esse absurdo???

Meu carro continua com vidros originais e eu continuo não atropelando duendes e não dando passagem para esses escondidinhos no escurinho!!!

Até aí, estamos empatados.  Mas e quando eu preciso  entrar na frente de um carro, olho para pedir passagem e não consigo exergar se há alguém lá dentro…

Em tempo, exame de vista para habilitação desses infelizes deveria ser feito da seguinte maneira.  Bota o sujeito sentado, bota as letrinhas e entre o elemento e as letrinhas dois vidros nigérrimos, um dele e o outro do outro carro.  Sem luz, naturalmente, já que os carros andam com insulfilme à noite também.

Piadas de mau gosto, a gente vê o tempo todo por todos os lados, mas isso implica em imensa falta de segurança no trânsito.  São vidas postas em risco por conta dessa imbecilidade

Para quase terminar,  encontrei-me com algumas colegas do tempo de faculdade em um restaurante.  Na saída, observei que nehuma delas tinha esses vidros nigérrimos.  Fiquei orgulhoso.

Espero que para terminar mesmo.  Disse para outro amigo de quem me despedia na calçada  que achei legal que os vidros do carro dele fossem transparentes.  A resposta:

– Mas é lógico.  Eu sou uma pessoa de bem;   os bandidos é que precisam se esconder !!!

Menor Slam de Poesia do Mundo, Logo Mais Na Paulista

Mais uma edição do Menor Slam de Poesia do Mundo, a partir das 19:30 de hoje na Casa das Rosas, no começo da Avenida Paulista, em S. Paulo.  Trata-se de batalha de poemas de até 10 segundos,  mediada por Daniel Minchoni.   Se você escreve poesia, tem o poder da síntese, não deixe da participar.  Se apenas gosta de literatura, não deixe de ir, é muito legal mesmo e tem metrô bem ao lado.

Mais informações, regulamento clique

Para já entrar no clima, veja a bem humorada chamada do poeta Minchoni – clique

A Desconstrução do Estado II – O Jogo do Corinthians – Armando de Oliveira Neto*

Armando, médico psiquiatra que sempre escreve aqui no Boca, está devendo suas sensatas reflexões sobre a tragédia na boate kiss, onde morreram mais de 230 pessoas, no fim de janeiro.  O texto já está pronto, mas no computador da chácara dele;  a cópia do pen drive apresentou problemas.  Minhas considerações sobre o jovem morto em jogo recente do Corinthians já foram feitas.  Conheça agora outra abordagem do tema.

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Recentemente foi noticiado  que alguns torcedores do Corinthians conseguiram liminar, emanada do Poder Judiciário, para assistir ao jogo, no Estádio do Pacaembu.
Esse acontecimento poderia pertencer ao anedotário futebolístico simplesmente, mas entendo que esconde uma realidade muito mais cruel e perversa, como explico.

Cronologicamente, salvo melhor juízo, temos que:

1.    A Conmebol, organizadora da competição futebolística em tela, emanou o Regulamento.

2.    Todos os times, que nela se inscreveram, acataram esse Regulamento.

3.    Durante o jogo, a que se refere a notícia, houve a utilização de um artefato pirotécnico, um sinalizador, que provocou a morte de um torcedor do time adversário.

4.    Por infração ao Regulamento, que proibia o uso desse tipo de manifestação, o time do Corinthians foi punido com o bloqueio do acesso dos torcedores aos estádios, com o consequente prejuízo financeiro, o que ocorreu.

5.    Alguns torcedores, inconformados com a punição, entraram com pedido de liminar, na Justiça, tentando fazer valer os seus “direitos de consumidor”.

6.    Até aí, tudo bem, mas eis que, para surpresa, pelo menos minha, emerge, das entranhas do Poder Judiciário, uma autorização para que esses torcedores assistissem ao jogo seguinte.

É esse último passo que concentro minha análise, como a seguir exploro.
1.    Há uma Lei/Regulamento específica da competição.
2.    Houve uma transgressão a essa Lei/Regulamento.
3.    Houve a aplicação da Lei, com a consequente punição.
4.    O Poder Judiciário, que deveria ser um baluarte em defesa das Leis, de qualquer natureza, inclusive a desportiva, simplesmente esmaga, com a liminar, a Lei/Regulamento.
5.    É a Lei ignorando e destruindo a Lei.

Ora, o que tal situação pode deixar de lição para o povo brasileiro?

Nada menos, nada mais, que a confirmação daquela máxima entre os advogados: “Lei não foi para ser cumprida, mas sim interpretada”, ou, na fala de certa autoridade do passado, “a Lei… ora a Lei…”!!!

Pode-se passar a entender que, para qualquer situação, o que vale é o interesse pessoal, como o de consumidor na questão aqui focada, e o respeito e a aceitação à legislação é um mero detalhe inoportuno, com a crescente descrença nas instituições de Estado.

Autofagicamente é o Poder Judiciário em ação, levando consigo o Legislativo também, em importante contribuição ao conceito que o Brasil é o país da impunidade.

Desta forma entendo que foi dado mais um passo no processo perverso de DESCONSTRUÇÃO DO ESTADO, impetrado no cotidiano de nossa historia.

Que Deus nos proteja, pois se depender do Estado…

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*Armando de Oliveira Neto
Médico Psiquiatra Aposentado do Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica
Do Hospital do Servidor Público Estadual
Médico Assistente do Hospital Infantil Cândido Fontoura
Professor/Supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama

Cachorro lambendo Pires na Padaria.

O búfalo  (sujeito que não tem idéia do que seja educação), há pouco, usando mesa baixa em uma padaria,  colocou o cachorro no colo que ficava fuçando por ali.  Não satisfeito, o búfalo derrama um pouco de café com leite no pires   e bota o cachorro para lamber.

Como eu digo,  classe e educação têm limite, ou seja, você consegue imaginar alguém tão educado quanto membro de alguma família real;  para cima disso não há mais nada.  A barbárie, infelizmente,  não (não tem limite).

Apontei o fato para o dono, por sinal português, embora não seja  tosco como costumam ser seus colegas donos de padaria.  Ele disse que jogaria o pratinho no lixo.  Medida prática mesmo, não tomou.

Curioso que hoje em dia todos os lugares têm segurança.  Não sei  que função  exercem.  Talvez estejam espalhados por aí para evitar que de  uma mera padaria surja um novo 11 de setembro.  Até para justificar o salário que se paga para o segurança, não era o caso de o  dono da padaria mandar o segurança  ir à mesa do búfalo, tirar o pires, quebrar  e, na frente de todo mundo, dar uma bela esculhambada no sujeito???