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Que tal Mergulhar no Fascinante Mundo das Bebidas???

Vinho é apenas uma das inúmeras bebidas apreciadas pela humanidade.  Entender de vinho na teoria e prática é interessante.  Como também é interessante se aprofundar um pouco mais nas outras  bebidas que existem por esse nosso Mundo vasto Mundo.

A partir de depois de amanhã, a Fundação  Ema Klabin promove curso A História das Bebidas,  de três aulas,  ministradas  por Cínthia Gama Rolland,  conselheira científica do Departamento de Antiguidades Egípcias do Museu do Louvre.

“Neste curso pretende-se fazer uma apresentação da história, do consumo e da relação entre homens e bebidas (alcoólicas ou não) passando tanto pela religião quanto por teorias médicas, variações históricas e sociais no consumo das mesmas.

“Quando se pensa em história da gastronomia, sempre se dirige para uma análise dos alimentos e grandes banquetes, sem se ater às bebidas, fundamentais desde os primórdios da humanidade”, salienta Cíntia Gama.

Cínthia, além de  Conselheira científica no departamento de antiguidades egípcias do Museu do Louvre, é  professora de História da gastronomia na FMU. Doutoranda em religião egípcia antiga pela École Pratique des Hautes Etudes – Sorbonne, Paris. Mestre em arqueologia pela UFRJ, graduada em História pela USP.  Fez parte de  duas missões arqueológicas no Egito: Missão francesa de escavação de Tanis e missão Italiana de escavação da Tumba de Harwa, em Luxor.

Informações abaixo:

Curso: “A História das bebidas”
Aula I – As bebidas primordiais: cerveja e vinho
Aula II – As bebidas modernas: chocolate, chá, café e destilados.
Aula III – O que beber, quando beber, onde beber: uma sociologia das bebidas
Datas: 11, 12 e 13 de março
Horário: 19h às 21h:30
Preço – R$ 300,00
Vagas: 30
Há vagas disponíveis e as inscrições poderão ser realizadas pelo  pelo e-mail: cursos@emaklabin.org.br, ou pelo telefone 11 3062-5245. 20% de desconto para estudantes
Fundação Ema Klabin: Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo http://emaklabin.org.br/
Conheça o site da Fundação e  marque uma visita, mesmo que não vá fazer qualquer curso.  Trata-se de lugar agradável e muito sofisticado, com belas obras de artes e rico mobiliário.

Menor Slam do Mundo de Poesia – 10 Segundos Para Dar o Seu Recado Poético

Quem gosta de poesia e está próximo ao Centro de São Paulo não pode perder a  Edição de Março  do Menor Slam do Mundo, logo mais, a partir das 18 horas, no Hussardos Clube Literário, que fica na Rua Araújo, 154, 2º andar, Metrô República, bem perto do Antigo Hotel Hilton.  Trata-se de batalha de poemas de até 10 segundos.  Em Homenagem ao dia Internacional das Mulheres, comemorado hoje, o Tema será  Mulheres.  Antes da Batalha, propriamente dita, tem sessão de microfone aberto.  Aí vale tudo.

Regras e demais detalhes, nos textos que você lerá clicando aqui.  Há alguns poemas premiados em edições anteriores.  Lembro, entretanto, que o endereço que vale é o que aparece acima: R. Araújo, 154, 2º andar.  Nos outros textos, consta ainda a Casa das Rosas, como ringue da batalha.

Sabe aqueles poemas, intermináveis, monótonos  que você estudou na Escola: clássicos, românticos, parnasianos???  No Menor Slam, é tudo 180º graus opostos a isso. Vá e não se arrependerá!!!

Apelidos

Jamais chamei alguém por apelido pejorativo, por mais que os outros o fizessem.  Jamais!!!

Na Redação de jornal da Grande Imprensa, todos tratavam   aquele repórter, pelo fato de ser mal ajambrado,    por Pé na Cova.    Eu, sempre pelo nome.                       Graças a informação que ele me passou (já que estava ocupado em uma grande reportagem), eu fui o primeiro jornalista a anunciar que famoso pugilista brasileiro não poderia mais lutar por problemas sérios de saúde.  O fato é triste, mas, graças a ele,  eu dei o furo de reportagem.

Alguns meninos mensageiros do setor de Imprensa do Palácio dos Bandeirantes, muito anos atrás, eram oriundos da Febem.  Havia um, o Ronaldo (nome fictício),  que, ao pular uma fogueira de S. João quando criança, caiu e teve queimaduras horríveis com sequelas, perdendo,inclusive, as pontas de alguns dedos.

Como todos o chamava, exceto eu???

É inacreditável:

– Churrasquinho.

Bem, mas quando o assunto é nego (a) arrogante, prepotente e, lógico,  desprezível, aí é comigo mesmo!!!

Nos tempos da fabulosa música do Gil, Pessoa Nefasta, trabalhei com uma mulher que era  Horrorosa de Ruim.  Batizei-a de Nefasta.  Talvez, exceto ela, ninguém a conhecia mais pelo nome.

Uma outra colega de trabalho deu algumas folhas para o mensageiro e falou com muita clareza  que ele as entregasse para a Nefasta.   Pois não é que a outra não viu que a Nefasta estava bem ali atrás.  O rapaz não teve dúvidas. Virou-se e disse:

– Toma, é pra você!!!

Ela  pegou os papéis, não entendeu ou fez que não entendeu.

Eu conheço um cara que tem verdadeira ojeriza à  luz.  Nos lugares em que trabalhou,  todas as janelas e cortinas permaneciam fechadas e um micro abat-jour, com lâmpada de 40 wats no máximo, protegida por uma cúpula,  iluminava infimamente  raio de  cerca de 20, 30 centímetros de sua mesa.

Como eu o batizei???

– Escondidinho no Escurinho!!!  É lógico, é ótimo e é o retrato do cara.

Suponho que esteja milionário pois deve ter sido o inventor desses insulfilmes que tornam os vidros dos carros  nigérrimos e praticamente opacos.

E finalmente a última, o mesmo perfil da Nefasta,  mas cercada de banha por todos os lados, desde a ponta do dedão do pé até a ponta do último fio de cabelo.  Como me refiro a ela???

– Oito Arrobas!!!

Arroba, como se sabe, é unidade de medida para pesar porcas e vacas.  Cada arroba vale 15 quilos.

Aliás, tenho quase certeza de que  acontece com ela o que o formidável Ari Toledo contou a respeito de uma mulher muito peluda, mas muito peluda mesmo.  A mulher peluda  foi transar com um cara e o sujeito não tinha noção  de onde atacar e falou para ela:

– Benzinho,  faz um xixi aí para me dar uma pista!!!

Apelidos cruéis os meus, não são???   Mas os titulares merecem até o ultimo ponto  da última letra de cada um!!!

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Para levantar o Astral, ouça a música Pessoa Nefasta,  do Gil, com o próprio.  Se ele  quiser novamente retratar pessoas  do mal, estiver sem inspiração  e precisar conhecer mais sobre o tema, é  só me chamar que eu indico o endereço desses meus  conhecidos.

Pessoa Nefasta, clique aqui

Bom Momento para Reler Microcontos Sobre Políticos e Recordar Episódios

Como fiz às vésperas do primeiro turno, recapitulo mais uma vez como  os políticos são vistos pelos escritores de microliteratura.

Para começar microconto  meu – 119 dígitos.  Sem qualquer dúvida, o menos bom dos três.

O candidato só teve um voto.  Quem não conhecia, não conhecia.  Quem o conhecia é que não votou nele de maneira alguma.

O próximo é do amigo Fernando Vasqs, com o qual  ele participou do 1. Concurso de Microcontos do Salão de Piracicaba em 2011 e, para fechar, o de André Luis Gabriel, que ganhou esse concurso de Piracicaba:

Lá vão:

Fernando Vasqs:

Título: “Latidos”

“A Velhinha vê novela, o cachorro late no quintal. Intervalo, propaganda política. A velhinha grita:
– Cala a boca, cachorro!”

Para concluir:

André Luis Gabriel – Como já foi dito,  vencedor do  Primeiro Concurso de microcontos Salão de Humor de Piracicaba, em 2011.
Título: “ In Memoriam”

“O político morreu, virou estátua. Agora são os pombos a prestar-lhe justas homenagens”.

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Se ainda conseguir ler mais sobre Serrahaddad

Clique aqui 1

Clique aqui2

Clique aqui 3

Clique aqui 4

Clique aqui 5

Clique aqui6

Clique aqui 7

Clique aqui 8 – Jatinho para o  Jovem Haddad

Finalmente,  lembre-se que as assessorias dos dois candidatos não conseguiram responder a carta que lhes enviei. Clique aqui 9– Como eu digo no texto, e pensar que o Homem já chegou à Lua, há mais de 40 anos!!!

Tá bom, né???

Bom voto para todos os (e)leitores do Boca!!!

Piadinha que me ocorreu, certamente já contada/escrita aqui:

Uma freira falou para a outra:

– Durma com Deus.

A outra respondeu:

– É o jeito, né irmã!!!

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Adaptando-se:

Tem que votar, né???

Fazer o que???

E pensar que tanto se lutou para que pudéssemos “voltar a votar” para todos os cargos do executivo e do legislativo!!!

De qualquer forma, boa eleição para nós!!!

Jorge Ben Jor – Feliz Aniversário, Majestade!!!

Hoje é aniversário do fabuloso Jorge Ben Jor, eu preferia Jorge Ben.

Mas ele mudou. Seja satisfeito o desejo de vossa majestade do Samba Rock!!!

Aliás, outro dia,  Nélson Motta, no  último telejornal da Globo ,  disse que Ben Jor não gosta muito dessa história de idade.   Salvo engano, em uma entrevista, quando disseram que outro nome famoso da MPB  não gostava  do tema, Gilberto Gil, lascou o ano em que o cara havia nascido.  Rindo muito, Gil perguntou ao Repórter:

– Que outros cantores/compositores  não gostam de revelar idade???

O repórter falava um nome e Gil,  o ano de nascimento.  Eram vários que não gostavam.  Ben Jor, um deles.

Deve ser fato mesmo, porque na Internet vi pelo menos  dois anos diferentes em que o cantor teria nascido.

Como não privo da intimidade de Ben Jor, como  Gil e Motta e sempre fui grande fã da Fera, respeito o sigilo.  Súdito é súdito e presta homenagem/vassalagem.  Assim,   passo a contar  histórias, alguns episódios, inclusive uns  dois ou três comigo e dar a minha opinião sobre W BRASIL

Desde os tempos de Jovem Guarda, da Música Por Causa de Você, que ele dizia Por causa de “Voche”,  acho o máximo tudo o que escuto dele.

Em um programa no rádio, outro dia, alguém contou uma história e disse que podia ser lenda ou ser fato.

A história; ou a lenda:

Cacá Diegues  havia pedido que Ben Jor fizesse a trilha sonora do filme Xica da Silva.  O tempo ia passando e nada de ele apresentar a música.  Cacá ligava, ele adiava.  No último dia, Jorge diz para Cacá.  Manda para mim a sinópse do filme.  Jorge foi cantando em cima do que estava escrito na sinópse e saiu a trilha.

Deve ser mesmo verdade.   O saudoso e bom amigo Flávio Rangel fazia uma brincadeira a respeito desse talento do Jorge de encaixar qualquer letra dentro de uma música, mesmo que sobrassem síladas dos versos.  Quando a inflação galopava,  lá por agosto, já tinha atingido o que era previsto para novembro,  com ironia Rangel falava na sua coluna na Folha.

– Chama o Jorge Ben Jor  para enfiar  essa infinidade de  dias,  no pedacinho da  taxa de inflação prevista para o ano inteiro.

Jorge é gênio da poesia e da música,

Resultados:

  • a inflação sempre estourava
  • em compensação,  as inúmeras ou insuficientes  sílabas cantadas/ acertadas por Jorge cabiam em qualquer verso, qualquer música.

Jorge  é daqueles que incendeiam e  transformam  o Maracanã  inteiro em seu coro.  E pensar que um dos diversos shows dele a que assisti foi no 150 do Macksoud Plaza,  casa que comportava super restrita platéia.  Privilégio indescritível.

O fato é que muito antes de ele estourar novamente com W Brasil,  sempre estava nas apresentações   do Jorge.  Na época do W Brasil, fez show em um lugar que freqüento com muita regularidade.   Eu estava lá à tarde e ele passando o som, com pouca gente ao seu lado.  Parei e o saudei:

– Aí, Jorgíssimo!!!

Anos antes, na festa de aniversário do Sindicato dos Jornalistas, foi ele o convidado para o show.  A platéia ficava em pé ao redor do Palco. Antes do bis final,  no caso do Jorge, generoso  chorinho de mais uns trinta minutos, ele começa a falar para a sua equipe que estava  misturada com o público.

– João, sobe aqui para dançar comigo;  Silvia, vem pro palco dançar também, chama mais uma meia dúzia de amigos,  aí aponta para baixo e diz:

– Você, sobe aqui pra dançar com a gente.

Um cara ao meu lado, pergunta:

– Eu???

O Jorge diz:

– Não!!!

E aponta o dedo firme na minha direção e diz:

– Você, você que está sempre nos meus shows!!!

Uma glória, não é mesmo???

Não é para agradecer  ou retribuir essa fabulosa passagem, afinal,  a realeza está acima dessas besteiras.  Mas, logo que ouvi W/ Brasil,  vieram-me à mente essas  eleições para escolher o melhor isso, o melhor aquilo. Comentei com amigos:

– Se me pedissem para escolher as duas músicas mais espetaculares do mundo, diria: Satisfation e W/Brasil.  Se tivesse que escolher a melhor,  seria W/Brasil,  sem qualquer pestanejar.

Ouça as duas.

Satisfaction – Clique aqui

W/Brasil – Clique aqui

Ouviu/viu???  Concorda comigo???

Há alguns dias,  em programa especial sobre Ben Jor,  na CBN, diversos músicos cantaram sucessos do nosso suingado aniversariante de hoje.  Quem quiser ouvir, clique aqui . Na tela que vai se abrir, olhar à esquerda e clicar

Minha querida irmã Thereza também fazia anos hoje, um ano a mais do que Jorge.  Um Beijo para ela no Céu!!!


É Impressionate como ELAS Não Conseguem Parar de Falar…!!!

Dia Internacional das Mulheres, além de todas as justas homenagens, também é ótima oportunidade para lembrar piada maravilhosa que me contou a saudosa tia Flora sobre o quanto falam as mulheres ou o quanto elas não podem parar de falar.

Repetindo, quem me contou a piada foi uma mulher.

Tenho  frase boa a respeito.   Como a piada é bem mais divertida, primeiro a frase:

– Mulher fala até no Dentista.

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A piada.  Preparem-se – leitores de todos os sexos:

Duas amigas muito íntimas cometeram  crime hediondo ainda jovens.  Foram condenadas à prisão perpétua.  Como eram muito amigas, ficaram apenas as duas na mesma cela.  Nada de banho de sol, nada de contato com as outras presas. Eram só as duas 24 horas por dia.

Dez anos depois, o governo concede  indulto geral e elas são libertadas.

Porta do Presídio.  Na hora em que estão entrando nos carros  com as respectivas famílias, uma delas diz:

– A noite eu ligo para você pra gente  bater um papinho!!!

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Mulheres de todos os quatro cantos desse imenso mundo redondo, Feliz Dia Internacional da Mulher!!!

Briga de família termina em morte – Lembra-se do “Referendo das Armas de Fogo”???

Queria terminar o ano aqui falando de coisas boas, providências místicas para que 2009 chegasse com alegria e Felicidades. Ontem dei receitas de pratos para trazer sorte.

Entretanto, ontem mesmo, um aposentado de 52 anos  “matou a cunhada e feriu dois irmãos durante uma reunião na casa dele, na Vila Mazzei (zona Norte da Capital)”. Segundo os jornais de hoje,  o criminoso era doente, tomava remédios contra e esquizofrenia. O estopim da coisa teria sido a discussão com os irmãos a respeito da herança a que tinham direito.

Pois bem, em maio de 2005, tão logo soube do Referendo sobre o Fim da Comercialização de Armas no Pais, que ocorreu em outubro do mesmo ano, escrevi texto defendendo que comércio de Armas de Fogo fosse proibido.  Houve o Referendo e  fui voto vencido.

O momento é oportuno para pensar se esse crime teria ocorrido se o resultado do referendo tivesse sido outro.  Quem quiser, pode ler o texto que escrevi na ocasião e que transcrevo abaixo.  Quem quiser ainda, conforme digo no final, pode me escrever que ensino o pulo do gato.

A RESPEITO DO  REFERENDO SOBRE O FIM DA COMERCIALIZAÇÃO DE ARMAS DE FOGO NO PAÍS
Escrito em maio de 2005 – Em outubro houve o Referendo

O referendo sobre o fim da comercialização de armas de fogo no país  deverá ser realizado no próximo dia 2 de outubro.  Não sei se já está aberto o período de “propaganda”; de qualquer forma, quero dar um pontapé inicial.

Sou visceralmente a favor do fim da comercialização de armas de fogo (e também de munição) no país.  E olha que não me lembro nos últimos tempos de ter tido  oportunidade/vontade de empregar o advérbio visceralmente em relação a qualquer crença ou opinião minha.  Sou  “muito” (não  fanático) corintiano , mas aí é outra conversa que pode até render um artiguinho divertido.

Retomando o assunto e já explicando o porquê do meu voto. Sempre fui contra armas de fogo.  Para arraigar mais ainda minha opinião,  relato   dois casos.  O primeiro, aliás emblemático,  com direito à  opinião de grande especialista no  assunto: um assaltante.  O segundo se passou comigo há muitos anos.

Um conhecido  me contou que seu irmão, médico dedicado/obstinado, recebeu um assaltante em estado deplorável alvejado com diversos tiros, praticamente morto.  A determinação, talento, boa vontade do irmão de meu conhecido salvaram o paciente.  Imensamente agradecido, ele disse:

– Doutor, o senhor salvou minha vida.  Eternamente serei grato ao senhor. Não tenho como pagar o que o senhor fez por mim, mas vou lhe ensinar uma coisa que  um dia  talvez também salve sua vida.

O assaltante continuou:

– Doutor, jamais tenha uma arma de fogo em  casa.  Se eu e o senhor nos encontrarmos cem vezes, os dois com uma arma, eu mato o senhor cem  vezes antes mesmo de o senhor pensar em encostar o dedo no gatilho!!!!!! –   disse sorrindo.

O assaltante ainda explicou que muitas vezes o assalto é feito exclusivamente para roubar a arma  que alguma empregada viu e comentou  na vizinhança.

Há mais de quinze anos, entro no consultório que meu dermatologista dividia com outros dois profissionais de saúde,  um deles dentista de crianças excepcionais.  Sou recebido por um assaltante com um revólver na cabeça.  Havia um outro assaltante e uns quinze assaltados, entre médicos, pacientes (incluindo  uma criança excepcional) e enfermeiras.  Nunca tive muita  paciência/vontade de liderar grupos, quaisquer que fossem.  Mas ali era diferente:  tava todo mundo apavorado, os ladrões eram inexperientes e um deles, além de tudo, um maluco que estava louco para dar tiro em alguém.  Eu, o único que ainda mantinha a calma e o bom senso e, contra a minha vontade, por uma questão de sobrevivência coletiva, tive que assumir a condução da coisa. Depois de várias intervenções minhas,  o assaltante sádico que tomava conta da gente (o outro havia saído para descontar o cheque que meu médico lhe entregou) fica brincando de tirar e colocar as balas no tambor de um dos revólveres. Ele coloca as balas, abandona a sala e deixa esse revólver ao alcance de qualquer um.  Obviamente, fiquei morrendo de vontade de pegar a arma, me esconder e, quando ele voltasse, eu apareceria pelas suas costas e o renderia. Obviamente, me contive.  Passam-se uns dois minutos,  ele volta e vê o revólver no mesmo lugar.  Ele pergunta olhando para mim:

– Ninguém pegou o revólver????

Eu disse que o revólver era dele e que, naturalmente, ninguém o pegaria.

Sempre olhando para mim, ele diz:

– Que sorte.  Estava sem bala.!!!!!!

E puxa seis vezes o gatilho.

Imagine se eu tivesse bancado o herói.  Provavelmente  ele iria me deixar “atirar” e, em seguida, com a consciência tranqüila, em “legítima defesa”,  me mataria e daria  início ao showzinho maluco/sádico dele.

O outro assaltante voltou com o dinheiro e tudo acabou bem, sem um único arranhão  sequer.
Finalmente, mas ainda em tempo,  o assaltante salvo pelo médico irmão do meu conhecido deu a saída para se proteger em caso de assalto.  Trata-se de  verdadeiro ovo de Colombo, chegando a ser até mesmo divertido.  Não vou ensinar aqui para que a saída continue desobstruída.  De qualquer maneira, quem tiver interesse basta me enviar um  email  que terei imenso prazer em explicar.

E o melhor de tudo: essa saída também não vai contra a campanha do desarmamento.
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Reitero: Escrevam para mim que passo para cada um por email o que o assaltante ensinou para o médico!!!

 

Omelete do Santoro e do Ministro; Dry Martini do Juca de Oliveira

De 22.06.07

No filme NÃO POR ACASO, em dois momentos são feitas omeletes (acabei de descobrir no meu Aurélio eletrônico que é feminino – desconfiava, mas achava pedante falar uma omelete). Na peça ÀS FAVAS COM OS ESCRÚPULOS, Bernardo, senador super-ultra corrupto, vivido por Juca de Oliveira, prepara um dry Martini. Tanto a peça quanto o filme são legais.

Do ponto de vista da gastronomia e coquetelaria,entretanto, a produção do filme mostra-se muito mais cuidadosa. Sei que ninguém vai ao cinema ou teatro prestar atenção ao que os atores/personagens comem ou bebem. Também não fui para isso; de qualquer forma, é divertido escrever (espero que ler também seja) sobre o tema. Aliás, pode ser até didático, já que no final deixo receita de omelete e dry Martini fabulosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Não vejam aí falta de modéstia, pois não sou eu o autor/idealizador de qualquer das duas fórmulas mágicas – nem da omelete, muito menos do dry Martini.

Logo no começo do filme, a personagem da mulher de Pedro, vivido por Rodrigo Santoro, prepara uma omelete e dá, de mão beijada, o grande segredo, em geral sempre boicotado por ciumentas cozinheiras quando passam a diante suas receitas. O segredo, nesse caso, é um mero detalhe que fará toda a diferença no resultado final. Didaticamente, a personagem explica que é fundamental bater as claras sem as gemas (estas serão apenas misturadas no final muito suavemente), o que garantirá uma leveza especial como se fosse um suflê, faz questão de frisar a simpática e bonita atriz. Ainda para garantir mais leveza, quando as beiradas já estiverem cozidas devem ser levantadas para que o ar penetre embaixo da omelete.

O primeiro detalhe (bater as claras separadas das gemas) eu aprendi com Maria Alice Neves, zelosa quituteira amadora, amante da boa cozinha, amiga da mulher do meu pai. Mas também paguei legal o truque. Xeroquei e enviei para Maria Alice uma receita de Rabanadas que não existe igual no Universo. Fazer rabanadas, não faço. Aí já deixaria de ser gastrônomo amador para me transformar em quituteiro. Nada contra, mas do jeito que sou desajeitado, não teria o menor sucesso. De qualquer forma, quem tiver interesse, deixo aqui o endereço da receita http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2112200637.htm

Quem não conseguir acessar, pode procurar na Folha de S. Paulo do dia 21/12/06 pag E6 – Ilustrada. Reiterando: não existe Rabanada igual no Universo.

O segundo detalhe da omelete, levantar as bordas, foi a Genoefa, amiga e personagem já conhecida dos leitores do Boca no Trombone, que me ensinou. No final do texto, conforme o prometido, a receita de omelete com finas ervas do meu grande e saudoso mestre da culinária, Antônio Houaiss, em quem sempre vou me apoiar aqui nessa coluna que pretende misturar de receitas de comadres com crônicas. Na próxima vez em que for usar receitas do nosso filólogo Houaiss, conto as passagens que tive a honra de ter com ele.

Passemos ao Dry Martini; afinal, nem só de omelete vive o homem, parodiando a gracinha dos anos 60 que, salvo engano, era nem só de caviar vive o homem. Aliás, dry Martini com canapés de caviar deve ficar fabuloso!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Coquetéis que levam bebidas de mesma densidade, como é o caso do Dry Martini, – gim e vermute (Martini) – são preparados em copo misturador – um copão alto (uns vinte centímetros de altura) com boca larga, misturados com uma elegantíssima collher de metal longa, chamada bailarina, jamais em coqueteleira, como erradamente acontece em As Favas com os Escrúpulos. Na peça, o que aconteceu, de fato, foi ÀS FAVAS COM O DRY MARTINI. Dry Martini, conforme diz o nome, é Seco, muito seco. Gelos chacoalhados na coqueteleira transformarão Dry Martini em Dilúvio Martini (com o perdão da gracinha).

E é exatamente aí que entram casos fabulosos de Dry Martini. Conforme se verá, essa bebida se compõe basicamente de gim, todo o resto/excessos é (são) heresias. Juca de Oliveira metralhou o dry Martini em sua coqueteleira.

O médico Flávio Generoso, amante dos coquetéis, disse que um conhecido tinha descoberto a quantidade exata que se coloca de vermute no Dry Martini. Explicava o amigo do Generoso:

– Pega-se uma garrafa de sifão, Noilly Prats, o melhor Martini que existe. Tem que ser sifão e tem que ser Noilly Prat. Coloca-se na garrafa de sifão um pouco de Martini. Vira-se para trás e espirra vermute na parede. É exatamente essa a quantidade de Martini que leva um bom dry Martini.

Danuza Leão é igualmente radical e precisa. Diz ela que a quantidade certa de Martini no coquetel é a seguinte:

– Pega-se o copo misturador com gelo e gim, aproxima-se da boca e sussurra-se: Martini. É o suficiente!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Realmente trata-se de bebida fabulosa. Tenho duas frases que falam desse néctar. Coloco só uma:

– O mundo não é uma grande taça de Dry Martini. Infelizmente.

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Lá vão as receitas. Talvez haja excesso de detalhes, mas prefiro errar por excesso, até comprometendo meu texto, a errar por omissão. Um dia conto omissões absolutamente incríveis que encontrei em livros de gastronomia de renomadíssimos autores, inclusive, meu querido mestre Houaiss.

Omelete para uma pessoa

Ingredientes

– 2 ovos crus

– Uma colher de sopa de Salsinha, lavada, bem seca, bem picada

-Meia colher de sopa (até um pouco menos) de cebolinha, idem, idem, idem

– uma pitada de tomilho seco

– uma pitada de pimenta do reino branca em pó (ideal seria moída na hora)

– sal a gosto – uma pitada, uma pitada e meia (gosto de comida com pouco sal; minha saúde agradece)

– uma colher de café de manteiga derretida (para misturar na omelete)

– uma colher e meia de sopa de manteiga para Fazer a omelete

Utensílios

Frigideira antiaderente. com aproximados 15 cm de diâmetro

Duas espátulas ou escumadeiras de plástico (para não arranhar a frigideira)

Travessa de louça ou pirex médio,

Garfo

Preparo

Derreter na mesma frigideira a porção menor de manteiga (a colher de café)

Separar as claras das Gemas.

Colocar só as claras na travessa. Bater com garfo bastante, mas não para virar clara em neve.  Aí colar as gemas e misturar, sem bater mais.

Colocar sobre as claras e gemas  misturadas a manteiga derretida, o sal, a salsinha, a cebolinha, a pimenta do reino, o tomilho e as gemas. Misturar levemente o todo.

Derreter a manteiga na frigideira no fogo alto.

Colocar na frigideira tudo o que foi misturado na travessa.

Quando as beiradas da omelete começarem a ficar duras, vá levantado por toda a extensão para que o ar penetre e dê mais leveza ao prato.

Em seguida, quando perceber que o centro também já está consistente, abaixe o fogo e, com as duas espátulas/escumadeiras vá enrolando a omelete.

Dessa maneira, tem-se uma “omelete bem molhadinha, isto é, internamente baveuse. Se se quiser que ela fique mais sequinha, é só virá-la e fritá-la também na segunda face, para depois então dobrá-la pouco a pouco”, nas bem cuidadas e precisas palavras do Ministro Houaiss.

Pão francês em rodelas, manteiga e uma saladinha simples para acompanhar.

Comer essa omelete sem uma saladinha é heresia. Assim, lá vai a receita.

Saladinha simples para uma pessoa

Ingredientes

– Duas folhas de alface americana rasgadas e muito bem lavadas e muito secas – no secador de folhas.

– Meio tomate pequeno, muito bem lavado, seco com um pano de louça ,cortado em rodelas finas. Essas rodelas finas obrigatoriamente tem que ser secas novamente em guardanapo ou toalha de papel. Obrigatoriamente!!!!!!!! Esse truque aprendi com a belíssima chef, ex top model, minha conhecida, Rita Lobo.

– Uma rodela nem grossa nem fina de cebola separada em anéis.

Duas colheres de sopa Azeite extra-virgem.

Meia colher de sobremesa de vinagre de ótima qualidade – se possível, o que eu produzo (um dia conto detalhes)

Duas pitadas de sal.

Duas pitadas de orégano – só sobre as rodelas de tomate.

Montagem do Prato

Colocar as folhas de alface, as rodelas de tomate, os anéis de cebola, temperar com azeite, o vinagre, o sal, e o orégano – orégano só sobre o tomate.

Ao lado, colocar a omelete.

Pão, manteiga e cerveja para acompanhar.

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DRY MARTINI – para outro dia, para iniciar outros jantares ou outras manhãs delirantes… Não bebo durante o dia, mas para quem bebe….

Utensílios para preparar o Dry Martini

– Copo misturador

– Bailarina (a elegante e longa colher de metal)

– Passador (espécie de coador para tirar a água do misturador e para servir a bebida)

-Taça própria para dry Martini, evidentemente

– Pegador de gelo (dispensável, sempre presumindo-se que a mão esteja lavada e sem mto cheiro de sabonete)

Bebidas e ingredientes em geral – Para uma pessoa

– Gim Tranquerei

– Vermute Noilly Prat

– Gelo (cerca de uns doze cubos de gelo

– uma lasquinha de casca de limão

Explicações Necessárias

Aquele medidor de dose de uísque de bares pessoas físicas só devem ter como curiosidade. O medidor é apenas para quem vai cobrar pelo que está oferecendo. Bebidas se servem a olho. No preparo de coquetéis, fala-se em partes. No começo, talvez haja algum desperdício; a partir do terceiro, a precisão começa a aparecer.

Dry Martini bebe-se muito gelado e, paradoxalmente, sempre sem gelo. Para tanto, lá vai o começo da receita, colocar uma ou duas pedras de gelo na taça e girar para que a taça fique gelada.

Colocar umas oito pedras de gelo no Copo misturador (copão alto) e mexer com a bailarina para que o copo fique gelado.

Preparo do Dry Martini

Jogar fora a água que se formou no copo misturador. Coloca-se o passador e deseja-se essa água no balde de gelo.

Jogar fora o gelo – e água que se formou – na taça.

Despejar o gim sobre os cubos de gelo. Colocar o Vermute Noilly Prat – a olho – 1/7 da quantidade que usou de gim – . Misturar suavemente com a bailarina para gelar bem. Colocar o passador e despejar o dry Martini na Taça.

Torcer a casquinha de limão e por na taça.

Beber e usufruir muito!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!