Solidão???

Depois de longa caminhada com uma amiga  pelo bairro, no portão do seu  prédio, ao se despedir, ela lembrou-se da S. Silvestre amanhã cedo e me convidou para ver os atletas passarem pela Av. Pacaembu, perto de nossas casas.

Uma mulher de uns  70 anos  com seus dois cachorros que passava, antes mesmo de eu dizer qualquer coisa,  já foi logo contando que achava um absurdo a mudança de horário da corrida.

Não tenho nada contra quem quer que seja emitir  opinião  para desconhecidos a respeito do que eles estão conversando.  Aliás, acho super legal.  Eu mesmo,  quando estou no supermercado próximo a algum produto que acho muito bom e alguém ali por perto está comprando o similar,  aconselho a levar o que já conheço.

Escritores têm o hábito de ao verem uma pessoa desconhecida, nas mais diversas cirscunstâncias,  começarem a imaginar como é a vida dela.   Sem a riqueza de imaginação deles, fui no óbvio.  A velhinha deveria ser uma solitária e a corrida de S. Silvestre vinha, até então.   preenchendo tão  bem o espaço entre o fim de seu jantar mais caprichado na companhia de seus cães, até à meia-noite, quando brindaria a chegada do novo ano, antes de ir para a cama.  Ou então, desde que a prova  passou para o período da tarde,  se constituia em mais uma opção para se distrair antes dos comes e bebes.

A partir daquele momento, a velhinha monopolizou pelo menos dois dos meus pedidos, tão comuns nessa época..

1)  Que sua vizinha de apartamento seja outra solitária e que sempre  as duas  produzam ceias fabulosas para brindar a chegada do ano novo.

2) E o desejo mais desejado.  Que eu esteja muito péssimo no desempenho desse exercício de imaginar a verdadeira história das pessoas;  e que ela tenha um monte de filhos e netinhos, ou até mesmo alguns irmãos, sobrinhos e sobrinhos-netos que não podem, em hipótese alguma,  prescindir da presença da mana,  da tia e da  tia-avó querida no reveillon!!!

Agora, vou começar a pensar nos meus pedidos de Ano Novo  para mim mesmo!!!

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