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Céu e Inferno!

  1. Em São Paulo,  jamais sinto excesso de frio ou calor .
  2. Alguém já disse que o lugar ideal  para se passar a eternidade teria a temperatura do céu, com as pessoas do Inferno.
  3. Mesmo considerando o item 1, posso dizer que a cidade ideal teria  ruas, praças e avenidas com temperatura de shoppings.
  4. Mas, veja bem, apenas a temperatura.  De resto, continua valendo minha frase: shoppings centers me proporcionam imensa alegria – quando saio.

Inferno e Céu

É difícil “quantificar quão” inferno é conviver com pessoas amargas.  Mesma dificuldade para expressar quão céu é conviver com pessoas doces.

Duro é você deixar uma pessoa doce e ficar com a amarga.

O oposto, especificando a definição,  é  o maior Céu de Brigadeiro, desde que Santos Dumont, ou os irmãos Wright, levantou (levantaram)  voo pela primeira vez.

Que Deus não permita que eu  despenque  desse céu e me esborrache em novo inferno.

Inferno com Smarthphone ou Céu sem Smarthphone??? Escolha.

Acho que se as pessoas puderem escolher o Céu sem smatrhphone ou o Inferno com smarthphone, vão preferir a segunda opção.

Eu, ao contrário, talvez preferisse enfrentar o calor brutal, desde que lá não haja essa praga,  a ficar a Eternidade com gente ao meu lado que ignora tudo ao seu redor!!!

smarthphone no céu

Recebi pelo facebook e, repetindo, como sou contra desperdício, posto aqui no Trombone!!!  Sinto apenas o texto ser em inglês e eu não poder garantir a tradução exata da última frase.

Só a Temperatura Se Salva

Algum gaiato já disse que o lugar ideal teria a temperatura do céu, com as pessoas do inferno.

Não concordo, nem “disconcordo”, já que algumas pessoas que vão para o inferno, não quero ver nem pintadas de anjo lá pelos lados do céu.

Mas uso a mesma ideia (absurdo terem tirado o acento de ideia).  Lá vai: ambientes externos perfeitos seriam exatamente como eles são com a Temperatura dos “inaguentáveis”/insuportáveis shoppings Centers.

Homenagens ao Meu Querido Pai

Na madrugada da última  segunda-feira, aos 93 anos, após mais de um ano e meio de batalha pela vida, meu pai deixou este mundo.  A Missa de Sétimo dia será segunda-feira,  dia 16, às 20 horas, na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, R. Honório  Líbero, N.100  – Jardim Paulistano, São Paulo, Próximo ao cruzamento da Faria Lima e Rebouças.  Como escrevi em email comunicando os mais próximos, basta que peçam na hora da missa que o meu caminho e o dele sejam sempre iluminados e tranquilos.

É bom  nessas horas  lembrar-se  de coisas divertidas de quem parte.  E meu pai tinha muitas.

Vou começar por algumas frases dele.

Depois, duas crônicas minhas e, para terminar, belíssimo Poema da  querida Roberta Estrela D´Alva, que ela leu ontem na abertura do Zap e dedicou à memória do meu paizito.

As frases dele;   curioso, que bem a primeira é sobre velório.

  • O velório é a única solenidade em que o homenageado está impedido de se manifestar.
  • Minha mãe foi a última dona de casa que conheci.
  • “Nossos problemas acontecem porque nos levantamos da cama.”  Alguns,  porque nos deitamos na cama.
  • Com um ponto de apoio, Arquimedes seria capaz de levantar o mundo; com apoio moral, entretanto, não se levanta nem pensamento.
  • Se Deus fosse mesmo brasileiro, imagina  o que seria do Mundo!!!
  • O sujeito velho tem muita coisa pra contar e mais ainda para não contar.
  • O pior da festa é esperar por ela.
  • Quem canta seus males – Espanta!!! – É diferente do que já existe,  observe a pontuação.
  • Para Bolsa de Valores  despencar, basta um peido mais forte no pregão. (apesar de ele, tampouco eu, jamais termos aprovado o mau gosto, a frase é boa e verdadeira.)

As frases acabaram-se.

Agora os episódios que são o retrato escrito dele, pintado/digitado  por este escriba,  que tão bem o conhecia.

Episódio 1: Hiram, Édipo e Genoefa

Os amigos do meu pai dos tempos de São Francisco o definiam assim:

– O Hiram entra no restaurante e já vai logo pedindo, de uma só vez, filé bem passado com fritas, coca-cola, pudim de caramelo de sobremesa e troco para 10 mil Réis.

Quando eu ainda morava com ele, chego em casa e ele me diz:

– Paulo, o Mário ligou e disse que o pai do Fábio morreu.

Eu perguntei onde era o velório. Meu pai disse que o Mário não falou nada sobre velório. Ligo pro Mário e pergunto se ele estava a fim de me encher para deixar um recado que o pai do Fábio morreu e não informar onde era o velório.

O Mário reproduz para mim o diálogo com meu pai:

– Dr. Hiram, tudo bem? O Paulo está?
– Não, o Paulo não está!!!
– O senhor diz para ele que o Pai do Fábio morreu.
– Tá bom, eu digo!!!
– Mas dr. Hiram….
– Já entendi, o pai do Fábio Morreu
– Mas dr. Hiram…..
– Mário, eu não sou burro. O pai do Fábio morreu. Tchau!!!
E bateu o telefone (meu pai é muito educado; a aflição, entretanto, é infinitamente maior…)

Faz uns 25 anos que não moro mais com ele. Ou seja, isso se passou um quarto de século atrás. Imaginem, pois, como está o homem hoje, aos 86 para 87 anos de Idade!!!!

Esqueci de falar, talvez tenha ficado ansioso por osmose – o teclado por estar escrevendo sobre meu pai me passou ansiedade – meu pai é um sujeito brilhante, muito inteligente, lê bastante e usa o computador como um garoto de quinze anos.

Genoefa é a versão feminina e bem mais jovem do meu pai. Eu a conheci – há uns três anos – na entrada dos cines Belas Artes. Eu ia a um filme e ela, a outro. Trocamos meia dúzia de palavras. Na saída, eu devo tê-la impressionado muitississississimo mesmo porque ela estava me esperando. Genoefa e meu pai não são de esperar!!! Coisa alguma, pessoa alguma!!!!  A aflição os mata a ambos. São daquele tipo de pessoas que se jactam de fazer no mínimo três coisas ao mesmo tempo. Eu, ao contrário, fiz foi uma frase sobre isso:

Duas coisas fáceis ao mesmo tempo tornam-se difíceis e uma delas sai errado.
Outra coisa em comum – essa muito favoráveis aos dois, pois prova que são de muito bom gosto:

Eles têm uma “obsessão obsessiva” por mim!!!!

Parece divertido, né???? Mas queria ver qualquer outro no meu lugar !!!

Liás (sem aspas) Genoefa acabou de telefonar neste exato instante em que eu escrevia esse parágrafo – não tinha novidades, mas ficou 15 minutos falando!!!

Tivemos um namoro rápido e uma amizade colorida (essas coisas não terminam, né???).

O dia em que a Psiquiatria/Psicanálise descobrir meu pai, a Genoefa e eu, seremos colocados em uma espécie de carro forte de banco para que nada nos aconteça até que seja estudado exaustivamente o fenômeno que me acometeu:

Envolver-me – não com uma mulher que lembre minha mãe – mas com uma que é meu pai terminado.

Eu sou um Édipo Viado!!!!!!!!

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Episódio 2 – EDMUNDO

De 21.09.06

Segunda-feira, há alguns anos, por volta das 13 horas.

No Domingo, o Edmundo fora expulso com toda a pompa que seu nome requer. Muitas pernadas pra todo lado, um monte de polícia pra retirá-lo do campo, mais tentativas de pernadas nos policiais e assim por diante. Não tenho nada contra esportistas irreverentes, audaciosos e temperamentais. Pelo contrário, sou fã do John McEnroe, Nélson Piquet, entre outros. Também admiro esportistas bem comportados, é verdade. Aliás, faço restrição a poucas celebridades. Jogador de futebol, propriamente dito, só me lembro de um que realmente não agüento. Um dia posso escrever alguns episódios sobre ele.

Voltando ao Edmundo e àquela segunda-feira.

Estava com meu pai em um super-mercado de porte médio. Meu pai foi pagar as contas dele em um caixa e eu estava no caixa diametralmente Oposto. Meu pai é um homem de 85 anos, de ótima cabeça e das pessoas mais educadas do mundo. Fala muito alto, como todo velho, é verdade. Apesar de extremamente educado e tratar os humildes com imensa consideração (aliás, trata bem todo mundo), vira uma verdadeira fera se é alvo de qualquer arrogância e ou estupidez. E parece que arrogância e estupidez eram os grandes atributos do gerente que foi atendê-lo.

Pois bem, meu pai não deixou barato. Com toda a razão, começou a gritar e a esbravejar com o tal gerente.

A moça do Caixa que estava me atendendo falou rindo para todos à sua volta:

– Ih gente, olha lá o Pai do Edmundo!!!!!!

Peguei meu troco às gargalhadas com a definição da mulher. Sem dizer nada, evidentemente.

Meu pai se diverte até hoje contando essa história para todo mundo. Eu, por minha vez, ganhei um irmão famoso!!!!
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Para terminar,  o Deslumbrante Poema da Deslumbrante Roberta Estrela D´Alva que ela leu ontem no Zap  e dedicou ao meu Pai.

Dança da morte –
Roberta Estrela D’Alva

Boom , e acabou
ou começou
o que restou
o que ficou
dor que chegou
dor que findou
roda girou
vento levou

a vela apagou
a chama ascendeu
a voz se calou
o corpo desceu

a saudade no peito não para, não cala , não sara
insiste não quer parar.

mas já sabíamos desde o começo
que essa vida é curta e tem seu preço
e o que vem depois eu desconheço
embora soubesse o fim já  desde  o berço

que a cada minuto, a cada segundo,
a cada palavra, a cada oração
caminhamos direta e inexoravelmente  nessa direção
e são tantas histórias
e são tantas feridas
e são de saudade
as lágrimas quentes agora vertidas
injustiças, inverdades, cometidas e ditas
pela não compreensão
da eternidade, da imortalidade
pela falta de fé e  ilusão
pois o retorno é inevitável
são só dois lados do mesmo som
morte e vida , vida e morte
matérias primas de toda criação

a carne se desfaz mas o espírito não
o flow  da vida segue,  o beat não para, só coração

a carne se desfaz mas o espírito não
o flow da vida segue, o beat não para, nem o coração!

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Que ele esteja bem lá no Céu e descanse de tanta correria aqui na Terra!!!

Beijo, Paizito Querido.

Fique com Deus, com seus amigos,  nossa família, mas dá sossego pra todo mundo aí cima, viu???

Sartre, Millôr e Dois Paulos

Tema controverso,  O Eu e o Outro/Sociedade,  já rendeu bons comentários/frases.  Agora, Paulo D´Auria, meu amigo de Saraus,  fez verso muito lindo.

Lá vão, “por ordem da concepção”:

Sartre:  O inferno são os outros.

Millor:  O inferno são os outros, mas o céu também.

Eu: “O inferno são os outros (Sartre), mas o céu também (Millôr”). Durante muito tempo, apenas observei as duas frases.  Hoje, comento: um era filósofo; o outro, humorista.”

Agora, a beleza e o otimismo dos versos do poeta Paulo D´Auria.

O paraíso são os outros
o umbigo é o inimigo.
As asas são os outros,
umbigo é corda.

Muito lindo mesmo.  Entretanto, sobretudo  exatamente nesses dias, com hiper sobrecarga de estresse – causada por “outro”, não dá para fugir um milímetro de Sartre.   Por tudo que já passei, entretanto,  eu mereço que o futuro me reserve “momentos intermináveis e permanentes”  para enxergar o mundo como o Xará e o Millôr.  Que esse futuro chegue logo e dure  enquanto eu estiver aqui por esse maravilhoso Planeta Terra.   Deus há de me ouvir!!!