APRESENTAÇÃO FASCÍNIO

De 10.11.06

Para o saudoso Samir Meserani e Erson Martins, mestres queridos

Há cerca de quinze anos, escrevi um quarto de dúzia de contos e uma série de casos curtinhos que chamei de Cenas. Encadernei tudo e dei o nome para a brochura de Fascínio.

Embora seja/fosse um trabalho legal, nunca tive a pretensão de publicar. O Blog/o meu Boca no Trombone me fizeram mudar de idéia.

A Primeira Parte do trabalho são quatro histórias, quatro episódios na vida da Renata, minha personagem, uma verdadeira heroína. Linda, rica, deslumbrante, inteligente, corajosa e, paradoxalmente, mimada. Essas qualidades são tão marcantes na Renata que, depois do trabalho concluído, fiz uma epígrafe (slogan) para ela. É assim:

RENATA: COMO TODAS GOSTARIAM DE SER E QUE TODOS GOSTARIAM DE TER

A segunda parte – Cenas – são histórias até ingênuas e rapidinhas sobre os mais diversos assuntos.

Para terminar, o conto MUITO ALÉM DO JANTAR com um pouco de sexo, drogas e rock&roll. Esse texto foi escrito uns cinco anos antes do episódio central acontecer aqui no Brasil.
Uma amiga estava produzindo uma espécie de sarau e pediu que as pessoas lhe enviassem seus escritos. Mandei o meu Muito Além do Jantar. Como era trabalho para ser lido em público e que talvez pudesse ser publicado, escrevi uma nota introdutória explicando e deixando bem claro que era mera ficção e que usei os nomes verdadeiros dos principais personagens porque, por mais que minha imaginação fosse fértil, eu nunca conseguiria criar perfis tão bem acabados para o meu objetivo. Minha amiga leu a explicação e, inconformada, me ligou:

– Ah, que pena – eu achei que era tudo verdade!!!!!!!
Espere para ler o conto e veja se você também iria querer que fosse verdade .

Detalhe: uma das heroínas desse episódio – MUITO ALÉM DO JANTAR – tem o mesmo carro e se dedica ao mesmo filósofo da Renata. Seria simples corrigir isso, mas tive e, pior, tenho preguiça.

Ao longo desses textos fui batizando personagens com nomes de pessoas queridas: o advogado Antônio, homenagem ao meu atuante advogado e amigo Antônio Arruda Sampaio; Chico Botelho, saudoso professor de Cinema e Fotografia da ECA; a heroína Renata, nome de três amigas, e Felipe, meu sobrinho adotivo querido. Não, o Felipe não é filho adotivo de irmã/irmão meu; eu que o adotei como sobrinho – suponho que ele também tenha me adotado como tio.

Minha idéia é nas próximas quintas ou sextas-feiras publicar ou – repetindo minha gracinha – como dizem os analfabetos pretensiosos contemporâneos – estar publicando um capítulo do Fascínio.

Quando houver necessidade, mando antes uma nota elucidativa. Ficamos, pois, combinados: quinta/sexta sim, outra também, no próximo mês e meio, tem Fascínio botando a Boca no Trombone.

Como se não bastasse novela das oito, episódios no Boca no Trombone para seguir. Minha pretensão/arrojo não tem (têm) limites: querer me comparar à novela das oito.

Para concluir, o óbvio: eu prefiro meus contos à novela das oito, das seis, das sete, das dez….

FASCÍNIO PARTE 1 – RENATA COMO TODAS GOSTARIAM DE SER E QUE

De 28.09.06

Em meados da década de 60, famosa cantora brasileira me contou dado curioso da infância/adolescência dela. Usei a idéia para fazer o conto abaixo.

Episódio de Hoje “ANTES TARDE DO QUE CEDO”

O sonho longo demais se desfazia diante dos meus olhos e no meu coração. (E quem quer acordar de um sonho bom?) Aquele gesto estúpido de Débora despertou tanto ódio dentro de mim como se ela tivesse metralhado um parente querido. Afinal, metáforas à parte, era exatamente o que ela tinha feito. Continuo sua amiga, mas até hoje sinto grande desconforto toda vez que me lembro.

Dia 24 de dezembro à noite. Como naqueles treze anos, a agradável rotina da noite de Natal se repetia. Apenas uma incômoda novidade: o olhar maroto de Débora a me desafiar e zombar de mim. Sentia que ela tinha um curinga escondido. A segurança dela era tal, que começava a ficar preocupada. O show do Roberto Carlos que eu sempre curtira com imenso prazer após o banho e a estréia de um novo vestido, agora, sob a vigilância de Débora, já não despertava a mesma emoção.

Procurava mostrar-me segura e feliz. Mas a superioridade e a certeza de Débora eram de tal forma absolutas que tudo causava em mim o efeito inverso do desejado. O peru de Natal, com farofa, arroz e frutas, que sempre comia acompanhado de uns três copos de vinho tinto para potencializar o meu prazer, não era mais a mesma delícia. O vinho então nem se fala: sempre aguçara o meu prazer; naquela noite, potencializou minha insegurança e incerteza. Olhando para Débora, firme como nunca, percebia que nela, ao contrário, o vinho arraigava mais e mais o sentimento de vitória.

Na hora dos cumprimentos, pouco antes da chegada de Papai Noel, sentia que cada um dos amigos-tios ao me beijar, estava, de certa forma, se despedindo da Renata – menina alegre e ingênua – de quem eu relutava me desvencilhar. Todos perceberam que a presença de Débora ali não era aleatória.

Sempre fora ingênua, porém intuitiva. E o jeito maroto de Débora estava me deixando tensa e ansiosa. Se alguma coisa ruim tivesse que acontecer, que fosse logo, que eu não tivesse mais que ver Débora nos cantos da minha festa zombando de mim. Mas não. Todos sabiam que eu gostava do ritual e ele foi mantido exatamente como há treze anos.

O peru, como acompanhamentos, a sobremesa, os meus três copos de vinho tinto e… Papai Noel.

Ele surgiu. Lindo e doce como sempre, impecavelmente com suas roupas vermelhas, sua barba e cabelos brancos e seu imenso saco de presentes. Pronto, minha confiança estava restabelecida. Olhei vitoriosa para Débora.

Sempre sorrindo irônica para mim, Débora esperava até meu décimo presente. Mal tinha acabado de desembrulhar o mini jet-ski, ela salta na frente do Papai Noel e, ao mesmo tempo, com cada uma das mãos, arranca-lhe barba e capuz.

Ao ver surgir diante dos meus arregalados olhos o velho Sebastião, marido da negra Dete, cozinheira da família há mais de quinze anos, permaneço lívida, incapaz de qualquer reação.

Até hoje, algumas vezes quando estou com Débora e, em todas as noites de Natal, invariavelmente, lembro-me de sua crueldade ao fuzilar Papai Noel para sempre de minha vida.

RECREIO SEM FIM

De 27.09.06

Todos, absolutamente todos, os grupos de pessoas que se reúnem obedecem a certos critérios, sob pena de reuniões se tornarem caos. Todos, exceto um. Para esse único grupo, provavelmente quanto mais caos houver, mais seus participantes gostam, se divertem. Afinal eles estão ali, ao que parece, é para se divertir, brincar, como bem disse uma atriz que, coitada, teve que participar de encontro com eles no território deles.

Crianças, jovens, adultos e professores vivem sua rotina nas salas de aula em uma dessas situações. Em geral, o professor expõe um tema na frente, próximo ao quadro negro e os alunos -SENTADOS-ouvem. Alunos podem pedir a palavra e se manifestar. Nos seminários, um ou mais aluno(s) fica (m) na frente, expõe(m) uma idéia e todo mundo fica sentado ouvindo o colega. A outra situação é o intervalo/recreio, quando eles conversam, comem um sanduíche ou tomam um cafezinho/refrigerante.

Reuniões profissionais, em geral um ou mais visitante é atendido em uma sala de reuniões. Se houver uma cadeira que se destaca, quem recebe senta-se nessa cadeira e as visitas se sentam nas outras.

Até mesmo nos treinos de qualquer time de futebol, seja do milionário Barcelona do Ronaldíssimo Gaúcho ou dos Sem Chuteiras Fuebol Clube, há um bom senso para fazer a coisa render.

São mais ou menos quatro situações: os atletas, todos eles, fazendo exercícios físicos Os jogadores divididos em dois times, ensaiando jogadas, fazendo coletivo. Quando participam de um rachão ou joão-bobo é para descontrair, para relaxar a musculatura, não é para brincar, não. O João-bobo tem objetivo. Em todas essas atividades, o técnico e/ou preparador físico ditam as normas. Em todas essas situações, mesmo durante a descontração do João-bobo, há uma certa seriedade. Ninguém fica tomando refrigerante, ninguém fica batendo papo com o companheiro ao lado. E olha que os jogadores são adolescentes ou a jovens adultos, a grande maioria gente muito simples, em geral com pouca instrução e algumas vezes extremamente infantis.

Observe-se ainda que tanto o recreio/intervalo dos alunos quanto a brincadeira de João bobo dos jogadores de futebol têm um ponto final.

Já no Congresso Nacional…..

Ah, aí o recreio não tem fim. Suponho que além daquela mesona que existe naquele palcão lá em cima, haja uma belíssima cadeira e uma mesa para cada congressista se sentar e ouvir aquele que está lá em cima. Mas eles são garotos indisciplinados e não há um professor ali a quem eles devam obediência. Aí é uma festa!!!!!!!!!! Muitos ficam amontoados em cima daquele que está falando. Será que é para aparecer na televisão e mostrar pro eleitor de seus estados que eles têm participação decisiva nos rumos da nação??? Outros ficam aos gritos no celular, muitas vezes ao lado desse que está falando; falando no microfone, porque batendo papo estão todos. Há diversos grupinhos de dois congressistas, caminhando pra cá e pra lá, em geral um deles segurando no braço do outro. Curiosa essa mania que eles têm de segurar no cotovelo do cara com quem estão conversando. Experimente segurar o cotovelo de uma mulher de personalidade por mais do que três segundos. Ela puxará o braço com toda a força e não admite que isso se prolongue por mais um único segundo.

Tudo isso sem contar a tal história do quórum. É assim: determinada matéria será votada no Congresso na terça-feira. Se houver quorum, naturalmente. Se houver quorum é tão implícito e aceito como uma lei da física. Alguém já chegou a uma agência bancária, a um shopping, a uma escola ou a qualquer outro lugar da vida real e encontrou um funcionário que estava ali apenas para informar que permaneceriam com as portas fechadas por falta de quorum??????????????

A atriz Denise Fraga, num dia em que deu quórum, há cerca de oito meses/um ano, foi ao Congresso Nacional tratar de assunto da classe artística e ficou estarrecida com o ambiente.

Com fabuloso poder de síntese, ao contrário do detalhamento desse texto, ela disse: Fiquei impressionada. Parecida um bando de garotos em volta de uma bola de futebol.

Calma lá Denise Fraga: não ofenda nossos garotos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

De maneira alguma, tenho saudades da Ditadura. Mas não posso deixar de pensar em Aristóteles e principalmente no pessoal do Casseta e Planeta. Aristóteles disse: “o homem é um animal político”. Casseta e Planeta: “O Homem Político é um animal!!!!!!!!!!!!!!!”

Domingão tem eleição!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

INFELIZMENTE SOU TEIMOSO, NÃO PERSISTENTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

De 26.09.06

Tenho boa memória e não sou tão novo.

Na Copa de 70, estava com 16 anos. Lembro-me bem de muita coisa a respeito. O time do Brasil chegou ao México desacreditado. Paulo Maluf era prefeito de S. Paulo (não vou repetir aqui, por não poder provar, a versão que explicava na época a escolha de seu nome para o cargo). Pois bem, ouvi e li nosso prefeito, então no início de sua famosa carreira política, afirmando que se o Brasil fosse campeão do mundo , ele daria um fusca para cada jogador e (salvo engano) membro da comissão técnica. Pois bem, o Brasil foi avançando, avançando e Maluf recuando, recuando. Já não era mais Paulo Maluf, na terceira pessoa como tanto gosta de dizer, mas sim a prefeitura de S. Paulo que daria os carros. Só pegar os jornais da época e ver.

O Brasil ganha a Copa, Maluf, com dinheiro da prefeitura, dá os carros, alguém entra na Justiça contra o prefeito que usara o dinheiro público.

Passam-se 35 anos e, com a rapidez que lhe é peculiar, a justiça Brasileira em última instância conclui que Maluf era inocente, uma vez que teve o aval da Câmara de Vereadores para fazer o que fez.

Deixa eu entender, como dizia uma ex-namorada: para descobrir que Maluf teve o aval da Câmara e que só esse fato era a prova e condição suficiente de sua inocência, a justiça (com j minúsculo mesmo) levou 35 anos?????????

Um parênteses desnecessário: os jogadores de então não eram milionários como hoje, mas em hipótese alguma se justificava tirar dinheiro da população com suas carências crônicas para premiar esportistas bem sucedidos.

Em conversas, desde essa época, relato o fato, digo que o cidadão não pode crer em mais nenhuma instituição do país . Logicamente, não saí pregando depredação de nada nem qualquer vandalismo. Entretanto, afirmava que uma forma de eu mostrar meu descontentamento e decepção com tudo, seria eu votar nulo até o fim de minha vida. Ainda dizia que, infelizmente, eu sou teimoso e não persistente. Embora meu dicionário eletrônico aponte que teimoso e persistente sejam quase a mesma coisa, na minha cabeça o persistente tem convicção da coisa e o teimoso apenas teima e a simples teima, além de parecer birra de criança, é muito mais fraca do que a convicção.

Pois bem, acho que sou apenas meio teimoso pois não pretendo anular todos os cinco votos, talvez apenas dois…. Ah, que inveja tenho dos persistentes!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Espero até antes da eleição expor ou, como dizem os analfabetos pretensiosos de hoje, “estar expondo” aqui minha opinião sobre o nosso glorioso (nem precisa por aspas, né??????????) poder legislativo (também em minúsculas, naturalmente!!!!!!!!!!!!!!!!)

Frases Publicadas nos Livros do Roberto Duailibi

De 22.09.06

Nota introdutória
Os que me conhecem bem e mesmo os que me conhecem mais ou menos não agüentam mais essas minhas frases e também já sabem que tenho um livro pronto apenas com frases minhas – cerca de 300 – sobre os mais diversos assuntos. Estou à procura de editora para botar o livro na Rua. Lá vão essas frases publicadas. Se vc nunca me ouviu falando uma dessas frases, pode ler que é diversão garantida.

Em tempo, o fabuloso músico Wilson Rocha, Wilson De Repente do Clube Caiubi, selecionou cerca de dez frases abaixo e fez uma música igualmente fabulosa.

Frases de Paulo Mayr Cerqueira publicadas nos diversos livros do Roberto Duailibi.

Quanto mais sou obrigado a deixar recados com filhos e empregadas de amigos, mais me apaixono por secretárias eletrônicas.

Ser novo-rico pode ser ridículo, mas deve ser ótimo. Trágico é ser novo-pobre.

No instante final, um anjo deveria vir nos avisar de que seríamos ressarcidos de todo o tempo perdido no trânsito.

Os projetos de vida foram substituídos por estratégias de sobrevivência.

Sentimentalmente, ela era tão quente quanto uma mulher inflável. Sexualmente, a inflável era melhor.

Agora que já nasci, sou a favor do controle da natalidade.

Livre-arbítrio é cada um ter seu próprio aparelho de televisão.

Às vezes, a alegria do dono do circo é ver o palhaço pegar fogo.

O sujeito que carrega um revólver dentro da calça não tem o menor amor pela pistola.

Não fazer barulho já é fazer muito.

Na vida, quem não sabe escrever sessenta é sempre obrigado a preencher dois cheques de trinta.

Mentira que detesto suar a camisa. Se preciso for, jogo tênis o dia inteiro.

“Metade da humanidade passa fome e metade faz regime”. Resumindo, a humanidade inteira passa fome.

Só os bêbados conseguem, de fato, perceber que o mundo está girando.

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Nota “Conclusória” para combinar com Nota Introdutória
Gostaram??????? As minhas outras 300 frases também são muito boas. Me ajudem a encontrar editora e patrocinadores que logo mais estarão todas elas reunidas à venda nas boas casas do ramo, banca de jornal, posto de gasolina,aeroportos, rodoviárias…ect, etc, etc…”!!!!!!!!!!!!!!!!!

EDMUNDO

De 21.09.06

Segunda-feira, há alguns anos, por volta das 13 horas.

No Domingo, o Edmundo fora expulso com toda a pompa que seu nome requer. Muitas pernadas pra todo lado, um monte de polícia pra retirá-lo do campo, mais tentativas de pernadas nos policiais e assim por diante. Não tenho nada contra esportistas irreverentes, audaciosos e temperamentais. Pelo contrário, sou fã do John McEnroe, Nélson Piquet, entre outros. Também admiro esportistas bem comportados, é verdade. Aliás, faço restrição a poucas celebridades. Jogador de futebol, propriamente dito, só me lembro de um que realmente não agüento. Um dia posso escrever alguns episódios sobre ele.

Voltando ao Edmundo e àquela segunda-feira.

Estava com meu pai em um super-mercado de porte médio. Meu pai foi pagar as contas dele em um caixa e eu estava no caixa diametralmente Oposto. Meu pai é um homem de 85 anos, de ótima cabeça e das pessoas mais educadas do mundo. Fala muito alto, como todo velho, é verdade. Apesar de extremamente educado e tratar os humildes com imensa consideração (aliás, trata bem todo mundo), vira uma verdadeira fera se é alvo de qualquer arrogância e ou estupidez. E parece que arrogância e estupidez eram os grandes atributos do gerente que foi atendê-lo.

Pois bem, meu pai não deixou barato. Com toda a razão, começou a gritar e a esbravejar com o tal gerente.

A moça do Caixa que estava me atendendo falou rindo para todos à sua volta:

– Ih gente, olha lá o Pai do Edmundo!!!!!!

Peguei meu troco às gargalhadas com a definição da mulher. Sem dizer nada, evidentemente.

Meu pai se diverte até hoje contando essa história para todo mundo. Eu, por minha vez, ganhei um irmão famoso!!!!!!!!!!!!!!!

Educação Formal x Educação Informal

De 20.09.06

Celulares e seus donos disparam em todo lugar a qualquer hora do dia e da noite; cachorros metem o focinho em sua canela nas ruas/parques/lojas/shoppings/padarias; você tem que, literalmente, fugir de carros que invadem calçadas em velocidade para entrar ou sair de garagens, quando não para estacionar nas próprias calçadas. Essas situações, entre inúmeras outras a que somos submetidos diariamente, mostram que Pedro Nava não exagerou quando disse não se lembrar de um único dia de sua vida em que tivesse saído de casa sem ser agredido. Aliás, como costumo dizer, desde sua morte (suicídio), alcançamos imenso progresso: hoje, o caminhão de gás, o alarme, que também dispara e não pára, e o cachorro do vizinho (ah, mais uma vez o cachorro!!!) nos poupam o trabalho de sair de casa e até mesmo de levantar da cama. Você é invadido em seu sono, sua mais profunda intimidade, que deveria ser, até mesmo por lei, preservado.

A tese de mestrado de um conhecido meu, em cuja casa me hospedei, mostrava, entre outras coisas, que há dois tipos de educação – a formal e a informal. Provavelmente ele abordava outros assuntos mais inéditos, dos quais não me lembro, mesmo porque esse dois tipos de educação já foram estudados na pedagogia.

A formal a criança “aprende” na escola – ler, escrever, quatro operações, história, geografia e etc.

A informal, adquire-se em casa, no convívio com os pais, irmãos, tios, vizinhos, amigos, pais de amigos…

É a educação informal que dá conta de fazer com que a criança aprenda manusear talheres, tratar com consideração os mais velhos, não interromper quem está falando. Aliás, aqui cabe um lamento: pais de todos os níveis sociais, de todas as culturas, levaram anos ensinando isso. Se imaginarmos que cada pai já falou pelo menos uma vez a respeito do assunto para seu filho e multiplicarmos por bilhões de habitantes, chegaremos a números espantosos. Pois bem, o celular atirou, precipício abaixo, infinitas horas de dedicação de civilizações inteiras. Hoje, duas pessoas estão conversando. O celular de uma delas toca. Sem o mais tênue constrangimento, ela atende, conversa a vontade, e deixa o outro com cara de idiota esperando. Aliás, celular e cachorro constituem capítulos especiais.

Apropriando-se da “tese” do meu conhecido, percebe-se que o grande problema, paradoxalmente, é a precariedade daquilo que ele chamou de educação informal. É aí que se encontra a causa da imensa maioria das pragas que assolam nosso dia a dia. Porque uma relativa educação formal todos possuem: o serralheiro sabe (relativamente) lidar com ferro, sabe fazer contas; a faxineira sabe (relativamente) fazer faxina e entende o eventual bilhete que a patroa deixa e assim por diante.

Parece até ironia, mas esse meu conhecido/anfitrião era o exemplo mais perfeito de que ele e sua tese haviam acertado na mosca.

Estava na casa de um sujeito de refinada educação formal – possuidor de título de mestre. Pois bem, quanto à educação informal, não vou definir. Limito-me a relatar dois fatos sem fazer qualquer comentário:

1) Os vinhos, razoavelmente bons que levei para ele, foram servidos em copos de massa de tomate.

2) O banheiro que tinha espelho não tinha água na pia e vice-versa. De certa forma era prático, pois o simples barbear já me deixava com a consciência tranqüila de que podia dispensar o Cooper diário.

Parece engraçado mas, como diziam os versos de Billy Blanco, cantados por Elis Regina , “o que dá pra rir /dá pra chorar/problema só de hora/ e lugar”. E na maioria das vezes é de chorar mesmo.

Outro dia fui obrigado a mudar de lugar em um restaurante pois era impossível suportar o perfume de duas peruas que se sentaram à mesa ao lado.

Frescura minha????????????? Um caso a parte???????????? Pois bem, seguem-se outros. Poderia relatar dezenas em diversas situações. Vou me restringir a dois ou três.

Durante 25 anos, fui vizinho de político de imenso prestígio e muito bem conceituado em nossa República. Naquele tempo, não havia 0,00001% do pavor de seqüestro/assalto que “assaltou” o país nos últimos tempos. Pois bem, sua mulher, bacharel em Direito do Largo São Francisco, duas quadras antes de chegar em casa, metia a mão na possante buzina de seu carro do ano importado e só largava depois que o empregado abria-lhe o portão. Aliás, o empregado, embora tenha trabalhado nessa família por algumas décadas, permanecia analfabeto.

Infelizmente, vou ter que baixar bem o nível.

Um ótimo técnico em computação e o segundo homem mais importante no Brasil de uma das maiores multinacionais do planeta, com quem já tive a desventura de jogar tênis, têm em comum duas coisas: a sólida educação formal que lhes permite dominar ciências altamente complexas em seus ofícios e a renitente recusa em usar lenço, embora ambos tenham renitente renite alérgica. É isso mesmo – os dois assoam o nariz com a mão. Aliás, André Agassi, um dos dois únicos tenistas vivos a terem conquistado os quatro torneios do Grand Slam, além de também não ser adepto do lenço, faz questão de expulsar impurezas do nariz na direção da câmera de televisão (leia-se bilhões de telespectadores) que o está focalizando em primeiríssimo plano.

Saudoso Pedro Nava, acho que começo a entender porque você não agüentou a barra!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

GUIMARÃES ROSA – Filme e Grupo de Leitura

Admiradores do grande escritor Guimarães Rosa têm diversão garantida para todas as quarta-feiras até o fim do Ano.
Depois de amanhã (24/10), na 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – Categoria Competição Novos Diretores – será exibido o Filme Mutum, inspirado em conto do mesmo nome de Guimarães Rosa. A direção é de Sandra Koguti e o roteiro de Ana Luiza Martins. O filme foi rodado em Três Marias, Minas Gerais. Do elenco fazem parte alguns moradores da Região. Tiago, garoto de oito anos, da pequena e pitoresca cidade de Morro da Garça, que fez o papel de Miguelim, deverá estar presente. A exibição de Mutum, será na quarta-feira – 24/10 – às 20:30 no Cine Bombril 1 – Av. Paulista, 2073 – Conjunto Nacional. Telefone 3285- 3696. Ingressos: Inteira – R$ 13,00 e Meira – R$ 6,50. Censura Livre

RODA DE LEITURA

Todas as quartas-feiras (exceto 24/10), a partir da 18 hs, no Instituto de Estudos Brasileiros na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo, grupo de interessados se reúne para ler e conversar a respeito dos textos de Guimarães Rosa. Rosa Haruco Tane, uma das participantes, explica que o objetivo é reunir pessoas que gostam do Autor e aqueles que queiram se iniciar no assunto. O Grupo é aberto à participação de todos os Interessados. Atualmente estão sendo lidos os contos do livro Tutaméia.

Como foi dito, na quarta-feira desta semana não haverá essa reunião, pois os participantes irão ao filme Mutum.

Mais informações, tanto sobre o filme quanto sobre a Roda de Leitura, com Rosa Hurco 9351-8760.

Atrás de Insulfilm quem pode estar??? Um avestruz???

A primeira página da Folha de hoje traz foto de carro importado com esses vidros nigérrimos de carros fúnebres sendo assaltado por pivetes armados na região do autódromo de Interlados.

Motoristas alegam que esses vidros são colocados para a segurança deles.

Uma pergunta: o que os motoristas imaginam que os assaltantes pensam que está na direção de um carro – importado do ano ou Pois é da década de 70 – ??? Um avestruz????

Não tenho e nunca tive e nem terei esses vidros no meu carro. Não poder usufruir de dias radiantes maravilhosas ou até mesmo ver a chuva cair por conta de medo, para mim é inconcebível. Se por alguma razão eu vier a colocar esses vidros, saibam todos que estarei muito infeliz,deprimido e depressivo.

Senador carismático – Isso existe???

Faculdade de Direito privada de Goiás dá aulas particulares para o senador Marconi Perillo e para sua mulher, informa a Folha de S. Paulo de hoje. O Ministério Público Federal pediu na Justiça o fim desse privilégio. A direção da Faculdade justificou-se dizendo que se os dois fossem colocados em sala normal, o “carisma” deles “faria com que fossem asediados por colegas, o que prejudicaria as aulas”.

Nunca tinha ouvido falar nesse senador, logo não tenho nada contra nem a favor dele. Mas a audácia da direção da escola de afirmar que o “carisma” de algum membro do legislativo em Brasília poderia causar assédio preocupa. Ou a direção da faculdade é de uma ironia que não tem tamanho, ou a coisa é ainda muito mais grave. Ou seja, responsáveis por um órgão de ensino superior não têm a menor noção do que signifique a palavra carisma.