Mansões, Casebre, Batatas e Pizzas de Sarney

O escritor-senador  José Sarney, que não é bobo nem nada, em sua coluna de hoje na Folha de São Paulo, sequer menciona  as palavras política, senado, parentes. 

Ele conta  que “passei  pelo lápis, pelo tinteiro, pela caneta-tinteiro, pela esferográfica, pela máquina de escrever manual e elétrica e desembarquei no Computador”. Fascinado,  lá pelas tantas, cita o Google Earth . Diz ele: “para mim, um milagre, com sua capacidade de mostrar na tela a casa de todo mundo no mundo, inclusive a minha.”

Perguntas:

A que casa será que ele se refere???

Opção 1 – À da praia do Calhau, em S. Luis do Maranhão???

Opção 2 – Sua casa de Brasília, “avaliada em R$ 4 milhões onde mora, na Península dos Ministros, área mais nobre do Lago Sul de Brasília, comprada do ex-banqueiro Joseph Safra em 1997″???

Opção 3 – Ou ele se refere ao   casebre no Amapá em que ele declarou residir para poder se candidatar ao senado por esse estado???

Se a resposta for a opção 3, realmente o “tal do Google Earth” é um fenômeno. Porque de tão pequena, tão insignificante, principalmente para um presidente-literato, pode-se dizer que ela nem mesmo existe!!!

Já as outras duas casas, tal qual a Muralha da China, talvez  sejam vistas   até mesmo da Lua.

Mas presidente José Sarney , por favor não responda agora.  Agora curta o seu tão merecido recesso parlamentar!!!

Aliás, gostaria que me explicassem por que se chama recesso Parlamentar??? 

Eu vou no popular.  Para mim, são férias mesmo!!!  Congresso/congresssistas  têm mais férias que crianças na escola. Mas falar férias pega mal.  É Recesso!!!

Sarney termina seu artigo citando Machado de Assis: “e, aos vencedores, as batatas”.  

Talvez tenha se esquecido de dizer: para a opinião pública, as pizzas!!!

FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS E O LEÃO

Ouvi na CBN e leio na Internet que a Prefeitura de S. Paulo lançou ontem um Portal com nomes, cargos e salários de 162 mil servidores ““com exceção dos que trabalham na GCM (Guarda Civil Metropolitana – por questão de segurança – e outros dados das finanças municipais. Visando  dar maior transparência, a medida gerou protestos dos trabalhadores.” 

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, dois sindicatos de servidores decidiram entrar na Justiça contra  a divulgação do salário por entenderem que a isso viola a privacidade e prejudica a segurança dos funcionários.

De acordo com o que ouvi na rádio, outro motivo de revolta seria a publicação do horário a ser cumprido e o local em que cada funcionário dá expediente.

Sem entrar no mérito de que o funcionalismo ganha muito ou ganha pouco, menos ainda sem a mais tênue intenção de desmerecer quem quer que seja,  o fato me lembrou duas historinhas:
A primeira, um clássico, é do funcionário que chega de manhã, pendura o paletó na cadeira e se manda da repartição.  Quando alguém pergunta por ele, os colegas informam:
– Deve estar por aí.  Olha o paletó dele.

A segunda história. 
Havia um leão solto na repartição.  O leão comeu  a secretária e ninguém desconfiou de nada.  O leão comeu o diretor e ninguém imaginou coisa alguma.  O leão comeu o superintendente e nada de levantar qualquer suspeita.
Quando o leão comeu o homem do cafezinho, descobriram  que havia um leão solto na repartição!!!

Óleo no Ralo, Veneno para Água. Participe da Campanha de Coleta

Um litro de óleo de cozinha despejado na pia contamina 20.000 litros de água de rios, represas e lagoas.  Sem contar problemas de entupimento de canos. 

Para conscientizar a população,  50 padarias de S. Paulo lançaram hoje na Capital Campanha de Reciclagem e Recolhimento de Óleo Usado de Cozinha.  A iniciativa é do Sindicato de Panificação,  Associação da Indústria de Panificação e do Instituto do Desenvolvimento da Panificação e Confeitaria.  Antônio Saú Rodrigues, gerente de Marketing dessas entidades, explica  que grande parte das 4.000 padarias da Grande S. Paulo já coletam todo o óleo que usam e encaminham para  Instituições de Caridade.

Algumas redes de supermercados também recolhem o  óleo que os consumidores levam em garrafas plásticas.  Mas, segundo Saú, em média, uma dona de casa vai duas vezes por mês ao supermercado e 17 à padaria.  Essa iniciativa facilita a vida de quem quer colaborar.

As padarias interessadas em participar da coleta receberão gratuitamente  cartazes e também folhetos explicativos da Campanha para distribuir aos seus freqüentadores. 

Além disso,  foi desenvolvida uma garrafa com uma boca bem larga (e tampa)  para que a dona de casa despeje direto o óleo  da frigideira.  Quando essa garrafa estiver cheia, ela é encaminhada para a padaria que recolhe o óleo e devolve a garrafa.  Essa garrafa tem o custo de R$ 1,50 para a padaria.  O valor, que cobre apenas o custo do produto, explica Saú, é apenas para evitar que o consumidor descarte a garrafa ao invés de reaproveitá-la.  A campanha é permanente.
Foram firmados convênios com duas Instituições – Bioauto e ONG Trevo -, que recolhem o óleo nas padarias e dão destino adequado: fazem sabão ou biodísel.  A ONG Trevo é Instituição de Caráter Social e a Bioauto é de caráter comercial.

Essa é a 2. fase da Campanha de Responsabilidade Social das Entidades de Panificação.  A primeira fase foi da sacola plástica vai e volta – não descartável.

Panificadoras interessadas em fazer parte da Campanha de Reciclagem e Recolhimento de Óleo Usado de Cozinha.podem se inscrever através do telefone 011 3291-3700 com Antônio ou Cristina.  Demais interessados também podem usar o mesmo número.

Parar de Fumar – A Hora é Agora!!!

Encontro minha sobrinha e ela diz que minha irmã (não a mãe dela) estava com problemas de saúde, por conta do cigarro, naturalmente. Ligo para dar meu apoio, oferecer ajuda e –  SURPRESA: a voz dela estava infinitamente melhor. 

Digo que liguei  para saber as novidades e ela me explica:

– O médico me disse que não poderia ser operada.  Me deu duas opções: parar de fumar ou perder a voz.  Parei faz dois dias.

Repetindo, a melhora em dois dias da voz dela foi impressionante. Dei os parabéns!!!  Incentivei, sem dramatizar nem encher-lhe de bons, chatos e fáceis   conselhos de quem não fuma. 

Ressaltei para ela – e ressalto agora para todos os fumantes – que o momento certo de parar é agora. A Lei Antifumo vai tornar a vida do fumante um inferno e o fumante, propriamente dito,  um marginal, no sentido de marginalizado, estigmatizado. 

Um filme de muitos anos atrás sobre Patrícia Galvão, Pagu,  musa do Movimento Modernista de 22,  traz  cena que sempre achei de um ridículo/uma imbecilidade  sem tamanho.  O pai de Patrícia a chama para uma sala, senta-se em uma poltrona  e solenemente anuncia:

– Patrícia, já está na hora de você aprender a fumar!!!

Histórias como essa, lembranças de galãs e mulheres sedutoras fumando com longas piteiras já fazem parte do passado, antes mesmo de a lei entrar em vigência.

O presidente Lula – fumante – apesar de sua prodigiosa inteligência e carisma, disse em meados de setembro do ano passado: “Eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado.” Mas acender um cigarro em público, diante de cinegrafistas, de fotógrafos ele não acende em hipótese alguma, não é mesmo??? Aliás, faz muito bem.  Pelo menos não dá mau exemplo!!!

Tô muito chato com esse texto cheio de boas intenções das quais o inferno está repleto e termino com uma piada bem a propósito – engraçada para os não fumantes,  já para os fumantes…

O presidente de uma grande companhia multinacional de cigarros soube de um sujeito do campo de 95 anos de idade que fumava quatro maços de cigarros por dia.  Eufórico determina: 

– Segunda-feira de manhã bem cedo, quero esse cara aqui, para dar uma entrevista coletiva para todo o mundo e, definitivamente, provar que o cigarro não faz mal algum!!!!

Um assessor informa que a coletiva não poderia ser na segunda de manhã.  Aflito, o presidente pergunta por que não???  O assessor explica:

– Como todo velhinho  camponês, ele acorda muito cedo, quatro cinco da manhã.  Mas da hora que ele acorda até as duas da tarde ele TOSSE!!!

Pizza com Ketchup, Pizza no Almoço, Pizza de Tudo – São de Matar!!!

Para comemorar o dia da Pizza, hoje, rápidas considerações, com minhas idiossincrasias de sempre – naturalmente!!!

Ouvi no Rádio hoje de manhã que no Rio se come pizza com Ketchup.
Não dá, não é mesmo???

Comer Pizza no almoço  também não dá!!!

Conhecido meu dizia que para atenuar aquela sensação que toma conta de todo mundo no comecinho da noite de domingo, deve-se assistir a um filme leve no cinema e comer uma Pizza depois (no Camelo, aí já é por minha conta – Pizzaria Camelo – a melhor pizza do mundo -. R. Pamplona com Estados Unidos, Jd. Paulista, SP, Capital -Fone 3887 – 6004;  3887-8764 – um dos endereços.  Não comi todas as pizzas do mundo, naturalmente, mas não pode haver melhor!!!)

Não adianta ser criativo e querer inventar pizza de tudo quanto é coisa. Pizza são quatro ou cinco:  mussarela, calabresa, aliche, alho e óleo, uma ou mais duas das quais não me recordo. O resto é papagaiada!!!!

A respeito dessa criatividade sem limites, frase minha para encerrar o assunto:

Logo  mais vão inventar a pizza de feijoada e, em seguida, a de sushi

Boas pizzas hoje e sempre  para todos nós, paulistanos, cariocas, brasileiros e italianos!!!

Vôo 447 da Air France e a Morte Presumida

Por Miguel  Gutierrez*

Para explicar como ficam familiares e herdeiros das 228  vítimas do vôo 447 do Airbus da Air France que partiu do Rio no dia 31 de maio em direção a Paris e caiu sobre o Oceano Atlântico,  Boca no Trombone pediu para Miguel Gutierrez, advogado do escritório  Paulo Roberto Murray , artigo a respeito. O assunto é complexo. É interessante.
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O instituto da morte presumida, previsto em vários dispositivos da legislação brasileira, permite que os familiares de vítima de catástrofe ou de pessoa que desapareceu sem deixar vestígio possam garantir judicialmente seus direitos à herança, seguros de vida, pensões entre outros direitos.

A declaração de morte presumida nada mais é do que o procedimento legal utilizado para atestar o falecimento de vítimas de acidentes cujos corpos não foram encontrados após o encerramento das buscas e posterior declaração oficial das autoridades de que não foi possível o seu reconhecimento ou localização. O procedimento exige a intervenção do Ministério Público para solicitar ao juízo a declaração da morte presumida mediante comprovação idônea de que a pessoa estava no local do desastre.

O procedimento deve ser iniciado pelos interessados (em geral o cônjuge ou, em sua falta, o pai, a mãe ou os descendentes) depois de encerradas as buscas e da declaração oficial das autoridades de que não foi possível o reconhecimento ou a localização da vítima do acidente, sendo encerrado com o reconhecimento pelo juiz de que ocorreu a morte presumida da vítima. Como a legislação é bastante clara, raramente os Tribunais Superiores são acionados para julgar esse tipo de caso. Em geral, eles são julgados definitivamente já na primeira instância.

O conceito de morte presumida e seus efeitos jurídicos estão disciplinados no Código Civil, que prevê duas hipóteses distintas: a morte presumida com a decretação de ausência e a morte presumida sem decretação de ausência.

Assim, determina o art. 7º do Código Civil:

“Art. 7º – Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I – se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II – se alguém desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra”.

O parágrafo único do mesmo artigo dispõe que “a declaração de morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento”.

Por outro lado, o art. 88 da Lei de Registros Públicos admite a justificação judicial da morte para assento de óbito de pessoas desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra catástrofe, quando estiver provada a sua presença no local do desastre e não for possível encontrar o cadáver para exame.

Em tragédias aéreas, como a do avião da Air France que caiu recentemente no Oceano Atlântico, a justiça tem aplicado conjuntamente o art. 7º do Código Civil e o art. 88 da Lei dos Registros Públicos para declarar a morte presumida sem a decretação de ausência. A declaração judicial da morte presumida substitui o atestado de óbito.

Em resumo, o direito brasileiro prevê dois institutos diferentes para casos de desaparecimento em que não é possível a constatação fática da morte pela ausência do corpo: o da ausência e o do desaparecimento jurídico da pessoa humana.

Na primeira hipótese, a ausência ocorre com o desaparecimento da pessoa do seu domicílio, sem que dela haja mais notícia. Nesse caso existe apenas a certeza do desaparecimento, sem que ocorra a imediata presunção da morte, já que o desaparecido por voltar a qualquer momento. Dessa forma, a Justiça autoriza a abertura da sucessão provisória como forma de proteger o patrimônio e os bens do desaparecido.

Já no desaparecimento jurídico da pessoa, a declaração da morte presumida pode ser concedida judicialmente independentemente da declaração de ausência, eis que o art. 7º do Código Civil permite a declaração da morte se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida, como são os casos de naufrágio ou acidente aéreo. Contudo, a declaração da morte só pode ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.

Dessa maneira, como visto, o direito assegura que, com a morte presumida, os herdeiros do falecido possam garantir seus legítimos direitos de herança, pensões, seguro de vida, indenizações e outros, resolvendo uma situação da vida que, caso não fosse prevista na legislação, causaria uma série de problemas de difícil solução. 

A solução encontrada pelo direito talvez não seja a mais justa, mas, sem dúvida, assegura uma solução para esses casos de infortúnio, infelizmente presentes na vida das pessoas.
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*Miguel Gutierrez  é advogado formado pela São Francisco da Universidade de São Paulo – USP- , turma de 1989.  Especialista em Direito Tributário e Empresarial, é autor do livro “Planejamento Tributário: Elisão e Evasão Fiscal”-  Editora Quartier Latin. Trabalha no escritório de advocacia Paulo Roberto Murray

Corinthians e Presidente – Vale Tudo; Exceto Falta de Consideração!!!

1. O  presidente Lula tem todo o direito do mundo de fazer as mais que infinitas metáforas dele com futebol.

2. O presidente Lula demonstra  seu imenso bom gosto ao torcer para o Corinthians. 

3. O presidente do Clube Andres Sanches e o ídolo Ronaldo podem  fazer a média que quiserem – e  conseguirem –  para mostrar afeto e até mesmo  bajular o Presidente da República.

Agora,  deixar na mão centenas de torcedores que foram ontem até o Aeroporto de Guarulhos saudar o time e continuar no avião para receber cumprimentos do presidente da República, como fez grande parte da Delegação do clube, em Brasília  – isso não pode mesmo!!! 

Como se diz hoje em dia, o Corinthians deu um perdido na Torcida!!!

Foi, nas palavras de Noel, Um Palpite Infeliz.  Para mim, isso tem outro nome: Falta de Educação, mais grave ainda e, principalmente,  Falta de consideração.

A idéia do evento (usando palavrinha boba da moda boba), segundo a Folha, do Jogador Ronaldo,foi infeliz  e palpites infelizes não faltaram.

A proposta do presidente  Lula ao presidente do Clube de se fazer um pacto para que nenhum jogador ou membro da equipe técnica deixe o Parque São Jorge é Brilhante.  Brilhante, fabuloso, formidável é  um avião que  voe na velocidade da Luz, a cura de todas as doenças, o fim da miséria, etc, etc, etc 
Mas idéias só são brilhantes se forem viáveis, exeqüíveis.  Caso contrário, são apenas palpites Infelizes!!!

Zona Azul “Reaproveitável” – Bolso e Meio Ambiente Agradecem

A partir dessa quarta-feira, o talão de Zona Azul sobe nos Revendedores Oficiais  de R$ 18,00 para R$ 28,00 e as folhas avulsas serão vendidas a R$ 3,00.  

É um ótimo momento para a Prefeitura tomar medida  simpática para todos aqueles que usam a Zona azul.
Aliás, trata-se de providência extremamente  justa que irá, inclusive, propiciar um clima de cordialidade entre os paulistanos.  Basta  a Prefeitura determinar  que não será necessário se colocar a placa do veículo no Cartão da Zona azul. Assim sendo, se eu estacionei por quinze minutos na Zona Azul e não vou mais estacionar o carro na próxima hora, ao deixar a vaga que  ocupava, eu posso ser cordial e oferecer o meu cartão para o proprietário do carro que está estacionando e que, muito provavelmente, também não usará mais do que quinze ou vinte minutos do tempo a que o mesmo cartão ainda dá direito.

Uma mesma folha pode servir para três – até quatro – motoristas.  Como diz Danuza Leão, com todo o charme que lhe é próprio,  tem melhor do que isso???

Quando o dinheiro é curto ( e isso é crônico no Brasil), simples medidas administrativas – de custos baixíssimos – podem se constituir em algo fundamental  e  fazer grande sucesso.  O prefeito Mário Covas isentou velhinhos (idosos – termo mais politicamente correto) de pagar condução.  O custo para a cidade foi ínfimo;  a providência , justíssima e, principalmente, simpática!!!

Idéia tão simpática quanto a medida do prefeito Mário Covas não sou capaz de ter,  Entretanto, essa do cartão de zona Azul “reaproveitável” não é de se jogar fora, hein!!!  Por falar em jogar fora, ainda há o aspecto ecológico da coisa:  economia de papel, celulose, produtos químicos de impressão, diminuição de lixo.

Vou fazer uma confissão.  Essa idéia não é minha. Logo que surgiu a Zona Azul, o usuário não precisava colocar a placa do carro e os cartões eram reaproveitados. Nessa época, era comum se presenciar cenas de camaradagem entre os motoristas que estavam saindo e os que estavam chegando nas área de Zona Azul.

Minha ou não,  duvido que qualquer paulistano seja contra!!!

Mãos à obra;  ou melhor, bem mais rápido e simples, mãos à caneta, Prefeito e Vereadores!!!! 

Talvez – prefeito e vereadores –  políticos estejam precisando melhorar a imagem que a população tem de vocês. Talvez!!!

“MICHAEL, SORVETES E GENTILEZA

Roney Giah, brilhante músico do Clube Caiubi que estudou música na Califórnia, conta seus dois encontros com Michael Jackson no seu blog.  Quem quiser pode ler abaixo ou no blog do Roney. É legal.  Vale a Pena!!! http://www.roneygiah.com.br/blog/busca.asp?from=link&idcont=72

Ele riu.
Pausou seu andar, me olhou e disse:
– Ok, give me your card. (okay…me dá seu cartão)

Seu nome era Michael Jackson.
Eu era um estudante de música em Los Angeles e aquela era minha primeira semana na América.
A história que antecede essa cena e sua continuação é mais ou menos simples, com exceção da mágica que a envolve.

Eram meus primeiros dias no M.I. (Musicians Institute), uma faculdade de música em Los Angeles que estudei de 1993 à meados de 1994. Acabara de achar um lugar para morar de aluguel, numa garagem de uma casa em Highland Park há 15 minutos do centro de Hollywood. Uma casa calma, onde morei os 16 meses que passei por lá, cujo gentil dono, se tornou uma grande amizade que carrego até hoje.
Na primeira semana de escola, tive a oportunidade de fazer algumas aulas com a Jennifer Batten, na época guitarrista de Michael Jackson, que alucinava o mundo da guitarra com seus solos virtuosos e sua energia espantosa.
No meu primeiro sábado Estado Unidense, após meu debut na faculdade, fui convidado por Jorge Briozzo, o gentil dono da casa, para conhecer a praia de Santa Monica, uma vez que eu ainda não tinha um carro.
Muito bacana.
Um sol quente, porém moderado, diferente do forno habitual do litoral brasileiro, uma areia fina e distante da água fria que quebrava na praia, falafel no papel para enganar a fome e boas conversas. Ao fim de nossa sessão praiana, umas 16hs, estávamos indo ao estacionamento pegar o carro para voltar para casa, quando ao som de uma buzina, Jorge me pegou pelo braço e disse baixo, tentando não mover os lábios:
– Esse na Cherokee verde acenando e buzinando pra gente é um amigo meu, o Adrian. Se ele nos convidar para almoçar, responda “não”. Da última vez, ele me levou num restaurante muito caro aqui em Malibu, fiquei quatro meses pagando a conta.
Ri da história e assim fomos ao encontro da camionete do Adrian.
De janela aberta, sorridente, muito simpático, ele nos cumprimentou animado, perguntou qual era meu nome e após breves apresentações, sem cerimônia, disparou:
– Vamos almoçar?
Jorge disse não imediatamente.
Adrian insistiu.
Jorge comentou que o estacionamento ia ficar caro, que estava tarde e que tínhamos acabado de comer um falafel.
Adrian respondeu:
E daí ?
Brasileiro e desbocado, interrompi aquela conversa chata, confessando:
– Sabe o que é Adrian…estamos duros. Então tem que ser um lugar bem barato ou você nos ajuda a pagar a conta (nesse caso, paciente leitor, ele era nitidamente resolvido financeiramente).
Adrian parou de sorrir, olhou pra baixo rapidamente – como quem faz contas de cabeça – e respondeu:
– Claro, entrem logo antes que eu mude de idéia. E riu de suas próprias palavras.
Fomos ao primeiro restaurante; fechado (eram 16hs).
Adrian disse: conheço um bem bacana que está aberto.
Um minuto depois, ainda no bairro de Santa Monica (onde Michael morava) e sentado no banco de trás do carro, o que vi foi matematicamente improvável:
Pelo reflexo do vidro espelhado da janela de um Café Francês do outro lado da rua, vi uma porta de uma camionete limusine GMC branca abrindo e Michael Jackson saindo. Não sei se me fiz claro, mas só para constar: Se estivesse 1 ou talvez 2 segundos atrasado ou quem sabe adiantado, ou mesmo sentado no banco da frente, não teria ângulo suficiente para ver o reflexo da tal janela e conseqüentemente ver o Michael abrindo a porta. Tudo parecia curioso demais.
Era, porém, claro para mim o que tinha que fazer.
Falei com toda falta de intimidade que tinha com o dono do transporte:
Adrian… pare o carro. O Michael Jackson está entrando num café do outro lado da rua.
– Quem?
– Michael Jackson.
– Como você sabe?
– Eu vi.
– E se for um sósia?
– Numa camionete limusine GMC de meio milhão de dólares?
– Adrian – bom de contas – emudeceu, mas não parou o carro.
Falei num tom mais ansioso:
– Adrian, pare o carro, por favor.
– Mesmo se for ele, o que você vai fazer?
– Trocamos olhares pelo retrovisor e ele entendeu que eu estava em um estado pouco negociável.

Paramos o carro, já longe e corri para o café. Antes de entrar, olhei dentro da limusine; três seguranças jogavam cartas despreocupados. No café – vazio – um casal de velhinhos comia um sundae.
Perguntei ao único garçom da casa, que secava copos:
– Onde está o Michael?
– Que Michael?
Decifrei a charada imediatamente: acredite ou não, Michael Jackson parou para ir ao banheiro e ninguém o viu entrando no lugar.
Procurei o banheiro e nada…o café era grande.
Até que vejo do outro lado do balcão uma porta se abrindo e Michael saindo.
Adrian, que já tinha alcançado o café e estava por lá, o cumprimentava com alegria.
Com passos apressados cheguei a Michael:
Óculos espelhados Ray-Ban, ombreira dourada, calça preta e camisa preta (sem as famosas fardas douradas, num estilo mais “casual”) ele me cumprimentou.
Com as mãos no bolso e muito relaxado, ficou parado, como que esperando uma conversa (pois na minha mente, ele teria me cumprimentado e saído às pressas).
Chocado com o súbito interesse, disse:
– Sabe, estou tendo aula de guitarra com a Jenniffer…
– Really?
E assim, do nada…ali estava eu…conversando de música com o Michael Jackson com meus pés cheios de areia. Falamos de guitarra, do que ele gostava no estilo da Jenniffer , da sua banda, até que ele me perguntou da onde eu era e comentei que era do Brazil.
– Really??! E num tom mais animado, falou:
– Cara, eu adoro o Brazil…
Perguntei por que ele não tinha tocado ainda no Brazil (era 1993). Ele me perguntou se eu achava que as pessoas iriam ao show. (rsrsrs)
– Cê ta brincando? Bobear, você tem mais fãs lá do que aqui.
Ele riu. Começou a se mover em direção a porta de saída lentamente.
Pensei:
– Puxa, já era…e perguntei:
– Você precisa ir, né?
– Não… queria tomar um sorvete…quer um?
(ceeeerto…)
– Claro. (puta merda…como é surreal escrever sobre isso)
Mas na rua, do lado de fora, outra realidade se aproximava:
Adolescentes que estavam por perto esperavam sua saída, talvez por acharem que não podiam entrar no café…não sei.
Ali, notei que acabara meu momento de privacidade com ele.
Falei sem pensar:
– Michael, queria tocar com você. Uma canção lhe acompanhando na guitarra, me daria inspiração para uma vida inteira.
– Ele parou de andar e se virou. Com um leve sorriso, ele me passou a expressão mais confiante que recebi em 20 anos de carreira encontrando todos os artistas que a vida me possibilitou conhecer. Balançando a cabeça afirmativamente, seu olhar e seu rosto diziam: “That’s it boy. That’s the attitude”.
Respondeu prontamente:
– Ok, give me your card. (okay…me dá seu cartão)
– Não tenho cartão ainda. Cheguei do Brazil faz uma semana.
– Michael olhou um vaso decorativo em cima da mesa, levantou-o e pegou um papel que estava embaixo dele. – Olha…Escreve seu número aqui.
– Escrevi meu telefone (o do Jorge Briozzo, na verdade) apoiado em suas ombreiras.
Ele saiu. As adolescentes atacaram.
Distanciei-me e sentei, chocado.
Vi ele pegar o sorvete, mas a pequena multidão crescia e ele correu pra sua limusine com o sorvete na mão.
Antes de entrar, ele parou e olhou dentro do café, como que me procurando.
Pensei:
– Não é possível…
Mas era. Ele veio até a porta, me viu sentado. Tirou o papel com meu telefone do bolso e o sacudiu no ar, como quem diz:
– Do caralho sua coragem brother…
Passei um mês grudado no telefone. Comprei fitas novas pra secretária. Mas ele não ligou…rs
O único comentário do Jorge nesse dia foi: “Não acredito ! O Michael Jackson tem meu número ?! rs
Sua presença era calma e foi sem dúvida o mais humilde pop-star que conheci, que conversei.
Tratou-me como igual, apesar de sua grandeza evidente.

Dois meses depois, e passado a alvoroço, saí da faculdade para almoçar.
Andava por Los Angeles pelos Back Alleys (aqueles becos que aparecem em filme). O pessoal da escola dizia que era muito perigoso andar pelos becos, mas pra brasileiro aquilo era uma piada…sério – tinha até umas tabelas de basquete penduradas pros “bandidos” brincarem.
De repente, sozinho no beco, vejo uma camionete limusine GMC branca vindo em minha direção a dois por hora, apertada no estreito beco – que não pode entrar carros, aliás…
Penso:
– Cê ta zoando ?
Não. O destino não estava brincando.
Era o carro de Michael com quatro policiais acompanhando-o a sua volta, vindo na minha direção.
Tive que parar, não dava nem para ficar ao lado da janela, pois era muito apertado pra camionete passar.
A Limo parou. A porta abriu. Michael saiu.
Só tinha eu no beco. Aproximei-me e uma policial fez sinal com a mão de “chega pra lá”.
Michael percebeu a tensão e me olhou. Parou de andar e sorriu, como que se soubesse que me conhecia, mas não lembrava da onde. Hesitou, veio em minha direção, mas a policial pôs a mão em suas costas e ele parou.
Pôs o dedo indicador no lugar do relógio (mesmo não usando nenhum relógio), como quem diz:
– Pô…to atrasado…senão parava pra conversar.
Eu sorri. Ele deu tchau. Corri pra rua. Na Hollywood Boulevard tinha uma cerimônia no Wax Museum de sua primeira estátua de cera.
Aqui no Brasil, cinco anos atrás, tomando um vinho com Paulo Ricardo do R.P.M., Carlini e o pessoal da casa noturna que eu me apresentava, o Marcenaria, Carlini me disse que o Michael deu um pedal Wha Wha pra ele quando eles se conheceram no festival que teve Rita Lee , Jackson 5 e muitos outros.
O Rei da gentileza.
O Rei da dança.
O Rei da música.
O Rei da voz.
The king of pop.
Não haverá outro tão cedo.
Um beijo pra você, meu irmão, que nos ajudou a sonhar mesmo sem saber.

Daniel Alves, Bendita Exceção Brasileira!!!

Talento todo jogador brasileiro tem de sobra (fazer generalizações a favor  é uma delícia).  Manter a  concentração durante o jogo em si são outros 500 (500 mil euros no caso dos nossos meninos de ouro). Tá vendo, generalizações negativas são antipáticas, mas, infelizmente, quase sempre verdadeiras a esse respeito.

 Daniel Alves, aos 42 minutos do 2. tempo, apenas  seis minutos após entrar em campo, ao bater aquela falta, felizmente, contrariou essa teoria.   Digo felizmente muito menos pelo gol salvador que marcou do que por um detalhe. A compenetração que demonstrou  durante todo aquele lapso de tempo entre a “permissão” do líder, também exemplo de seriedade e empenho, Kaká , para bater a falta até colocar a bola no ângulo foi impressionante.  Ele pegou a bola com a mão, olhou firme para ela.  Sério, sempre muito sério,  colocou no gramado e partiu para o chute fulminante.

A falta dessa atitude de compenetração em jogadores brasileiros em momentos decisivos sempre me chamou  atenção.  Eles caminham displicentemente para chutar um pênalti.  Pênalti é algo tão raro, tão importante que Nélson Rodrigues dizia que o Presidente do clube é quem devia cobrar.  Os geniais jogadores da Copa de 82 tiveram essa seriedade ao cobrar aqueles pênaltis??? 

Sempre observei isso, naquele tempo o Lula não tinha soltado o verbo nas suas metáforas e eu já usava uma metáfora tão ao gosto do presidente.  Eu dizia: 

– É curioso, o tenista Bjorn Borg ( ganhou, entre outros, cinco ou seis vezes o Torneio de Wimbledon) dá aproximadamente 150/200 saques por jogo.  A cada saque, sua concentração é total.  O jogador brasileiro cobra um ou dois pênaltis por mês,  um pênalti na vida e outro na morte em Copas do Mundo.  Pois é, apesar de tudo, ele vai para a bola com a mesma  tranqüilidade que se vai para cama na hora de dormir.

Que a atitude de Daniel Alves sirva de exemplo não só para jogadores de futebol patrícios como para muitos profissionais – de todos os níveis – que muitas vezes em momentos decisivos tem a displicência dos irresponsáveis na hora do pênalti.