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Esses Toscos Portugueses e suas Fabulosas Máquinas de Fazer Dinheiro – 3 –

Freqüentava cerca de meia dúzia de padarias espalhadas pela zona oeste.  Dependendo  do lugar onde estivesse,  parava em uma delas para um café de máquina.   De uns seis meses para cá,  a tosquice – para não dizer barbárie/estupidez  – foi ficando de tal maneira forte que fui obrigado a cortar várias delas.  Daqui a pouco, fico sem nenhuma.

A última tosquice, ou a mais recente, já que a criatividade desses  portugueses  para tosquice só não é maior do que a grana que ganham, por trabalho e também por extrapolarem de forma absurda nos preços.

Parei no estacionamento para tomar um café em uma das “minhas” habituais padarias.  Pedi para a moça que estava distribuindo as comandas na entrada se ela não poderia me forncer uma sacolinha (é dessas sacolinhas mesmo, as  utilíssimas e execradas por todos) que estava ao seu lado.  Ela concordou e  estendeu uma para mim.

Quando eu fui pegar, um dos sócios aparece e protesta veementemente, dizendo que aquelas sacolinhas custavam dinheiro e que eu não podia pegar.  Esclareci que não estava pegando, já que a funcionária havia concordado em me dar.  Ele me disse que não interessava e repetiu algumas vezes que aquilo custava dinheiro e que não era para ser distribuído.

Perguntei se ele não estava lembrando-se de mim, já que era freguês habitual.  Ele  disse que sabia perfeitamente que eu era freguês, mas que isso não interessava, pois, pela quarta vez, repetiu  que as sacolinhas tinham um custo.

Fui-me embora.  Não volto mais.  Ontem liguei para lá e mandei chamar o sócio meu conhecido, um encanto de pessoa, expliquei o que havia acontecido e já informei que não voltaria mais.  Ele pediu que eu não abandonasse o local e que passasse a frequentá-la apenas no período da tarde e deu a razão.  Disse textualmente.

–  O pessoal que fica aqui de manhã são uns cavalos.

Eu falei: 

–  Bem, é o senhor que está chamando os seus sócios  de cavalo, não fui eu quem disse.  Mas já que o senhor mesmo fez a comparação, eu completo: são cavalos,  com a inteligência de  burro,  para tratar um freguês habitual dessa maneira.

Aliás, cabe bem uma frase de domínio público:

– A natureza limitou a inteligência, mas não limitou a burrice.

Daqui a pouco só vai me restar comprar uma máquina de café expresso para o  escritório e outra para minha casa. 

Quem quiser ler as tosquices/tosqueiras  anteriores, é só clicar:

http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/08/17/esses-toscos-portugueses-e-suas-fabulosas-maquinas-de-fazer-dinheiro/

http://bocanotrombone.ig.com.br/2011/04/25/esses-toscos-portugueses-e-suas-fabulosas-maquinas-de-fazer-dinheiro-2/

“Galã” Ed Motta Diz que o Povo Brasileiro é Feio.

A seção  Folha Corrida (Folha de S. Paulo) de hoje  informa que Ed Motta lamentou  os comentários que havia postado em seu Facebook. A saber: “Mulher feia tem que ser megacompetente e que a cantora Paula Toller é linda, burra e sem talento.”  Ele disse ainda que brasileiro é um “povo feio”.

Será que ele, Ed Motta, considera-se bonito???

Dá para entender  que pessoas públicas, tendo que opinar sobre um monte de coisas, falem  muita besteira.  No caso do cantor, entretanto, ele escreveu porque quis.  Tenho uma frase que pode ajudá-lo daqui pra frente. Lá vai:

“Tem gente que precisa contar até três antes de dizer qualquer coisa.  TRÊS MILHÕES!!!”

No caso dele que escreveu, acho que antes de postar o comentário, ele devia ter contado, isto sim, até TRINTA MILHÕES!!!

A Mesquinhez Inglesa e a Obrigação de Sustentar o Fausto Real

Sempre me encaficou o fato de o povo Inglês,  tão mão de vaca/pão duro, ser obrigado a sustentar o fausto da Família Real Inglesa.  Sou sujeito absolutamente contra os dois extremos: desperdício e mesquinhez.  

E a experiência de viver durante quase dois meses em casa de família inglesa, onde pagava para me hospedar, me mostrou um povo mesquinho.  Na verdade, em um dos episódios, a dona da casa chegou a ser Absolutamente Desonesta, para não dizer ladra,  comigo.  Outros brasileiros, que estavam nas mesmas condições de hospedagem que eu, me relatavam experiências muito semelhantes.  Ou seja,  o que aconteceu/acontecia comigo  era   regra e não exceção.

Às vésperas de mais esse Teatro Real – casamento do príncipe William –  , talvez valha a pena reler o texto que já publiquei aqui e imaginar, como será que pessoas que surrupiam um ovo, uma fatia de pão de seus hóspedes encaram essa Gastança de Impostos pela Família Real.

Deixo também links desse texto e de outro texto de assunto próximo, porque os comentários valem a pena 

http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/03/26/nao-banho-e-mesquinhez-inglesa/

http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/03/24/barbudos-x-barbeados-banheira-x-chuveiro/

Uma leitora foi precisa em seu comentário.  Disse algo assim:  a Diferença entre o brasileiro e o Inglês/europeu (acho que ela abrangia a Europa) é que individualmente nós somos limpos e socialmente, somos sujos.  Eles são o contrário disso: socialmente,  limpos; individualmente,  sujos.  A observação é perfeita.

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Lá vai o texto,  já publicado em Setembro de 2009. 

Título:  Não Banho e Mesquinhez Inglesa

Meu post de anteontem sobre barbas, barbudos, banhos de banheiras e não banhos de ingleses recebeu  vários – para os padrões do Boca,  naturalmente – comentários.

Costumo responder cada comentário individualmente.  Para facilitar a coisa e também por  ter percebido que o assunto ingleses ainda não se esgotou,  retomo o tema; conto mais detalhes da minha experiência vivendo  na casa de  uma família classe média típica. Foi bem legal.  Mas notei que diversas coisas curiosas na rotina dos ingleses que também foram lembradas por alguns leitores. http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/03/24/barbudos-x-barbeados-banheira-x-chuveiro/ 

Durante os dois meses que passei lá em Bournemouth, cidade ao sul da Inglaterra, próxima a Londres, viajei todos os fins de semana. (saia  sexta à tarde e voltava domingo para dormir). Assim, a questão dos três banhos semanais a que tinha direito foi ligeiramente amenizada.

Ainda no setor higiene,  jamais vi algum dos donos da casa (um casal, mais a filha) com cara de quem tivesse tomado banho.  O único contato que presenciei deles com a água não foi dos mais agradáveis. 

Uma  Uma noite, entro na cozinha e o que vejo???  O dono da casa lavando a cabeça na pia da cozinha.  Na volta ao Brasil, contei isso para meu pai, que comentou com um amigo nosso inglês.  Ele  garantiu que era normal, na Inglaterra, as pessoas lavarem a cabeça na pia da cozinha. O porquê disso não fica claro.  Como disse Caetano, “eu não consigo entender sua lógica.”  Entender ou não entender não tem importância.  Grave é usar a louça e comer comida lavada na pia que também serve para lavar cabeça,  e sabe-se lá se não deixei de ver coisas piores…

Um leitor do Boca fala, até de maneira rude, do mal cheiro das inglesas (leia no comentário do post de ontem)  Ele  está muito bem acompanhado. Famoso e prestigiadíssimo  personagem da política,  tido como mulherengo,  diplomata em Londres, ao responder a uma amiga se havia gostado das Inglesas, foi taxativo:

– São bonitinhas, mas muito mal lavadinhas…
 
Voltando à minha experiência com a família inglesa,  passo aos pequenos  truques, golpinhos que me aplicaram. 

Paguei aqui no Brasil uma determinada quantia para a Escola que freqüentei e outra quantia que foi diretamente para a família que me hospedou.

Está mais do que implícito que um quarto alugado durante o inverno em uma casa na Inglaterra tenha calefação.  Pois não é que a dona de casa me disse que a calefação não estava incluída e que eu deveria pagar.   Não quis brigar e concordei. Ela me deu o valor semanal da calefação. Argumentei que pretendia viajar todos os finais de semana e que preferiria pagar por noite a calefação, quando eu, de fato, estivesse usando.  Ela não concordou.  Cobrava sempre por sete noites, embora só ligasse cinco vezes por semana.

Eu e o Javier, mexicano que também estava ali hospedado,  éramos apenas meios de a dona de casa, landlady, reforçar o orçamento.  Nada além disso.

Perguntou-me ainda se eu queria que ela lavasse minha roupa e já foi logo dando o preço.  Falei que era coisa relativa: como ela já podia dar o preço sem saber quanta roupa seria?  Ela foi clara: esse preço é para a quantidade de roupa  que pessoa normal usa por semana : duas camisas, duas meias e duas cuecas. Agradeci e disse que eu mesmo levaria para a lavanderia.

Curioso é que mesmo quando queria ser simpática e mostrar eficiência, ela era seca e até meio rude.  Elogiei bastante os ovos mexidos do café da manhã. (scramble eggs, certamente escrevi errado) de lá. Imediatamente, me responde:

– Às terças e quintas  (lembro-me que eram exatamente esses os dias) tem.

Sou cara extremamente justo, o que é certo é certo e, como já disse e repeti, detesto desperdício.  A dona da casa pediu que avisasse sempre com antecedência quando fosse viajar no fim de semana, para que ela não comprasse comida para mim.  Perfeito.  Nada de desperdício.

Meu pacote de hospedagem compreendia: quarto de domingo a domingo,  café da manhã e jantar de segunda a sexta e as três refeições do sábado e do domingo. 

Como já  disse,  todos os fins de semana, viajei.  Ou seja, deixei de consumir sete refeições a cada fim-de-semana.  Passei lá seis semanas, logo foram  exatamente 42 refeições que, embora tenham sido pagas, não foram consumidas.
 
Uma noite, durante o jantar, ela me pergunta em que dia eu iria embora.  Falei que seria dali a dois sábados.  Ela diz:

– Pois bem,  o café da manhã do sábado em que você vai embora, você vai ter que me pagar porque a escola só me paga até sexta-feira.

Eu falava legal  inglês e entendi perfeitamente.  Mas, por segurança, confirmei em Portunhol com o mexicano Javier.  Pedi que não comentasse nada, mas lhe disse que iria denunciá-la para a escola. E a escola, muito provavelmente  iria descredenciá-la na mesma hora.  Se eu tivesse consumido todas as refeições previstas, perfeito que ela cobrasse essa extra. 

Detalhe: alguns brasileiros levam lembrancinhas típicas daqui, um anelzinho de água marinha e outras besteiras baratinhas para a dona da casa..  Eu havia levado  três quilos de café da melhor qualidade,  panela própria para esquentar a água, bule, coador e xícaras de porcelana pintadas a mão.  Isso não vem ao caso.  O que conta é que eu deixei de consumir 42 refeições e ela quis me cobrar um ovo, uma torrada e uma xícara de café (aliás, que eu havia lhe dado).

A história acaba assim: fui-me embora na 6. Feira.  Deixei barato, não denunciei na escola e  não teve o quebra-pau anunciado. Nesse momento em que escrevo, acho que agi mal: devia ter denunciado.

Ingleses não são efusivos, abraços e beijos não jorram por lá com parte de cumprimentos.  Mas é lógico que depois de conviver um mês e meio, por mais frio que sejam todos os envolvidos,  na despedida, apertam-se as mãos e até um beijinho e abraço  fazem parte da coisa. 

Eduardo e Marina, brasileiros que iam comigo ao Aeroporto e passaram em casa para me apanhar de táxi, ficaram impressionados porque, já dentro do táxi, limitei-me a um aceno com a cabeça de despedida.

Quatro anos após, morei cerca de quinze dias em casa de família americana.  180º  opostos.  Conto logo mais. 

Para terminar legal, a receita do fabuloso scramble eggs.

Ovos mexidos da Markham Road 103 – endereço da casa  da família em Bournemouth

Fazer uma torrada de pão de forma com manteiga.  Mantê-la quente.
Reservar.

Em uma panelinha pequena, derreter manteiga, quebrar um ovo e, quando começar a fritar, colocar uma colher de leite, diminuir o fogo, por sal e pimenta do reino.  Mexer e quando estiver no ponto (eu gosto mole) colocar sobre a torrada quente.   Comer acompanhado de  café forte servido na xícara grande.  É muito bom!!! Gotinhas de Tabasco, um pouco redundante, já que vai pimenta do reino,  também são bem-vindas (acho que agora bemvindo é tudo junto)!!!

Ovos mexidos da Markham Road 103 – endereço da casa  da família em Bournemouth

Fazer uma torrada de pão de forma com manteiga.  Mantê-la quente.
Reservar.

Em uma panelinha pequena, derreter manteiga, quebrar um ovo e, quando começar a fritar, colocar uma colher de leite, diminuir o fogo, por sal e pimenta do reino.  Mexer e quando estiver no ponto (eu gosto mole) colocar sobre a torrada quente.   Comer acompanhado de  café forte servido na xícara grande.  É muito bom!!! Gotinhas de Tabasco, um pouco redundante, já que vai pimenta do reino,  também são bem-vindas (acho que agora bemvindo é tudo junto)!!!

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Bom casamento e boa diversão para os ingleses, na esperança de que nesses anos que se passaram eles tenham se tornado mais generosos e não submetam mais seus hóspedes a cenas explicitas de roubos de ovos e torradas.  

Esses Toscos Portugueses e Suas Fabulosas Máquinas de Fazer Dinheiro – 2 –

Portugueses donos de padaria, embora muito toscos, são campeões de ganhar dinheiro.  Já escrevi sobre o assunto.http://bocanotrombone.ig.com.br/2009/08/17/esses-toscos-portugueses-e-suas-fabulosas-maquinas-de-fazer-dinheiro/

Pois bem, em menos de 12 horas no sábado, em fabulosa padaria,  tive dois exemplos formidáveis de quão toscos são esses comerciantes.  Alguns propriedtários de padarias acham que luvinhas plásticas para os funcionários atrás do balcão são a panacéia para todos os males e capazes de zelar pela higiene absoluta, como se o o plástico  tivessa algum poder  mágico de, tal qual um Midas da higiene, esterelizar tudo o que for tocado.  Assim, nessa fabulosa padaria, o funcionário  que estava servindo  todos os pães no sábado de manhã  simplesmente abandonou o pegador de pão.  Com a mesma luvinha que pegava os pães para os fregueses, manuseava  aquelas comandas que passam pela mão de todo mundo, caem no chão, ficam no caixa junto com o dinheiro; o freguês leva para o banheiro, etc, etc…

No comecinho da noite do sábado, poucas horas após, portanto, na mesma padaria, enquanto tomo café,  vejo um funcionário  em pé, com sapatos, sobre o balcão onde são preparados os sanduíches.  O rapaz, com sapatos em pé sobre o balcão, limpava com exemplar capricho o  exaustor.  Queria ver o final da cena e pedi outro cafezinho. O final da cena foi o que imaginei.  O zeloso funcionário, finalmente, deixa o exaustor brilhando, livre do mais ínfimo resquício de gordura.  Com o mesmo pano que fazia o serviço, dá uma levíssima passada onde, segundos atrás, pousava os sapatos.   Pergunto para esse funcionário se ele não ia passar um pano com desinfetante sobre o balcão.  Taxativo e “zeloso”,  ele  responde:

– Não pode porque a chapa tá ligada.

E  ficou por isso mesmo.

Algumas coisas:

  • o que os olhos não vêem, o coração não sente.
  • alguém pode dizer: como esse cara (eu) é ingênuo; ele sequer imagina o que fazem lá para dentro de todos os lugares onde ele come.

O ponto é exatamente esse: se o sujeito faz isso em pleno funcionamento da padaria, na frente dos fregueses, imagine o que não faz quando ninguém tá olhando!!!

Em tempo, os dois gerentes estavam nas proximidades dessa cena e não falaram nada.  Tampouco eu lhes falei  coisa alguma.

Deixei de considerar fabulosa essa padaria e também de frequentá-la.

Inspeção Veicular – Todos os Anos – É Abuso!!!

A inspeção veicular é necessária/boa  para o ar da cidade e para a saúde.  Concordo.  É o sacrifício que se faz por uma qualidade de vida melhor. 

Mas submeter  o cidadão  todos os anos a mais essa burocracia é abusar demais!!!  Uma vez a cada quatro anos seria razoável.

Que se produzisse   um laudo da inspeção   mencionando que o veículo fora  aprovado e o estado geral em que se encontra.  Caso algum equipamento fosse intencionalmente violado, o proprietário seria punido.

Outro abuso: imprimi meu boleto para pagar no Banco. Valor R$ 61,98. 

Ou cobra 61 ou cobra 62.  

Dei R$ 62, a moça do  caixa do Banco carimbou e sequer mencionou o fato de não ter troco.  Pedir desulpas, então, nem pensar!!!

Freqüento com certa assiduidade um lugar onde há simpático cartaz com os dizeres:  gentileza gera gentileza.

O caixa do Banco me provou algo semelhante: arbitrariedade e falta de bom senso  geram  arbitrariedade e falta de respeito!!!

Marcelo Duarte tem um programa na rádio  Band News que se chama É Brasil que não Acaba Mais,  com riquezas da nossa diversidade cultural e outros aspectos curiosos de nosso país.   Uma delícia de programa!!!

Inspeção Veicular Abusiva e a Caixa do Banco, infelizmente, compõem esse outro É BRASIL QUE NÃO ACABA MAIS!!!

Virada Cultural – Bom Momento para se Pensar Sobre Agressões à Cidadania!!!

Não conheço os critérios que empresas, governos utilizam para determinar onde vão anunciar seus produtos.  Sei que as agências de publicidade têm equipes de profissionais especializados na coisa.

Vejo  no topo do meu blog  hoje, agora, na hora em que escrevo,  pelo menos, um anúncio da Virada Cultural. O tema  é Descubra um Final de Semana para Ficar Virado/ Para onde você vira, tem Virada.   Legal, muito legal. Sinto-me orugulhoso pela escolha e também porque    acho o máximo ver as pessoas nas ruas se divertindo, não importa que  indo atrás de cultura ou apenas enlouquecendo na Parada Gay.

Pena que isso aconteça em apenas mais  meia dúzia de dias por ano: carnaval, reveillon.   Pena, imensa pena!!! 

Seria o máximo que, independentemente de haver ou não festivadades nas ruas e praças,  todo mundo voltasse a dar passeios pelos bairros após o jantar.  Passear pelo quarteirão, bater papo com vizinhos, tomar um café/suco/cerveja/cachacinha no bar da esquina. 

Lembro-me que há muitos anos cheguei cedo ao centro para ir ao Teatro e outra vez que fui de metrô e queria voltar a pé, após o espetáculo.   Muitas  ruas do centro são bonitas, sobretudo à noite.  Mas não há viva alma em lugar algum e todos os bares estão fechados.   Precisa ser muito, mas muito macho mesmo, ou muito louco  para andar sozinho e despreocupado pelo centro depois das 21 horas.  Voltei de Taxi.

E não adianta botar a culpa apenas na televisão.  

Mesmo em bairros mais movimentados, é um inferno andar pelas calçadas.  É um inferno graças ao que???  Graças a mania do brasileiro de tornar a coisa pública privada.  Literalmente privada de cachorro e outros absurdos,  norteados  pelo mesmo príncipio.

Casas e prédios, sem a menor cerimônia, constroem próximo ao meio fio enormes cestas de ferro para colocar lixo.  Essas cestas poderiam estar dentro do terreno do condomínio, jamais no meio da calçada, tomando lugar dos pedestres e impedindo que se abra a porta do carro.  É absolutamente inacreditável e inconcebível!!!  Uma afronta!!! 

Mais uma coisa,  oito de dez casas ou prédios instalaram uma merda de uma luz , que conforme aquele que já foi chamado de cidadão, agora rebaixado para supseito,  vai passando, essas luzes vão  explodindo em seus olhos.  É impossível andar três quarteirões à noite sem ficar com dor de cabeça. Outra afronta inominável.

E cadê a prefeitura (ou outra autoridade competente) que não proíbe  nem uma coisa, nem outra!!!

Curioso é que exatamente esses moradores, mais de 95% deles, tenham em seus carros aqueles vidros absolutamente nigérrimos.  A lógica dos elementos moradores/motoristas: para mim, privacidade; para o cidadão que deveria ter o direito de  andar  pela calçada em paz, jato de luz na cara, como se fosse meliante “escrachado” (termo da giria do jornalismo policital quando criminoso é apresentado para ser fotografado com flashes pela imprensa.)

Essas luzes são dirigidas para quem anda pelas calçadas.  Quando visita (ou morador) vai entrar nas maioria dos prédios há um outro holofote, mirando os olhos,  para dar boas-vindas.

Por uma cidade onde todos possam passear à noite, todas as noites do ano e que ninguém seja agredido e tratado como marginal até que se prove, realmente, tratar-se de marginal. 

Uma das definições do meu Aurélio Eletrônico para marginal é: ” Diz-se de pessoa que vive à margem da sociedade ou da lei como vagabundo, mendigo ou delinquente; fora da lei”

Pois bem, de acordo com essa definição,  marginal é um fora da lei.

Na minha opinião,  atribuir-se ao  direito de tratar todos os  cidadãos que passam em frente – do lado de fora – de sua propriedade como um marginal, sem ser autoridade competente, está fora da lei; portanto,  esses instaladores de holofotes são, eles sim, MARGINAIS!!!  Como alguns acham legal dizer:  Simples assim!!!]

Aproveitem a Virada Cultural. 

Para rimar, serial legal se os setores competentes pensassem sobre essas arbitrariedades e colocassem freios definitivos na coisa.  Freios e multas.  porque esses xerifinhos urbanos  só têm um órgão sensível: o bolso

Assistir a Tragédias Enquanto Janta – Costume Difícil de Engolir!!!

Tragédias acontecem. É importante estar informado a respeito do que se passa na cidade, no país e no mundo.  O locutor do telejornal diz  que deslizamento de terra no morro causou certo número de mortes é informação suficiente para mim.  Ao perceber que o repórter vai entrevistar a mãe do bebê soterrado, eu  mudo de canal imediatamente.

Agora, o grande público curte todos os detalhes;  e quanto mais mórbidos,  melhor.

Parece que eu estou certo e o grande público, errado.

Pelo menos é o que se deduz da manchete do Jornal da Tarde do último domingo:   “Acompanhar tragédias aumenta risco de enfarte”. No corpo da notícia está dito que “depois de uma tragédia, como o terremoto que atingiu o Japão no início do mês, ou os deslizamentos de terra no Rio, em janeiro, a incidência de enfartes, AVCs (acidente vascular cerebral ou derrame) e outras doenças do sistema cardiovascular cresce até seis vezes”, de acordo com estudos brasileiros e internacionais.

Embora não seja do ramo, me permito  concluir que uma eficiente maneira de turbinar ainda mais esses números e esses malefícios  é seguir desgraças na TV  mesmo durante as refeições.  É a fome com a vontade de comer (leia-se – de dinamitar a saúde de qualquer mortal).

Se o grande público gosta de jantar vendo tragédias no Telejornal é direito legítimo, desde que em casa, só, junto com a família ou amigos que tenham o mesmo prazer.

Seria interessante que donos de bares, restaurantes e etc lessem/se informassem a esse respeito e retirassem todas as televisões existentes.  Afinal, todo mundo tem direito de jantar, almoçar, tomar cerveja  sossegado. 

Quem quiser, repetindo,  que se embriague de morbidez durante as refeições  em casa, só ou acompanhado de quem aprecie a coisa.

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Um Outro texto sobre o mesmo assunto (já escrevi vários, basta ir navegando pelo blog): http://bocanotrombone.ig.com.br/2010/06/08/televisao-ligada-24-horas-por-dia/

Só Falta Restaurante Fechar na Hora do Almoço

Bancos abrem para o público às 10 horas e fecham às 16:00. 

Qual é o horário que o trabalhador tem para pagar suas contas???

Hora do almoço, naturalmente. 

É incrível, mas na hora do almoço, os caixas também vão almoçar.  Lógico que os caixas têm todo o direito de almoçar.  Assim, bancos (setor mais lucrativo da economia) precisam contratar funcionários para que os caixas funcionem durante todo o período que o banco está aberto ao público.

Dos cinco guichês de caixa de Banco Oficial  em Pinheiros, às 14,15hs de hoje, apenas dois estavam abertos.  

Mais estranho e paradoxal  do que isso, só restaurante que fechasse  no horário do almoço e do jantar!!!

É para Isso que Serve Twitter do Supremo???

Quer dizer que o Twitter do Supremo Tribunal Federal (STF) é para se fazer comentários e traçar paralelos entre aposentadoria do Ronaldo e do Presidente do Senado??? 

É dessa maneira que se utiliza o tempo no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL???

É só para entender!!!

Curioso é que, como se pode ver, Nota do Supremo  diz que a mensagem “não reflete o pensamento da Corte”.   E a  questão de funcionários, terceirizados ou não,  ficarem brincando no Twitter do Supremo, certamente no horário de expediente, não tem relevância e não merece qualquer pedido de desculpas???

No Grito da Moda – Por Mais Imbecil que a Moda Seja!!!

Década de 70.

Boyzinho rico da periferia, quando comentei que seu  carro, um Puma, era muito rebaixado, pegou uma fita de gravador cassete.  Colocou a fita  – apoiada no comprimento – (o que deu cerca de  4 dedos ) – no asfalto  sob o para-choque e, orgulhosamente, disse:

– É tão rebaixado que nem a fita passa.

Imagine o estrago que buracos e lombadas faziam e fizeram na suspensão do carro e no recheado bolso do boyzinho.

E eu tenho certeza que há de chegar um dia em que  alguém convide um amigo  para entrar em seu carro e – de tão escurecido os  vidros – , orgulhosamente, anuncie:

– Observe que maravilha: não dá para enxergar porra nenhuma.