Whatsapp – Céu e Inferno

Atriz Denise Fraga, em sua coluna da Revista da Folha de Hoje, saúda, entusiasmada, o advento do Whatsapp.

“Nas últimas festas de Fim de Ano, a maior estrela das casas foi mesmo o Whatsapp.  As famílias se multiplicaram na medida que  cada integrante trazia em sua telinha mais um tanto de amigos para a ceia”

Para mim, essa cena/situação, que deve mesmo ter se repetido em todas as ceias/almoços de Natal, Reveillon e Ano Novo, é a verdadeira visão do inferno.

Ninguém mais está 100% presente onde se encontra, muito menos ainda  interagindo com quem está ao seu redor.

Denise Fraga, entretanto,  tem outra visão:

“Esse é nosso novo desafio: entender  quem  somos com  esse novo órgão chamado smarthphone.  Saber estar aqui com o poder de estar em vários lugares ao mesmo tempo.  Vamos tentando. Aprendendo a viver Partidos.”

Que a Vida e Deus me mantenham  o mais tempo possível longe do smarthphone e congêneres. O que mais quero é estar 100% no lugar em que, de fato, estou.  Gostaria, isso sim,  cada vez mais, trazer dentro de mim a sensação cantada por Gilberto Gil;  “o melhor lugar do mundo é Aqui e Agora”

Diz Denise: “o grande bônus é que essa coisa tão moderna acabou por recuperar um hábito muito antigo: a comunicação escrita.”

Concordo que a comunicação escrita seja salutar, mas sempre que exercida quando se está a sós, com o papel e caneta, ou diante de um computador.  Tanto acho salutar que, desde o início, sempre usei o email com se estivesse escrevendo uma carta,  com a vantagem de que em seguida não teria o trabalho de selar e enviar  através de correios, ou mesmo de caixas postais, espalhadas pela cidade.

Frase minha sobre o capricho que tenho para escrever  emails e sua impiedosa volatilidade: “Segundos após serem lidos, meus bem escritos emails se esvaem no éter da Internet”

Denise termina o artigo dela “diante do que nos tornamos, talvez tenhamos agora, ao alcance de nossos dedos, o verdadeiro resgate das declarações de amor.”

E eu termino essas linhas com frase do amigo Luiz Scott  Scott:  “Com o WhatsApp, a gente deixa de ter um dedinho de prosa para ter uma prosa de dedinho”**

Sem dúvida, engraçado.  Na minha opinião, também trágico.

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* Ouça Gil – Aqui e Agora – Clique

** dedinho de prosa – conversa muito rápida.

 

2 pensou em “Whatsapp – Céu e Inferno

  1. Wathsapp muda tudo; é a verdade sem intermediários. Como ensinam Toquinho e Vinicius, em “Aquarela”: “Um menino caminha e caminhando chega no muro/E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está./E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,/Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar./Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar./”. E como sabemos que o novo vem e que sempre vence, só nos resta tentar compreender a modernidade. Você já parou para pensar Mayr?: o seu celular é um canal de televisão (como a globo, Record, etc), você pode gravar o que quiser e distribuir ao mundo. As pessoas deixaram de ser refém de poucas. A notícia pode dispensar intermediários. Aldeia global; o mundo em suas mãos. Um abraço

    1. Caro Clérson:

      Prefiro fazer tudo isso no meu computador em casa.
      Além disso, sempre detestei carregar coisas nas mãos.

      De qualquer forma, sei que os recursos são muitos. Mas não tenho paciência para absorver mais tecnologia.

      Grande abraço

      Paulo Mayr

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