“Meretíssimos, Excelências – Data Vênia, Pensem Bem!”*

Notícia no Uol dá conta de que Juízes Federais convocam paralisação nacional em protesto pelo fim do auxílio moradia.

Quando eu era criança,  li ou ouvi:

“Não falte ao trabalho.  O patrão pode perceber que você não faz falta.”

Vai que a Sociedade perceba o mesmo que  o patrão da historia de quando eu era criança…

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*O Título é no Estilo Pomposo pois eles adoram Pompa

Picasso

O pintor Pablo Picasso, toda vez que ia ao mercadinho comprar comida para casa, pegava um papel de embrulho, fazia um desenho rápido e deixava para o dono, como pagamento. Jamais deu dinheiro.

Um dia, o dono, irritado, pega outro pedaço de papel, rabisca um barquinho e assina –           P I E R R E.

Depois de receber o  habitual desenho no papel de embrulho, o comerciante entrega “a arte” que fizera.

Picasso:

– O que é isso?

O dono do Mercadinho:

– O Troco!

Perfeição no Constrangimento!

Muito constrangedor  funcionário ao sair do trabalho ter bolsa ou mochila aberta e examinada pelo patrão ou segurança.

Agora, atingimos a perfeição.   Crianças de seis, sete anos têm suas mochilas revistadas por soldados com fuzis (ou sei lá como se chama essa arma, pois, graças a Deus, não entendo do Assunto) na Zona Norte do Rio.

Alguém vai dizer: como esse Paulo é ingênuo, marginais usam as mochilas das crianças para fazer armas circularem.

Mesmo assim, pergunto:

  • É ou não é absurdo, afronta? (tenha lá o nome que se quiser dar).
  • Viemos ao mundo para sermos tratados dessa maneira?
Não é pesadelo.  Está acontecendo.

Alguém já disse: o ser humano é um projeto que não deu certo.  Há como se contestar?

Garrafa de Champagne

Mesmo com o preço camarada que o Toninho Mariutti,   banqueteiro de nove em cada dez  milionários paulistanos , cobrou, já que estudamos juntos no Ginásio, o  jantar para meu chefe,  a mulher,  eu e minha namorada saiu uma fábula.

Tudo na  vida é relativo.  Para qualquer um da Fiesp, aquilo era dinheiro de Pinga;  para mim,  suficiente para eu viver bem umas três semanas.

Mas era bom investimento:  o cargo de Diretor de Comunicação estava em Jogo.

Perfeição  discreta  nos mínimos detalhes.     Cardápio do Jantar,  em pergaminho,   escrito por  calígrafo ao lado dos prato de cada um dos convidados. Quatro taças:  para a água,  para o Jerez que acompanharia o melão com presunto cru;  a terceira para o Quinta da Bacalhoa para o bacalhau ao forno com arroz, batata ao murro e brocoli e a última para o Vinho do Porto 20 anos, que harmonizava à perfeição com os mini doces portugueses da sobremesa.

Na sexta, a mesa foi posta e coberta com uma toalha.

Chegou o sábado, chegou minha namorada, chegaram meu chefe e a mulher.  E, logo depois,  sem aviso,  sem nada, chegou  o Marcílio.  Mal  o interfone tocou e ele já estava com o dedo na Campainha.

Abro a porta.

–  Ora, uma festança dessas e você nem me convidou.

– Marcílio,  esse jantar é para o meu chefe  Roberto e Renata, mulher dele.

–  Paulo, onde comem 4, comem 5!  Junta mais os pratos que vou colocar um lugar para mim.

– Divertido seu amigo, Paulo. Boa ideia ele jantar conosco.

– Tá vendo, como eu sou aceito por todos.

– Jantar com chefe tem que ter Champagne, vou à geladeira pegar a garrafa que eu trouxe no Natal e não abrimos.

–  Marcílio, não, não.  Não chacoalha a Garrafa.

– Tem que estourar.  Um, dois, três.

A garrafa estava apontada na direção  da Renata.  Champagne por todo o colo dela e a rolha bem na sua testa.

– Vou à cozinha pegar sal para colocar nesse galo e já trago um pano de prato, disse Marcílio.

Quando demos pela coisa, ela já tava  passando sal na testa da Renata e o pano enxugava o champagne do Decote.

– Vou voltar para a cozinha e re-organizar o jantar.  Repetindo, onde comem 4, comem 5.

– Pensando bem…     ia continuar  Roberto

– Pensando bem, nada como o inesperado para dar sal ao Bacalhau.  Sal ao Bacalhau!  Gostaram dessa?

Quatro pratos de Pirâmides de melão entremeadas de Presunto Cru foram transformados em  cinco gororobas.

–  Esse é um clássico da gastronomia que nunca sai de moda.  É sempre uma delícia,  ainda  que o visual não esteja lá essas coisas,  não é mesmo, galera?

– É!  em uníssono!

– Terminem aí o melão, que eu vou cuidar do bacalhau.

– Não, não, protestou  Ana Cristina, minha namorada.

Faço questão.

Cinco minutos depois, ele aparece com uma imensa travessa.

– Vejam, criação minha:  risoto de bacalhau,  misturado com florzinhas de brócolis e pedacinhos de batata!  Não tá lindo?

– Faço questão de servir.

– Primeiro, a vítima da minha rolha mortífera, e dá uma gargalhada.

Para cada um que servia, uma piadinha.

– Atenção, atacar!

Pega uma azeitona do bacalhau, coloca entre os dentes e morde.  O caroço foi parar no olho  do meu chefe.

Enfurecido,  Roberto, levanta-se e, em voz alta, anuncia:

– Chega. Vamos embora.  Paulo, se ainda quiser ser diretor de alguma coisa, acho melhor cê procurar em outra empresa.  Marcílio,  vamos   patrocinar uma ONG que cuida de crianças excepcionais e você vai ser contratado para ser o Primeiro  Pallhaço   em Tempo integral.

Saiu e bateu a Porta.

–  Paulo, cê viu como eu agradei?

– Cala boca, Marcílio. Senão eu pego aquela rolha e coloco,  você sabe onde.  Aliás, acho que vou preferir a sua Garrafa de Champagne!

Serial Killer Desajeitado

Assassinos em série, serial Killers, em português, não são  comuns no Brasil.

Agora, que eu tenho vontade de fuzilar todos que estão ao celular, ainda que apenas extasiados diante daquela merda de tela, ao invés de conversar com amigo ao lado, ah, isso eu tenho mesmo…

Mas não se preocupe.  As únicas armas  de  casa são as facas de cozinha.  Aliás, tão mal amoladas…, porque eu sou tão desajeitado…

Barbárie não Tem Limite

Em prestador de serviço vizinho à minha casa, local coberto,  sujeito, se preferir,  elemento,  usava, óbvio, boné;  tinha rabo de cavalo, não só no cabelo, como no no cavanhaque.

Mistura de duas teorias, uma de Domínio Público (1ª) e a outra minha.

  • A natureza limitou a inteligência, mas não limitou a burrice.
  • Educação e classe têm limites; a barbárie, não.

Você pode contrapor, mas que sujeito chato é esse Paulo.  O cara podia estar com  uma bela de uma camiseta regata com sovaco de fora.

Sim, poderia, como poderia estar de sunga de praia, já que a barbárie não tem limite.

Com falta de falsa modéstia, sugiro, para quem não leu, meu texto também aqui no Trombone: Educação Formal e Educação Informal, Ambas Imprescindíveis.